Wrong Love
9 Chapter 9
Notas iniciais
– Olá. – murmurou ao adentrar o carro.
– Bom dia Felicity. – o homem foi educado. – Como está? – assim que a mulher afivelou o cinto, deu a partida no carro.
– Bem cansada. – tentou soar casual, queria tirar a ideia de que ela estava evitando-o. — E você?
– Curioso. – admitiu.
– Com o que? – era ela quem estava curiosa agora.
– Com o fato de você estar me evitando. – sua voz saiu quase como um assovio.
Se eu pular do carro em movimento, o quanto será que eu me machuco? Tenho que calcular a força com a qual eu vou me jogar, e levar em consideração a velocidade, meu peso e a gravidade para saber isso. A forma que eu me jogar também interfere e... Droga, eu tenho que responder alguma coisa.
– Não estou te evitando. – afirmou.
– Não? – fingiu surpresa, sabia que ela iria negar.
– Claro que não. – cruzou os braços. – O que eu estaria fazendo aqui, no seu carro... – que é muito bonito por acaso – se estivesse te ignorando?
– Fingindo que não está me ignorando? Você nem gosta que te deem carona. – para surpresa dela, ele estava certo. Ela não era a maior fã de caronas, amava dirigir.
– Que tipo de pessoa faz isso? – a hipocrisia queimava em sua língua.
– O tipo que é esperta e pensa que eu sou burro. – pigarreou. – Alguém como você. – as bochechas de Felicity estavam começando a tomar cor e isso não era bom.
– Eu não estou te evitando. – apressou-se a dizer.
– Oh, não mesmo? – o sarcasmo era latente em sua voz. – Então, por alguma razão mística, você está no último ano de ciência da computação e está pagando uma cadeira de geologia? – ela franziu o cenho, sem entender.
– O que? Claro que não! – exclamou.
– Então, porque diabos você entrou na sala de geomorfologia quando eu te chamei no corredor? – um suspiro pesado saiu dos lábios dela, era difícil responder aquilo, precisava de uma saída rápida.
– Eu não ouvi você chamar. – anunciou, ganhando tempo.
– Isso não responde a minha pergunta. – insistiu.
– Eu estava indo... – pensa Felicity, rápido. – falar com um amigo! – soltou o ar que nem sabia que estava prendendo até então.
– Boa saída. – riu o homem. – Mas ainda não me convenceu.
– Eu não tenho que te convencer... – irritou-se.
– Você é facilmente irritável, não é? – seu tom era de brincadeira.
– Na verdade não... – murmurou. – É só estar perto de você que eu começo a sentir essas coisas estranhos fervilhando dentro de mim. – a gargalhada alta de Oliver fez Felicity entender o que acabara de dizer. – Eu não quis dizer! – afirmou. – Eu quis dizer fervilhando de raiva, você me irrita mais fácil que as outras pessoas. – grunhiu irritada.
– Eu entendi. – admitiu. – Só que foi engraçado. – um sorriso divertido brincava em seus lábios.
Uma risada surgiu no fundo da sua garganta e aos poucos foi saindo, misturando-se com a risada grave que saia da Oliver. Um som doce e totalmente diferente do que ambos esperavam. Dois sorrisos pairavam sobre os lábios deles, após a risada acabar e um silêncio confortável tomou conta do lugar.
(...)
A mulher de longos e belos cabelos ruivos estava deitada sobre o sofá do dormitório, lendo um de seus livros favoritos, Garota Interrompida, quando as batidas da porta chamaram a sua atenção.
Por puro costume, não perguntou quem era, mesmo não sendo comum receber visitas a essa hora da manhã, era cedo demais para isso. Apenas abriu a porta e o que seus olhos viram, quase a enganaram novamente. Inicialmente, prendeu o ar no fundo de seus pulmões e arregalou os olhos, pronta para bater à porta na cara do homem de cabelos escuros e olhos verde azulados, quando se lembrou das palavras de Caitlin.
