Wrestling & Romance

23 Capítulo 23: E isso é apenas o começo


Dezembro de 2024, Japão

Diego

Francamente, a vida sem a Nicole no Japão foi mais difícil do que ter de perder o IWGP Heavyweight Championship no mês seguinte. Felizmente naquele ano, Renan, Kasumi, Aya e Eliza, passaram a morar de vez no Japão, então ao menos meu natal não tinha sido solitário (e ainda conversamos com a Nicole via webcam).

De todo modo, era quase uma vida de solteiro (exceto que eu era casado), devido aos fusos e eram raros os momentos em que podíamos nos falar.

Por fim, o ano novo foi tão tranquilo tanto, e minhas expectativas pro Evento principal do Wrestle Kingdom 19 estavam altas, eu e o Makoto estávamos planejando uma luta feroz e os três primeiros dias do ano foram dedicados a ensaio de spots e treinos duros.

Wrestle Kingdom 19, Janeiro de 2025

Já lutávamos há quarenta minutos, e francamente, a luta estava boa, apesar da falta de experiência de Makoto num geral.

Com um sinal meu leve, Makoto sabia que era hora do final da luta. Ele deu um superkick em mim e subiu na terceira corda, dando a entender que usaria o meu Wind Elblow (que era o finalizador dele, devido a ser o meu kouhai), mas ao invés disso, ele simplesmente salta normalmente caindo de pé no ringue e me levanta, segurando o meu pulso e me puxa, atingindo meu pescoço com o outro braço, um Rainmaker.

Nisso, ele cai para o pin.

—Um! — Eu não sei quanto tempo duraria o reinado do Makoto, mas sei que eu ficaria orgulhoso dele.

—Dois! — Essa era praticamente a minha última página na New Japan, ao menos por enquanto.

—Três! — O próprio Makoto parece surpreso com sua própria vitória.

—Eis o vencedor, E NOVO IWGP HEAVYWEIGHT CHAMPION... — O anunciador diz, enquanto o juiz entrega o cinturão a ele. -Makoto... Fuji!

E nisso, enquanto ainda caído no ringue, vejo ninguém menos que Kazuchika Okada se dirigindo ao ringue e entregando uma camisa do Chaos ao Fuji, simbolizando que ele estava se juntando a stable.

Pra mim em termos da história contada nos ringues, foi a suprema traição de Makoto, já que em diversas ocasiões nós lutamos juntos.

Enfim, uma das razões (que apesar de fazerem dois anos que a WWE tentar incessantemente negociar comigo) pra eu recusar as propostas, fora o fato de que Vince McMahon ainda estava no comando da empresa na época. E por mais que ele tivesse em alguns momentos, o faro de negócios, muitas das decisões que ele tomava eram errôneas, como a WBF (A federação de fisiculturismo) e a XFL (federação de futebol americano), isso sem contar os erros em termos de dar os títulos a part-timers, ignorar clamores do público e por aí vamos.

Felizmente, em 2023, Vince se aposentara e deixara o comando real da WWE nas mãos do genro Triple H, e isso fez com que as negociações, iniciadas em Janeiro, terminassem em Março, já que consegui com a New Japan uma extensão curta do contrato, até o dia 19 de Abril (dia 20 eu viajaria e dia 21 seria minha estréia pela WWE).

Aeroporto de Narita, 20 de Abril de 2025

Seria uma viagem longa e eu chegaria extremamente cansado a Nova York, mas pelo menos Nicole prometera me esperar lá (sorte que o Takeover tinha sido na cidade), então valia a pena.

—Diego, boa viagem! — Renan me dera um abraço.

Meus amigos brasileiros vieram se despedir de mim. Do pessoal da New Japan eu havia me despedido no show de ontem, que foi bem difícil porque eu estava chorando após o combate. Aqueles caras ali, muitos deles, me ajudaram a crescer como lutador, me ensinaram muitos truques do japonês, basicamente tornando a minha vida bastante cômoda.

Mas prometi voltar, e não sei quanto tempo levaria, mas eu cumpriria essa promessa certamente.

—Valeu cara... — Dou um abraço em Kasumi. — Se cuidem, e cuide dele, viu Kasumi? E do rapazinho aqui também.

—Pode deixar... — Kasumi dá um beijo no meu rosto e alisa a barriga, ela estava grávida de seis semanas do primeiro filho deles. — Você se cuida também, e mande notícias.

—Mana, não monopoliza o Diego! — Aya ri, enquanto me abraça. — Vai lá e mostra pra eles o porquê da New Japan ter o melhor wrestling do mundo!

—Claro, capitã... — Abraço Eliza. — Vou sentir saudades de vocês, foram meu refúgio depois que a Nicole foi pros Estados Unidos.

—Então éramos só muletas, babaca? — Eliza brinca, enquanto dá um tapa em minha cabeça. — Nós também sentiremos saudades de você, senhor astro.

—Até a próxima... — Me despeço, partindo pro embarque rumo a Nova York.

No avião, antes de dormir, penso em tudo o que vivi pra chegar naquele dia. Minha resolução de ir pra WWE não foi abalada, apesar das conquistas que alcancei no Japão. A única coisa que mudou, é que eu tinha certeza de que um dia voltaria pro Japão, tanto pra lutar, quanto pra viver com a Nicole.

21 de Abril de 2025, Nova York

Eu estava muito cansado, o voo fora longo e mesmo tendo dormido, é aquilo, dormir numa cama é diferente de dormir numa poltrona de avião. Mas, meu cansaço pareceu se dissipar assim que cheguei no portão de desembarque, porque havia alguém que era o mundo pra mim. E depois dessas duas semanas sem se ver, os meses longe um do outro, ela parecia mais linda ainda.

