Www.nightmare
1 Capítulo I : Primeiro Sonho
Todos nós estamos conectados uns aos outros — Sempre ouvi essa frase. Ainda mais hoje em dia, na era da internet. O que eu não imaginava é que estamos mais conectados do que a nossa pequena consciência pode detectar...
Bom, meu nome é Lizzy. Sou horrível pra descrever minha personalidade, então com o decorrer da minha odisséia, vocês irão perceber como eu sou. Moro em New York, em Manhattan, com minha mãe. Parece que a única coisa que sei dela é que se chama Samantha. Sem conversas, sem comprimentos, só falamos o básico. E sua aparência a deixa mais fria ainda: alta, corpulenta, cabelos castanhos escuros e olhos negros. Apesar de não passar dos 38 anos, ela aparenta ter mais idade por causa das marcas de expressão que tem no seu rosto. Um rosto sombrio e triste. Parece que ela carrega um rancor de mim.
Acho que isso tem a ver com meu pai. Todos que o conhecem falam da minha semelhança com ele: olhos castanhos claros, cabelos lisos e escuros, pele branca e com algumas pintas no rosto. Ele vive pro trabalho. “Jhon, o grande cientista na área da robótica”. Minha mãe nunca se pronuncia a respeito dele. E quando ele esta em casa, mal os vejo trocar uma palavra. E meu pai raramente está em casa.
Na época que comecei a ver o mundo de outra forma eu tinha 17 anos. Era uma manhã comum, eu acordava pra ir pra escola. Sempre acordei sem ajuda do despertador, sem nenhum atraso. Tomava meu café, em silêncio, enquanto minha mãe cuidava de alguns afazeres domésticos. Sai também em silêncio, como quase tudo era feito nessa casa.
Esperava pelos meus amigos no banco de uma pracinha perto da minha casa.
- Lizzy! – avistei um garoto branco, com traços asiáticos, vindo em minha direção – Como sempre você é a primeira a chegar. E pelo visto a Annie é sempre a ultima...
Esses eram as pessoas que eu podia chamar de amigos: Len e Anniela. Len era descendente de um japonês ou coreano, não me lembro bem. Sua mãe era de New York e eles moravam aqui. Ele tem uma estatura média, cabelos negros e lisos como os meus e tem um jeito muito engraçado. Uma das únicas pessoas que me fazia rir.
Annie já era meu oposto. Uma garota do tipo popular. Vestia roupas da moda, era querida por todos e era super extrovertida. Seus cabelos eram cumpridos e brilhavam em um tom loiro, que combinava com seu tom de pele, que raramente não estava bronzeada. Típica garota californiana. Não fazia idéia de que ficaríamos amigas. Nunca.
- Com certeza ele deve ta jogando uma massa corrida na cara – retrucou Len – Vocês garotas, não sei como conseguem demorar tanto pra se arrumar.
- É mesmo... – falei baixinho.
- Exceto você né Lizzy – ele abriu um sorriso – A única garota normal dessa cidade. Ei mocinha, você parecesse mais calada que de costume, aconteceu algo?
Len tinha esse incrível dom: sempre sabia de como eu me sentia, sem eu precisar dizer nada.
- É só um pressentimento estranho, não se preocupe. Olhe, Annie esta chegando.
E lá vinha, com uma certa pressa, a que com certeza seria a rainha do baile.
- Meus amores desculpem pelo atraso. Aconteceram alguns imprevistos.
- Seu batom acabou né? Isso é sério – Len disse com um tom de ironia.
- Ridículo, lógico que não foi isso – ela deu uma risada – vamos embora que eu ainda tenho que comprar um café pra mim. Nem deu tempo de pegar nada em casa.
E saímos, nós três, um ao lado do outro. Três amigos totalmente diferentes, que o destino uniu.
Na cafeteria, Annie se dirigiu ao balcão pra fazer seu pedido, enquanto eu e Len esperávamos próximo á porta. Ouvi a porta se abrir atrás de nós e uma voz familiar se dirigir a nós:
- Olha, vejo que vocês estão atrasados também. Hoje tem prova do Sr. Simons no primeiro tempo, é melhor nos apresarmos.