"Nós estudamos juntos desde o ginásio"
– Barry, certo? – sentiu suas bochechas ficarem vermelhas.
– Isso. – o homem tentou segurar o sorriso que surgiu em seus lábios, tinha algo muito interessante naquela mulher. – Fiona... Webb? – ele não tinha certeza se aquele era seu sobrenome.
– Certo. – comentou. Era difícil olhar para aqueles olhos tão idênticos ao de Ross que a assombravam. – Está atrás da Caitlin, certo? – ele assentiu, estava um tanto desconcertado por receber aquele olhar profundo e analítico como aquele. – Ela não está no momento, foi comprar alguma coisa pra comer, a geladeira está vazia. – deu de ombros.
– Ah... – murmurou com uma tristeza clara em seus olhos.
– Entre... – deu espaço para que ele o fizesse. – Pode esperar aqui dentro, se quiser esperar.
– Obrigado. – adentrou à pequena sala e só então percebeu que nunca estivera ali.
– Barry. – chamou fracamente, com medo da reação do homem.
Ele apenas virou em sua direção e levantou as sobrancelhas, exatamente com Ross fazia. Isso a assustou ainda mais, precisou respirar fundo para não enlouquecer.
– Desculpe-me por aquele dia... – pediu. – No bar, quero dizer. – respirou fundo. – Eu achei que você era outra pessoa. – seu olhar expressava vergonha e tristeza.
– Ei, sem problemas com isso. – abriu um sorriso. – Você me beijou! – deu de ombros e sorriu. – Qual o homem que não vai ficar feliz quando uma garota bonita como você o beija? – o coração da mulher apertou e acelerou ao mesmo tempo.
Ele era incrivelmente parecido com Ross, até mesmo as suas palavras.
– Obrigada. – abaixou a cabeça e fechou os olhos, sentindo todas as sensações que ele trazia de volta ao seu corpo.
– Não por isso. – sussurrou, tocando o rosto da mulher. Ela levantou o rosto com o toque.
A mulher pode ver o brilho triste em seu olhar. Um brilho que ela reconhecia, algo o incomodava.
– Algo te incomoda, não é? – a pergunta da mulher o surpreendeu.
– Como você sabe? – franziu o cenho, a curiosidade queimando em suas veias.
– Porque você é exatamente igual a uma pessoa que eu conheci e fez parte da minha vida de forma irremediável. – um sorriso triste deixava suas feições mais bonitas e ainda mais obscuras do que o de costume. – Posso lê-lo com muita facilidade. – afirmou.
Barry não sabia se deveria confiar nela, porém, vê-la ali, parecia tão errado e tão correto que ele nem percebeu quando começou a explicar toda a sua situação com Iris, incluindo coisas que jamais contara para qualquer pessoa.
(...)
Felicity estava totalmente surpreendida. Oliver era bem mais competente do que parecia. Ela não esperava que ele seria um professor tão bom, tudo por causa de seu inegável carisma. Apesar das muitas explicações, ele conseguiu acompanhar tudo e parecia que tinha sido feito para essa função.
Ele estava apenas a duas mesas a sua frente, ensinando a um garoto loiro e mal encarado – na opinião dela – que nunca parecia estar interessado em estar ali, até aquele momento. Oliver o tinha cativado e isso impressionou ainda mais a mulher.
– Simples assim? – perguntou Sin com o cenho franzido. – Porque aqueles filhos da pu... – engoliu em seco ao receber o olhar reprovador de Felicity. – mãe não nos explicam assim? – bufou. – Eu aprenderia! – afirmou. – Química se tornou muito mais simples.
– Cindy... – chamou.
– Sin. – corrigiu. – Prefiro que me chame de Sin. – a mulher assentiu.
– Tudo bem – suspirou. – Sin, eu acho que acabamos por hoje, certo? – seus olhos atravessaram mais uma vez o espaço entre as mesas, observando Oliver e o garoto entretidos no assunto. Ela tinha feito isso durante todo o ensino, analisando.
