No dia seguinte, de manhã, Alex observa, apreensivo, seu irmão Scoot dormindo. Ele espera o irmão acordar e lhe acalmar quando descobrir que tem uma placa de metal tapando seus olhos. Charles e Hank estão sonolentos. Alex diz para eles que também teve dificuldade para dormir. Eles ouvem a campainha. É Sean. Ele chega com suas malas para ficar permanentemente na mansão. Charles lhes dá as boas vindas e pergunta como foi de viagem. Sean começa a falar, mas é interrompido quando Charles percebe a presença de um garotinho tímido atrás das pernas de Sean.

–Quem é ele? — Pergunta Charles

–Esse é meu irmãozinho, Tom, Tom Cassidy — Sean manda seu irmão apertar a mão de Charles, mas ele continua acanhado.

Qual é a mutação dele? — Charles não consegue disfarçar a curiosidade e o entusiasmado.

Sean dá uma risada — O Senhor não consegue pensar em outra coisa professor? Além disso, o senhor pode ler nossas mentes, não precisa nem se dar o trabalho de perguntar.

Ás vezes, prefiro descobrir as coisas do jeito tradicional...só pra variar — Charles aspira um pouco de ar — Além disso, isso iria estragar a surpresa, prefiro ver o que ele pode fazer em vez de apenas saber.

Isso é perfeitamente possível, acho que o bosque é o lugar perfeito pro truque do meu irmão. Mas será que podemos fazer isso depois? Foi uma viagem cansativa.

Entendo. Entrem! Sejam bem vindos á mansão Xavier. Me acompanhem até seus quartos.

Enquanto sobem as escadas, Sean faz uma cara de curiosidade e pergunta para Charles:

Professor, se o senhor não leu nossas mentes, como poderia ter tanta certeza de que meu irmão também é mutante.

– Sean....- Charles dá uma risada- Você não traria seu irmão para o instituto Xavier para jovens superdotados á toa, traria?

Enquanto isso, Alex continua apreensivo, de cabeça baixa, enquanto observa seu irmão dormindo. Hank se aproxima, com um copo de alumínio cheio de suco.

O que vou dizer a ele quando acordar? — Alex diz, perdido e inconsolável.

Alex....sei que está preocupado, mas...olha pra mim. — Hank diz em um tom de consolo. Alex olha, com os olhos marejados.- -Depois que isso aconteceu comigo — Hank abre os braços, chamando atenção para seu corpo- Tive que fazer muitas mudanças na minha vida, tive que me acostumar e me adaptar a muitas coisas desagradáveis, incômodas....tive que me aceitar como eu sou. Eu sei que isso nem se compara, mas...você sabe porque peguei o hábito de usar copos de alumínio, como esse?

Alex balança sua cabeça em sinal negativo.

Porque...toda vez que tento segurar um copo de vidro, não quebrá-lo é o meu desafio.

Alex suspira, inconformado — Com certeza se acostumar com força sobre humana não é tão ruim quanto a se acostumar com cegueira.

E quem te disse que seu irmão vai ficar cego?- Alex se ergue, surpreso com a pergunta, ansioso com a possibilidade de se agarrar em algum fio de esperança- Você passou a noite em claro porque estava preocupado com seu irmão, eu e Charles passamos a noite em claro porque estávamos fazendo isso pra ele — Hank pega um óculos com lentes vermelhas do seu bolso- Esse é um óculos especial, com lentes de Rubi. Charles acredita que será o suficiente para impelir a descarga de energia que irradia dos olhos de Scoot, e ele vai conseguir enxergar.

Alex pega o óculos, quase não podendo acreditar naquilo, e dá uma risada de alívio — Como conseguiram?

–Toda família rica tem suas jóias — Diz Hank, feliz por conseguir acalmar Alex.

–Obrigado...obrigado mesmo...nem sei como agradecer — Diz Alex, emocionado.

–Não há de quê.

Alex e Hank tomam um susto ao receber uma mensagem telepática de Charles:

– Foi um prazer ajudar.

Os dois se divertem com a travessura de Charles.

No agora quarto de Sean e Tom, Sean desfaz as malas enquanto Charles observa satisfeito a felicidade e animação de Tom, enquanto pula na cama nova, grande e confortável como nunca tinha visto antes. Charles ouve o celular tocar e vibrar em seu bolso, são os pais de Jean.

– Alô? Senhor e senhora Grey, que bom que nos retornaram, posso ajudar em alguma coisa?

– Olá Senhor Charles, estamos enfrente ao instituto, no portão, trouxemos Jean...estamos prontos.

– Chego aí em um minuto.

Charles diz que precisa se retirar e os manda ficar á vontade.

Tchau tio Charles! — Diz Tom, animado com a brincadeira e o novo quarto.

Charles desce depressa, feliz em receber a pequena Jean, com poderes tão fantásticos, em seu instituto. Antes de sair, ele para e dá uma olhada no pequeno e pobre Scoot, ainda dormindo, mas agora usando os óculos que Charles preparou especialmente para ele.

