Wrestling & Romance

11 Capítulo 11: Um Ticket para o Norte


Notas iniciais
Ao contrário da versão do Wattpad, esta aqui é a versão 'do autor' do capítulo 11, com uma cena extra que por razões de manter o conteúdo PG-13 (usando de linguagem de TV/Cinema), foi removida. Contem: Cena de Sexo.

Nicole

Eu estava com medo. Muito medo. Desde que aqueles caras me sequestraram no calçadão. Foi tudo tão rápido, que olhando de fora, não pareceu um sequestro. Eu estava no calçadão, tomando meu milk shake, quando no vai e vem de veículos, um parou próximo de mim, e enquanto as pessoas caminhavam, uma porta se abriu, quatro homens com facas me abordaram por trás e ordenaram que eu entrasse no carro sem fazer alarde. As pessoas, sem perceber deram cobertura aos sequestradores.

Meu primeiro choque foi quando descobri quem era o sequestrador, afinal, no dia anterior, eu o vi tocando com os Magic Fires. Depois, o resto do dia, foi sentindo mãos pelo meu corpo e ameaças de morte e estupro. No meio desse terror todo, a situação estava pior porque eu não podia ver nada, ao menos até Diego chegar de noite. Daí, eu já sabia que Marcos pretendia matar a todos, mesmo se o plano dele desse certo.

Quando vi a expressão corporal de Diego enquanto ele conversava com Marcos, percebi o quão furioso o meu namorado estava. Eu conheço ele bem pra saber, o quanto ele tava se contendo pra não gritar, ou mesmo avançar pra cima de Marcos ou dos outros bandidos. Quando tudo acabou, eu tive que conter a vontade de deitar e chorar em posição fetal, porque o medo que eu ainda tinha era muito.

E sabia que uma hora, aquilo ia sair pra fora, só não sabia quando.

Diego

Felizmente o Uber até a unidade de pronto atendimento do centro de Rio Azul foi rápido, e com a emergência da minha mão sangrando (e o fato de que apenas algumas pessoas com problemas leves estavam sendo atendidas), não demorou até que o médico me atendesse. Na entrada da UPA, Sam e Nicholas se despediram da gente, eles provavelmente teriam muito o que discutir com Alex e Roberto.

Minha preocupação não era com essa questão, tampouco com minha mão cortada. Claro, ela estava doendo, mas já tive em situação pior. O problema é com a Nicole. Não sei como está o psicológico dela depois de toda essa situação, mas se fosse comigo... Bem, não sei como ela ainda não está chorando, chamando a mãe, porque é o que eu faria... Exceto pelo fato de que a minha mãe morreu há treze anos... E a minha vó, há quase três. Oh, Deus, preciso parar de tentar fazer analogias idiotas.

—Senhor Alves, você teve sorte... — O médico, pelo crachá, se chama Wilson, me diz, enquanto enrola minha mão direita numa atadura. — O corte foi superficial, e se não for muito, o que causou esse corte?

—Diego... — Nicole puxa a manga da minha camisa. Ela esteve estranhamente calada nos últimos minutos, quando olho para ela, o rosto dela está em lágrimas.

—Nicole... — Mal tenho tempo de registrar nada, até que ela enterra a cabeça no meu peito e volta a chorar.

—Eu quero ir embora daqui, Diego! — Ela desabafa, com a voz frágil, entre soluços. — Não quero mais ficar aqui, saber de férias, ou viagem! Eu quero ir pra casa, quero a minha mãe! Não aguento mais isso!

Meu coração está doendo a cada frase de Nicole, eu nem consigo pensar em uma resposta para ela, e pela cara do Médico, ele não esperava isso, afinal, ela era só a namorada que me acompanhava pro atendimento. Ele está absolutamente chocado.

—Senhor Alves, poderia me explicar o que... — Ele começa, mas ergo a mão, pedindo pra falar.

—Primeiro, por favor, traga um calmante. — Eu me senti esquisito dando ordens a um médico, mas felizmente ele não me socou a cara e nem me contestou.

—Me ajuda, Diego... — Nicole continuava a chorar no meu peito. — Eu... Eu tô com medo! O que eles... O que eles...

Wilson traz um copo de água e um comprimido e me entrega, porque provavelmente Nicole recusaria se ele os entregasse a ela.

—Tome, por favor, Nic... — Eu entrego o comprimido e a água a ela, que toma. — Fica calma... Vai ficar tudo bem, eu prometo... — Ela assente levemente com a cabeça e volta a enterrá-la no meu peito, mas sem chorar como antes, como se dessa vez procurasse o conforto.

