Wrong Love

16 Chapter 16


Notas iniciais
Ok... Antes de eu falar qualquer coisa, leiam o capítulo e depois LEIAM AS NOTAS FINAIS! Espero que gostem :DDD

Os olhos da mulher estavam vidrados nos músculos dorsais do homem. Ela sabia que Oliver tinha um corpo definido, mas nunca imaginou que ele chegasse a possuir o cinturão de Adônis, aquelas marcas próximas a região da virilha que levariam qualquer mulher a ter pensamentos altamente libidinosos.

Estava paralisada observando todo aquele dorso, entorpecida com aquele corpo tão másculo, sensual e...

– Delicioso. — Assim que as palavras saíram de seus lábios, ela desejou correr dali. Ela tinha que ser tão descarada? Suas bochechas estavam pegando fogo.

– O que disse? — Oliver ainda estava perplexo demais para conseguir compreender alguma coisa.

Felicity estava ali, o cabelo preso no rabo-de-cavalo de sempre, a grande armação emoldurava os olhos azuis e seus lábios estavam entreabertos, implorando para que ele os beijasse. Aquela imagem era tão boba que ele teve ainda mais dificuldade em unir a Felicity hipócrita que conhecera mais cedo. Ela poderia ser o anjo e o diabo ao mesmo tempo? A insanidade estava tomando conta do seu corpo quando lembrou-se do beijo.

Ela estava lá, os braços ao redor dele, os lábios colados no dele.

A imagem do seu inferno privativo.

– Felicity? — Chamou novamente, esperando alguma resposta. — O Cisco está em Central City, mas acho que você deve saber isso.

A frase pronunciada com grande indiferença e bastante irritada tirou-a de seu torpor.

– Sim, eu sei. Eu vim atrás de você, na verdade.

O corpo magro da mulher lutava para manter-se ereto, estava tão cansada e tão estressada, tudo que desejava era um banho quente e boa noite de sono. Duas coisas que ela não teria tão cedo, logo estaria enfrentando uma fila em um aeroporto para passar horas em um avião que a levaria para o mais agonizante dos pesadelos.

Sua postura quase falhou.

– Você não me atendeu. — Resmungou. — Não que você tenha a obrigação de me atender, só que eu queria falar com você e eu estava perto, abastecendo o carro da Fiona.

Oliver encarou as roupas abarrotadas da mulher, as mesmas roupas da noite anterior — reconheceu -, ela passara a noite fora. Provavelmente estava rolando entre os lençóis com Tommy, deveriam ter dormido abraçados, rindo por fazer todos de idiotas, fazendo-os acreditar que eram apenas amigos, quando estavam trocando fluidos corporais em corredores escuros.

A Felicity que ele conhecia não faria nada disso, mas quem ela era afinal?

– Eu não estou muito interessado em conversar. — Sua voz era imponente, irreversível. — Estou muito cansado. — Praticamente grunhiu, um relance de tristeza e raiva brilhou em seu olhar.

– Você está bem? — A mão delicada correu o caminho até o rosto com expressões impassíveis.

– Como se você se importasse. — A mão forte agarrou o pulso frágil, jogando-o para longe de seu rosto. — Não preciso de piedade.

A mulher estava exasperada.

– Oliver, o que aconteceu com você? — Perguntou surpresa. — Mas é claro que me importo. Foi algo que Laurel fez? Ou disse?

Os pés de Felicity levaram-na a quebrar um pouco mais a distância entre eles. Seu coração estava acelerado, assustado com o que estava acontecendo, desesperado por uma reação significativa. Os olhos dele beiravam ao desprezo e seu corpo assumiu uma postura temerosa.

Oliver agarrou a porta, pronto para fechá-la e deixa a mulher de cabelos escuros para trás, porém, aqueles olhos o impediam de abandoná-la. Ele não teria coragem.

– Não foi a Laurel. — Ambos os olhos se encontraram. A amargura no azul dele e a piedade no azul dela. — Não seja mentirosa Felicity, eu sei que você e meu melhor amigo andam fudendo por ai.

Ela observou a ira que ele sentia pulsar em uma das veias que transpassavam a lateral de sua testa.

– E você veio com todo aquele papinho de integridade, que tinha fé em mim. — Uma das mãos apertava com força a porta, enquanto a outra estava fechada em um punho. — Você estava na cama da Sara e do Tommy, quanta integridade de sua parte.

Oliver a encarava sem medo, não queria uma explicação — ela sabia disso, conhecia essa expressão magoada -, ele queria machucá-la, queria fazê-la sentir o que ele sentia.

