Wrecking Ball
1 Capítulo Único
Notas iniciais
We clawed, we chained our hearts in vain
We jumped, never asking why
We kissed, I fell under your spell
A love no one could deny
Castiel se sentou sobre a rocha que pesava sobre o riacho a sua frente e colocou as mãos sobre sua testa, amassando alguns fios de cabelos rebeldes que ali se encontravam. O ar soprava vago e descontraído, procurando caminhos pelo qual percorrerá em busca de novos encontros. Embora a noite estivesse linda, o interior daquele ser celestial estava em pedaços bruscamente destruídos. Isso porque o anjo precisou abrir mão de seu maior amor, seu protegido, seu caçador.
Uma lágrima rolou pelo seu rosto delicado, deixando uma umidez lúcida por sua extensão. Os lábios rachados e secos estavam tremendo levemente, junto com seu queixo que abria marcas conforme seu corpo sedia à seus sentimentos.
Um barulho muito conhecido para o anjo surgiu ao seu lado. Embora antes ele tentasse esconder seus sentimentos e mostrar uma aparência considerada digna á frente de seus irmãos, essa noite ele não se preocupou nem um pouco com tudo isso. Essa noite ele queria apenas sumir até para si mesmo.
– Castiel — Uma voz grossa quebrou o silêncio inerte do lugar. Um eco incomodo flutuou pelo riacho, fazendo uns insetos que ali voavam sumirem pelo verde.- Você tomou a decisão correta. Sabia que iria prejudicar não apenas a si mesmo, como também os Winchester.
O anjo tremeu apenas por ouvir o sobrenome dele. A menção de qualquer coisa relativa a seu amado o fazia tremer e derramar mais lágrimas. Mas o que fazer quando tudo o que conhecia e sentia o lembrava de Dean Winchester?
– Como consegui, Balthazar? Como consegui deixar Dean daquele jeito? Ele...-A voz do anjo se perdeu com a lembrança de seu "adeus". Se sentia tudo, menos um anjo, por ter feito aquilo.- ... Ele precisa de mim! Dean precisa de mim!- Sua voz se alterou radicalmente. Até Balthazar deu um pulinho para trás quando viu o tamanho da dor de seu irmão.- Como pude fazer aquilo?
Don't you ever say I just walked away
I will always want you
I can't live a lie, running for my life
I will always want you
Balthazar se aproximou, entrando no riacho até sua canela ficar submersa e seu rosto perto do de Castiel. Precisava de contato olho a olho para conseguir ajudar seu irmão.
– Você o ama tanto assim? — O loiro olhou com carinho para o moreno esperando sua resposta.
– Sempre amei. Desde a primeira vez que o vi. Eu o amo acima de tudo. Acima dos homens, acima de Deus... — Seus olhos se fecharam, fazendo com que pequenas lágrimas rolassem mais ainda.- Eu amo Dean Winchester!
Balthazar quase caiu para trás quando Castiel se jogou sobre si e o abraçou. Sabia que pelo menos seu irmão iria ajuda-lo naquela hora. Soluços e mais soluços escaparam de seus lábios quando sua mente voou sobre a lembrança.
"Dean estava deitado sobre a cama daquele quarto de motel barato e olhava fixamente para o teto. Seus pensamentos estavam uma grande bagunça por conta de sua ultima caçada. Sentia-se estranho. Isso apenas tinha acontecido uma vez e esperava que nunca mais sentisse, afinal, Sam fora morto quando aquela sensação estranha surgiu dentro de si. Mas o que poderia ser agora?
– Dean? – O caçador pulou da cama quando aquela paz e silêncio foram quebrados pela voz do anjo. De seu anjo, como ele preferia pensar. Seu corpo fora projetado para fora da cama quando se assustou, fazendo com que caísse sentado no chão. Uma dor bem chata começara em suas nádegas.
– Cass! Já disse para não fazer mais isso! – O loiro apoiou os braços na cama, ainda sentado no chão enquanto olhava Castiel sentado na beirada da outra cama do quarto. O moreno pareceu triste com aquilo, pois estava com uma expressão um tanto ‘’sofrida’’ no rosto. Mesmo o moreno não apresentando muitas expressões, Dean era capaz de saber o que o seu anjo sentia, e ver Castiel daquela forma fazia a dor em suas nádegas ser inútil comparada ao que ele sentia em seu peito. – Olha, me desculpe por ter te tratado dessa maneira. É que eu me assustei e como já tinha dito para vo... Castiel, você está bem? – O caçador se levantara rapidamente da cama quando viu uma cena que jamais pensou que veria: Castiel estava chorando!
Dean se aproximou rapidamente de Castiel, sentando na cama do lado e depositando seu braço nos ombros do anjo.