Era uma mulher com os cabelos longos e loiros, olhos com um tom entre o azul e o violeta. No momento ela usava uma jaqueta azul escuro e uma calça comprida da mesma cor, mas ainda assim era possível ver que ela tinha um corpo belíssimo. Nicole Alves, minha esposa, me aguardava lá e eu corri até ela, da mesma maneira que eu corria até a água nas areias de Rio Azul, muitos anos atrás.

A primeira coisa que fiz, foi dar um longo abraço nela, que com um sorriso, me envolveu em seus braços. O toque da pele dela era como eu lembrava, o perfume era um pouco diferente do habitual, mas isso vem da diferença de países. E logo em seguida, eu dou um beijo nos lábios dela e pra mim era como se o mundo tivesse parado.

Era como se aquele fosse o nosso primeiro beijo, um pouco diferente, mas a sensação de que a única pessoa no mundo que existe é aquela que estava na sua frente. Palavras não eram necessárias, quando nossos lábios se tocavam de maneira apaixonada.

—Seja bem vindo a América, Diego... — Nicole diz, de maneira teatral, depois de nos separarmos.

—Melhor recepção do mundo. — Brinco, um pouco corado.

—Agora, aos negócios. — Nicole assume uma postura mais profissional. — Vou mandar as suas coisas pro meu hotel, pois daqui nós vamos direto pro Madison Square Garden, porque o Paul vai te dar instruções sobre o que você deve fazer hoje.

—Caramba, então foi o Triple H que te mandou? — Pergunto, enquanto colocamos minhas malas em um táxi.

—Não exatamente, ele queria mandar mais alguém comigo, mas achei melhor não. — Ela responde, enquanto pegamos outro táxi.

—Entendi... — Fecho os olhos, suspirando. — Posso cochilar nos seus ombros até chegarmos no MSG?

—Claro, isso até me lembrou de quando você fez o mesmo quando voltou da turnê da BWF... — Nicole lembra, saudosa.

Algumas horas depois, Monday Night RAW.

Eu estava atrás das cortinas, esperando a minha hora de entrar. Mais cedo, Triple H só me dera um ponto no qual focar: Faça com que todos os campeões sejam um alvo seu.

No ringue, o WWE Champion Kenny Omega (pois é) estava falando que desde que chegou na empresa, tem sido a estrela e carregado a companhia nas costas, fazendo de derrotados, heróis, mas que não havia ninguém a altura dele pra combater, por isso naquele dia ele veio ao RAW pra ver se lá havia alguém digno de ser um rival dele.

Até que o discurso dele é interrompido por uma 'queda de energia', que era a deixa pra eu entrar, ir até o ringue e ficar de frente para o Omega. Felizmente eu havia ensaiado essa parte pra não tropeçar e pagar mico logo na minha estréia pela WWE.

Quando as luzes se acendem, o público percebe que estou de frente pro Kenny Omega. E como o público pós Wrestlemania é o mais hardcore possível em relação a Wrestling, eles me conhecem, e a reação é a esperada, eles vem abaixo.

—Mas é Diego Alves, um dos wrestlers mais conceituados do mundo! — O comentarista diz, surpreso.

—Que legal, Omega, você é "O Cara" da WWE. — Começo a falar. — Curioso que "O Cara" da WWE foi chutado pra fora do Japão por ninguém menos do que eu.

—Gente, gente, atenção! — O tom de Omega é gozador. — O garoto quer falar, então...

—Então você vai ficar quieto, porque agora É A MINHA VEZ! — Interrompo, cortando o barato. — Muitos de vocês não devem me conhecer, então muito prazer, Diego Alves... Comecei a lutar lá pros meus quinze anos, e fui do Brasil pro Canadá, Inglaterra, Alemanha, México, passei um tempo nos EUA, fui pro Japão... E ganhei títulos em todos os lugares pelos quais passei.

—Oh, parabéns... — Kenny bate palmas de maneira sarcástica. — O molequinho vai ficar contando vantagem sobre o que fez.

—Não, só estou afirmando que sou o melhor do mundo. — Devolvo, sem perder o tom. — E agora estou na WWE com um objetivo... Ser o melhor AQUI! Então, se você tem um título em sua cintura, fique alerta! Não importa se é o Intercontinental, ou o United States, Universal ou o WWE Championship... Você está na minha mira. E quando eu carregar meu revolver... — Dou uma joelhada no estômago de Omega, aplicando um WinDDT em seguida. Pego o microfone e subo na terceira corda. — Apontarei para você... E BANG! — Jogo o microfone no chão e aplico um Wind Elblow em Omega.

O público vem abaixo novamente quando eu pego o WWE Championship de Omega e o ergo no alto, em claro desafio a ele. Dali onde eu estava, vi um sorrisinho no rosto do próprio Kenny. O segmento tinha saído perfeito.

Jogo o título em cima de um agonizante Omega (selling acima de tudo, regra número um do wrestling), e enquanto 'Art of War' do Discrepancies, meu novo tema na WWE tocava, eu retorno para trás das cortinas com a noção de duas coisas: Eu havia feito a coisa certa ao trocar a New Japan pela WWE naquele momento da minha carreira, e de que aquilo era apenas o começo do que o Universo WWE iria ver de Diego Alves. De todo jeito, naquele momento eu era um homem realizado completamente.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!