"É diferente Donna, você não conseguiu segurar o papai, você não foi o bastante..."

Suas próprias palavras queimavam em sua cabeça. Lembranças da dor que sentia e a dor que causou.

Aquela dor a invadiu novamente, produzindo uma faísca perigosa.

– Mas o que? — Irritou-se. — Eu sou o mais integra que posso. Eu e o Tommy somos amigos!

– Você acha que estou mentindo? — Oliver levantou uma sobrancelha, desafiando.

– Você criou um mundo imaginário baseado em um beijo idiota, um beijo o qual Tommy nem lembra de tão bêbado que estava. Eu conheci o Tommy no dia que comecei a "namorar" Sara. — Ignorou o fato de que não precisava de aspas, usou-as mesmo assim.

– E você realmente acha que eu vá acreditar nisso? A Thea viu vocês juntos! — O homem estava ainda mais fora de si.

– Que se foda o que a Thea viu! Eu e Tommy somos amigos e aquele foi meu primeiro beijo em quase malditos quatro anos! — Seus lábios a haviam entregado e seus olhos estavam a traindo, querendo derramar lágrimas por suas bochechas avermelhada de raiva.

Aquela frase o pegou de surpresa e o deixou ainda mais furioso. Ela conseguia ser tão fudidamente hipócrita? Ao ponto de mentir tão descaradamente? Ela namorara Sara, não havia forma de isso ser verdade.

Como se soubesse o que ele pensava, ela continuou.

– Você realmente acha que se eu tivesse um relacionamento verdadeiro com a Sara, eu desistiria tão facilmente? Eu tive fé em você Oliver, mesmo com todas as possibilidades de você me decepcionar, eu fiquei firme, torcendo e esperando que eu pudesse confiar em você. Eu não desisto das pessoas, acredito nelas, iria até o fim do mundo por alguém que amo, eu já fiz isso e faço isso todo maldito dia. Se soubesse um terço da minha história, saberia que digo a verdade. — Felicity não tentou se recompor, apenas continuou — Eu vim aqui para ver como você estava depois de ontem, e avisar que eu vou visitar minha família no feriado. Mas acho que não sou bem vinda aqui!

Um soluço escapou de seus lábios e a primeira lágrima foi derramada, obrigando a pequena mulher a se afastar, pronta pra fugir daquela situação assustadoramente real, assombrosamente verdadeira. A grande e forte mão masculina puxou o seu ante-braço, levando o corpo delicado para dentro do espaço que os separava, deixando que o calor de seus músculos a atingissem, como um escudo protetor, era o que ela mais precisava.

Ele nem ao menos pensou no que estava fazendo.

Encostou os lábios sobre a testa de mulher, ele não deveria acreditar em nada daquilo, contudo, o seu coração não o permitia desacreditar. Ele confiava em Felicity e não desejava vê-la tão triste, tão quebrada.

– Desculpe... Tem razão. Não conheço nada sobre o seu passado. — Sussurrou em seus cabelos, um pouco amargurado, mas tentando manter-se equilibrado. Passou os braços pela cintura, apertando-a contra si, esperando soluços e tremores.

Mas esse não vieram.

Felicity estava cansada de ser a vítima, cansada de que tivessem pena dela e a presença forte de Oliver a deu segurança. Ela não iria desmoronar, não ali, não agora.

– Oliver... — Sua voz era baixa e doce.

Ele se afastou, oferecendo para que ela entrasse.

Ela negou, queria outra coisa.

– Você pode me fazer um favor?

(...)

– Eu gostaria de ter medo de filmes de terror. — Murmurou Caitlin antes de empurrar um punhado de pipocas na boca.

– Como você vai ter medo se você sabe como é feito? — Lembrou Barry, um sorriso divertido brincando em seus lábios.

– Olha esse xixi. Deveria ser nojento! — Apontou para a televisão. — É suco de uva verde, por favor.

Caitlin estava particularmente bonita e falante naquele fim de tarde. Estavam se divertindo e parecia que o mundo havia parado apenas por eles.

As sobrancelhas escuras foram arqueadas e os olhos do homem observavam cada pequeno detalhe dela. O cabelo bem penteado que o fazia ansiar por pôr as mãos ali e bagunça-lo. Olhos vidrados na tela, procurando defeitos, analisando, compreendendo. Ele podia ver cada uma das conquistas dela só por olhá-la. Esses olhos eram sombreados pelos longos cílios. Seus lábios estavam apertados, formando duas linhas finas, era o sinal pessoal de concentração. Barry percebera isso durante os anos, sempre que ela estava focada, ela comprimia os lábios.