– Certo. – assentiu a menina.
– Eu vou deixar isso aqui... – retirou os papéis de dentro da pasta. – para que você traga próximo sábado. São algumas questões de geometria, da aula passada. – sorriu. – Para que você não perca o ritmo, próxima aula é sobre o assunto da aula passada e dessa, ok?
– Eu não acho que eu vá... – a mão da mulher segurou a da garota.
– Você já imaginou como seria? – interrompeu.
– O que? – levantou as sobrancelhas, a mudança súbita de assunto a assustou.
– Sair daqui. – murmurou. – Viver bem longe de tudo que a incomoda. Ser livre das amarras do Glades e ir para qualquer outro lugar. Viajar, conhecer e viver. Quem sabe aparecer na capa de uma revista famosa? Descobrir a cura do câncer? Ou quem sabe, nem sair de Starling, mas sair desse lugar onde a criminalidade é absurda. Viver feliz com a sua família do outro lado da cidade? Já imaginou? Você pode fazer qualquer coisa, não é mesmo? – perguntou, apontando com o queixo para os papéis.
Os olhos da menina queimaram de excitação e Felicity soube que tocou no ponto certo. Soube que Sin odiava aquele lugar, odiava a vida que levava no Glades e estava disposta a isso, estava disposta a ter uma nova vida, uma família e um emprego sendo muito mais feliz do que agora.
– Faça isso. – apontou para os papéis. – Se esforce para conseguir isso. – sussurrou. – E você poderá ganhar o mundo, ser quem você quiser. – um sorriso largo estava em seus lábios e um sorriso tímido começou a surgir nos lábios de Cindy.
– Obrigada. – a menina pegou os papeis e colocou entre as folhas do seu caderno.
– Não por isso. – piscou para garota que recolhia as coisas, Felicity começou a fazer o mesmo.
– Até sábado Felicity. – despediu-se e se levantou.
– Tenha um bom dia Sin. – sorriu gentilmente. – Te vejo sábado.
Após recolher suas coisas, observou que Oliver já estava sozinho em sua mesa, mexendo em seu celular. Seu rosto parecia levemente preocupado. Aproximou-se com cautela, não tinha certeza se deveria falar com ele.
– Oliver... – chamou.
– Felicity. – virou-se em sua direção, as feições preocupadas sendo substituídas por um sorriso magnífico, um sorriso tão lindo e tão encantador que a mulher sentiu uma sensação esquisita em seu estomago só de vê-lo e ouvir a sua voz dizendo o seu nome.
Ele não é um caso perdido. Eu, por outro lado, definitivamente sou!
– Você foi muito bem hoje. – colocou a mão sobre o ombro do homem. – Estou impressionada. – ele levantou uma de suas sobrancelhas.
– Eu estou me sentindo um tanto ofendido com isso. – sua voz soava como uma brincadeira, contudo, pela sua expressão era claro que não era.
– Desculpe-me, eu não quis dizer que achava que você é burro ou nada assim! – colocou as mãos sobre o rosto. – Não esperava que fosse tão bom professor. O garoto que estava aqui nunca vem por vontade própria e nunca fica até o final. – afirmou. – Por isso fiquei impressiona, pelo seu jeito e por ele ter ficado, quer dizer, por você ter feito ele ficar. – suspirou. Ela não tinha o dom das palavras, nem pensar.
Sentiu seu rosto esquentar e percebeu que agora o sorriso havia voltado para a face dele, maior do que antes.
– Obrigado. – murmurou recolhendo as coisas. – Vamos, eu te deixo em casa. E não diga que...
– Não precisa. – ele bufou.
– Não diga que não precisa. – ele ficou de pé, guardando o celular no bolso.
Ela sempre foi tão pequena assim?
Ela parecia tão pequena naquele momento, menor do que jamais estivera.
