Wrong Love
6 Chapter 6
Notas iniciais
– Felicity! – Sara e Oliver falaram ao mesmo tempo.
Sara empurrou o homem, puxou a toalha e se cobriu o mais rápido possível. Barry simplesmente não conseguia parar de encarar o corpo nu da mulher, e mesmo depois de estar com a toalha sobre o corpo, ele ainda continuava com o olhar fixo, sem ao menos piscar.
– Eu posso explicar. – começou Sara.
– Eu não preciso de explicações, eu sei bem o que eu vi. – o rosto de Felicity estava vermelho de raiva.
Correu furiosamente até o seu quarto, sendo seguida por uma Sara preocupada.
– Olha, eu realmente... – sussurrou Sara.
– Dormir com o namorado da própria irmã! – negou com a cabeça, pegando o notebook. – Você tem noção do quão baixo isso é?
– Eu não estou dormindo...
– Principalmente depois da conversa que tivemos ontem. – suspirou. – Estou muito decepcionada com você Sara. – Felicity não deu ouvidos ao que a mulher tentava dizer, apenas passou direto.
– Felicity, é sério! – exclamou a mulher, caminhou atrás dela.
Qualquer indicio de que Sara e Felicity não fossem namoradas, tinha sumido da mente de Oliver. Mesmo a contragosto, ele não tinha como não acreditar nisso, ele estava vendo uma discussão, por causa dele, naquele exato momento.
– Felicity! – chamou Oliver. – É um mal entendido, eu juro. Eu vim aqui atrás de você, não da sua namorada. – a mulher levantou as sobrancelhas.
– Namorada? – Barry perguntou confuso, sendo tirado de seus devaneios sórdidos sobre Sara.
– Laurel sabe que você está aqui? – sua postura era séria. Não houve resposta. – Foi o que eu pensei. Sabe Oliver Queen, você é um grande filho da puta! – Barry arregalou os olhos, nunca vira Felicity falar qualquer palavra feia, o mais perto havia sido um "merda". – Laurel pode não ser a melhor namorada do mundo, mas você não a merece. Você não merece sequer uma prostituta, quanto mais uma mulher bem sucedida como ela. – negou com a cabeça. – Pessoas como você deveriam morrer sozinhas. – após dizer isso, puxou Barry pelo braço e fechou a porta em um baque.
– O que acabou de acontecer? – Felicity não respondeu, apenas continuou o seu caminho. – FELICITY! – praguejou, indo atrás dela.
– Eu estou namorando Sara Lance! – confessou falsamente, parte de si desejando que isso o enciumasse depois do quase beijo.
– O... – arregalou os olhos. – O QUE?
– Guarde esse segredo como se fosse a coisa mais preciosa de sua alma. – pediu Felicity, segurando as mãos de Barry. – É uma longa história, e depois eu te explicarei, só vamos para aula, estamos atrasados!
(...)
Roy mexia no zíper do casaco, enquanto a aula não começava. Seus olhos vagavam aleatoriamente sobre as pessoas ao seu redor. Para ele era estranho estar em um lugar assim, cheio de pessoas que passaram boa parte da vida estudando para conseguir uma bolsa naquela universidade, ou riquinhos que tem dinheiro o suficiente para pagar. Ele não se enquadrava em nenhuma dessas categorias.
– Aber... Roy. – uma voz delicada chamou sua atenção.
– Princesa Queen, a que devo a honra? – ela revirou os olhos e sentou ao seu lado.
– Obrigada. – agradeceu sorridente, passando o caderno para o garoto. – Foi realmente muito gentil de sua parte e fez toda a diferença. – ele deu de ombros.
– Não foi nada. – ele pegou o caderno. – Sempre que precisar.
– Belo casaco e um tanto irônico também. – brincou. – Quer dizer, eu te chamava de abercrombie e seu casaco é da abercrombie. – comentou.
– Eu não sou idiota, eu entendi de primeira. – Thea virou em sua direção com as sobrancelhas levantadas.
– Não precisa de grosseria. – irritou-se.
– Não foi o meu propósito.
– Vou fingir que acredito nisso. – começou a recolher as coisas, pronta para sair de lá, porém, a mão de Roy pousou sobre a sua.
– Você não está nem fingindo. – brincou. – Realmente não é por mal, acredite em mim, é... – respirou fundo. – Automático.
