X-Men : New Class
2 Capítulo 1 - O Primeiro
Notas iniciais
Capítulo 1 – O Primeiro
Dez anos atrás
Era noite e Scott e Alex ganhavam de seus avós os últimos abraços e beijos, assim que todos haviam se despedido os garotos seguiram seus pais até o pequeno avião bimotor que seu pai pilotaria até em casa, aquele tinha sido um grande final de semana na casa de seus avós, eles brincaram, ganharam doces e mais doces e tudo estava perfeito, assim que se sentaram nos bancos fofos sua mãe Katherine os prendera com os cintos seguramente.
–Estão prontos meninos ?
–Estamos papai – Responderam os garotos em uníssono – Vamos voar !
–Então se segurem que vamos decolar !
Christopher Summers era major da Força Aérea Americana, e logo colocara seu pequeno bimotor no ar, ele sorria ao olhar para trás rapidamente de cinco em cinco minutos, a visão de sua mulher e seus filhos era tudo o que ele mais adorava na vida, seus maiores tesouros, ele não trocaria aquilo por nada. Mas aquela noite não estava destinada a ser uma noite perfeita, em um piscar de olhos o avião começava a tremer e pegar fogo, o caos se espalhou pelas quatro pessoas que ali dentro estavam.
–Scott, abrace o seu irmão o mais forte que você puder, não o solte Scott, não o solte !
Dizia Katherine enquanto prendia uma mochila grande e pesada nas costas de seu filho mais velho, os garotos choravam e não sabiam o que dizer, sua mãe prendera neles o único paraquedas que havia no bimotor, aquilo era suicídio, mas ela não poderia jamais pensar em descartar as vidas dos filhos pela sua, aquilo nunca passaria por sua cabeça, então com um ultimo adeus Scott e Alex caiam em meio aos gritos e choro em uma imensidão desconhecida, o paraquedas abrira perfeitamente mas logo pequenos destroços em chamas o atingira deixando a queda mais rápida e violenta do que deveria ser, a alguns metros de chegar no chão os meninos viram o avião explodindo, aquilo era surreal demais para estar acontecendo, Scott e Alex diziam que seu pai era um astronauta segundos atrás junto com a mãe e agora os dois caiam em meio a neve em um lugar que eles não conseguiam nem enxergar. Ao tocar o chão um pouco violentamente Scott só se lembra da escuridão cobrindo sua vista e uma dor insuportável em sua cabeça.
Agora
Era manhã e mais uma vez Scott Summers acordava naquela cama pequena que não era mais do seu tamanho a uns três ou quatro anos se lembrando do mesmo sonho do dia em que o fizera chegar ali, aquele orfanato não podia mais ser seu lugar, ele tinha que se mandar dali, mas o que poderia fazer, Michael Milbury, diretor do local era como um pai para ele, o senhor de cabelos grisalhos sempre dizia para Scott que não havia problema ele ficar ali, seu destino não era ser adotado por uma família, porque ele já tinha a dele ali. Mas o senhor sempre se esquecia que aquela frase sempre deixava o garoto triste, seu irmão mais novo a quem amava tanto havia sido adotado no segundo mês no lugar, quem recusaria um garoto de seis anos loiro de olhos azuis ? Era muito mais atraente do que um garoto de dez , cabelos castanhos e com problemas nos olhos que o fazia usar óculos escuros e enxergar tudo vermelho a todo momento, óculos que ele era proibido de tirar. Sem contar os problemas na cabeça que ele carregava desde que acordara de seu acidente, dores de cabeça o acompanhava desde sempre, aquilo era ruim de mais. A única coisa que o agradava era o beisebol que ele conseguia jogar na escola da região, o garoto era descrito como um prodígio na escola, o que resultara em seu crédito para poder jogar ali mesmo depois de ter terminado os estudos.
Finalmente tomando coragem Scott se levantou da cama, dobrou os lençóis rapidamente e assim que havia se livrado da ereção matinal colocou sua calça jeans, seu all star branco sujo de terra vermelha, vestiu a camiseta listrada e colocou o boné com o logo da escola na cabeça, tudo isso de olhos fechados, seu treinamento para fazer tudo com olhos fechados enquanto estivesse sem os óculos havia sido muito eficaz, seus outros sentidos haviam sido aguçados naturalmente e sua memória tinha se expandido tão bem que ele sabia onde ficava qualquer coisa em seu pequeno quarto sem nem precisar tocar. Assim que estava pronto o garoto pegou o óculos vermelho em cima da escrivaninha e colocou no rosto, ele estava pronto. Saiu rapidamente do quarto e deu oi para algumas crianças que passavam pelo corredor apertado, nem passou pela cozinha, não sentia muita fome pela manhã. Do lado de fora o ar era agradável, nem frio, nem calor, suportável. A escola ficava a poucas quadras dali e logo ele estava entrando pela porta da frente e passando pelos armários em direção a quadra atrás da construção grande de paredes laranjas, o time se encontrava no centro do pequeno campo, lá eles discutiram novas táticas, treinaram e jogaram uma partida rápida com o time dividido, logo já era uma da tarde e o técnico se despedia dos alunos, logo chegaria a época de campeonato e todos estavam dispostos a ganhar, alguns alunos foram embora e só Nathan e Scott ficaram ali, sentados na grama descansando.
–Ah Scott, você ainda não decidiu nada cara ?
–O que eu posso fazer Nathan ? Eu não tenho pais nem ninguém para me ajudar.
–Mas você passou em várias faculdades cara, aposto que o Michael teria te apoiado imensamente.