– Tudo bem. – sussurrou derrotada. – Eu aceito.
– Vem, deixa que eu levo isso. – pegou a mochila que ela carregava, mas ela prendeu suas mãos na alça, impedindo que ele fizesse isso. – O que pensa que está fazendo?
– Você já vai me dar a carona. – fixou seus olhos azuis nos deles, uma combinação perfeita de azul com azul. – Não insista.
Apesar de sua pequena estatura e de sua personalidade, geralmente, gentil. Ela não se intimidou pelo olhar dele. Olhares profundos e impassíveis, duas personalidades fortes em uma briga silenciosa. A intensidade daquele olhar era tanta que parecia faiscar.
– É claro que eu vou insistir. – retrucou, sem tirar os olhos dali.
Aquele olhar sobre o seu era certo. Ele sabia disso, sentia isso e queria isso.
– Vamos ficar o dia todo aqui, porque eu não vou soltar. – afirmou, não iria se deixar levar. Ele era um intruso em sua vida. Alguém que nem deveria ter aparecido, em sua opinião, e de repente estava começando a mexer com sensações que haviam sido perdidas com o tempo.
Haviam anos que ela não sentia seu coração bater tão forte em seu peito ou se irritar tão fácil. Eram sinais tão claros, tão estupidamente simples e ela não podia ver, cega pelo passado e pelo presente, ela não via que estava claramente se apaixonando pelo homem que encarava-a com tanta intensidade.
Eles teriam ficado se olhando assim por horas, se o celular de Oliver não tivesse começado a tocar.
Ainda segurando na alça da mochila, puxou o celular do bolso e observou que a ligação vinha de Thea, se levasse em consideração que ela nunca ligava a não ser que fosse muito importante, decidiu atender.
– Thea. – levantou as sobrancelhas, mostrando a Felicity que não iria soltar.
– Ollie, de que horas é a sua reunião com os Merlyn's hoje? – a voz de Thea parecia cansada.
– Bom dia Speedy. – falou irônico. – Tava correndo? – Felicity começou a puxar a mochila das mãos dele.
– Estava, mas não vem ao caso. De que horas? – insistiu.
– As oito da noite, por que? – a mulher começou a notar que estava sendo uma tarefa impossível, ele não soltava de forma alguma.
– Porque a mamãe quer falar com a gente e disse que é importante. – informou. – Vou avisá-la que as seis dá certo, não se atrase. Tchazinho. – a ligação foi encerrada quase ao mesmo tempo que a mulher soltou a mochila.
– Você é impossível Oliver Queen. – cruzou os braços, começando a fazer o seu caminho em direção ao estacionamento.
Oliver desligou o celular e colocou dentro do bolso outra vez correndo para alcança-la e depois seguindo seu ritmo. A mochila sobre o ombro e um sorriso vitorioso nos lábios.
– Por que eu sou impossível? Só por que eu quero levar a sua mochila? – a risada de Felicity foi alta. Virou o rosto em direção ao homem, ainda fazendo o seu caminho.
– Por que... – ela se interrompeu e um brilho diferente estava em seu olhar.
Em um movimento rápido, Felicity pulou sobre o ombro dele, agarrando a mochila e correndo para longe, sendo que o longe foram cinco passos à frente, onde ela pisou em seu cadarço desamarrado e caiu, como um saco de farinha, no chão. Seus óculos voaram longe, assim como sua mochila.
Ela esperou a risada de Oliver, todavia ela não veio, ao contrário do que imaginava, sentiu braços fortes puxarem-na pela cintura e a ajudarem a se sentar. Com a vista embaçada pela falta dos óculos, pode ver o rosto desfocado do homem, sem conseguir definir sua expressão.
– Você está bem? – sentiu o toque quente de sua mão sobre a sua bochecha. Ele inclinou o rosto dela de um lado para o outro, para cima e para baixo, rapidamente, observando se havia algum arranhão.
– Meus óculos. – foi tudo que conseguiu dizer.