—Ok... Senhor Alves, poderia me explicar o que aconteceu? — O Dr. Wilson pergunta novamente.

—Doutor Wilson, preciso que o senhor me prometa que nada vai sair daqui por conta da ética da profissão, entende? — Pergunto, olhando seriamente pra ele.

—Tudo bem. — Ele assente, vendo que não estou para brincadeira.

—O caso, é que a Nicole... Ela foi sequestrada hoje a tarde. — Começo a contar. — Eu não sei como, mas ela foi. E eu, contra o senso comum e francamente nem sei como saí vivo, juntei uns amigos e conseguímos resgatá-la. Mas, bem, o pouco que ela passou em cativeiro... Vai deixar um trauma.

—Entendo... — Wilson respira fundo antes de contnuar. — E eu não tenho formação em psicologia para poder ajudar ela de verdade, tudo o que posso fazer é justamente recomendar remédios para sua namorada se acalmar. Lamento.

Oh boy, limitado pela formação. Mas bem, ele estava jogando limpo conosco e... Bem, talvez isso vá contra a minha visão inicial de não avisar a família dela acerca do sequestro.

—Se vocês quiserem, podem passar a noite aqui no hospital. — Wilson diz, após pensar mais um pouco. — Posso mentir dizendo que o seu problema foi mais grave do que é e que precisará repousar aqui no posto. Eu estou indo contra a ética, mas acho que ajudar vocês é mais importante.

—Obrigado... O que acha, Nicole? — Pergunto a ela, que estava quase dormindo de pé, com a cara no meu peito.

—Tudo bem... Só não sai do meu lado... — Nicole pede, com a voz doce.

—Nunca... — Passo a mão nos cabelos dela. — Dr. Wilson, o senhor poderia avisar a meus amigos que eles podem retornar pra casa?

—Tudo bem... — Ele diz, saindo da sala.

O silêncio que se instala após a saída do médico está em um nível que não posso definir se é confortável ou constrangedor, até que sinto o corpo da Nicole tremer um pouco e lembro de algo.

—Nic... — E a minha vontade é de socar a minha própria cara

—Oi? — Ela sente meu desapontamento comigo mesmo pela minha voz, e levanta a cara pra mim.

—Eu esqueci de falar, mas... — Eu vou até a mochila e tiro a roupa que dobrara e pusera lá, uma blusa verde, um casaco marrom e uma saia rosa. Era a roupa típica da Nicole. — Antes de sairmos de casa, eu havia separado uma roupa... E agora que reparei que você está tremendo de frio.

—O-obrigado... — Nicole cora levemente, enquanto pega as roupas.

—Posso me virar, se você quiser se trocar... — Digo, corando um pouco também, ao mesmo tempo em que entregava a ela um sutiã azul. Acredite, foi preciso muita coragem pra pegar roupas íntimas pra Nicole.

—Tudo bem, então... — Ela assente e se vira... Oh céus, agora que lembro das câmeras.

—Nicole, espere um pouco! — Exclamo, um pouco mais alto que deveria, e ela se vira pra mim, um pouco assustada. — As câmeras... — Aponto.

E pela expressão dela, ela havia esquecido, tanto quanto eu. Pensando um pouco, tiro minha camisa social que já estava um pouco rasgada, e cubro a câmera. Isso não era lá muito legal, mas eu queria dar a Nicole um pouco de privacidade pra se trocar.

—Valeu... — Ela murmura, ficando de costas pra mim, enquanto eu me viro.

Durante um tempo, só escuto sons que indicam que Nicole está tirando a roupa, até que repentinamente...

—Diego, tem como você me ajudar aqui? — Ela pergunta. — Preciso que me ajude a prender o sutiã...

Eu viro minha cabeça lentamente e vejo que ela realmente não conseguia prender... O que era meio estranho. Pensando bem, eu nunca vira a Nicole se trocar, então não era totalmente estranho. Só que eu não sei como prender, mas de qualquer jeito, tentarei ajudar.

Mais vermelho que uma convenção de ruivos fazendo cosplay do Alucard de Hellsing e envergonhados, pego as duas pontas do sutiã e começo a tentar colocá-las, tentando evitar de olhar pro corpo da Nicole. Ela ainda não havia botado a saia, só a calcinha e eu tinha a total percepção de que talvez essse era a primeira vez em que eu via a Nicole em um momento tão íntimo.

