Your lips are like dynamite. Your eyes had me alive. I refused to hold you close, I've been wrong. It's time to take a chance.

Bati meus dedos na passagem de avião, olhando para a pequena fila e querendo logo tirar meus pés dessa cidade que, ao mesmo tempo que me trouxe tantas coisas boas, tantas lembranças agradáveis nos últimos meses, também me trouxe tanta humilhação e dor nos últimos anos, no decorrer da minha miserável vida.

Minha vida deu um giro de trezentos e sessenta graus depois daquela noite trancafiada com Percy no colégio. Primeiramente, depois de dizer tudo para ele, nós dois passamos a agir como estranhos, mal nos olhávamos e ele realmente havia se tornado um fantasma na minha vida. Depois tinha o fato de que eu não havia conseguido passar na academia de New York, eu havia sido recusada de cara, mas mesmo assim eu continuei treinando Silena para ser capitã depois que eu me formasse e voltando as minhas raízes, sem garotos e mais garotos ao meu redor.

Eu não era mais a garota que namorava o Luke, mas também não era mais a garota que havia apostado para ficar com o Percy. Eu era uma versão mais original e bem feita de mim mesma, uma versão, talvez, toda remendada e com algumas falhas, só que eu havia me levantado e saído da zona de conforto, me arriscado nas minhas decisões.

No final das contas, eu não estava indo para Yale, para New York e muito menos para Hollywood. No final das contas eu estava indo para a UCLA, cursar sabe-se sei lá o que. Eu tinha alguns planos para cursos, mas eu não estava pronta para colocar um no topo no momento, iria aproveitar que a UCLA é uma boa universidade, que em Los Angeles é calor e que eu só teria que escolher o curso no segundo ano de faculdade. Não era zona de conforto, mas eu estava tomando cuidado com os meus passos.

– Tudo bem, vamos listar.

– O que? — arqueei minha sobrancelha, olhando para a Rachel e vendo a mesma segurar um caderno sobre a sua passagem e o seu passaporte. — Isso é ridículo.

– Não é não! Se você listar agora, durante o ano pode ir riscando as que menos gosta e a que sobrar você faz! — ela disse como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo. Neguei com a cabeça de imediato, dando um passo na direção do homem que estava pegando as passagens e estendendo a minha para ele, junto ao meu passaporte.

Rachel foi a única pessoa que se aproximou de mim sem interesse algum depois do dia dos namorados, ela me defendia e, talvez por isso, me tornar amiga dela foi quase inevitável. Ela não tinha rancor nenhum sobre todos os meus atos com ela, sobre todos os banhos de café e também sobre todas as outras ameaças que eu havia feito com ela em troca de trabalhos perfeitos.

Ela era como um aura leve pairando sobre mim, estendendo a mão sempre que eu caia, para ajudar a me levantar, ela era quem dava o empurrão para que eu seguisse em frente e era ela que sempre tentou puxar meu freio. Era a Rachel a minha outra melhor amiga que me avisou para manter distância do Luke, era a Rachel aquela garota que sempre batia de frente com a Thalia e, acima de tudo, era a Rachel que eu ajudei quando estava na pior e, depois, usei seus pontos fracos contra ela mesma.

Rachel havia secado as minhas lágrimas quando eu finalmente me deixei chorar pelo o que Percy havia feito, pela ferida que Thalia havia deixado em mim e também pela pressão que, durante anos, minha mãe havia colocado sobre mim.

– Você deveria ter ido para Yale, eu vou estar sã e salva na UCLA. — anunciei sabendo que ela me seguia dentro do avião, estávamos na mesma fileira de poltronas.

– Quem disse que estou indo para UCLA por sua causa? — ela disse atrás de mim, com um ar distraído, me fazendo olhar por cima do ombro e perceber que a ruiva estava, nada mais, nada menos, que tentando abrir o pacote M&M. — O que foi?

– Você vive comendo essas besteiras. — suspirei olhando para a minha passagem de novo e por fim, para o número das poltronas, percebendo que, infelizmente, eu não estava sentada ao lado da janela. — Sua poltrona é a da janela?

– Hm... Não, é a da ponta. — ela respondeu cobrindo a boca com a mão, se jogando em seguida na sua poltrona e continuando a comer os doces. — Alguém vai sentar conosco.

– Não sendo um velho que cheira a naftalina, está ótimo. — respondi colocando a minha bagagem de mão no bagageiro e fazendo o mesmo com a da Rachel, para em seguida, finalmente me sentar ao seu lado. — Meu pai conseguiu um apartamento em Westwood para nós, só que, teremos que encontrar alguém para dividir as dispersas... Duas pessoas não é o suficiente.

– Podemos colocar um anúncio na universidade... Só que vai ser difícil encontrar alguém que passe pelo seu adorável questionário. — ela sorriu sem humor, me estendendo o pacote com M&M. — Quer?