– Só um segundo... – o homem se afastou, pegando o objeto que estava mais ou menos 1,5 metros de distância deles. – Aqui. – murmurou colocando sobre o rosto delicado.
– Obrigada. – admitiu. – Estou bem. – um sorriso envergonhado surgiu em seus lábios.
– Você não deveria ter feito isso. – repreendeu. – Pela forma como você caiu, poderia ter facilmente quebrado o nariz. – afirmou. – E de machucados, eu entendo bem. – a mulher franziu o cenho, sem entender.
– Por que? – o homem ficou de pé, estendendo o braço para ajudá-la a ficar de pé.
– Eu fazia luta livre no ensino médio. – a mulher segurou em sua mão e impulsionou o corpo ao mesmo tempo que ele a puxou, ficando de pé a pouquíssimos centímetros de distância do homem. – E tinha essa garota, Shado, que era a melhor da equipe, ela sempre me dava uma surra. Ela e o Slade. – comentou, coçando a cabeça.
– Não preciso dizer que eu amei essa garota pelo simples fato de que ela conseguia te dar uma surra, não é? – levantou as sobrancelhas, em um claro desafio.
– Então você tem vontade de me bater? – perguntou, com um sorriso malicioso se abrindo em seus lábios. – Já ouviu falar em sadomasoquismo Felicity? – as bochechas da mulher tomaram um tom escarlate.
– Você sabe que não foi isso que eu quis dizer e... – os olhos de Oliver saíram dos dela e se focaram seus lábios. Uma corrente eletríca passou por todo o seu corpo, impedindo que seu raciocínio se completasse e permitindo que todos os pelos do seu corpo arrepiassem. – Eu não... não... – fechou os olhos, tentando voltar a se focar no que tentava dizer.
– Algum problema? – a voz rouca praticamente a obrigava a abrir os olhos. E assim que abriu, se arrependeu. Havia um olhar tenso e desejoso ali, piorando ainda mais a sua situação.
– Você me desconcertou. – saiu antes que ela pudesse impedir e seus olhos ainda estavam grudados nos dele, que voltaram a encarar a sua boca. – Não! – exclamou. – Não me desconcertou, eu me... – seu raciocínio estava fora do controle.
Porra! Não posso fazer isso, você prometeu não decepcioná-la.
– Acho melhor nós irmos... – fechou os olhos e se afastou da mulher, caminhando até a mochila que estava jogada a alguns metros dali.
– Você tem razão. – um suspiro de alívio e decepção saíram de seus lábios. Ela não deveria querer que aqueles belos e bem desenhados lábios tocassem os seus, nem deveria pensar nessa possibilidade e naquele momento, ela não conseguia tirar aquela ideia de sua cabeça.
Ambos entraram no carro em um silêncio profundo e agonizante, que foi quebrado pelo som da rádio que Oliver não hesitou em colocar. Também não hesitou em começar a cantar desafinadamente, ao perceber que conhecia a música que estava a tocar. Queria desesperadamente quebrar aquela sensação esquisita que ficou entre eles e assim que ouviu a risada da mulher, seguida de sua voz cantando junto com a dele, soube que conseguiu.
(...)
Thea corria pela sétima vez ao redor da praça, precisava melhorar seu ritmo, estava lenta demais. Sabia que algo incomodava a sua mãe e isso a incomodava também. Assim como a sensação de que Oliver estava estranho, não sabia o que era mais sabia que algo estava muito errado.
Estava tão absorta em pensamentos e na música que tocava em seus fones de ouvidos que quando a mão tocou em seu ombro, instintivamente, tentou nocauteá-lo. Para sua surpresa, uma mão segurou o seu cotovelo e puxou o seu corpo, prendendo seus ombros com os braços. Seu fone direito caiu e uma voz conhecida pode ser ouvida.
– Calminha ai garota. – riu, soltando-a. – Eu vim em paz. – um sorriso surgiu em seus lábios.