Quando eu estava quase a entender como aquela coisa funcionava (e acredite, para um homem é difícil entender como as coisas PARA mulheres funcionam. Sempre quando tenho essas epifanias, meu respeito por elas, pelo o que elas passam aumenta. Só espero que entendam que o oposto também acontece, tem muitas coisas inerentes ao sexo masculino que muheres não entendem com facilidade... E porque diabos eu estou pensando nisso?), Nicole se vira repentinamente e me tasca um beijo, não se importando com o sutiã que caíra no chão.

O beijo dela naquele momento era diferente dos outros, pois parecia nervoso, amedrontado e feroz. Nossas línguas se tocam e ela me pressiona contra a parede, seus seios roçando no meu corpo e ela beija meu pescoço. Não vou negar, o toque dos seios dela no meu corpo, o beijo, a força que ela usara, a respiração dela no meu pescoço, e o toque da pele dela na minha... Aquilo me deu uma ereção. E com o Dr. Wilson prestes a voltar, talvez não fosse o mais recomendado a se fazer. Mas acredite, muitas vezes é difícil pra um homem controlar quando tem uma.

Ela, com uma força que eu não imaginava ter, consegue me jogar no chão. Ao menos, eu caí de costas e a Nicole caiu em cima de mim, porque bem... Ela estava mais machucada que eu em relação a mim. E novamente, Nicole volta a me beijar com uma intensidade que eu não relacionava a ela.

—Nicole... — É tudo o que consigo dizer, eu estou sem fôlego, enquanto reparo num papel enfiado por baixo da porta. Pego o papel, esticando o braço e o leio, enquanto Nicole recupera um pouco o fôlego.

“Senhor Alves e Srta. Almeida, algo me diz que vocês precisam de um tempo sozinhos, a tensão da srta. Almeida é muito grande. Fiquem tranquilos, só não façam muito barulho pois as paredes isolam um pouco, mas não todo o barulho. Voltarei pela manhã, e tranquei a porta.”

—Nicole... — Encaro ela nos olhos, e era difícil não olhar para os seios dela. — Você tem certeza do que quer? Não é que eu não queira você... — Eu respiro fundo, enquanto passo a mão pelo corpo dela, e ela estremece um pouco enquanto olha pra mim, corada. — Mas essa será a sua primeira vez... Não acha que deveria ser em um lugar mais apropriado? — Eu estava omitindo que aquela seria minha primeira vez também. Não porque quero passar imagem de machão, mas sim porque não era importante naquele momento.

—Olha, Diego... — Nicole me dá um selinho, nisso seus seios roçam em mim novamente. Ela estava montada na minha cintura. — Eu já decidi que quero passar o resto da minha vida ao seu lado, então... O local não é importante, desde que seja contigo. — Ela fecha os olhos, pensativa. — Depois do que aconteceu comigo hoje, em que fui sequestrada e estive a ponto de ser estuprada. Isso me deixou afetada emocionalmente... E me passou pela cabeça o fato de por pouco, você não ter sido o meu primeiro e... Depois de todo o ódio, ameaça e abuso que sofri hoje, eu quero me sentir amada por completo.

—Então, Nicole... — Com Nicole sendo sincera comigo, eu não pude evitar de partilhar o mesmo. — A verdade é que... É a primeira vez para mim também, e eu tenho medo... Medo de fazer tudo errado e te machucar.

Nicole volta a me beijar com intensidade, que eu mesmo retribuo. Aquele beijo em particular me fez perceber uma coisa: Assim como era com a nossa amizade, Nicole depositara total confiança em mim. E naquela noite... Bem, nós seríamos um.

Nicole

Eu estava com tanto medo quanto o próprio Diego. Não sei como seguir dali em diante, meus músculos começavam a ficar rígidos. Até que ele confessou que também estava com medo de me machucar. Aquele momento foi decisivo para eu não hesitar, mas eu não sabia como começar. Uma coisa é você conversar com seus pais a respeito disso, ou mesmo assistir pornografia... Nada vai te preparar pra situação real. Eu havia saído de cima dele e estávamos sentados no chão, nos beijando, apoiando o tronco dele na parede.

—Confie em mim... — Diego diz, enquanto beija meu pescoço. Ele já estava sem camisa desde que a colocara para cobrir a câmera. Não nego que o toque dos lábios dele na minha pele me fez tremer um pouco.

—Si-sim... C-confiar em um cara com tanta experiência, quanto eu... — Digo, corada e tentando manter a compostura.

—Ao menos eu não fico fazendo piadas sem graça... Agora. — Ele não se intimida e começa a descer do meu pescoço para a região dos meus seios. Diego parece estar aprendendo ainda, pois ele vai com cuidado.