Neguei com a cabeça, vendo ela dar de ombros e começar a olhar para o movimento de pessoas pelo corredor do avião, enquanto eu me virei para a poltrona vazia e fiquei olhando o movimento do lado de fora do avião, vendo a asa do mesmo e o prédio de onde várias formigas, leia-se pessoas, entravam e saiam.

A sensação de sair de Seattle era muito parecida com a de quando eu sai de casa, juntar todas as coisas mais importantes para mim, colocar tudo dentro de malas e caixas e dizer adeus para uma parte que, de alguma forma, foi sua. Eu podia não ter sentido no início, mas, quando coloquei meus pés para fora da casa da minha mãe, com a intenção de nunca mais voltar, eu havia deixando uma parte de mim lá dentro e agora, dentro de um avião, indo para uma outra cidade, eu estava deixando, mais uma vez, uma parte de mim em Seattle.

Era como se, durante a vida, cada mudança que você faz, por cada fase que você passa, uma parte de você é esquecida lá, lembrada apenas por fotos e cartões postais, cartas ou diários, onde seus planos para o futuro provavelmente estarão escritos lá e, quando viesse a tona, não seria nada mais e nada menos do que o passado e a sua melancolia.

Rachel falou com alguém, falando de maneira casual com a pessoa e, logo depois, eu ouvi o bagageiro ser aberto e fechado. Ao me virar para ver a pessoa que estaria sentada ao meu lado, eu desejei poder sair e mudar meu voo para qualquer outro em qualquer outro horário. Eu não estava pronta para sentar ao lado de Percy Jackson por quase três horas, em um avião, a milhares de quilômetros do chão, só que, mesmo assim eu sorri e fingi que a presença dele não me afetava.

– Oi, Annabeth. — ele disse guardando o passaporte no bolso traseiro na sua calça preta, piscando diversas vezes na minha direção.

– Oi, Percy. — respondi sem vacilar o sorriso, afastando as minhas pernas e dando espaço para que ele passasse e se sentasse no seu lugar. — Pensando bem, Rach, eu aceito seus M&M agora.

– Pega na minha bolsa. — ela falou colocando os headphones no pescoço, enquanto eu lançava um olhar mortal para a mesma, que apenas deu de ombros.

Me levantei e respirei fundo, até um pouco feliz por estar de saia e estar ao lado do Percy. Eu me lembrava de ouvir ele dizer que era mais fácil ignorar a tesão por mim quando eu estava empenhada em ser a vadia sem coração, e agora, uma coisa que eu provavelmente não era, era uma vadia sem coração.

Fiquei na ponta dos pés e puxei a bolsa da Rachel, abrindo ela rapidamente e vendo que ali dentro estava puro doce, podendo levar a ruiva a ter diabetes apenas por olhar para tudo aquilo. Olhei para ela rapidamente e depois olhei para a bolsa, levando a consideração de que aquilo tudo podia ter sido roubado e que não era um mero acaso.

– Assaltou a loja de M&M? — me sentei entre os dois de novo, com dois pacotes do doce nas mãos.

– Não, mas foi setenta dólares bem gastos. — ela sorriu com certa demência.

– Eu acho que você não precisa fazer psicologia, eu acho que você precisa passar por uma profissional em psicologia. — resmunguei abrindo um dos pacotes, ignorando o moreno ao meu lado.

– Lógico que não, sou mentalmente estável.

– Que pessoa estável gasta setenta dólares com M&M?

– Rachel Elizabeth Dare.

– Eu não me lembro de ter perguntado alguma coisa para você. — me virei para encarar Percy, séria e com uma das minhas sobrancelhas arqueada. Ele repetiu a mesma expressão, com a sombra de um sorriso sarcástico nos lábios. — O fato de você estar sentado ao meu lado, não te dá a permissão de opinar nas minhas conversas com a Rach.

– A Rach não se importa.

– Ah, eu me importo sim, Annie estar certa. O fato de você sentado na mesma fileira de poltrona que nós, não lhe dá a permissão para interferir nas nossas conversas. — ela esticou o corpo para frente, olhando para ele com um sorriso sincero nos lábios. — Sinto muito.

– Não, nenhuma de vocês duas sentem muito. — ele disse confiante, deixando o sorriso sarcástico aparecer. Ele abriu a boca para dizer algo, mas uma aeromoça apareceu pedindo para que colocassemos o sinto de segurança pois o avião iria decolar.

Nenhuma de nós duas, de pois disso, deu a chance de ouvir Percy falar alguma coisa. Rachel colocou seus headphones e eu segui o seu exemplo, ficando confortável enquanto ouvia diferentes músicas, nas quase três horas de viagem.

Como eu havia prometido a mim mesma, Percy Jackson era um completo estranho na minha vida.

...