–Nathan, você sabe muito bem o que passamos naquele orfanato, não é justo eu depender de Michael para me ajudar sendo que todos ali precisam de ajuda.
–E os empregos que você arranjou por aqui ?
–Você sabe muito bem que ninguém me aceita por causa de meus problemas, o máximo que eu consigo da tanto dinheiro que não sobra nem para mim.
–Você não é obrigado a dar tudo para o orfanato Scott.
–Eu cresci lá Nathan, lá é minha casa e eles são minha família, e um dia já foram a sua, não é por causa que você foi adotado pelo prefeito daqui que você tem que se esquecer disso.
–Obrigado Scott, eu nunca vou esquecer, mas também não vou ficar preso a um lugar que eu não pertenço mais.
Disse o garoto se levantando, Scott tinha esse problema, era tanto tempo se fechando para seus sentimentos que ele não conseguia enxergar eles nele muito menos nos outros, seu amigo dois anos mais novo já havia sumido de vista e agora era a hora dele se levantar e voltar para “casa”. Quando ele atravessou os portões que conectavam a quadra aberta a escola ele sentiu algo estranho, o prédio não estava vazio, sempre havia alguém naquele lugar aos sábados, mas um ar gélido se espalhava pelo ar e uma tensão fazia os pelos do seu braço se eriçarem, em poucos minutos algo muito estranho aconteceu.
Todos os armários explodiram de uma vez só, mas não como bombas, as travas simplesmente se abriram junto com as portas violentamente, o corredor parecia tremer e folhas flutuavam suavemente no ar enquanto livros cadernos e outras coisas caiam com um baque surdo no chão, Scott olhou com medo para trás e ele viu algo muito estranho, um homem flutuava a alguns centímetros do chão, ele usava um capacete de metal e uma capa balançava a sua costa, um garoto magricelo e alto estava ao seu lado com caça jeans rasgada no joelho, botas de cano alto, um colete estofado cinza, luvas de construção também cinzas e um estranho capacete que parecia de metal também, e em sua direção um homem forte com um sobretudo preto corria em sua direção como um animal. Seus sentidos voltaram rapidamente e o garoto conseguiu correr, mas o cara estranho era mais rápido, pouco antes de Scott chegar a saída o cara estranho puxou sua perna esquerda o fazendo voar em direção ao chão, seus óculos escaparam de seu rosto e a coisa mais estranha de sua vida aconteceu, uma rajada gigantesca de um lazer vermelho saiu dos olhos de Scott, assim que aquela luz tocou o chão ele foi destruído, com a força que aquilo saia de sua face o corpo do menino girou no ar e para onde ele olhava o raio rubi destruía, cortes e destruição em espiral marcaram as paredes, o chão e o teto com rachaduras e buracos de todo o tamanho. A força descomunal só parou de sair de Scott assim que suas costas tocaram o chão quando ele conseguiu fechar os olhos, ali ele ficou deitado e imóvel esperando algo acontecer, aquele ser estranho o matar, a policia chegar e o prender, qualquer coisa menos o que aconteceu a seguir.
Uma voz soava em sua cabeça, não era seus pensamentos muito menos alguém falando com ele, a voz dizia tranquilamente.
–Fique calmo Scott, você está salvo, eu vou te ajudar, espere um minuto e você poderá abrir seus olhos novamente.
Era isso, Scott estava morto, ele havia morrido, por isso não ouvia nada, mas se ele estivesse morto ele não poderia sentir, e no momento ele sentia seus óculos sendo colocados em seu rosto com cuidado.
–Pronto, agora você pode abri-los novamente – Mesmo parecendo confiante ele não queria acreditar naquilo, o que ele acabara de fazer era terrível demais, e se acontecesse de novo ? – Vamos Scott, eu vou te ajudar, não tenha medo, abra os olhos.
Scott abriu os olhos lentamente e o seu mundo ainda era vermelho, o teto que ele enxergava estava com rachaduras imensas, fios e poeira balançavam no ar dançando em uma perfeita sincronia a luz das poucas lâmpadas que restaram piscando, com um pouco de dificuldade o garoto se pôs de pé e viu algo muito estranho, um homem um pouco mais baixo que ele deixava de ser um monstro azul e assumia uma forma humana normal debaixo de uma roupa estranha de couro azul marinho com uma listra grossa amarela no meio, assim que ele se virou ele se deparou com a voz em sua cabeça, um homem estava sentado em uma cadeira de rodas, seus olhos claros fitavam Scott, seus cabelos castanhos batiam no ombro e seu terno preto estava perfeitamente alinhado enquanto suas mãos se apoiavam nos braços da cadeira.
–A proposta que eu tenho para lhe fazer Scott é muito inusitada e difícil de se aceitar, porém esta é a sua chance e não resta muito tempo, o que eu tenho para te oferecer Scott, é o domínio de suas habilidades mutante, um treinamento para ser alguém controlado e ter um futuro melhor e mais pacifico em meio a humanidade, sei que isso está soando muito estranho em sua cabeça Scott, mas eu sou igual a você, um mutante, e eu estou aqui para ajudar pessoas iguais a mim.
O garoto olhava para o homem a sua frente, aquilo estava mesmo acontecendo ? Ele não estava entendendo nada daquilo, ele não sabia de nada, ele não era um mutante, mas aquela era a chance de mudar sua vida, o estrago que fizera, ele não tinha outra escolha.
–Você aceita ser um de nós Scott Summers ? Você quer ser um X-Men ?
–Eu quero.
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