X-Men: Um Novo Começo.
1 Capítulo 1: Hank McCoy, Fera.
Hank McCoy sempre soube que era extraordinário, seja pelo seu intelecto avançado ou sobre suas mãos e pés enormes, alguma coisa lá dentro dizia que ele iria herdar o mundo.
“Não sei daonde vou tirar mais dinheiro para bancar todos esses livros, filho.”
— Perdão?
“Nada de especial, estou apenas reclamando da quantidade de dinheiro que gastaremos em livros.” Disse Edna, sua mãe, apesar de suas reclamações, Hank continuava absorto. Sabia que no fundo eles comprariam os livros de qualquer jeito. Seu pai, Norton, investia cada centavo do seu dinheiro no futuro de seu único herdeiro e o único motivo deles estarem naquele Shopping era esse: comprar seus livros grossos e caros para mais um ano letivo – o último antes dele escolher sua carreira.
Seus pensamentos o invadiam pois se sentia mal, era incapaz de recusar os livros de seus pais mas ao mesmo tempo sabia que sua esperteza o conduziria à uma ótima faculdade e que sua bolsa seria integral, tanto pelo seu intelecto quanto pelas suas habilidades jogando futebol. De qualquer forma, nunca conseguiria arriscar estudar apenas com os textos de escola.
Gostava de refletir sobre suas decisões e o fazia com frequência, naquela hora, enquanto andava pelas lojas com seus pais, seus pensamentos andavam por muito mais distante. Rodeava seu futuro, suas possibilidades enquanto seu olhar seguia famílias que também faziam a mesma rotina de comprar material para o início do ano.
Será que algum deles seria colega seu futuramente? Quanto ao futuro deles, como seria? Alguns deles, mesmo que não fosse na escola, ele ainda poderia conhecê-los no curso de Medicina ou quem sabe onde mais. Sua maior divagação era se a garota ruiva puxando sua irmã mais nova pelo braço também queria se tornar médica. Ou se os dois amigos mais a esquerda dessas meninas iriam para seu colégio. Assim por diante, a garota loira, seu namorado de cabeça raspada, o menino gordinho sentado lendo ou a menina de cabelo curto com uma máquina fotográfica na mão, correndo em direção ao Homem-Sapo-Maluco que era o centro de uma confusão.
Sapo. Maluco?!
Era fascinante olhar de longe, o menino devia ter sua idade, porém era magricela (Hank sempre foi muito atlético), loiro de cabelo grande e verde! Já havia ouvido falar de mutantes antes, mas nenhum deles com uma deformação corporal dessas. Vale pontuar também que, no fundo, Hank sabia que seus dons extraordinários tinham grande chance de ser uma mutação também.
Ele pulava de um lado para o outro atacando os cidadãos, soltando algo que parecia com uma gosma verde em seus rostos. Acompanhando a confusão, dava para ver que ele não estava sozinho, mas isso era irrelevante, afinal, nenhum dos outros arruaceiros era verde.
O mais interessante era que eles aparentavam estarem sendo liderados por um adulto de roupas góticas e cabelo negro longo. “Morra Sapiens!” gritou o homem.
E foi então que num piscar de olhos a gosma verde estava indo em direção a sua família. Pensou rápido e pulou em cima de seu pai, impedindo a gosma de atingi-lo.
— Isso foi veloz. Mestre Mental, temos outro mutante aqui. – Dito isso, o Homem-Sapo dirigiu-se ao seu líder.
— Groxo, ache o Mercúrio e tragam esse menino conosco a força.
Hank estava observando tudo cautelosamente, colocou cada mão em um ombro de seus pais e correu com eles para longe. Estava ficando difícil de correr pelo lugar pois de repente uma neblina muito forte entrou naquele recipiente fechado.
Ouviu-se um som e então um raio. Inacreditavelmente, passou um menino correndo na direção da confusão, ele estava de calça jeans, um casaco azul escuro com a letra “X” em amarelo nos seus pulsos e uma espécia estranhíssima de óculos, em seguida, um disparo de uma rajada vermelha saiu de seus olhos.
A neblina havia parado e eles olharam para trás. Havia uma menina, também com o mesmo casaco azule os cabelos muito brancos, sentada no chão com a cara de quem teve um colapso nervoso.
O suor brilhava em sua pele negra e se sua face não fosse de desespero, certamente seria a menina mais bonita que ele havia visto.
— Pai, mãe. Fiquem aqui. – Hank havia dado meia volta e estava correndo em direção a menina. Conseguiu desviar de uma cadeira e pulou em cima do chafariz que tinha no meio do Shopping, pegou impulso e caiu em uma voadora certeira no homem gótico que estava em frente a vítima. Certamente este homem estaria controlando-a, pois quando ele caiu ela acordou e novamente os ventos se iniciaram.
A menina estava voando nesses ventos como se fosse natural. Ouviu-se então disparos de um revólver, poderia jurar que um deles acertou a menina, apesar de que ela continuava gesticulando e controlando estes ventos em direção aos seus inimigos.
Quando olhou para o lado, o amigo da menina – se se vestiam tão iguais, o mínimo que podia ser eram amigos – estava em apuros. Um menino negro muito gordo estava literalmente sentado nele e ele estava sufocando. Ele parecia controlar a densidade do seu corpo e estar fazendo isso de propósito. A única forma de nocautear uma pessoa assim seria achar uma parte delicada de seu corpo para acertar. Coube a Hank jogar uma das cadeiras que estavam espalhadas no pescoço desse menino e ele caiu instantaneamente no chão. Havia sido um palpite de sorte misturado com a visão de que seu pescoço não parecia endurecer mais como seu corpo estava parecendo.
“Olha, o mutante novo acertou o Blob!” Ouviu falarem de longe.
Puxou a mão do menino encapuzado, para ele levantar.
— Saia daqui – disse o ingrato.
— Não dá pra ver que sou mutante também?!
— Sim, mas você não tem treinamento.
— E que treinamento você poderia ter aos dezesseis anos?
— Dezessete – Terminou de corrigi-lo e correu para enfrentar mais alguém.
Ele só ia atrapalhar, resolveu deixar os dois no meio da batalha e correu para a saída do Shopping. Quando chegou lá seus pais não estavam.
Foi então que ouviu-se o berro da voz de sua mãe. Ele correu em meio a neblina, no caos da luta seguindo a voz com todos seus impulsos.
Sua mãe estava bem, mas uma das balas havia acertado seu pai.
Fale com o autor