– Roy! – exclamou, animada. – O que faz aqui?
– Eu corro aqui. – deu de ombros. – Estou sendo monitorado. – apontou com o queixo para a mulher sentada no banco, encarando-os sob os óculos escuros.
– Por que isso? – franziu o cenho.
– Ela quer ter certeza de que não vou fugir. – a gargalhada de Thea foi alta. – Saiu a nota do nosso relatório. A+, parabéns. – os olhos dela se arregalaram.
– SÉRIO? – passou os braços ao redor do homem, esquecendo do suor em seu corpo.
– Sério. – retribuiu o abraço tão calorosamente quanto a menina. – Eu tava pensando em comemorar em algum bar, tá afim? – ele tentou esconder o nervosismo em sua voz, já fazia alguns dias que ele queria chama-la para sair e não encontrava uma desculpa plausível.
– Isso é uma desculpa para me chamar para sair? – brincou. – Eu adoraria, mas eu sou Thea Queen, nenhum bar me daria bebida, mesmo com identidade falsa, as pessoas conhecem a minha cara. – a expressão de decepção dele era clara.
– Ah, entendo. – sussurrou. Ele sempre via nas revistas todas as situações que Thea já havia se encontrado e muitas delas por causa de bebida. Ela estava dando um fora gentil nele, ele sabia.
– Mas a gente poderia ir para outro lugar. – passou a mão pelo pescoço, ela mesma estava nervosa em falar aquilo, não sabia bem o porquê, nunca ficara nervosa antes. – Fazer algo para menores de 21. – afirmou. Ele precisou piscar várias vezes para compreender realmente o que ela falava. Ela não havia recusado.
– Tipo o que? – perguntou surpreso.
– Abriu um ringue de patinação aqui perto, o que acha? –Tirando o fato de que eu nunca vi um desses ringues, está ótimo. Pensou Roy.
– Claro. – afirmou. — As sete, pode ser? – perguntou se corroendo por não ter coragem de dizer não para aqueles lindos olhos.
– Acho melhor as oito, tudo bem? – o sorriso em seus lábios era radiante e Roy sabia que mesmo não sabendo patinar, valia a pena, só por ver aquele sorriso.
– Tudo ótimo.
(...)
Quando a porta foi aberta, o cheiro de lasanha invadiu as narinas da mulher. Desde quando Fiona sabia cozinhar lasanha? E de onde saiu o material? Não tinha praticamente nada na cozinha.
– Caitlin! – a mulher estava terminando de colocar os pratos sobre a mesa. Três pratos para surpresa dela. – Adivinha quem está aqui?
– Quem? – perguntou sem entrar na brincadeira.
– O Barry. – sorriu. – Nós compramos o material aqui perto e ele que fez. Espero que esteja bom. – cruzou os dedos e beijou-os, como um sinal de sorte.
– Barry está aqui? – a porta do banheiro foi destrancada e aberta.
– Ei Cait. – chamou. – Finalmente apareceu. – piscou para a amiga e caminhou até Fiona. – Eu e a Fiona fizemos lasanha.
– Você fez a lasanha, eu cortei os ingredientes, nada mais. – revirou os olhos.
Fiona e Barry se deram muito bem rapidamente, nem eles mesmo entenderam como isso aconteceu. Uma hora eles estavam conversando sobre Iris e no outro momento estavam com a música no último volume, cozinhando, conversando e rindo, como amigos de longa data.
– Desde quando vocês são amigos? – a expressão de Caitlin não era nada feliz, nada feliz mesmo.
– Desde que eu cheguei aqui e você não estava. – brincou Barry, passando o braço pelos ombros da mulher, as bochechas da mulher de cabelos castanhos começaram a esquentar. – Não é Fiona? – sorriu abertamente.
– Com certeza. – o rosto de Caitlin já estava tão quente que ela sabia que estava vermelho, seu coração acelerado e as mãos apertaram as alças da sacola com força.
