Notas iniciais
Viram que eu também tenho uma habilidade mutante? Sumo, mas apareço depois de algum tempo! Infelizmente estou sem celular e PC. A verdade é que ainda tenho meu celular, mas ele tá muito ruim e fica difícil para escrever. Enfim, arrisquei um pouco e consegui escrever esse capítulo!

Archie Armstrong ∞ logo após de se despedir de Violet.

O rapaz estava sentado numa cadeira de frente para a mesa e a psicóloga. Ele a encarava inexpressivo. Apesar do tempo que a visitava, ele ainda não se sentia à vontade. Era um incômodo tentar falar e expressar o que sentia. Geralmente ela lhe fazia perguntas e ele respondia da forma mais simples e rápida possível.
Laurel Turner era uma mulher de meia idade. Estudou psicologia e tem um emprego na New York High School desde 2012. Ela era conhecida pelos alunos, mas ela, no entanto, não os conhecia tão bem. Eram tantos rostos e nomes que ficava difícil para ela decorar. Isso não se aplicava aos seus pacientes. Lembrava-se perfeitamente de cada um.
Ela tinha cabelos castanhos longos e lisos. Seus olhos tinham um tom de mel e brilhavam alaranjados quando o sol os iluminava. Bonita. Ela era facilmente considerada uma mulher bonita, e também era muito comum ouvir piadas ou gracejos dos alunos mais velhos. No entanto, ela os rejeitava severamente. Era completamente inapropriado e ela tentava ensiná-los como aquilo não era aceitável. Exigia respeito, mas era impossível conter os hábitos daqueles jovens e insolentes alunos.
A psicóloga sorriu para Archie.
— Como vai, Archie? Sobre o que você gostaria de conversar hoje?
Archie pareceu pensar, mas por fim negou com a cabeça.
— Não há nada. Não aconteceu nada de interessante essa semana... — Archie deu de ombros, fazendo um percurso infinito e circular com a ponta do dedo sobre sua calça.
Laurel segurou a vontade de suspirar.
— Mas, você está bem? Conversou com alguém sobre o que aconteceu? — indagou.
— Sim, estou bem. — mentiu, evitando olhar diretamente para ela. — Pouco. — admitiu, sabia que quanto mais ele tentasse esconder a verdade, mais difícil seria manter a mentira.
— Archie — ela o chamou atenciosamente. — Você precisa conversar com alguém. Dizer o que está acontecendo, o que está pensando... Só assim as pessoas poderão te ajudar a superar isso. Você precisa parar de fugir disso.
Archie bufou, claramente irritado e cansado de tantas pessoas falando o que ele deveria fazer. “Abrir-se, desabafar, compartilhar...”.
— Fugir? — perguntou descrente e parou de mexer o dedo, depositando a mão aberta sobre a coxa. — Eu vejo esses corredores todos os dias e me lembro. O medo que eu senti, a falta de ar, as portas trancadas. Nenhuma saída. — frisou as palavras, carregado de rancor e raiva. — Vejo no olhar das pessoas e sei o que elas estão pensando. — conteve-se. Archie estava com um nó na garganta, sentia a necessidade de cuspir tudo o que estava entalado. E então, percebeu que estava começando a se abrir. Talvez, a insistência da psicóloga era para que ele falasse tudo de uma vez. Ele viu aquilo como uma armadilha e como foi ingênuo.
Archie pensou em sua mãe e em Violet. As únicas que não haviam desistido dele. Era um tanto cruel admitir para si mesmo, mas até ele havia desistido dele mesmo. Entretanto, de alguma forma ele compreendeu naquele momento que ele não queria mais sentir medo.
— Eu estou bem, não tem nada de errado comigo. — deu de ombros, largando qualquer resquício do que tinha em mente. Ele respirou fundo, piscando algumas vezes, tentando evitar as lágrimas. — Posso ir? — perguntou com certa dificuldade.
Laurel se pôs para frente, apoiando os cotovelos na beirada da mesa.
— Você estava indo muito bem. — observou, parecia dispersa, como se ainda pensasse nas coisas que Archie havia falado. — É claro que não tem nada de errado com você, Archie. Eu não sei se você entende, mas eu estou aqui para ajudá-lo e não o contrário. Conversar faz bem... Dizer o que te incomoda também. E é por isso que eu estou aqui! — afirmou sem deixar os olhos longe dele nem por um segundo. — Eu o vejo semana que vem novamente. Obrigada. Agora você pode ir! — informou apontando com um gesto gentil para a saída.