Um pequeno comentário aqui, é que eu tenho um certo problema com meus seios grandes. No geral, talvez pela quantidade de gente que sempre fica olhando quando eu estou de biquini, ou mesmo um decote mínimo. Olhar, ok, não arranca pedaço, não vejo problema... Agora você praticamente arrancar minha roupa com o olhar, incomoda, principalmente porque sou mega tímida.

Essa minha preocupação vai embora, quando sinto os dedos de Diego acariciando meu seio direito, enquanto ele beija timidamente meu seio esquerdo. A sensação a princípio é um pouco esquisita, a mão dele estava fria e em contato com minha pele quente, seus lábios por outro lado fazem meu corpo ter uma sensação que não consigo descrever.

Eu sinto algo vindo lá de baixo também, e com minha mão, conduzo a mão livre dele até minha calcinha, e quando ele a toca, eu sinto como se uma descarga passasse dos dedos do Diego até minha vagina. A maneira como ele a toca, ainda que por cima da calcinha, me faz ansiar por mais, mesmo sendo algo desconhecido. A sensação é de uma felicidade indescritível. Eu mal percebo ter dado um gemido leve, enquanto ele apenas toca a minha calcinha.

Mas não é só isso, mas as carícias que ele faz em meus seios, seja com a boca ou a outra mão. Ele, sem tirar a mão, sobe beijando meu pescoço e volta a colar os lábios nos meus.

—Diego... Eu... Eu me sinto tão bem... Como... Como isso é possível? — Pergunto, após ele chegar novamente pra trás e parar as carícias, de uma maneira imperceptível.

—Eu queria poder te responder... — Ele diz, com a respiração entrecortada. Diego estava sem fôlego, tanto quanto eu.

Dessa vez, eu iria para cima, então começo a tirar a calça que ele usava... E caramba, porque diabos ele traria uma calça social pra uma viagem à praia? Coisas pra se perguntar depois do casamento. O Diego não era um cara necessariamente musculoso, ele tinha o corpo definido pelos treinos que fazia, mas pra muitos padrões ele seria considerado normal. Os poucos músculos que ele tinha eram basicamente o que evitava que ele fosse considerado um cara magrelo.

A verdade é que eu não ligo, e começo a beijá-lo, enquanto minha mão desce até a cueca dele, mas ele não deixa minha movimentação ser em vão, e acaricia meu corpo tanto quanto eu faço o mesmo. E bem... Parece que o membro de Diego está feliz pelo carinho recebido... Desculpem, fazer piadas numa narrativa de sexo não é muito bom.

Mas enquanto faço carícias de leve em seu membro, ainda que por cima da cueca, ele começa a abaixar de leve a minha calcinha, finalmente colocando um dedo na minha vagina. Não evito de dar um gemido. Algo dentro de mim pede mais, mas ao mesmo tempo está com medo. No que continuamos nos acariciando, as posições meio que se invertem e ele está com o corpo quase em cima do meu, me beijando sem parar e acariciando minha vagina, que percebi estar bastante úmida com os estímulos. Certamente ele deve ter aprendido em sites pornográficos. Não que eu o culpasse por isso, quem nunca se masturbou, não?

—Diego... — Sussurro no ouvido dele. — Eu... Eu quero mais, mas... Eu tô com medo.

—Nic... — Ele diz, sorrindo para mim. — Eu vou estar sempre ao seu lado, eu também quero, e também tenho medo, medo de te machucar, eu já disse isso. Prometo, que vou devagar.

Um pouco desajeitadamente, ele tira a cueca, ficando com seu membro rígido pra fora pela primeira vez. Por sorte, Diego não tinha ascendência africana, ou meu medo seria MUITO maior... E estou eu aqui, prestes a perder a virgindade e fazendo piadas ruins. É a convivência com o Diego que faz isso com a gente.

—Nicole... — Ele diz, antes de beijar meu pescoço. — Eu vou colocar...

Diego pega a minha cintura, a levanta um pouco para ajeitar seu pênis antes de colocá-lo em mim, até que após um minuto de hesitação, ele começa a inserir.

A vontade é de gritar tão alto que nossos amigos em casa escutariam, mas antes que eu possa fazê-lo, Diego cola seus lábios nos meus, impedindo-me de gritar.

—Nicole, eu sei que está doendo... — Diego diz, com a voz baixa, controlada. — Mas estamos em um hospital e precisamos manter a descrição.

Ele não mexe a cintura por um tempo, para eu me acostumar. Nesse meio tempo, ele acaricia meu rosto, como quem pede desculpas pela dor causada. E logo depois, continua a inserir seu pênis em mim.

Aos poucos a sensação de dor vai diminuindo, dando lugar a um prazer. Ou ao menos a sensação agora é bem mais amena.