Por que Barry tá todo cheio de frescurinha com a louca não me deixa dormir?
– Que legal. – soou quase como um grunhido. Barry notou que a mulher não estava feliz. – Eu vou só trocar de roupa... – colocou as sacolas sobre a bancada da cozinha. – E venho almoçar, ok? – a mão de Barry foi de encontro a sua.
– Está tudo bem? – ela puxou a mão com força.
– Está. – sua voz soou fria e isso assustou Barry.
Caitlin virou sobre os calcanhares e marchou até o quarto, fazendo ambos estranharem o comportamento da mulher. Assim que adentrou ao quarto, fechou a porta e discou o número de Felicity, que atendeu rapidamente.
– Alô? – a voz do outro lado da linha atendeu calmamente.
– Felicity, socorro. – sussurrou para que ninguém soubesse que estava no telefone.
– O que houve? – perguntou alarmada. – Você está bem? Alguém invadiu sua casa? Diga onde você está! Estou indo ai. – Caitlin riu baixinho.
– Não é para tanto. – suspirou, antes de praticamente arrancar a camiseta e jogar sobre a cama. – Preciso que pesquise uma pessoa para mim, usando as suas... – pensou na melhor forma de falar. – fontes e habilidades. – caminhou até o guarda-roupa e procurou uma camiseta básica.
– Quem e o que houve? – a mulher ouviu o barulho de chaves girando.
– Você está chegando em casa? – perguntou.
– Sim, abrindo a porta. – um sorriso enorme se abriu nos lábios da mulher.
– Pare ai. – Felicity congelou com a mão na maçaneta. – BARRY! – berrou, tapando o microfone do celular.
– OI. – respondeu.
– COLOCA MAIS UM PRATO! – pediu. – A FELICITY VEM ALMOÇAR COM A GENTE!
– Como é? – a voz soou do outro lado da linha. – Tentar abafar o microfone não funciona. – afirmou.
– TÁ CERTO! – um sorriso malicioso surgiu nos lábios da mulher.
– É um andar de diferença, arrasta ela bunda branca para cá. – brincou.
– Você ainda não me falou quem eu tenho que pesquisar. – resmungou, o barulho de chave significava que ela estava trancando a porta.
– Fiona Webb. – sussurrou.
– O QUE? – berrou, fazendo Caitlin afastar o telefone. – Por que?
– Vem logo, eu te explico depois! – e desligou, deixando uma Felicity curiosa e sem entender nada.
(...)
– Ollie! – chamou Thea. – Você tem que parar de chegar atrasado... – começou a puxar o irmão pelo braço, em direção a sala de jantar.
– Eu terminei com a Laurel. – soltou rapidamente, esperando a reação da irmã.
– Oh Deus! – exclamou, parando de súbito. – Mamãe já sabe? – foi exatamente a reação que esperava. Ele negou com a cabeça. – Puta merda. – respirou fundo. – Quero dizer, você fez a coisa certa, mas... A mamãe... Porra. – bateu na própria cabeça.
O toque do celular de Thea invadiu o ambiente. A garota puxou do bolso e atendeu sem olhar quem era.
– Alô? – o rosto dela ainda estava um tanto transtornado, mas matinha a compostura. Oliver observou a irmã falar. – Está sim, quer que... Claro. – estendeu o celular para o irmão. – Pra você. – o homem franziu o cenho e pegou o aparelho.
– Oi... – um suspiro aliviado saiu do outro lado da linha.
– Isso vai soar como uma namorada irritada, mas por que diabos você não atende a porra do seu celular? – era Tommy. Só então ele percebeu que havia deixado o celular no carro.
– Eu esqueci no carro, o que houve? – perguntou despreocupado.
– Não vai haver mais jantar. – informou. Seu tom beirava o ódio.
– Por que não? – parte de si estava completamente aliviado por não ter que participar daquilo.
– Laurel foi presa. – o ódio queimava em sua voz.
Puta merda.
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