Writing about you

24 Just promise you'll love me I'm never too far


Notas iniciais
E é isso ai, meus amigos. Sugiro muito que leiam o capitulo escutando essa parte, principalmente na hora das perguntas. O grande beijo no coração, obrigada por todo carinho, todas as mensagem, mesmo as que não tive tempo de responder, saibam que eu li e eu leio toda vez que tenho um dia ruim. Ter esse carinho todo é muito importante para mim. Bem, amo escrever e amo o carinho que recebo de vocês. Musica: https://www.youtube.com/watch?v=YKho5dZN8yA

“Nós tivemos nossos encontros, mansos, rasos, profundos, intensos, vivos, tristes, lindos. Nós nos amamos, mas do nosso jeito, imperfeito, estreito, intenso, mas calmo quando precisou. Nos machucamos feio, feito acidente de rua, daqueles que acontecem de madrugada e só a gente sabe que aconteceu. Mas nos curamos também, feito beijo que sara joelho ralado de criança. A gente foi criança, criança tentado ser adulto, achando que ser adulto é legal, mas não é. Até ser. A gente se chocou, grudou, beijou, mas também se afastou, chorou, abraçou, puxou, empurrou, correu. A gente se interrompeu, porque precisava se interromper, porque precisava ver como um seria sem o outro, porque a gente precisava sobreviver, e a gente sobreviveu. A gente sempre sobrevive. A gente se perdeu e se encontrou, só para então se perder de novo, para perceber que se perder também é bom. A gente saiu e voltou, foi e ficou. A gente mudou. A gente se pertenceu e se deixou. Só para um dia perceber, que a gente tinha deixado de ser a gente, para poder virar gente com outro alguém. A gente se abandonou, mesmo não querendo abandonar, a gente se deixou, porque tinha que deixar. A gente saiu, para então se reencontrar. Se reencontrar e sorrir, sorrir mesmo sabendo que não era mais “a gente”. Porque “a gente” ficou… para que nós pudéssemos ir.”
(Minha autoria)

...Dois anos e meio depois...

Uma fila enorme de pessoas de diversas idades dobrava o corredor da livraria. Fazia um dia lindo de primavera em Nova York. Regina estava sentada atrás de uma mesa repleta de livros, dando início a uma conferência sobre seu último sucesso. Foi uma mudança completa de realidade, sair dos livros jovens adultos para contar essa história, dessa mulher comum, com sonhos, desejos e cicatrizes. Ruby, Belle e Alex estavam lá também, os dois filhos de Alex também, embora estes estivessem em uma salinha separada, brincando com jogos junto com Henry. Os filhos de Alex estudavam agora na mesma escola que Henry e eram amigos do garoto. Regina havia chorado a primeira vez que Henry entrou em casa sorrindo e perguntando se seus dois novos, e primeiros, amigos poderiam passar um noite em sua casa. A mudança havia sido radical na vida de Regina, mas ela estava realmente grata por Alex e Ruby que acabaram se tornando grandes amigas suas apesar de tudo. Acho que a saudade de Emma as unia, mesmo que nenhuma das três conversasse sobre isso.

Nesses dois anos e meio, a morena havia falado com Emma algumas vezes por Skype, mas então o trabalho de dois anos havia se estendido para um contrato de quatro anos. A loira havia sido promovida como repórter internacional, após noticiar o princípio de uma guerra civil no país. Regina estava feliz por ela e Emma sabia disso. As duas conversavam sobre a vida, sobre Henry e sobre o amor. Foi dolorido demais o dia em que Regina precisou contar que havia conhecido alguém, uma empresária que era apaixonada por seus livros. Emma chorou naquela noite, mas disse estar extremamente feliz por Regina, ela sabia que a morena precisava daquilo, precisava vencer suas barreiras e se encontrar. O namoro não havia durado, embora Emma não soubesse dessa parte, foi doloroso para Regina escutar de sua nova namorada que ela jamais seria olhada do mesmo jeito que Regina olhava quando falava sobre Emma.

Mas dois anos e meio haviam se passado e Emma não se comunicava com ela há pelo menos três meses, Regina havia seguido com a vida, encontrado novas paixões para ocupar a cabeça. Agora ela estava alí, em uma das maiores conferências de sua vida, com um livro que explodiu em apenas dois meses após o lançamento. Todos queriam saber o porquê da mudança tão grande de história e de público, todos queriam cinco minutos da atenção de Regina, cinco minutos para saber sobre a mulher misteriosa sobre a qual ela havia escrito um livro. Era para ser um dos momentos mais felizes de sua vida, mas, por alguma razão, não era. Regina odiava platéias e grandes eventos, ela sempre ficava vermelha, envergonhada e irritada com as perguntas. Não era atoa que os jornalistas inventavam tanta coisa sobre ela, Regina quase nunca aparecia em público e raramente respondia alguma pergunta. A morena acordou de seus pensamentos quando a voz de Belle ressoou pela sala lotada.