O modo contido e organizado da mulher era tudo que Barry queria bagunçar.

– Eu tive uma ideia.

Ele pulou do sofá, correndo até a cozinha e procurando a garrafa de vodka que Íris sempre guardava para situações inesperadas e inusitada. E era assim que ele qualificava aquela.

Quando voltou, os olhos de Caitlin encararam a garrafa de vodka com surpresa, o que ele queria com aquilo?

– Você terminou o seu namoro! — Levantou a garrafa, balançando em frente a mulher. — Não vamos dirigir, então, não só podemos, você precisa disso.

Para seu espanto, a mulher agarrou a garrafa de suas mãos e a abriu com facilidade. Ela sabia o quanto precisava daquilo, toda aquela confusão de estar com um e deseja — involuntariamente — outro, estava deixando-a maluca.

Foi como isso na cabeça que deixou o líquido escorrer quente e ardente em sua garganta, sendo finalizado com a tosse de quem não sabe beber.

Ambos gargalharam com a situação, confortáveis com isso.

(...)

Quando Tommy adentrou ao recinto, observou o detetive Lance assistindo o jogo de basebol na pequena televisão pendurada na parede. A mais velha das irmãs estava sentada em uma poltrona ao lado do pai, alisava os cabelos loiros de Sara, que estava adormecida com a cabeça em seu ombro e com quem dividia a poltrona.

– Boa noite Quentin. — Saudou Tommy e caminhou até as meninas. — Boa noite Laurel. — Abaixou o corpo, beijando a testa da mulher. — Eu trouxe dois descafeinados com leite e alguns coockies, quer?

– Já disse que você é um anjo Tommy? — Sussurrou, tocando o antebraço do amigo.

– Não precisa dizer, eu já sei. — Piscou um olho, tentando dar ânimo a família.

– Arrumem um quarto. — Murmurou Sara, abrindo um dos olhos azuis.

– A pequena Sara acordou? — A voz de Quentin tomou o lugar.

Os três pares de olhos foram até o homem que havia virado em direção à poltrona, o jogo fora completamente esquecido.

Em resposta, a mulher se espreguiçou e bocejou.

– Boa noite papai. — Aproximou-se da cama, colocando a mão no rosto do detetive. — Como está?

– Estou melhor... — Tocou a mão da filha. — Ficaria melhor se você fosse para casa, descansar um pouco.

Sara balançou a cabeça, negando.

– Vou ficar com você. — Sua voz era impassível.

– Você precisa de um banho e uma refeição de fé. — Lembrou Tommy. — Felicity me intimou a vir aqui e deixar que vocês descansem um pouco. Ela mesma viria se não fosse visitar a mãe.

Felicity havia passado mais cedo e ficou por lá enquanto as meninas saiam para almoçar. Ambas as meninas estavam felizes por terem tantos amigos as apoiando.

Apesar de relutante, Laurel aceitou de bom grado, estava preocupada com sua irmã mais nova que só saíra do lado do pai para almoçar e voltara rapidamente, nem ao menos havia tido uma boa noite de sono, já que passara a noite no hospital, esperando notícias do pai.

– Vem... — Sussurrou, antes de passar o braço ao redor da cintura da irmã. — Vamos para casa, você toma um bom banho e dorme um pouco.

– Não quero deixar o papai. — Seus olhos estavam assombrado, o medo e a agonia do dia anterior estava nítidos em suas pupilas azuis.

– Você precisa descansar filha. — A voz de Lance alertou.

– Eu vou jantar e volto para cá. Ficarei com o papai e qualquer coisa, te aviso imediatamente. — Prometeu Laurel.

Após muita insistência de seu pai, Sara finalmente foi convencida a ir para casa, estava tropega de tanto sono quando levantou e foi preciso o apoio de sua irmã para conseguir caminhar porta a fora.

– Obrigada. — Foi a última palavra sussurrada por Laurel ao sair do quarto. Tommy não teve tempo de admitir que fazia aquilo com grande prazer.

– Então, Quentin, como está o jogo?

(...)

Tudo estava pronto.

Não que ela tivesse feito uma mala, tudo o que precisava estava em sua casa, tinha roupas, acessórios, sapatos, produtos de higiene pessoal e até mesmo um carro, tudo em sua casa, em sua cidade natal, Las Vegas, Nevada.