Thea não disse nada, porém, deixou o seu material no local e assumiu uma posição ereta na cadeira. Roy, por sua vez, abriu um sorriso vitorioso, assumindo a mesma posição que a garota.
Os alunos foram dispensados quinze minutos depois com a obrigação de fazer uma análise de uma lista de computadores que estavam e estiveram no mercado. Denominar suas épocas, suas principais funções e custo-benefício de obter cada um deles.
– Puto. – resmungou Thea irritada.
– Por que está xingando o pobre do professor?
– Pobre do professor? O cara passa trabalho na segunda semana de aula? Que imbecil. – a garota estava claramente irritada. – Parece até que a gente não tem nada o que fazer da vida. – comentou.
– Eu não tenho mesmo. – riu Roy, colocando a caneta no arame do caderno. – Na verdade, quanto mais tempo eu passar estudando, melhor para mim. – admitiu.
– Sorte a sua que conseguiu bolsa integral. – cruzou os braços. – Eu tenho que correr 43 km por dia, para conseguir me preparar para a maratona. – resmungou. – E ainda ter que fazer o trabalho daquele... daquele...
– Filho da puta? – tentou.
– Não, não. – suspirou. – Muito baixo.
– Então, acho que não posso te ajudar.... – franziu o nariz fazendo Thea abrir um largo sorriso.
– Mas pode me ajudar com o trabalho? – passou a mão pelos cabelos.
– Claro. – sorriu de canto. – Somos uma dupla então.
– Certo. Na minha casa, pode ser? – ele assentiu. – Você tá de carro?
– Thea. – franziu o cenho. – Eu sou do Glades. Mesmo que eu tivesse um carro, teria sido roubado na semana que eu comprei. – aquilo soava como a coisa mais óbvia do mundo para ele.
– Então, que tal você ir comigo depois da aula? – perguntou, ignorando o tom grosseiro.
– Parece bom..
– Combinado então. – sorriu divertida.
– Combinado. – para a surpresa de Thea, ele retribuiu o sorriso e era um sorriso de felicidade verdadeira.
(...)
– Isso é muito sexy. – comentou Cisco com um sorriso nos lábios.
– Por que ela nunca nos disse? – Caitlin parecia confusa. – Pensei que fossemos seus melhores amigos. – franziu o cenho.
– Eu não sei, talvez tivesse medo que nós julgássemos, ou sei lá. – bufou. – Só sei que o Queen sabia. Desde quando eles se conhecem?! – murmurou.
– Quando ele fal... – a mulher calou a boca ao ver Felicity se aproximar.
– Bom dia pessoas. – saudou, colocando a bandeja sobre a mesa e assumindo o seu lugar.
– Muito sexy. – comentou Cisco, levando uma cotovelada de Barry.
Fingiu não notar que o assunto tinha acabado no momento em que ela apareceu, ou o comentaria esquisito de Cisco, assim como os olhares esquisitos que eles estavam lançando em sua direção. Não estava afim de mais drama para o seu dia, tudo tinha uma cota e a dela já tinha chegado.
– Bom dia Felicinha. – Cisco saudou, havia um ar divertido em seu olhar.
– Bom dia. – Barry e Caitlin murmuraram ao mesmo tempo, não tão animados.
– Então, como foram as aulas? – perguntou Felicity, tentando melhora o péssimo clima que havia se instalado.
– Foram ótimas. – começou Cisco. – Cara, você precisa ter uma aula com Palmer, ele é foda! Ele nos mostrou um projeto muito irado. Você iria amar. É sobre a criação de um traje que pode encolher, por causa das partículas de uma anã branca. – o assunto claramente interessou a mulher.
– Anã branca? – Felicity demorou a processar o que aquilo significa, claramente não era uma pessoa. – Qual a propriedade que faz com que ele encolha? Se é pela densidade, porque não usar o material de uma estrela de Neutrons? É muito mais densa. – um enorme sorriso se abriu nos lábios de Cisco, Felicity sempre fazia muitas perguntas.
– Por causa do carborno. – informou. – A anã branca é puramente carbono, sendo assim, um diamante. Ele pensou na possibilidade de ir além, se ele conseguir encolher o tecido com a mesma quantidade de carbono de um ser humano, talvez possa encolher um ser humano. – explicou. – Temos cerca de 18% de carbono em nosso corpo, e se conseguíssemos agrupar nossas moléculas de carbono como uma anã branca? Claramente diminuiríamos de tamanho. Porém, teríamos que levar em consideração muitas outras coisas, claro.