B: Ok, bem vocês sabem como funciona. Regina vai ficar disponível nesta conferência por vinte minutos, cada jornalista tem direito a uma pergunta, duas no máximo de for de escolha da autora. Após essa conferência, Regina vai atender aos fãs na mesa de autógrafos e eu peço que os jornalista se restrinjam apenas a este momento e deixe os fãs aproveitarem os autógrafos depois. Levantem as mãos para perguntar e eu passo a palavra a vocês. Bem, é isso, vamos começar. O senhor de camiseta azul pode fazer a primeira pergunta.

— Olá, sou Jonas da revista Livros e Leitores e gostaria de saber, Regina, porque a troca de gênero literário e público alvo tão de repente?

R: Acho que não foi uma troca que aconteceu de repente, eu já havia trabalhado com outras temáticas e sabia que após o fim da última saga eu mudaria um pouco os ares….

Regina respondeu as perguntas quase inteiramente no automático e sem prestar muita atenção nos jornalistas, seu coração estava acelerado e ela sabia que precisaria sair logo de lá. Belle deve ter notado seu desconforto, pois agilizou as últimas perguntas .

B: Alguém tem alguma pergunta? [perguntou quando faltavam apenas alguns minutos para acabar, percebendo que Regina estava realmente mal ao seu lado]

— Eu tenho [respondeu uma ruiva de cabelos curtos na última fileira. Sua voz nervosa fazendo com que Regina olhasse diretamente para cima]

R: Qual seria sua pergunta? [perguntou tentando manter a calma, suas mãos tremiam mais que o normal]

E: Não fui fã do final.

B: Embora Regina aprecie opiniões, essa conferência é para perguntas, senhorita…?

E: Swan. [Respondeu assustado Belle, a francesa não havia reconhecido a mulher] .

R: Você acha que ele poderia ter sido diferente? [perguntou tentando manter a calma]

E: Não. Mas eu acho que sempre está em tempo de você escrever um novo começo.

R: O livro acabou.

E: Mas ele não teve um fim,

R: Algumas histórias não têm, elas… elas simplesmente acabam.

E: Interessante você escrever sobre uma jornalista, que esbarra em um escritora. No meio do livro, eu podia jurar que elas ficariam juntas.

R: Eu também [respondeu sinceramente]

E: Então por que elas não ficaram? [perguntou encarando os olhos negros de Regina. Toda livraria agora conversava baixinho, prestando atenção na conversa das duas, sem entender o que estava acontecendo]

R: Elas colidiram, e então seguiram caminhos diferentes. Às vezes a vida é assim.

E: Há rumores de que esse livro foi baseado em fatos reais, o que você pode nos dizer sobre isso? [perguntou tentando manter o ar profissional, cada jornalista tinha direito a apenas uma pergunta, Emma já havia feito mais de três e ninguém da equipe de Regina havia pedido para que ela parasse]

R: Eu conheci alguém que me pediu para escrever sobre ela, então eu escrevi.

E: E como foi isso?

R: Eu não consigo entender qual sua real pergunta aqui, senhorita Swan. Sempre achei que a senhorita não lesse meus livros.

E: Todos leem seus livros [sorriu] Mas minha pergunta é: o que acontece agora?

R: Como assim?

E: O que acontece a partir daquele final?

R: Nada, algumas coisas apenas continuam sem que ninguém escreva sobre elas.

E: Alguma chance de que a história continue e você consiga dar um outro final?

R: Meu tempo para responder as perguntas acabou, senhorita Swan, acho que a senhorita vai ter que se contentar com as respostas que eu já dei.

E: Posso fazer mais uma pergunta? Apenas mais uma e eu deixo você em paz para assinar os livros e conversar com seus fãs.

B: Eu não acho que seja..,

R: Você pode fazer uma última pergunta [respondeu olhando para Belle, assegurando que estava tudo bem]

E: Você agradeceu uma jornalista nas partes finais do livro, disse algo sobre ela ter mudado sua vida e ter sido alguém importante para você. O que ela é para você agora?

R: Porque você, uma jornalista investigativa, está aqui, nesta conferência, me perguntando isso?

E: Você aceitou na sua antiga turnê, uma jornalista que não tinha nem lido seus livros, achei que não seria problema eu estar aqui.

Desta vez o barulho na sala aumentou e deixou de ser apenas sussurros aleatórios, algumas pessoa finalmente reconheceram Emma, embora o cabelo tenha mudado e ela estivesse um pouco mais magra, a jornalista era famosa agora e todos lembravam que ela havia acompanhado Regina na última turnê. Alguns rumores surgiram depois que Emma havia abandonado o país e eles ficaram ainda maiores quando Regina lançou o livro, todos lembram dos antigos rumores que rodeavam a relação das duas, embora Regina nunca havia confirmado nada, a história ainda era a que mais fazia sentido.

R: Não é porque eu sou uma escritora conhecida, que eu não cometa erros na vida.

E: Escrever sobre ela foi um erro?

R: Se fosse um erro nós não estaríamos aqui. Seu tempo está acabando, senhorita Swan, se a senhorita não tem mais nada a acrescentar....