Espero que funcione — Charles pensa consigo mesmo, comovido pela triste realidade de um garoto inocente que pelo resto da vida sofrerá as consequências de perversão de Azazel. Charles também sente uma ponta de raiva de Eric, afinal, nada disso teria acontecido se Eric não chamasse Raven para morar com ele, nada disso teria acontecido se Eric não deixasse uma mente tão perversa tão próximo de sua preciosa irmã. Mas, foi Raven que quis, que escolheu ficar com Eric, Charles pensa consigo mesmo, mas não consegue deixar de permitir uma ponta de ressentimento surgir no seu íntimo. Mas isso não importa agora! Tenho uma doce e poderosa menina para receber! A possibilidade de Jean alcançar todo o potencial de sua mutação o deixa intrigado e ansioso. Imagine tudo o que ela pode fazer!

Charles chega até o portão, onde a família Grey o espera dentro do carro. Todos saem do carro quando Charles abre o portão.

– Olá família Grey! É um prazer recebê-los, e será um prazer maior ainda guardar e cuidar da sua filha em segurança.

– Prof. Xavier, estive pensando que entrar no seu instituto deve ser algo fora de alcance de muitas outras pessoas e famílias com mutantes, eu gostaria de agradecer pelo sua ajuda, de fornecer um espaço para nossa filha em sua escola...de graça. — Diz o Sr.Grey, agradecido.

Imagine Sr.Grey, eu não cobro nada dos meus alunos, é um prazer ajudar crianças, jovens e adultos que tem esses dons especiais, assim como eu.

A Sra.Grey se aproxima — Não há como agradecer a tamanha bondade e grande favor que o senhor está nos fazendo, obrigada.

O Sr. Grey completa — Professor, que Deus lhe pague.

É um prazer ajudar — Charles agradece o carinho e volta sua atenção para a menina, que está logo atrás entre 5 malas, 3 caixas, 2 mochilas e outra nas costas!

Olá pequena Jean...Uau! Quanta bagagem. — Charles diz supreso. Os pais e as menina dão risada e assim conseguem aliviar a tensão do clima de despedida. A Sra. Grey se aproximam justificando:

Bom...ela não está vindo pra cá para apenas passar alguns dias né...e, além disso, ela é um pouco vaidosa. — Os 4 riem mais um pouco, a risada fina e inocente da pequena Jean é encantadora.

Bem professor, acho que o senhor vai precisar voltar pro instituto pra buscar reforços! — O Sr.Grey diz, gozando da situação.

– Não será necessário! — Diz Charles confiantemente. Charles se afasta um pouco deles e anda até o portão da mansão, onde se vira na direção da mesma. Se concentra, tocando sua mão na cabeça, e pede ajuda telepaticamente.

Pronto! A ajuda já está a caminho.- Os pais de Jean olham para ele, confusos — O que foi? Se esqueceram? Eu também tenho meu truques.

Na mansão, Hank e Alex estão tomando café na cozinha quando ouvem um grito vindo do salão principal. É o Scoot. Está gritando pelo seu irmão. Os dois largam tudo e correm para lá. Scoot está sentado no sofá, acabou de acordar.

Funcionou! Funcionou! — Alex fica radiante de alegria e alívio quando vê a eficiência dos óculos;- Scoot pergunta o que é aquilo e ameaça tirar os óculos, mas Alex o impede- Não! Não, Scoot...não faz isso, não tira os óculos, você não poderá tirá-los em momento algum, graças a ele você pode enxergar sem destruir tudo á sua volta.

Tudo bem — Scoot diz, ainda um pouco confuso e sonolento. Os dois se abraçam, e depois Alex abraça Hank, ele não consegue esconder a satisfação.

O momento é interrompido pela barulho da porta da mansão de abrindo. Charles, Sean e o pai de Jean chegam mortos por causa do peso das malas e das caixas, enquanto a mãe de Jean chega com as mochilas e a pequena donzela apenas com uma charmosa bolsinha. Eles observam Jean, satisfeitos com sua reação ao lugar. Rodando sua bolsinha, ela dá voltas, observando cada detalhe do salão principal, impressionado e encantada com o tamanho e a beleza do lugar. Hank se retira rapidamente antes que seja notado, para evitar espantos desagradáveis.

Podem deixar as malas aqui, descansem um pouco. Gostou daqui pequena Jean? Então espere só até ver o seu quarto! Venham, quero que vejam como sua filha estará confortável e terá suas necessidades atendidas aqui no instituto. — Charles faz o máximo pra deixar todos bem á vontade.

Disso não temos nenhuma dúvida — Diz o pai de Jean. Ele e sua esposa também olham á sua volta, impressionados com a mansão.

Sean se joga em um dos sofás, depois de uma viagem cansativa e ainda ter feito todo esse esforço, ele precisa recarregar as baterias.

Descanse mesmo enquanto pode Sean, daqui a pouco vou precisar de ajuda para levar as bagagens para o quarto da nossa pequena Jean. — Charles diz, gozando de seu cansaço.