Os olhos azuis cintilavam de tão genial que aquilo parecia. Porém, ela não era a única interessada. Caitlin e Barry estavam presos em seus próprios pensamentos sobre o assunto.
– Somos feitos de muitas outras coisas. Se conseguíssemos unir as propriedades da estrela de nêutrons com a anã branca, talvez fosse mais provável, ou mais possível. – comentou.
– Mas como faríamos isso? Com um buraco negro? – ironizou Barry. – Seria a única coisa forte o suficiente para separar os compostos da anã e da estrela e é uma opção inviável, já que se separarmos, não teríamos como uni-los.
– Vácuo é uma boa opção. – a voz não pertencia a nenhum deles. – Se ambas estivessem em contato com o vácuo e de repente fossem transportadas para a atmosfera da terra, talvez houvesse um choque de densidade e a pressão separasse-os, depois devolveria ao vácuo e voltaria a sua forma normal. – Ronnie explicava calmamente, massageando os ombros de Caitlin.
– Tirando o fato de que o vácuo é uma teoria. Além de que tudo o que você disse é muito hipotético e até para criar um semi-vácuo é muito caro, e não daria para se basear apenas em teorias. – corrigiu Barry. – Não é uma boa opção.
– É uma probabilidade a ser estudada, assim como qualquer outra. – sorriu educadamente. – Cait... – chamou, fazendo com que ela olhasse em sua direção. – Você deveria ter me esperado, eu ia te dar carona. Quando cheguei lá, a Fiona me avisou que você tinha saído. – acariciou seus ombros
– Você deveria ter me avisado. – sussurrou, recebendo um olhar curioso de Felicity.
– Tudo bem, amanhã estarei por lá então. – continuou sorrindo. – Não vai me apresentar aos seus amigos? – ela riu.
– Claro, desculpe. – virou em direção aos três. – Esse é o Cisco, acho que você já deve ter ouvido falar dele. – murmurou sorridente.
– Quem nunca ouviu falar? Cisco Ramon, não é? – Cisco assentiu. – Um dos mais cérebros por aqui, e mais entusiásticos também.
– Gostei de você cara! – Cisco bateu com as mãos e em seguida levantou as mãos em um sinal de positivo.
– E louco também. – completou Caitlin. – Esse é o Barry.
– Prazer Barry. – sorriu o homem.
– E essa é a Felicity.
– Você tem amigos geniais, Cait. – elogiou Ronnie. – É bom finalmente reconhecer os rostos que eu tanto ouvir falar.
– Quem fala da gente? – perguntou Cisco.
– Vocês são as futuras estrelas cientificas da universidade de Starling. – comentou rindo. – Hey Cait, deixa eu te apresentar aos meus amigos. – sorriu abertamente, esticando a mão para que ela segurasse.
– Claro. – sorriu, segurando em sua mão.
Após a ajuda a se levantar, selou os lábios da garota, deixando-a completamente vermelha e surpreendendo a todos que estavam sentados. Felicity abriu um largo sorriso. Cisco levantou as sobrancelhas, totalmente chocado. Barry ficou carrancudo, não entendeu bem o porquê, só não gostou.
– Ele é tão amostrado! – resmungou Barry quando os dois já estavam longe, antes de enfiar um pedaço de pizza na boca. – Parece até que nem sabe o nome dela. Cait, Cait, Cait... – fez uma voz enjoada. – É Caitlin, Ca. I. Tlin. – bufou. – E agora ela vai embora? Caitlin sempre fica com a gente no almoço. Sempre. – alterou-se.
– Qual o problema? – perguntou Cisco. — Ciúmes? – riu.
– Não! – exclamou. – Claro que não.
Felicity revirou os olhos.
– Eu vou indo, tenho que passar na biblioteca antes da aula. Quero saber mais sobre anãs brancas. – levantou-se de súbito.
– Tchau Felicinha.
– Tchau Felicity.
Barry e Cisco falaram quase ao mesmo tempo. Felicity acenou com a cabeça e saiu de lá rapidamente. O mais velho dos homens, encarou o outro com um sorriso sarcástico.
– Será que a Felicinha está com ciúmes dela também? – perguntou. – Imagina só a Gacker e a Quimitosa juntas, isso seria muito quente. – Barry encarou-o com as sobrancelhas levantadas. – Sem falar que seria uma fusão cerebral maneira.