—Diego... — Digo, sem resquícios da dor de alguns minutos atrás. — Agora você pode se mexer... Mais livremente.

Ele inclina seu corpo e me beija com uma paixão imensa, enquanto começamos a mexer nossos quadris. A sensação era muito melhor, finalmente percebi porque algumas pessoas adoram pagar na internet de “transona”, apesar da expressão, entendo o porque usarem. Quando feito da maneira correta (entenda como consentimento entre as partes), o sexo é maravilhoso.

Enquanto Diego ia e voltava dentro de mim, eu pensava no prazer que estava sentindo e em controlar minha boca, pois se eu gritasse, creio que seríamos presos por atentado ao pudor e outras coisas mais. Mas enquanto eu e ele estávamos colados, abraçados naquela dança mágica com nossos corpos conectados, não pude evitar de gemer, ainda que baixo, no ouvido dele.

Provavelmente por Diego bancar o cara legal, ele negaria isso pra me poupar, mas algumas das coisas que eu disse naquele momento definitivamente não faziam parte de meu vocabulario e certamente outras seriam impossíveis fisicamente de se fazer.

Repentinamente, ele começa a acelerar os movimentos, e algumas das palavras que ele falou eram bem criativas, mas desnecessárias pra esse relato. Eu até guardei algumas pra usar numa próxima vez, que espero ser em breve.

—Nicole, eu vou... Eu... Eu vou... — Ele começa a falar, mas eu colo um beijo, enquanto o corpo dele tem um espasmo e sinto algo a mais dentro de mim.

Diego acabara de ter um orgasmo, e isso era perigoso a longo prazo. Mas quem disse que ali na hora eu estava ligando, eu conseguira fazer meu namorado gozar. A cara dele era de choque talvez, porque bem... Isso poderia dar em gravidez... E eu não dava a mínima na hora.

—Diego... Não pense nisso agora... Porque eu quero continuar. — Sussurro, apaixonada, beijando o pescoço dele. — Você tem forças pra continuar?

—Mesmo se eu não tivesse, Nic... — Ele sorri, encantado. — Por você eu iria até o inferno arranjar forças.

E mais uma vez, nossos corpos voltam a dançar juntos.

Diego

Eu estava com medo de errar, mas Nicole estava disposta a aprender junto comigo. A nossa primeira vez começou estranha, até nos ajeitarmos e eu finalmente ter meu primero orgasmo por conta do sexo. E pelo que percebi, Nicole estava com fôlego para mais, e diabos, o corpo da Nicole era de tirar o fôlego.

Dessa vez, ao invés de conhecermos o corpo um do outro, nos entregamos ao prazer simples de estarmos juntos, era menos pela transa e mais pela companhia. Claro, o prazer sexual estava envolvido, mas a parte dele nisso era muito menor do que a vontade de estar junto com o outro, e nisso, nos movíamos muito mais lentamente.

Sentir a Nicole de cima a baixo era uma das melhores sensações do mundo, se não a melhor, a respiração lenta e entrecortada, os gemidos baixos e suaves, as curvas do corpo dela, os lábios dela junto aos meus...

A única preocupação era justamente o fato de que, assim como na primeira vez, eu acabei gozando dentro novamente, mas a verdade? Nem eu e nem Nicole estávamos ligando pra isso, pois juntos chegamos a um orgasmo, que ainda que não tenha sido gritado (por razões óbvias), foi intenso.

E naquele momento, eu estava sem forças, e Nicole também, tanto que nós dois nos deitamos um do lado do outro naquele chão mesmo. Bem, o sono já estava quase nos alcançando.

—Nic... Eu já disse que te amo? — Digo, sorrindo para minha namorada.

—Nos últimos minutos? Não. — Ela sorri, da mesma maneira. — Acho que sua língua estava um pouco ocupada.

—Verdade... — Dou uma risada leve. — Eu sei que pode parecer esquisito, mas que tal ao menos colocarmos nossas roupas íntimas pra dormir? Não sei se quero dormir com “ele” de fora.

—Acho justo... — Nicole responde, se sentando e se arrastando no chão pra pegar as roupas íntimas dela. Eu aproveito e pego minha cueca. A colocando logo em seguida. Nicole coloca a sua calcinha e, para minha surpresa, consegue colocar tranquilamente o sutiã que ela tinha “dificuldades”, anteriormente.

—Olha só, pilantra... — Começo a rir baixinho, um pouco envergonhado de ter caído na 'cilada dela'. Envergonhado, mas de maneira alguma arrependido.

—Diego, eu sou acostumada a isso, sério mesmo que você caiu?