Em breve, Oliver estaria ali, haviam combinado um horário. Não sabia porque sentia a necessidade de mostrar quem realmente era, queria que ele participasse dessa parte de sua vida, e não era por medo de ele entender tudo errado de novo, queria que ele a conhecesse, cada parte sua e de sua trágica história. Nunca fora fácil para as Smoak, mas ela sempre arrumavam uma forma de serem felizes.

Fiona abriu a porta com um grande sorriso, estava vestindo um grande moletom a sigla SCU — Starling City University -, seus cabelos estavam molhados e usava um par de brincos artesanais que Felicity achou encantadores.

– Oi Fels. — Murmurou divertida. — O que faz aqui?

– Vim devolver isso. — Levantou as chaves do carro e sorriu docemente. — O tanque foi cheio como a mais boba forma de agradecimento.

– Você é tão boba. — Exclamou sorridente e pegou a chave educadamente. — Isso é tão adorável, e você é tão linda. Era de se esperar que a bela Sara colocasse os olhos em você. — Afirmou sorridente.

As bochechas de Felicity esquentaram subitamente.

– Tão fofa! — E as bochechas esquentaram ainda mais. — Cait disse que você ama chocolate. Uma amiga minha do clube do livro me deu uma caixa de morango com chocolate. Mas eu sou alérgica a morango e a Cait saiu antes que eu pudesse oferece-la. Não quero que estrague, você quer? — Tagarelou.

Felicity sempre se surpreendia como a mulher conseguia agir como se elas fossem melhores amigas a anos. Era divertido, estava agradecida por isso. Apesar de mal se conhecerem, ela sentia uma certa familiaridade, como se compartilhassem algo em comum.

– Ah, eu adoraria, muito obrigada. — Sorriu com gentileza. Felicity nunca recusaria chocolate.

– Vem cá. — Fiona liberou espaço para que a mulher adentrasse e a seguisse.

E foi exatamente o que ela fez.

Ao adentrar ao quarto da mulher, ela ficou bastante surpresa com a decoração toda colorida e manufaturada do local. Era tudo bem entalhado. Uma cama com dossel de madeira entrelaçada, combinando perfeitamente com o apanhador de sonhos que descia pela cabeceira da cama.

Um tapete de lã amarela. Uma par de estantes de madeiras, pintadas com spray do mesmo tom do tapete. Havia um armário também de madeira e também pintado com spray, mas de tons de vermelho, azul e roxo.

Havia tantas cores e tantas coisas ao redor, que ela não chegou a processar tudo.

Observou Fiona caminhar até um pequeno frigobar que fora pintado de todas as cores do arco-íris. Era bem divertida aquela decoração.

– Uau. — Murmurou. — Seu quarto é bem legal. — Estava espantada e admirada.

– Obrigada. — As bochechas de Fiona tornaram-se rubras. — A maior parte dos móveis foram pintando por mim, e alguns detalhes, como o apanhador de sonho e o porta retrato foram feitos por mim.

– Porta retratos?

Ela não havia visto nenhum até o momento.

– Sim, os que estão na estante sob a TV.

Os olhos azuis correram pelo quarto, até encontrar os pequenos objetos, muito bem feitos e bem detalhados.

– São incríveis. Onde aprendeu a fazer tudo isso?

Enquanto falava, caminhou até os objetos, para examiná-los. E ficou surpresa ao ver as fotos que ali se encontraram. Eram sete fotos. A primeira era uma selfie de Fiona e Cisco. A segunda várias garotas e dois homens, todos com a camiseta do clube do livro. A terceira era em um festa da fraternidade, Fiona, Barry, Cisco e Caitlin. A quarta, para sua surpresa, era ela mesma — Felicity -, Fiona e Caitlin, logo quando entraram na faculdade, que a mãe da Cait tinha batido. A quinta era a própria Fiona, vestida de líder de torcida, junto com duas garotas com as mesmas roupas, uma negra de olhos azuis incríveis e uma loira de olhos cor de mel. A sexta foto era, provavelmente, a do anuário escolar. Todo o time de basquete e todas as líderes de torcida, ela estava a frente de todas e tinha várias assinaturas nas fotos.

Mas a última a pegou de surpresa. Lá estava Fiona, um rabo de cavalo no alto da cabeça, um sorriso bobo e todo o uniforme da torcida e ao seu lado estava... Barry Allen alguns anos mais novo.

– Fiona? — Virou em direção a mulher que estava terminando de embalar os morangos.

– Sim. — Perguntou sem se desviar do trabalho.