Olhei pra trás e vi de quem era a voz conhecida: Danny. Um garoto meio afobado, estilo nerd. Usava óculos, cabelo atrapalhado, sem corte. Nem preciso falar de como ele era zoado pela galera. Mas seu assunto com a gente se restringiu em apenas uma frase, pois logo viu Annie. Saiu em direção dela e logo foi falando algo que não conseguimos ouvir. Ela olhou com uma cara séria pra ele e retrucou algo. Logo veio até nos e saímos da cafeteria.
Dan sempre foi apaixonado por Annie. Já dava pra imaginar que ele devia ter dado mais uma de suas cantadas ‘espetaculares’.
- O que foi dessa vez Annie? – perguntou Len – “Seu pai é ladrão? Porque ele roubou todas as estrelas do céu e colocou no seu olhar.” – ele começou a gargalhar.
- Ai mereço viu. Desde o primário esse garoto me persegue – tomou um gole de café. – Se ele sumisse não iria fazer falta.
- Num fala uma coisas dessas Annie. Quem sabe amanhã vocês não acabem juntos? – Essas palavras saíram da minha boca quase que sem eu perceber.
- Você ta engraçadinha hoje hein? O que você deu a ela Len? Algumas dessas pílulas que você compra na net?
- Eu compro pílulas na net? – Len falou com a testa franzida – Só comprei aqueles suplementos alimentares, pra eu ganhar massa corporal.
- E pelo jeito não fez efeito algum. – Mais um gole no café e uma risada – Não tome nada que ele dê a você Lizzy. Já se vê que pode ser perigoso.
Uma risada leve saiu de mim. Era Annie que me fizera rir dessa vez.
- Vejo que seu humor ta melhorando mocinha – Len se dirigindo a mim – Vamos nos apressar que não podemos perder a prova do Sr. Simons.
Foi um dia de escola normal. Len tentando colar na prova. Annie se descabelando falando que nada do que ela estudara caiu na prova. E eu fazia a prova sem dificuldade nenhuma. Nunca tive dificuldades no colégio. As pessoas sempre brincavam comigo falando que eu tinha um chip na cabeça, com toda a matéria.
No fim da tarde, estamos indo pra nossas casas. Voltamos pelo mesmo caminho que viemos e nos despedimos. Entrei na minha casa, encontrei minha mãe assistindo televisão. Fui para cozinha e preparei algo para comer e subi para meu quarto. Liguei meu computador, como faço de costume, e fiquei navegando ate cair no sono. E é exatamente ai que começou tudo...
Nunca sonhei muito. São poucos os sonhos que me lembro que tive. Mas ultimamente os sonhos vêm se tornando mais frequentes. Não só sonhos. Principalmente pesadelos. Lá estava eu na cafeteria de hoje de manhã. Só que ela estava diferente, sombria. Não havia ninguém nela. Silencio total. Avistei um garoto sozinho em uma das mesas perto da janela, cabisbaixo. Ele sussurrava algo que eu não conseguia entender. Fui me aproximando, e ficou bem claro.
- Annie, por quê? Annie, Annie... – repetidas vezes, o mesmo nome.
Cheguei mais perto do garoto. Era Dan. Ele pareceria ignorar minha presença e continuava a falar o nome de sua amada. De repente ele ficou mudo. Uma sombra passou por trás da janela em que sua mesa se encontrava. Tudo ficou escuro.
Dan se levantou e parecia estar com medo. Muito medo.
- Me... Me... Me ajude, por favor...
O chão começou a tremer. Fiquei paralisada. A sombra que passou pela janela se erguia do chão. Tinha uma forma indefinida, mas era humana. Foi ficando cada vez maior. Suas mãos eram maiores que o resto do corpo, e foi vindo em nossa direção. Fui me afastando pra trás, mas Dan continuava lá, parado.
- Dan, saia daí! Rápido. – comecei a gritar – Anda!
Mas ele continuou parado lá. E as mãos da sombra, que apesar de serem transparentes, eram sólidas, o agarraram. Segurou com força seu corpo e o ergueu do chão. Dan olhava pra mim e tentava falar algo, mas sua voz não saia. Parecia que estava sufocando.
E realmente estava. Ouvir seus ossos quebrarem. Seus olhos começaram a escorrer sangue pelo seu rosto. A sombra largou o corpo dele, que caiu sobre o chão. Seu corpo estava mole, parecia que não tinha mais nenhum osso dentro de seu corpo. A sombra então ficou parada.
Abruptamente eu acordei.
- Dan está morto.
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