—É, eu caí... Mas olhando agora... Que bom que eu caí.

Nicole começa a rir, o que era bom, dado o que se passara com ela durante o dia de hoje. Voltamos a nos deitar, um de frente pro outro, sorrisos no rosto.

—Enfim, Nicole... — Pego na mão dela. — Eu te amo.

—Eu sei. — Ela me responde, me abraçando e juntos, naquele clichê de Star Wars, acabamos por finalmente, depois de um longo dia, dormir.

Nicole

Quando acordo, por volta de seis da manhã, vejo que Diego ainda dorme ao meu lado. E realmente aquilo havia acontecido. Eu havia perdido a minha virgindade... Assim como o Diego. A princípio foi estranho, porque nós dois não tinhamos nenhuma experiência, e nossos toques eram confusos. Mas aos poucos, fomos nos encontrando e apesar do local inusitado (é, olhando em retrospecto, algumas coisas poderiam ter sido melhores), eu me senti completa, me senti uma com aquele cara que eu pretendia passar o resto dos meus dias.

Claro que uma das primeiras coisas que eu deveria fazer, é conseguir uma pílula do dia seguinte. Eu não queria arruinar o meu futuro e o futuro do Diego, por causa de algo que não estávamos preparados. Mas, (ainda) não era hora para pensar nisso, então me levanto e coloco o resto de minhas roupas, já que antes de dormir, eu e Diego havíamos ao menos colocado nossas roupas íntimas.

Me olho no espelho da sala, e o rosto que observo é o mesmo de sempre, mesmos olhos azul-violeta, mesmos cabelos loiros, mesmos lábios... Mas o olhar era diferente, algo havia mudado em mim, a expressão facial era mais firme, determinada. E não creio que isso tenha sido resultado somente do sexo com o Diego, talvez tenha sido a sensação de perigo, ou o fato de que ele estava na mesma situação que eu, também pode ter sido o fato de que eu escolhi o que quero pra vida... Até mesmo uma combinação de todos esses fatores.

A Nicole que viajara para Rio Azul definitivamente não seria a mesma que voltaria pro Rio na próxima segunda-feira. E eu já estava satisfeita com isso, ao menos por enquanto.

Diego

Oh boy, eu transei com a Nicole. Caramba, essa sentença me faz parecer um canalha que não tem consideração por ela. Mas, acredite, se você me visse, quando eu a vi pela primeira vez, o que me disseram dela, isso seria algo impossível. Mas, como já dizia um certo mago, que quando a gente quer algo, o universo conspira para que isso dê certo. E se realmente existe alguém responsável pelas forças que controlam os acontecimentos das coisas, eu queria encontrar esse responsável e dar um soco bem no meio da fuça, por ele ter feito a Nicole passar pelo que passou ontem.

E enquanto me levanto após acordar, vejo Nicole, já de roupa, sentada na mesa da sala, com um sorriso no rosto e me dou conta de que estamos na sala de uma unidade de pronto atendimento e estou de cuecas. E quando a Nicole percebe a minha expressão ao perceber que estava de cuecas, ela começa a rir.

Bem, ao menos um de nós se divertiu com o fato de eu estar de cuecas. Embora tenhamos nos divertido mais quando estávamos nus. A princípio, enquanto trocávamos carícias nas preliminares, estávamos inseguros do que fazer, nenhum de nós tinha experiência nisso, então foi uma jornada de auto descoberta. Claro, eu já havia assistido a pornografia e lido hentai, mas há um caminhão de diferença entre o que vemos e o que fazemos. E isso é bom.

Conforme seguíamos, nos tornávamos mais confiantes e isso ajudou a experiência a ser maravilhosa... Exceto pelo fato de eu acordar com uma puta dor nas costas e tenho certeza de que assim como o no amor, a Nicole sentia o mesmo em relação a dor nas costas.

—Finalmente acordou, dorminhoco... — Impressão minha, ou o tom de Nicole estava mais doce do que antes? Parando pra olhar, o rosto dela, algo parecia ter mudado. De algum modo, aquela garota estava diferente... O olhar mais confiante. Eu gostei dessa nova Nicole.

—Pois é, alguém acabou com minha energia na noite passada... — Brinco, e logo em seguida Nicole cora. Pois é, mesmo a expressão dela tendo se tornado mais madura, ela ainda era a mesma Nicole. — Piadas a parte, eu sinceramente não sei o que dizer.

—Pois eu sei, coloque suas roupas, pois o Dr. Wilson deve chegar em breve. — Nicole ri da minha cara de bunda, pois ela tinha um bom argumento.