Archie sentiu-se aliviado por poder sair. Ele não gostava de falar sobre o assunto porque isso o deixava com um nó na garganta, sem controle de seus sentimentos e palavras.

Archie tinha como destino a sala de aula, mesmo aquele não sendo o seu horário. Sempre que tinha alguma sessão com a psicóloga, ele ficava até mais tarde na escola — até as duas da tarde, sendo as duas primeiras aulas da senhora O’Donnell, professora de biologia. Então, imaginou que poderia assistir a aula daquela hora e ir embora mais cedo. Mas acabou por encontrar Violet no caminho. Ela estava sentada ao lado de uma garota ruiva e conversavam. Ele não era capaz de ouvir o que falavam e não se atreveu a chamar pela amiga. Permaneceu quieto, longe o suficiente para não ser visto. Pensou em continuar o seu caminho, mas deteve-se quando viu que a cadeira flutuava. Se fosse em outro momento, ele teria negado o que viu, mas depois do que Violet o mostrou, não havia como negar.
“Ah!” — escapou de seus lábios. “Como posso ter me esquecido?!” — referiu-se ao dia que flutuou por um breve momento. Archie não estava louco, sabia que aquele dia existiu e que não foi um sonho. A verdade é que depois do que soube sobre o seu próprio pai acabou se esquecendo o que aconteceu naquele dia. “Será que sou como a Violet?” — no fundo, ele torcia para que fosse. Gostaria de ser especial como ela.
Voltou sua atenção para as garotas, mas não as encontrou mais. Já haviam saído. Archie correu para a sala de aula, torcendo para que encontrasse Violet antes que ela entrasse na sala. Ao se deparar com a porta, viu a amiga já sentada em seu lugar. Com a respiração irregular, ele pediu entre uma respiração e outra, para entrar na sala de aula. A senhora O’Donnell lhe encarou com os olhos sobre os óculos e assentiu com uma expressão carrancuda.
O garoto caminhou com passos vagarosos, procurando por um lugar próximo a Violet, mas nenhum estava. Ele olhou para ela e falou apenas com os lábios, sem emitir um som: preciso falar com você.

A hora passou tão lentamente que Archie não conseguiu acompanhar nada do que foi falado pela Senhora O’Donnell e por mais que tentasse ele não conseguia parar de pensar na possibilidade de ter algum dom. Lembrava-se de como foi estranho a sensação que o envolveu naquele dia chuvoso. O vento parecia ter vida e forma, pois foram como mãos, segurando-o, impedindo que viesse a cair e se machucar.
— Estou aqui! — anunciou Violet ao se aproximar.
Archie estava guardando o material, mas interrompeu no mesmo instante.
— Eu... Acho que sou como você — revelou sem rodeios. — Aconteceu há algum tempo já, mas a sensação foi parecida. Foi como no seu quarto — parou de falar por um segundo, avaliando a expressão de sua amiga. Ela pareceu compreender antes mesmo de que ele terminasse de falar. — Eu parei no ar e senti que algo me segurava. Será que... Também consigo fazer o mesmo que você? — Archie soou incerto, como se não soubesse o que esperar.
Violet ficou em silêncio por um breve momento, olhando para todos os lados, procurando por alguém que pudesse estar ouvindo o que falavam. Rapidamente percebeu que estavam sozinhos e até mesmo a Senhora O’Donnell não estava mais lá.
— É possível sim! — confidenciou num tom baixo. — Hoje uma mulher veio falar comigo e adivinha só? Ela também podia mover as coisas.
— Eu sei... Eu não pretendia bisbilhotar, mas eu te vi. Também vi a cadeira flutuar. Eu não sei porque não me lembrei antes, mas eu tive uma experiência que a única coisa que poderia explicar, seria isso o que você faz — Archie ainda tinha que contar a Violet sobre seu pai. Mas agora só conseguia pensar nas perguntas que gostaria de fazer e das respostas que precisava, e que infelizmente sua amiga não poderia lhe dar.
Os dois arrumaram suas coisas e se retiraram do local. Precisavam de um lugar seguro para conversar.

Notas finais
Obrigado por ler! Até o próximo capítulo (que espero não demorar tanto para escrever ;-;) beijos ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.