E: Eu conheci alguém uma vez, ela era irritante, fria, extremamente grosseira e odiava minhas roupas. Eu nunca havia lido nenhum de seus livros, mas, por algum motivo do universo, eu me apaixonei por ela. E eu tentei não me apaixonar, depois tentei fugir e fingir que não tinha acontecido…

R: Deu certo para você? [perguntou quebrando o silêncio gritante que agora rodeava a sala, todos olhando concentradamente na interação das duas]

E: Não, mas eu acredito que deu certo para ela. Ela parece mais feliz agora [Emma disse isso sem tirar os olhos de Regina, atrás dela, Ruby e Alex olhavam entre as duas sem saber se começavam a rir ou se permitiam, finalmente, chorar por elas]

R: Eu tenho que encerrar agora.

E: Tudo bem, eu agradeço suas respostas e seu tempo, não tenho um emprego no momento, mas prometo que elas serviram meu propósito

R: A senhorita não tem um emprego? [perguntou confusa]

E: Não [deu de ombros] abandonei o último que eu tinha.

R: Por quê?

E: Eu achei que estava na hora de voltar…

R: Mas seu emprego, sua carreira, suas coisas, as coisas que você ama?

E: O emprego era bom, ótimo na verdade, eu fiz coisas incríveis, aprendi coisas incríveis, mas eu precisava voltar para casa.

R: Você disse que nunca havia se sentido em casa por aqui.

E: Eu não tinha, até ir embora e perceber o que eu deixei por aqui. Agradeço mais uma vez o seu tempo, senhorita Mills e suas respostas [respondeu sorrindo triste, levantando para se retirar pelo fundos, antes que tivesse que responder a alguma pergunta de seus colegas jornalistas]

R: Senhorita Swan? [chamou quando a ruiva estava quase saindo da sala]

E: Sim [respondeu sem se virar, seu coração batendo descontrolavelmente e as lágrimas ameaçando escorrer pelo seu rosto]

R: Você pode repetir aquela pergunta anterior, a que seria sua última pergunta?

E: Claro [respondeu sem saber muito bem se voltava para o meio da sala ou continuava parada na porta. Respirando fundo ela repetiu] Você agradeceu uma jornalista nas partes finais do livro, disse algo sobre ela ter mudado sua vida e ter sido alguém importante para você. O que ela é para você agora?

R: Ela….. Ela é o meu momento [respondeu, lembrando Emma de uma conversas que elas tiveram tanto tempo atrás, quando Emma havia perguntado qual era o “momento” em que Regina havia percebido que sua vida mudara para sempre] Ela sempre foi o meu momento. A pergunta é, o que eu sou para ela?

E: Você é…. tudo.

E por, alguns segundos, o mundo inteiro parou de girar. Não existia mais ninguém naquela sala. Nem os jornalistas que filmavam e fotografavam sem parar, nem Belle que estava escondendo o sorriso por trás das mãos trêmulas, nem Alex e Ruby que assobiavam alegremente, nem Cora que olhava para Regina com um orgulho descrito nos olhos. Não havia ninguém, apenas elas e, ao mesmo tempo, havia todo mundo. Não foi como em um filme, elas não correram uma para outra, elas não se beijaram na frente de todos, elas sequer saíram do lugar onde estavam. Não houve música. Elas só permaneceram lá, sem desgrudar seus olhos, sem perceber o sorriso gigantesco que ameaçava cruzar os lábios de cada uma delas. Os sorrisos que se encontravam pela primeira vez depois de quase três anos, o suspiro preso naqueles que sabiam que faltava alguma coisa. Não era como um filme, elas tinham coisas a resolver, feridas a curar, uma vida para continuar. Não era como um filme, porque não existia nada de perfeito nelas. Não era como um filme, porque nada é realmente perfeito. Mas, mesmo não sendo como um filme, não sendo perfeito, isso não quer dizer que não tenha sido uma incrível apaixonante e imperfeita história. Não. O amor não reside na perfeição, como muitos acreditam, ele reside nas rachaduras, nas imperfeições, é por lá que ele entra, é por estas pequenas frestas imperfeitas que enxergamos a luz. Nunca foi sobre perfeição, foi sobre sentimentos, sobre aceitação, sobre medos, sobre encontrar alguém e saber que, às vezes, você precisa deixar ir para se encontrar de novo. Não foi como em um filme, o que não quer dizer que não tenha sido sobre amor.

Eu gosto da surpresa,

dos olhos que sorriem,

da alma que encanta,

da boca que esconde.

Eu gosto das estrelas,

de olhar para o céu,

naquelas noite frias

onde você nem sabe

se vai ser feliz,

mas vai. (Minha autoria)

Notas finais
É isso, comentem o que acharam, vou continuar escrevendo então nos esbarramos de certeza nas linhas, nas frases, na vida. Meu instagram: https://www.instagram.com/letticia.bs/ para quem tiver curiosidade de saber quem eu sou, me manda uma alo aqui nos comentários que eu aceito vocês lá. Até meu povo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!