– Gacker e Quimitosa? O que? – Cisco riu.
– Outra hora te explico, outra hora amigo.
(...)
Felicity esticava todo o seu corpo, em uma tentativa inútil de alcançar o livro que ela queria. Não queria ter que pegar a escada, morria de medo de altura e o rangido daquela escada soava como queda e traumatismo craniano, em sua opinião.
– Aqui. – uma mão grande puxou o livro, entregando-a.
A mulher agarrou o livro e virou o seu corpo em direção ao homem, pronta para agradecer.
– O que você quer? – nada de agradecimentos para aquele homem.
– Felicity. – respirou fundo. – Estou tentando corrigir um mal entendido. – levantou as sobrancelhas.
– Não estou afim de ouvir. – fez menção de sair, todavia, ele agarrou seu braço.
– Olha, vai parecer ridículo, mas é a verdade. – sua voz era baixa, em um tom inebriante. – Eu estava lá atrás de você, como você pediu no sábado. – confessou. – Você disse que arrumaria um lugar para que eu me encaixasse no seu projeto. – os olhos dela se arregalaram.
– Então se agarrar com a Sara não fazia parte do plano? – puxou seu braço, cruzando-os.
– Eu não me agarrei com a Sara. – afirmou. – Ela estava no banho quando eu cheguei, e acabou se assustando com o barulho da porta. – continuou. – Eu só a segurei para que ela não caísse no chão.
– Quanto cavalheirismo. – ironizou.
– É sério. – agora foi a vez dele de cruzar os braços. – A Sara não trairia a irmã ou você. Apesar de tudo, ela é uma boa garota e muito fiel.
Mas você trairia, sem pensar duas vezes.
– Mas você faria. – atacou.
– Já passou pela sua cabeça que eu tenho um motivo para ser assim? – levantou as sobrancelhas.
– Nós somos quem nós queremos ser! — apontou o dedo para o homem. – Se você quer ser Oliver Queen, o imbecil, irresponsável e que trai a namorada o tempo todo, você será. Mas se você quer ser Oliver Queen, alguém que valha a pena conhecer, é opção sua! – seu tom estava alto. – Então não venha com desculpas, tudo o que somos é baseado em nossas escolhas. – Oliver piscou várias vezes, tentando compreender tudo o que ela falava.
– Não é tão fácil assim. – segurou a mão dela, que estava apontado para o seu peito.
– E nunca vai ser se você não tentar. – puxou a mão com força, virando para sair.
– Eu posso começar ajudando no projeto. – apressou-se a ficar em frente a garota novamente. – Existe ou não existe uma forma de eu participar. – Felicity levou as mãos ao rosto.
– Espero não estar perdendo o meu tempo. – respirou fundo. – Você tem uma chance de fazer isso direito Queen. Lembre-se é estritamente voluntária. – afirmou. – Tem certeza que vai querer participar?
– Tenho! – sua convicção impressionou a mulher.
Talvez, só talvez, ele não seja um caso perdido! Eu e minha mania idiota de querer salvar as pessoas.
– Estamos precisando de professores e existe uma vaga no administrativo. – comentou. – Qual você prefere? – respirou fundo.
Por favor, por favor, faça valer a pena.
– Qual dos dois está mais necessitado? – sorriu educadamente.
– Professores. – confessou. O projeto estava crescendo desde que vários alunos haviam conseguido entrar em boas universidades com bolsa integral. Tinham muitos alunos e não eram professores suficiente.
– Então, professor serei. – levantou as sobrancelhas rapidamente.
– Salve o seu número. — a mulher enfiou a mão no bolso da calça e estendeu o celular para o homem. – Passo tudo o que você precisa saber mais tarde.
Assim ele fez.
– Aqui. – devolveu o celular.
– Até depois Oliver. – murmurou, antes de sair.
– Até mais. – retribuiu sorrindo abertamente.
(...)
– Está um pouco bagunçado porque meu irmão dormiu aqui ontem e ele não sabe o que significa a palavra organização. – brincou. – Fique à vontade.
Thea adentrou o apartamento, dando espaço para que Roy fizesse o mesmo. Seus olhos brilharam no instante em que seus pés passaram da porta. Só a sala daquele apartamento era maior do que seu dormitório inteiro.
– Uau. – assobiou. – Bela sala. – comentou.
– Papai e mamãe são um pouco extravagantes demais. – comentou. – Quer água? – ofereceu.