Oooh nããão — Reclama Sean, desencorajado e indisposto.

Minha mãe sempre me castiga quando fico muito preguiçosa. — Ela diz, querendo gozar do estado de Sean.

Todos riem, menos Sean.

Jean está certa! Vamos o caminho é por aqui! — Diz Charles, ansioso para ver o lindo quarto preparado para ela.

Enquanto sobem as escadas, Jean e Scoot fitam um ao outro, ela parece curiosa com os óculos vermelhos, e ele assustado com tanto movimento e barulho de forma tão repentina, afinal, ele acabou de acordar! E ele ainda estava um pouco confuso. Que raios de óculos eram aqueles?!

Alex vai para a cozinha e se depara com Hank terminando sua refeição matinal.

Lembra quando disse pra mim, como você teve que se acostumar, se adaptar, e se aceitar, depois do acidente com a sua mutação. — Diz Alex, em um tom repreensivo.

Lembro — Hank parece já saber onde Alex quer chegar.

– Se aceitar inclui não ter vergonha ou medo de aparecer na frente de outras pessoas, tem que fazer com que os outros também te aceitem como você é.

Falar é fácil- Hank diz, um pouco impaciente.

Os dois voltam a comer.

Por volta de 1 hora depois, Jean e seus pais já conversaram bastante e já estão bem apresentados á mansão. Eles se dirigem até a porta no salão do principal. A hora da despedida chegou. Todos se aproximam da porta. Todos ficam em silêncio. Se passam um minuto eterno até que o silêncio é quebrado pelo choro da mãe de Jean, que tenta reprimir, controlar suas lágrimas, seu desespero, sua angústia. Mas como uma mãe nessa situação conseguiria tal façanha? Com certeza não uma mãe de verdade. O pai de Jean se abaixa e abre os braços para Jean se aproximar, o choro da mãe faz ela também derramar suas primeiras lágrimas, de muitas lágrimas de saudade que irá derramar pelo resto de sua vida.

Jean, nunca iremos nos esquecer de você, vamos vir te visitar, se pudermos.- o Pai de Jean, também derramando tímidas e sinceras lágrimas, se contêm, afinal, ele é o pai, o seu papel é ser, ou pelo menos aparentar ser, o elo mais forte e resistente da família. Se ele desabar, a condição emocional de toda a família desaba. É dele que vem a força pra enfrentar momentos difíceis como esse com coragem e cabeça erguida.

A mãe de Jean também se aproxima e se abaixa, o pai continua a falar — Jean, eu te amo, nós te amamos! Nunca se esqueça, nuca duvide disso! Tudo bem? — Já entregue ao choro e aos soluços, ela acena positivo com a cabeça. Os três dão o abraço mais longo de suas vidas. Charles, também comovido, assiste tudo , em pé, sabe que não deve interferir nesse momento tão difícil.

Os pais de Jean beijam ela e se levantam, Charles se aproxima e eles apertam as mãos. Charles abre a porta e eles saem. Jean observa seus pais saindo, ainda chorando, quando Charles fecha a porta, ele se ajoelha e chora descontroladamente.

Sr. E Sra. Grey, sei o quão difícil é esse momento, mas preciso avisá-los de coisas importantes. — Charles fala, em um tom sério e preocupado, os pais contêm seus prantos e prestam atenção. — O governo vai perceber que aqueles agentes não levaram Jean, eles vão voltar, vão interrogá-los, podem até torturá-los. Eles vão querer saber onde a Jean está.

Não precisa se preocupar professor, ela é nossa filha, somos capazes de dar nossas vidas por ela, nunca vamos entregá-la. — O pai de Jean fala, determinado.

Tenho certeza disso.

Eles se despedem de Charles e se dirigem até o carro, estacionado não muito longe do chafariz no centro do pátio principal. Raven, da janela do seu quarto observa tudo. Charles observa eles andando, de costas pra ele, até o carro. Ele toca sua cabeça, se concentra.

Por favor...me perdoem.

Os dois saem de lá acreditando que estavam fazendo uma visita e algumas doações para o instituto, que achavam ser uma espécie de orfanato. Agora achavam que deveriam vender sua casa e ir morar com os pais da Sra. Grey na Califórnia. Agora estavam considerando a idéia de terem o seu primeiro filho e finalmente formar uma família. Os dois queriam uma menina.

Charles entra na mansão e se depara com Raven consolando a pequena Jean. Ela parece uma mãe atenciosa dando conforto á sua filha que acabou de ter um pesadelo.

Ora, vamos, chega de chorar....vem comigo, vamos arrumar seu armário! — Raven diz animada, tentando animá-la também. Ainda um pouco inconsolável e relutante, mas chorando bem menos, Jean concorda — Oba! Então vamos, eu vi umas de suas malas lá no seu quarto e você tem roupas tão bonitas... — Raven olha para trás, dá um sorriso para Charles.

Obrigado.

Notas finais
Grandes Nerds e Fanboys da Marvel ou dos X-men reconheceram Tom Cassidy.