–Pelo amor de Deus, Cass, o que houve? Por que você está assim?
Castiel não sabia como iniciar aquela conversa. Essa estava sendo a pior tortura que passara em todo seu tempo de existência. Não gostava nem de pensar nessa situação, embora soubesse que chegaria o dia em que precisaria fazer aquilo. Mas não queria que fosse tão logo. Gostaria de ter mais tempo para evitar essa situação, evitar de... dizer adeus a seu amor.
–Dean... Eu...
– Cass, respire fundo e fale por favor!
I put you high up in the sky
And now you're not coming down
It slowly turned, you let me burn
And now we're ashes on the ground
O anjo respirou fundo e soltou o ar diversas vezes até ver que iria consegui iniciar a conversa. É claro que não estava preparado. Nunca estaria preparado.
–Dean... eu vim dizer adeus.
O loiro ficou surpreso com aquilo. Castiel estava ali para dizer adeus?
–Adeus?- O loiro riu achando graça no que ouviu. Adeus para que? Mas quando parou de rir e viu que o moreno não mudou e nem falou nada, ele se preocupou- Você tá falando sério?
–Sim....
– Mas adeus para que? Que merda é essa?
O anjo fungou e olhou para os olhos verdes a sua frente. Não poderia dizer tudo. Não poderia dizer a Dean que ele estava encarregado de tomar uma decisão que iria além do que ele poderia pensar. E como poderia?
–Porque estou... porque eu estou te atrapalhando e vou atrapalhar mais ainda no futuro, Dean. Você terá de tomar decisões e eu não poderei influencia-lo a nada.
–Decisões?? Mas porra, Castiel, que malditas decisões são essas que preciso tomar e que você precisa ir embora?
– Por favor entenda, Dean! Não posso falar nada, são ordens e infelizmente...
– Que se dane essas ordens!!! – O loiro levantou e atirou a cadeira a sua frente para o outro lado do quarto. Como isso? Estava tudo bem e do nada Castiel aparecia dizendo que ele teria que ir embora?- Que se dane, ouviu?! Você não pode ir embora! Não pode me deixar!
Isso fora o suficiente para Castiel desabar no chão e cair no choro. Seus soluços atravessavam o quarto. Tudo o que queria era não ter que passar por isso e ficar bem com Dean.
–Eu... – O anjo desejava dizer que ficaria com o caçador e nunca o deixaria. Porém, não era essa a realidade. Sabia que teria de passar por muito no futuro, mas isso era demais.- Eu preciso ir, Dean.
Castiel se levantou do chão e ficou paralisado a frente do loiro quando o viu chorando. Sua boca estava entreaberta, parecia não saber o que dizer. Os olhos estavam vermelhos, junto com seu nariz e parte da maçã de seu rosto.
O desespero do caçador era tanto que ele resolveu agir. Partiu para cima de Castiel e prendeu o anjo contra a parede, seu corpo se chocando e criando um leve calor em todas as áreas que se chocaram. Seus olhos se cruzaram e por um minuto parecia tudo bem. As respirações se chocavam uma na boca do outro, enquanto o anjo segurava o cinto da calça de seu amado. O espaço entre os dois foi ficando cada vez menor até que finalmente seus lábios se tocaram. Aquele toque que tanto desejavam finalmente se realizara.
Dean traçou o braço de Castiel até chegar a seu rosto, afastando seus lábios dos do anjo e respirando fundo.
–Cass... por favor, não me deixe. Eu...- Ele não sabia como diria isso. Poderia contar nos dedos todas as vezes que disse aquilo a alguém. Porém, era seu anjo que estava em sua frente. Todo seu receio e medo foram embora quando seus olhos se abriram e fitaram os azuis a sua frente.- Eu te amo. Eu te amo, Cass. Por favor, não vá embora.
O anjo ficou parado admirando as palavras que acabara de receber de quem ele mais desejava. Aquilo era... perfeito. Sabia que Dean tinha a magia de faze-lo mudar de ideia sob qualquer circunstância. Sempre conseguira. E foi nesses pensamentos que Castiel finalmente percebeu o que causaria a Dean se continuasse com ele dessa forma. Finalmente entendera que, mesmo que inconsciente, faria Dean hesitar em qualquer coisa que fosse fazer e isso seria por sua causa. Simplesmente por ama-lo. Esse era o amor que Castiel procurava, mas sabia que isso, na visão divina e racial, seria o fator principal para Dean não cumprir com o que deveria.
–Eu também te amo, Dean. Te amo demais.- Foi impossível para o caçador conter um sorriso. Aquilo era torturante e frio.- Mas eu não posso continuar aqui.