– Não, obrigado. – sorriu. – Deve ser legal ter pais milionários.
– Eu amo meus pais. – colocou as coisas sobre o centro e se jogou no sofá. – Mas eles não são, nem de longe, bons pais. – riu pelo nariz. – Meu pai passa o tempo todo trabalhando naquela droga de empresa e minha mãe é extremamente controladora. – suspirou. – Sente-se, por favor. – pediu.
O garoto sentou ao seu lado, ainda com aquele sorriso feliz nos lábios.
– Com certeza é melhor do que um pai que está preso porque participava de uma gangue e uma mãe alcóolatra que nem lembra que tem um filho. – seu tom era um tanto sarcástico.
Thea queria dizer alguma coisa sobre isso. Queria muito, mas ela não sabia o que. Então, apenas colocou a mão sobre a dele, sorrindo gentilmente e recebendo um sorriso triste de resposta.
– Eu não me surpreenderia se meu pai fosse preso algum dia desses. – confessou tristemente. – Ele parece estar escondendo alguma coisa. Alguma coisa importante. – murmurou.
Agora era a vez dele não saber o que dizer.
– Acho melhor a gente começar, não acha? – mudou de assunto repentinamente. – Eu tenho um compromisso as seis. – Thea assentiu.
Abriu o notebook, e arrastou o corpo para o carpete.
(...)
Felicity encarava a janela, porém, seus pensamentos estavam longe de estar ali. Ela quase beijara Barry e isso a incomodava. Já haviam passado mais de quatro anos e ela ainda sentia que estava traindo-o. Se ela tinha sentimentos por Barry, por que não podia simplesmente ficar com ele? Como qualquer pessoa normal? Chegar até ele e se declarar. Era simples. Mas ela não era como qualquer outra pessoa.
– Oi. – murmurou Caitlin, sentando ao seu lado.
– Ei Cait, o que faz aqui? – estava tarde para ela estar saindo da universidade.
– Estava terminando o relatório sobre a Star Labs. – comentou. – E eu ia pegar carona com o Ronnie, mas ele tem treino e eu não estou afim de esperar. – um grande sorriso surgiu nos lábios de Felicity.
– Então, vocês dois, é oficial? – estava feliz para amiga.
– Nós não somos namorados. – suspirou. – Ele simplesmente apareceu na minha porta e me beijou, só. – falou entediada.
– Não é o que parece. – riu. – Estou muito feliz de que você e eles estejam juntos ou sei lá o que. – levantou as sobrancelhas.
– Tá. – virou em direção a amiga. – Estou chateada com você. – afirmou.
– O que eu fiz? – arregalou os olhos, completamente surpresa.
– O Barry me contou que você está namorando a Sara. – cruzou os braços. – Você deveria ter me contado. Pensei que fossemos amigas.
Maldito Barry! Maldito, maldito, maldito!
– Pensei que fossemos muito mais que amigas. – deu um tapa na própria cabeça. – Quero dizer, melhores amigas. – suspirou pesadamente. – Eu não estou namorando a Sara.
– Então o Barry mentiu? – franziu o cenho.
– Não! – exclamou. – Ele acha que eu estou namorando a Sara, assim como toda a família da Sara e o Oliver. – prensou os lábios. – Eu sei que é esquisito. Mas, por favor, não conte a ninguém. – juntou as mãos, como se implorasse. – Não faça como o Barry. Eu não sou lésbica, nenhum pouco, nenhuma gota. – confessou.
– E por que todo mundo pensa isso? – Felicity suspirou pesadamente.
– Porque a Sara disse isso. – admitiu. – Por motivos bem pessoais. E Oliver falou isso na frente do Barry, e eu tinha medo de que ele falasse para todo mundo que era tudo um plano, já que ele não é bom em guarda segredos entre nós. – sussurrou. – Como ele fez. – fechou os olhos com força.
– Então, você não é gay? – perguntou, ainda confusa.
– Não, na verdade, eu gosto do Barry. – a frase saiu antes que ela pudesse se conter.
– VOCÊ O QUE? – Caitlin, ao notar que berrou, colocou a mão sobre a boca. – Por que você não me contou antes? – seu olhar era de quem estava impressionada.
– Porque ele gosta de outra pessoa. – sua expressão era triste. – E eu não sabia como falar isso.
– Preciso de um plano.