—Isso vai ter volta, Almeida... — Rio, enquanto coloco minha calça e pego minha camisa social que cobria a câmera.

—Bom, não sei quando vai ser a nossa próxima vez, mas espero que você tenha uma tirada pra devolver essa...

Agora era a MINHA vez de ficar corado. Mas, não havia muito tempo pra isso, quando no segundo seguinte, ela me abraça apertado.

—Obrigado... — Ela sussurra... — Sei que eu já tinha dito isso no seu aniversário, mas agora isso tem um significado maior, mas obrigado por desde que nós nos tornamos amigos, sempre estar ao meu lado, não importa a situação, sempre me apoiar... E agora, obrigado por não ter saído do meu lado quando precisei do seu carinho. Sei que pareceu egoísta, e olhando por retrospecto, o chão da sala de um hospital não foi a melhor opção, então obrigado por tudo.

—Olha, Nic, esse obrigado por tudo soa como se você fosse embora da minha vida e... — Sinto meu telefone vibrar na calça. — Espera um minuto...

Pego o telefone e vejo que tem um aviso de e-mail, abro ele e vou lendo, é uma mensagem relativamente curta, mas que deixa um sorriso enorme no meu rosto. E quando termino, dou um selinho na Nicole, que fica estupefata, já que eu não tinha terminado meu raciocínio.

—Terminando meu raciocínio... — Digo, sorrindo. — Você não vai se livrar de mim tão facilmente, principalmente porque, bem... Se você mantiver a sua palavra de ir pro Canadá comigo se eu for, é melhor começar a ver seu visto de residência e pedir seu pai pra arranjar um emprego, porque acabei de receber justamente a confirmação que precisava!

—Quer dizer que... — Nicole arregala os olhos, incrédula.

—Sim... — Afirmo, e ela sorri. — Eu garanti a pré-inscrição na Storm Wrestling Academy, o que me coloca um passo adiante no meu sonho.

—Não... — Ela sinaliza que não com o dedo e me beija depois. — Nosso sonho.

Escuto um click da chave e a porta da sala se abre, com o Dr. Wilson entrando para iniciar seus trabalhos do dia. Ao nos ver abraçados, ele sorri.

—Pelo visto, funcionou melhor que terapia. — Ele brinca, me cumprimentando. — Eu poderia levar uma bronca do médico responsável pela UPA... Se eu não fosse o médico responsável pela UPA. Agora, falando sério... Como está a sua mão, Sr. Alves?

—Está boa... — Fecho e abro a mão que tinha sido cortada, cada dedo. — Por fim, o corte era superficial mesmo.

—E você, senhorita? — Ele se dirige a Nicole. — Se sente melhor, agora?

—Bem... — Ela sorri. — Eu não quero mais correr, nem ir embora pra casa, apesar de estar um pouco assustada com o que aconteceu... Agora eu sei que tem alguém que nunca vai sair do meu lado.

—Então acho que posso dar a dispensa a vocês... — Ele diz, tranquilamente, realizando os procedimentos legais para a dispensa médica no computador. — Se cuidem.

Nicole vai até o doutor e fala algo com ele baixinho, e dada a noite que passamos, tenho certeza de que ela está pedindo a pílula do dia seguinte a ele. Wilson assente e em seu computador, imprime algo pouco tempo depois.

—Só passar na farmácia e entregar o papel. — Ele sorri para Nicole.

Saímos da sala, passamos na farmácia (e ainda que a pílula do dia seguinte diminua em setenta e cinco por cento as chances de gravidez, eu estava um pouco temeroso com esses vinte e cinco por cento restantes. ) e seguidamente saímos da UPA. Claro, os atendentes estranharam um pouco o fato de não terem visto a gente entrar, mas viram sair. Felizmente, ninguém fez pergunta alguma, então foi tranquilo.

Já na rua, enquanto procuro o ponto de ônibus, Nicole liga para nossos amigos em casa, avisando que estaríamos a caminho. O sol era tímido para o horário de sete da manhã, e honestamente, aquela camisa social já tava me matando, ela definitivamente não fora feita pro calor. E tenho certeza de que se eu fosse gordo, minhas pernas estaríam assadas, pois essa desgraça chamada calor não perdoa ninguém.

Dez minutos depois, estamos em casa, e nossos amigos estão animados em nos ver. Abraços são trocados, e não deixo de sorrir, antes de passar no meu quarto e tirar essas roupas sociais que estavam me incomodando pra caramba.

—Diego, como é que você está? — Erick pergunta, quando retorno pra sala.

—Foi só um corte de leve na mão. — Respondo, mostrando já a mão apenas enfaixada de leve.