– Um motivo, Cass. Me de apenas um motivo, uma razão para não ficar comigo.- O sorriso sumiu conforme a frase se acabara. As lagrimas e aquela tristeza toda estavam de volta.- Eu sei que não sou a melhor pessoa no mundo e que tenho muitas coisas ruins comigo. Mas por favor, fique comigo. Faça com que essas coisas ruins não se tornem as únicas em minha vida. Eu quero você, Cass.- O orgulho ferido de Dean encheu seu rosto. Nunca se sentira tão exposto como agora. Nunca se sentira tão... sensível.- Então Castiel, me diga um motivo, uma razão para eu aceitar isso!
O loiro se afastou do moreno enquanto via seu peito subir e descer devido a sua respiração profunda. Seu corpo estava arqueado e em poucos segundos começou a ficar ereto como era. Os olhos azuis como o oceano se tornaram frios. A boca ficou em forma de uma reta intimidadora e os ombros levantados. Nunca vira Castiel desse jeito.
I came in like a wrecking ball
I never hit so hard in love
All I wanted was to break your walls
All you ever did was break me
I came in like a wrecking ball
Yeah, I just closed my eyes and swung
Left me crouching in a blaze and fall
All you ever did was break me
Yeah, you, you wreck me
–Certo.- Castiel começou e soube que não poderia parar agora. Não teria forças para isso outra vez e precisara colocar sua pior mascara, pois seu rosto estava em pedaços. Em pedaços de vergonha e medo.- Eu não quero ficar com você, Dean. Não vou ficar com você desse jeito.
Os olhos verdes pareceram perder a sua luz. Os batimentos ficaram mais acelerados e sua mão tremia como nunca. Sua cabeça pareceu não raciocinar e suas pernas ficaram bambas. Isso foi o que se tornou Dean Winchester, naquele momento.
Castiel assistia aquilo e percebia que por dentro uma explosão começara. Sua casca não pareceu mostrar tantas reações, mas por dentro não era igual. Nunca se sentira tão afeiçoado a uma dor como aquela que Dean sentia. Nunca sentira tanta conexão e compreensão por alguém antes assim.
–Tá.- Dean fez um biquinho com seus lábios e esfregou seu rosto com a mão esquerda. Andou de um lado para outro e sentiu a luz arder em seus olhos quando fitou a lâmpada. Esperava que acontecesse isso. Que ficasse cego e não precisasse mais enxergar nada.- Bom, o que posso fazer? Você acha que assim é melhor...
–Sim. Tenho certeza que é melhor.- Castiel olhou para o chão. Era difícil ter de encarar Dean desse jeito.- Então, adeus, Dean.
–Adeus...- Dean olhou para a cortina vermelha com bolinhas brancas na janela e depois para o anjo. Ele parecia decidido com aquilo.- Castiel.
Por mais que fosse difícil, Dean fechou os olhos e pensou em todos os momentos que teve com o anjo. Pensou em quando encontrou ele pela primeira vez e seu peito pareceu acender. Pensou em todas as vezes em que se assustou com a chegada do outro. Pensou em todas as vezes em que se pegava pensando no anjo antes de cair no sono. E por fim desejou que tudo estivesse bem. Que isso não passasse de um sonho e que quando ele abrisse os olhos, seria como acordar.
Quando abriu os olhos, percebeu que não era sonho. Dean estava sozinho no quarto e a única coisa que provava que o anjo realmente estivera a pouco ali eram as lembranças que o caçador carregava em sua memória.”
Castiel afastou o rosto do ombro de Balthazar e olhou para as estrelas. Lembrou-se de como adorava ficar admirando Dean observa-las enquanto ficava deitado no capô do Impala e bebia uma cerveja. Eram assim os momentos de paz do caçador e de Castiel.
–Vamos, Castiel. Precisamos ir.- Balthazar bateu no ombro de seu irmão e seguiu para fora do riacho. Pouco tempo depois estava apenas Castiel ali.
O anjo foi em direção a pequena clareira que tinha atrás das rochas e parou de repente. Uma flor roxa muito bonita chamou sua atenção, pois se parecia muito com uma que entrara no Impala um dia desses em que estava com os Winchester em busca de um vampiro. Sabia muito bem que a flor ainda estava dentro do carro, pois Dean achou ela bonita e resolveu deixa-la por ali mesmo.
Castiel pegou a flor e trouxe até seus lábios, dando um leve beijo sobre o botão.
–Eu te amo, Dean.- E soltou a flor junto de uma brisa que passara pelo local naquele momento. A flor dançava de acordo com o vento, fazendo voltas e voltas sobre as estrelas do céu.
Assim que perdeu a flor de vista, Castiel voou dali e seguiu seu caminho.
Os pequenos insetos finalmente voltaram a voar sobre o riacho.
Don't you ever say I just walked away
I will always want you
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