– Nada de planos. – pediu. – Eu realmente não sei se é uma boa opção. – mordeu o lábio. – Vamos mudar de assunto, conte-me mais sobre você e o Ronnie. Como ele chegou no quarto?
– Tudo bem, foi assim... – começou animada de mais com sua história para dar atenção a outro assunto.
(...)
Sara caminhava lentamente, sua mente viajava para longe dali. Para sua surpresa, quando mandara a mensagem explicando tudo que havia realmente acontecido, a resposta veio em seguida.
Felicity Smoak;
Eu conversei com o Oliver. Não tenho certeza se acredito nessa história, mas vou confiar em vocês.
Por esse motivo, suas preocupações mudaram de rumo. Estavam, agora, no fato de que ela estava tentando sentir desejo por alguém e isso estava se tornando impossível. Estivera nua nos braços de Oliver e não sentira nem uma pontada de desejo, e ele era Oliver Queen. Ela precisava arrumar um jeito, qualquer jeito. Tinha perdido uma das coisas que mais amava e isso estava a destruindo.
Quando esticou a mão para abrir a porta, notou que havia um pedacinho de papel grudado ali. Puxou-o rapidamente e abriu.
"Uau, você é rápida em seguir em frente. Mas saiba que eu ainda não desisti de você. E você sabe que eu sou capaz de tudo para conseguir o que eu quero. Tudo.
Sempre sua, Nyssa."
Sara apenas revirou os olhos e entrou no dormitório, levando a carta consigo. Duvidava de que Nyssa fosse fazer algum mal a qualquer pessoa. Mas sabia que deveria guardar isso, por precaução.
(...)
– Que fofinhos. – apontou para o porta-retratos que estava sobre a estante da televisão. – Como se chamam?
A foto era um Tommy adolescente sendo "atacado" por três gatinhos pequenos. O que estava nos braços do garoto, tentando subir para o seu ombro, era um persa alaranjado. Outro estava com as patas dianteiras sobre a cabeça do garoto e as traseiras sobre o sofá, esse era um exótico, de pelo cinza com branco. E o último, e mais quieto, estava deitado sobre o colo dele, esse era um himalaio branco.
– Eles moram com o meu pai, porque não tenho muito tempo para cuidar deles. – admitiu. – O laranja se chama Jaspe. A branquinha, no meu colo, se chama Rubi, porque ela tem olhos vermelhos. E a outra é o único que não tem nome de pedra. – riu da própria piada. – Se chama Donna.
– Donna?! – a mulher gargalhou alto. – É o nome da minha mãe. – o homem ficou imediatamente vermelho, ao ponto que a mulher apenas voltou a comer sua pizza.
– Sério? – ela assentiu rapidamente.
– Eu tinha dois cachorros, tenho planos de ter outro, algum outro dia. – abriu um grande sorriso. – Era uma Pug chamada Pearl e um shitzu chamado Bayer. – riu com a lembrança.
– O que aconteceu com eles? – perguntou antes de tomar um gole de sua coca.
– Eu vim para Starling. – suspirou. – E como mamãe não tem como cuidar deles, estão com alguém que eu sei que está cuidando muito bem. – por costume, puxou o celular e olhou a hora. – Oh! Preciso ir. Está tarde e tenho que pegar o ônibus. – levantou-se de súbito.
– Nem pensar. – Tommy levantando-se também. – Eu te deixo em casa. – puxou as chaves do carro que estavam sobre a mesa.
– Não precisa se incomodar. – insistiu.
– Claro que eu me incomodo. Você se incomodou de vir aqui. – ela negou com a cabeça. – Você só passa por aquela porta quando aceitar a minha carona. – cruzou os braços, tentando intimidá-la.
– Você é sempre assim? – ele assentiu.
– Vamos? – e após um longo suspiro, ela assentiu.
(...)
– Não quer entrar? – Laurel perguntou.
– O que eu quero falar, é melhor que seja aqui fora. – a mulher fechou a porta atrás de si e caminhou com o namorado pelo corredor.
– O que houve? – tentou passar a mão pelo braço dela, porém, ele a impediu, segurando o seu braço e ficando face-a-face com ela.
– Laurel. – sua voz era séria, um tom que a mulher não ouvia a anos. – Eu não acho que... – pensou na melhor forma de dizer. – nós estamos funcionando juntos. – Laurel franziu o cenho, surpresa.
– O que você quer dizer com isso Oliver? – murmurou perplexa.
– Eu quero terminar.
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