– Eu amei o seu trabalho, de verdade, mas...

– Não é o Barry. — Afirmou antes mesmo que ela perguntasse, sua postura estava diferente e sua voz alguns tons mais aguda.

– Não?

O choque percorreu o corpo de Felicity. Como não? Eles eram simplesmente idênticos. Ela queria virar e verificar novamente.

– Não. — Confirmou. — Eu também não entendo. Não tem mesmo como ser.

Fiona virou em direção da outra mulher, seu rosto estava marcado por uma sombra de dor e ao mesmo tempo de desconforto.

Felicity queria perguntar mais, contudo, seu celular começou a tocar, assustando-as.

– Com licença. — Pediu a mulher de cabelos escuros, puxando-o de seu bolso. — Alô?

Seu corpo imediatamente ficou tenso ao ouvir a voz do outro lado da linha. Um suspiro tenso saiu de seus lábios, enquanto escutava tudo o que o homem falava, absorvendo tudo aquilo, com medo de desabar ali.

– Acalme-se Floyd. — Sussurrou. — Estarei ai em breve. Não se preocupe, vai ficar tudo bem. — Tentou manter a calma, contudo todo o seu ser queria enlouquecer. — Pode deixar, vou dar um jeito nisso. — As lágrimas queriam chegar ao olhos dela e a luta dentro de si era enorme. — Certo. Obrigada. Eu também amo você, fique calmo, prometo que tudo ficara bem. Até mais.

E desligou o celular.

Promessas vazias, promessas vazias. Mas ela não podia deixar o desespero tomar conta dele ou de si. Eles tinham que ser racionais.

– Você não parece bem. — A voz de Fiona a despertou do transe.

– Minha mãe está me deixando louca. — Sussurrou.

– Pessoas tem geralmente esse dom. — Os olhos alucinados piscaram, demonstrando o que ela queria dizer. — Nada que chocolate não possa distrair, não é mesmo? — O sorriso brilhou no rosto pálido de Fiona. — Aqui. — Estendeu o pacotinho. — Espero que dê sorte.

– Obrigada Fiona. Você sempre é muito gentil.

E em um momento de emoção e sincronia, Felicity a abraçou rapidamente.

Antes de sair, deu uma ultima olhada na imagem. Os olhos de Webb não eram como hoje, ela parecia bem mais feliz, parecia bem mais doce e delicada.

Com toda aquela curiosidade, ela ficou surpresa com ideia que teve, mas teria que esperar.

(...)

Barry e Caitlin deveriam ter bebido a garrafa inteira, deveriam estar tão bêbados que nem lembrariam do próprio nome. Contudo, alguns goles depois, os dois tinham esquecido completamente da bebida e estavam sentados em frente a janela do quarto de Barry, a única janela da casa onde havia vista para o pôr-do-sol.

E era isso que eles estavam observando, o sol descer por entre os prédios, deixando o ar alaranjado e bem iluminado, pelo menos, era o que Caitlin estava encarando, com sua cabeça levemente repousada sobre o ombro do homem.

Barry estava sem fôlego, não pelo pôr-do-sol que, diariamente, ele tinha a possibilidade de ver. Seus olhos estavam em algo bem mais precioso. A poucos centímetros da janela, havia um espelho, onde estava refletida a imagem de Caitlin emoldurada pela luz alaranjada. Ela estava com os cabelos bagunçados, a boca entreaberta e sem nenhuma maquiagem sobre o rosto.

Ela estava tão esbabacada pela paisagem, tão absolutamente fantástica, que o homem queria conservá-la assim, dentro de uma redoma de vidro, para poder admirar todas as vezes que a tristeza ameaçasse o tocar.

Mas só pra ele, ninguém deveria vê-la daquela forma.

Uma sensação de posse percorreu pelo seu corpo, ele nunca havia notado o quão aquela mulher — que estava ao seu lado todo esse tempo, com quem brigara a maior parte de sua infância — era apaixonante e o quão encantado estava.

Não, encantado não.

Ele a amava.

Nunca percebera antes. Amor. Amor. Amor. Algo tão forte, como podia ficar tão escondido? Seria por medo de admitir? Ou confusão quanto a que tipo de amor? Cisco estava certo.

Vê-la assim, tão entregue a quietude e ao deslumbramento, tão entregue a aquele momento junto a ele, fez tudo ficar absolutamente claro.

Cheio daquele sentimento, cheio daquele amor, ele levou sua mão até a da mulher, unindo seus dedos aos dela. Um gesto delicado que percorreu o caminho direto ao coração da mulher, esquentando-o.