Olhei para a praia deserta ao meu redor, sentindo a areia quente e fofa sob o meu pé, ouvindo as ondas do mar verde quebrarem a alguns metros de mim, enquanto via o sol se por no horizonte, deixando todo o céu avermelhado e sentindo a brisa morna do verão californiano jogar meus fios de cabelo para longe.

Me sentei na areia, girando o celular na minha mão diversas vezes, enquanto perguntava a mim mesma o que eu estava fazendo ali. Por que diabos eu havia aceitado isso depois de jurar tanta coisa a mim mesma? Ah, sim, porque eu era estupidamente curiosa e estava cansada de ouvir meu celular apitar, vibrar e a tela dele piscar a cada nova mensagem ou a cada ligação perdidamente ignorada.

– Lembra da primeira vez em que fomos a praia? — ele parou ao meu lado, me fazendo jogar a cabeça para cima para conseguir ver o seu rosto.

Seu cabelo ainda estava longo, no mesmo comprimento de sempre, quase no seu queixo, enquanto ele usava óculos escuros cobrindo seus olhos azuis esverdeados e olhava diretamente para um ponto no horizonte ou no oceano. Por cima da camiseta básica branca, meio transparente, uma usava uma blusa jeans escura, com as mangas puxadas até o cotovelo e tinha as mãos enfiadas no bolso da calça preta skinny. As diversas pulseiras que ele usava na nossa primeira ida a praia ainda estava no meu pulso, todas elas.

– Você inventou de entrar na água, estava uns três graus e eu mau conseguia enxergar a lua, a única coisa que me dava a visão de você, dançando e chutando aquela água quase congelada, era o farol. — ele olhou para mim, dando um sorriso sincero. — É claro que eu não deixei você entrar no mar, como iria explicar para Atena Chase que Annabeth havia pegado gripe por minha causa? Sua mãe é assustadora quando quer.

– Você ainda não viu Atena sendo assustadora. — esbocei um sorriso, vendo ele se sentar ao meu lado. — E sim, eu me lembro de ter ido na praia com você e também me lembro de como havia ficado brava quando estávamos quase indo embora.

– Ainda odeia pizza? — ele tirou o óculos de sol, segurando ele nos dedos e olhando na minha direção. Mordi meu lábio inferior e concordei com a cabeça, fazendo ele soltar um riso leve. — Eu tinha uma meta interna, sabe? Depois que a aposta acabasse, nunca imaginando que os Grace fossem exibir aquele vídeo.

– Qual era?

– Fazer você gostar de pizza, é óbvio. — ele disse voltando a olhar para o mar, seguindo o movimento das ondas com os olhos. — Eu realmente achava você fútil, mimada e egocêntrica... Ainda acho um pouco, mas, depois daquela noite na praia, quando você disse que odiava comida italiana, eu me vi obrigado a mudar sua opinião sobre a oitava maravilha do mundo.

– Está me dizendo que, depois que a aposta acabasse, você iria continuar "falando" comigo até que eu passasse a gostar de pizza? — arqueei minha sobrancelha, incrédula com o que eu havia acabado de ouvir.

– Era essa a intenção. — ele mexeu os ombros, me fazendo rir. — Minha mãe não confia em mim até hoje.

– Demorou quatro meses até meu pai olhar na minha cara de novo. — voltei meu olhar para o mar. — De certa forma, não me afetou muito, eu passava a maior parte do dia na escola durante a detenção e, depois que ela finalmente acabou, eu voltei a treinar e a focar em uma universidade.

– É, eu voltei a treinar para entrar em Stanford. — ele falou casualmente. — Mas, a graça é essa, não? Odiar a pessoa no começo, querendo colocar sobre ela toda a culpa da situação.

– Você colocou sobre mim toda a culpa da situação.

– E você jogava ela de volta para mim, logo em seguida. — ele falou virando o rosto na minha direção, com os braços apoiados nos joelhos. — Eu acho que no início estava entorpecido demais pela raiva e pela adrenalina da aposta para perceber o quão incrível você era.

– Eu ainda sou incrível.

– Eu sei que é, só que, eu só enxergava o seu lado conquistador, aquele lado atrevido e sensual, estava cego demais para enxergar as demais coisas que você fazia... Quando eu via você treinar, eu apenas via aquela vadia que queria mostrar a bunda para os meninos, e não aquela adolescente com problemas pessoais que amava a dança. — ele falou olhando para o meu rosto, enquanto eu fazia o máximo possível para manter meu olhar preso na passarela vazia do pier. — Quando eu vi você fugir da escola no dia em que a sua mãe apareceu lá, ir parar na Discovery, chorando, eu vi que você não estava brincando... Eu me dei conta que você realmente era sensível.