—E isso foi o suficiente pra fazer vocês passarem a noite no hospital? — Lara pergunta, estranhando.

—Não... Foi meio que por minha causa. — Nicole responde, sinalizando pra mim ficar quieto. — Eu tive uma crise nervosa por causa do ocorrido, então o Dr. Wilson achou melhor que eu ficasse em observação lá.

—Aliás, vocês não viram porque estavam lá no hospital, mas o pessoal da Magic Fires publicou um vídeo acerca do ex-guitarrista da banda. — Beatriz comenta, pegando o celular e me entregando. Lá, o Youtube estava aberto com um vídeo.

No vídeo, aparentemente no quarto de Nicholas, estavam os quatro integrantes da banda, todos com o semblante sério. Pelas expressões de Alex e Roberto, não fazia muito tempo que Nicholas havia explicado a eles a situação causada por Marcos.

—Boa noite, fãs da Magic Fires. Eu sei que vocês não estão acostumados a me ver abrir os vídeos com o semblante tão sério. — Nicolas diz, com uma voz que tinha um pouco de raiva contida. — Mas a situação é urgente e isso precisa ser dito. Como devem perceber, está faltando alguém aqui, e é justamente sobre isso que irei falar. O Marcos Dantas, oficialmente não é mais guitarrista da Magic Fires, a razão para isso é ao mesmo tempo algo particular e público. O Marcos já tinha um histórico de uso de drogas, e muitas vezes ele caía em si e dizia que iria parar, nós demos diversas chances a ele, apoiando-o em suas visitas a casas de recuperação, estando ao lado dele para se desintoxicar e não desperdiçar a vida. E a verdade é que de uns tempos pra cá, ele nos enganou, enquanto jurava estar limpo, continuava com seu abuso de drogas. E eis que no dia de hoje, ele ultrapassou os limites, e por conta disso, nós quase perdemos uma amiga querida.

—Até segunda ordem, a Magic Fires permanecerá apenas com um guitarrista, o Alex. — Samantha continua, usando um tom bem diferente do seu habitual. — E o Nicholas continuará como vocalista e ocasionalmente tecladista. Não se enganem, continuaremos nossa missão, que é a de entreter a vocês que ouvem e espalham nosso som. Espero que compreendam o tom sério e a mensagem, contamos com o apoio de todos vocês. Nos vemos na próxima.

Os quatro membros da banda estendem o punho direito para frente, colocando um em cima do outro, como se esse fosse um gesto já da banda e tenho certeza de que os fãs quando se reúnem, também o fazem. É como fazer a genki dama junto com o Goku, acaba virando rotineiro.

—Provavelmente não citaram a Nicole pra preservar a imagem dela . — Brenda disse, compactuando com meus pensamentos.

—O mais importante, — Eu digo, enlaçando a Nicole com o braço direito, após devolver o telefone de Beatriz. — É que eu e a Nicole temos uma notícia para lhes dar.

—E não Erick, não é sobre minha gravidez. — Nicole brinca, antes que Erick possa voltar aquela velha piada. (que incrivelmente poderia virar verdade depois de ontem).

—Fale logo, então. — Lara cruza os braços, porque pela animação minha e da Nicole, seria uma coisa grande.

—Há um tempo atrás, entrei em contato com o Lance Storm, que a Lara deve saber. — Começo a explicar. — É um ex-lutador, que tem uma academia para pessoas que querem se tornar wrestlers profissionais. E após alguns e-mails trocados, posso dizer que tenho uma pré-vaga garantida pra Storm Wrestling Academy, em Calgary, Alberta, no Canadá.

—Você quer dizer que... — Lara arregala os olhos, surpresa.

—Sim, eu vou me mudar para o Canadá no ano que vem. — Confirmo, com um sorriso no rosto.

—E não só isso... — Nicole complementa. — Eu irei com o Diego, para morarmos juntos.

Repentino, sei. Mas já era hora de pôr meus amigos a par dessa minha decisão. A verdade é que eu ainda não tinha certeza da situação da Nicole, por causa dos pais dela. Até onde eu sei, depois que o Sr. Almeida descobrisse que tirei a virgindade da filha dela tendo risco de engravidar, eu certamente não chegaria vivo nem a Janeiro. Mas, até o fatídico dia de minha morte chegar, eu queria aproveitar esse fim de semana com a Nicole e com meus amigos.

Notas finais
A partir daqui as atualizações serão menos pontuais (não diárias), pois até este capítulo, era apenas conteúdo já publicado no Wattpad, então pra saber do andamento da história, me siga no twitter @MrSancini.