Caitlin levantou a cabeça lentamente, elevando os olhos aos olhos de Barry. O sol batia em seus rostos, Caitlin não conseguia compreender o que era aquilo.

Sentia-se preenchida, o coração batendo forte, espalhando o calor por todo o seu corpo, seus dedos quase formigando de animação. Ela queria dizer alguma coisa, todavia, nada seria suficiente para expressar aquela sensação. Era mágico.

Só quando o ar escapou de seus lábios, percebeu que prendia respiração. E esse movimento, fez os olhos de Barry mudarem de foco. Não eram mais olhos nos olhos. Ele encarava seus lábios como se pedisse permissão. Mas ele não precisava de permissão, ele era a sua perdição, e com a sua sanidade destruída daquela forma, ela faria qualquer coisa.

Então, sem pedir permissão ou, sequer, insinuar, Caitlin grudou os lábios aos dele. Era um beijo doce e casto, sem nem ao menos os corpos se tocarem, mas ainda assim, era arrebatador. Cheio de algo que ela não compreendia, porém, ele compreendia muito bem.

Amor, puro e absoluto.

Um pouco sem jeito, Barry soltou a mão que segurava a dela e segurou o rosto feminino como se fosse feito de porcelana e precisava de todo o cuidado que ele poderia ter. Seu medo era que Caitlin não sentisse o mesmo, que ela se assustasse e correr-se dali.

Ele queria que ela o amasse, ele pedia, implorava pelo seu amor.

Aos poucos foi aprofundando o beijo, queria sentir o seu sabor, o seu amor. Havia uma guerra sentimental dentro de si. Amor, desejo, medo, felicidade e... Tristeza. A tristeza de que aquele fosse só um momento e que isso deixasse de existir.

– Pare de pensar. – Murmurou delicadamente a mulher. – Apenas aproveite.

A voz era como uma pluma, tudo o que ele precisava ouvir.

Caitlin podia sentir a sua hesitação se dissipar a medida que as mãos afundavam em seu cabelo, puxando-a para si, o sabor do álcool ainda estava em seus lábios quentes e ela podia sentir tudo isso. Uma admiração surgia em si e ela se sentia incrivelmente leve. Logo o seu corpo estava tocando o peito do homem, seus joelhos no carpete, enquanto a correnteza a levava ainda mais para perto dele.

Os braços dele deslizaram para sua cintura, deixando um rastro quente em toda a pele exposta que tocava. Suas mãos inexperientes estavam acariciando a lateral do rosto e da nuca dele, levada pelo momento, pelos sentimentos desconhecidos, por tudo aquilo que seu corpo desejava tão avidamente.

Um suspiro assustado saiu de seus lábios quando as mãos dele a puxaram para o seu colo. Seu rosto ficou completamente vermelho, contudo, ela não recuou, pelo contrário, como se aquela fosse a sua deixa, as mãos alcançaram a barra da camiseta, puxando-a para cima, obrigando-os a se afastar para que ela fosse retirada e jogada no chão ao lado dele.

– Você tem certeza? – O medo era claro em sua voz.

Ele temia por ser apenas aquela noite, não queria perde-la, nunca. Não, não poderia perdê-la e se isso significasse esperar, esperaria. Caitlin era sua amiga de muitos anos, sua melhor amiga. E ela estava sentada em seu colo, o rosto vermelho, as pupilas dilatadas, o cabelo assanhado, tão erótica, uma forma que ele não teria percebido se não fosse por aquele por do sol.

– Eu disse para não pensar demais. – Murmurou. – Você precisa aprender a me escutar Barry. – Revirou os olhos e sorriu. – Eu nunca faria nada de que não tenho certeza, lembra?

Muitas lembranças passaram por sua cabeça e ele sabia que era verdade, que aquilo era o que ela queria, o que ele queria, os que eles queriam. Sem hesitação, sem medo, ele finalmente pode prosseguir.

Notas finais
Ok, Pouco mais de 10 meses sem postar .-. EU SEI! Aconteceu tanta coisa nesse meio tempo, que eu só posso dizer uma coisa: Eu sinto muito. Eu não conseguia escrever e acabei deixando para lá. Não posso prometer que vou ficar postando direto. Mas vou postar o máximo que eu puder. Desculpem por não responder os reviews do capítulo passado, vou responder todos os que vierem agora. Se é que ainda existe algum leitor para essa fic :X Enfim, digam-me o que acharam :D E beijinhooooo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.