X-men: Novo Mundo
2 O Gene X Mutante: Parte I
Archie Armstrong.
O silêncio imperava dentro da sala de aula. Todos os alunos permaneciam em silêncio enquanto aguardavam o temporal passar. O medo era fácil de ser encontrado no rosto de alguns alunos, enquanto outros pareciam relaxados e sonolentos.
Archie Armstrong — um dos alunos que estava na sala de aula — olhava para além da janela, perdido em mais um de seus devaneios. O rapaz havia completado dezesseis anos há pouco tempo, mas infelizmente não havia ganhado uma festa ou presentes caros. Apesar disso, o jovem Armstrong não se importava. Pouco ligava se tinha ou não a última moda, sapatos caros ou aparelhos de última geração. A verdade é que Archie se contentava em ganhar livros ou cadernos. Seus hobbies são devorar livros — metaforicamente — e desenhar.
O trovão ecoou pelo céu, carregando consigo um barulho poderoso, capaz de ser sentido. Alguns alunos pareceram se assustar, pois o silêncio havia sido quebrado entre eles e agora falavam — levemente ofegantes — buscando conforto e descontração entre eles.
Para Archie, o barulho serviu para acordá-lo de seu devaneio. Os pensamentos que antes preenchiam a cabeça do rapaz, agora se dispersavam, permitindo que o mesmo se tornasse lúcido e pudesse ver o que estava acontecendo ao seu redor.
A professora levantou-se e interrompeu os alunos:
— Bom... Como vocês podem ver a aula não poderá continuar. Não enquanto a luz não voltar. Sugiro que fiquem em seus lugares e aguardem mais um pouco — fez uma breve pausa para verificar a hora em seu relógio de pulso — Para falar a verdade, eu não acho que teremos tempo para encerrar o assunto que estávamos vendo. Então por favor leiam o restante do capítulo quando chegarem em suas casas. O ônibus chegará logo, só aguardem mais um pouco — sugeriu novamente e caminhou em direção à porta e permaneceu quieta.
Archie voltou sua atenção para o lado de fora, pois a sala estava escura demais para ler ou fazer qualquer outra coisa. Agora restava somente esperar.
∞
Vinte minutos haviam se passado desde que a professora havia pedido para que os alunos aguardassem. E finalmente os ônibus já estavam prontos para levá-los.
Os alunos corriam em direção ao ônibus escolar, usando suas mochilas ou pastas para se proteger dos pingos de água.
Archie havia sido um dos últimos a entrar no ônibus.
— Archie! — uma jovem de cabelos negros como ébano o chamou — Venha. Sente-se aqui — pediu.
O rapaz caminhou com passos cuidadosos, enquanto passava pelo corredor do ônibus, até chegar ao banco onde estava sua amiga. Em seguida sentou-se ao lado dela.
— Ei Violet, não te vi hoje... Matou a última aula, foi?
— Eu não diria que matei, acho que a palavra que melhor descreve a situação seria “indisposta” — falou num tom zombeteiro — É, foi isso mesmo. Eu estava indisposta! — ao finalizar ela deixou escapar um riso bobo de seus lábios.
— Para falar a verdade você não perdeu muita coisa. Ficamos sem luz na sala de aula...
— Imaginei. Ela deixou algo para fazer? Não! Ela fez a chamada? — falou rapidamente, interrompendo a si mesma.
— Não fez. Para a sua sorte.
Archie abriu a mochila e começou a fuçar o livro de história.
— Aqui — apontou para a página — Ela só pediu para lermos o capítulo.
— Que tédio — disse descontente — Bom, pelo menos só teremos que ler.
— Sim. Enfim... Onde esteve durante a aula? — perguntou, tentando não parecer muito invasivo.
Os olhos cor de esmeraldas de Violet pareceram se perder por alguns segundos, como se buscasse pela mentira mais aceitável possível e não a mentira perfeita.
O motorista deu a partida e rapidamente o ônibus já não estava mais na escola.
— Ah! Você sabe — pausou por alguns segundos — Lembra daquele garoto que estava conversando comigo por mensagens? Então, eu finalmente tomei coragem e fui encontrá-lo — falou enquanto olhava para as próprias unhas, sentindo-se culpada por não falar toda a verdade.
— Só isso? — perguntou desconfiado — Nenhuma flor ou chocolate no primeiro encontro escondido? Eu gosto quando eles te trazem chocolate — finalizou demonstrando sua tristeza.
— Archie eu acho que está viciado em chocolate... E o pior disso é que a culpa é minha — soltou um riso — A partir de agora eu vou parar de te dar os chocolates que os meus pretendentes me dão — disse com firmeza.
— Você não seria capaz, seria?! — indagou de forma desesperada.
Violet não o respondeu. Ela simplesmente sorriu, ignorando-o e virando-se para a janela.
∞
Ao chegar em seu bairro Archie se despediu de Violet e desceu do ônibus.
A casa de Archie não ficava muito longe do ponto de onde ele havia descido. Ele caminhava com passos urgentes, pois ele queria chegar em casa o mais rápido possível.
A chuva ainda não havia parado — ela continuava a cair, sem dar brechas ou qualquer sinal de que iria parar em breve.
O rapaz se sentiu aliviado ao avistar sua casa. Ele estava molhado e com frio. Ele simplesmente queria entrar, tomar uma ducha e se aquecer.
Archie subiu os três degraus da entrada de sua casa com passos descuidados, escorregando acidentalmente, tendo uma vista curta do percurso que estava fazendo — caindo de cara no chão. Contudo, o descuido de Archie foi reparado pelo imprevisível. Seus olhos estavam arregalados, incapaz de compreender o que estava acontecendo.
A distância entre Archie e o chão era pequena. Mas ele era capaz de sentir uma corrente de ar o envolvendo, impedindo que ele tocasse o piso de madeira de sua varanda. Ao tocar o chão com a mão, ele sentiu a pressão do ar que o segurava diminuir, permitindo então que ele se sentisse seguro para poder levantar.
“Mas o que...” — perguntou a si mesmo, não conseguindo formular uma pergunta ou qualquer outra coisa que satisfizesse a sua curiosidade, levantando-se em seguida.
Ainda incrédulo com o que havia acontecido, Archie balançou a cabeça, como se estivesse tentando acordar de um sonho e se aproximou de sua porta buscando por apoio, sentindo-se um pouco tonto.
Archie sabia que ficaria louco se continuasse a quebrar a cabeça para tentar entender o que havia acontecido. Ele resolveu que seria melhor deixar para lá e que pensasse em outra coisa.
— Você ainda não está louco, um pouco doente, talvez. Mas louco não! — falou consigo mesmo.
No entanto, era inevitável. Mesmo após entrar em sua casa, os seus pensamentos continuavam, perguntando-se o que era aquela coisa invisível que o segurou e se ele deveria ter medo.
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