Eu concordei com a cabeça, mordendo o interior da minha bochecha enquanto olhava para as pulseiras que eu tinha em meu pulso, lembrando da pressão do dedo do Percy quando ele havia me perguntado o significado de uma delas. Eu ainda estava decepcionada com o mesmo, não sabia qual era o sentido desse momento e eu queria ser capaz de seguir em frente odiando ele, odiando o fato dele também ter me usado, de uma maneira bem pior.

Só que, era ele, Percy Jackson, o garoto que me ignorou por três anos e quando finalmente me deu a chance de me aproximar, destruiu o império que eu mesma havia construído ao meu redor. Talvez no seu olhar confortante e leal, eu tenha visto algum tipo de confiança e, surpreendentemente, contado coisas para ele que eu nunca havia dito em voz alta.

Eu tinha que admitir, depois daquela noite, eu esperava que ele colocasse a para fora todos os meus demais segredos, todas as coisas que eu havia contado para ele, eu havia ensaiado, dia após dia, meu emocional para quando isso acontecesse, só que não aconteceu, nunca chegou a acontecer. As horas se arrastaram, os dias foram se transformando em semanas e logo essas semanas passaram a ser meses e mais meses.

Eu via ele pelos corredores, nas aulas que ambos tínhamos juntos, no campo durante os jogos e nas competições. Ele não era mais meu vizinho, nunca mais seria, na realidade, mas mesmo assim eu ainda via ele descer da sua moto no melhor estilo Edward Cullen de ser. Eu também tinha que admitir que, com essa situação, nós dois acabamos sendo obrigados a amadurecer, foi, por pior que seja, uma lição de vida, pois ambos sabíamos que não poderíamos cometer aquele mesmo erro duas vezes.

– Eu nunca te vi com mais nenhum garoto depois daquele dia.

– Eu me coloquei em primeiro lugar na minha lista de prioridades e, nela não havia espaço para garotos, não mais. — murmurei colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, tentando impedir que ele acabasse se tornado um ninho de rato. — Você continuou pegando a escola inteira as escondidas?

– Não, você tinha razão, depois daquele dia, ninguém nunca mais iria querer fazer isso comigo. — ele falou e eu sorri com orgulho, fazendo ele sorrir também. — Eu acho que nunca me desculpei com você... Apesar de você também nunca ter se desculpado comigo.

– Isso é sério? Me chamou aqui para pedir um pedido de desculpas?

– Não...

– É isso o que acabou de cobrar e, caso não se lembre, eu pedi desculpas sim.

– E me xingou duzentas vezes depois.

– Está com o ego ferido? — arqueei minha sobrancelha novamente, fazendo ele abrir a boca e fechar logo em seguida. Virei meu rosto para frente, rindo da cara que ele havia acabado por fazer. — Ridículo.

– Vem comigo. — ele se levantou e logo em seguida estendeu a mão para mim, dando um sorriso sincero mais uma vez e me incentivando a seguir ele seja lá para onde ele for.

Talvez, aquela mesma confiança que eu havia visto no seu olhar a meses atrás, reapareceu como uma chama e me empurrou para cima dele novamente. O que ele iria fazer agora? Transar comigo nas dunas e mostrar o vídeo para a UCLA toda? Aposto que não.

Aceitei sua mão e senti meu corpo ser puxado para cima, então peguei meus vans e puxei os lábios em um sorriso fraco, seguindo ele para a direção oposta a do vento. Ele estava à dois passos a minha frente, caminhando tranquilamente enquanto eu o seguia. Quando eu iria imaginar que hoje eu estaria seguindo Percy Jackson depois de tudo o que ele fez?

Nós caminhamos em silêncio por quase um quilômetro, realmente indo na direção das dunas, nos aproximando do farol enquanto o Sol trocava de lugar com a Lua e as estrelas apareciam junto com a imensidão escura do céu. Em Seattle as estrelas apenas apareciam em alguns dias do verão, nunca em grande quantidade, diferente da Califórnia, onde as estrelas dominavam o céu e onde o lugar era para a estrelas.

– Ainda tem aquela pulseira? — ele parou subitamente, quase fazendo com que eu batesse nele. — Aquela, escrita Wherever You Are.

– Ela nunca saiu do meu pulso. — respondi olhando para as dunas, com pedras de diferentes tamanhos, com as ondas quebrando sobre algumas delas. — Por que?

– Eu nunca esqueci o significado dela para você, desde o dia que me falou qual era ele... Depois que você dormiu naquela noite, eu fiquei um bom tempo observando você, seu braço com as pulseiras estava caído para fora do sofá e, consequentemente, para fora dos cobertores também, então eu fiquei contando as suas pulseiras, até chegar nessa... — ele respirou fundo, pegando a minha mão com delicadeza e olhando para as pulseiras, passando novamente o dedo sobre aquela pulseira, a que tanto chamava a sua atenção. — Foi súbito, como uma onda, parecia você sussurrando para mim, de novo, o significado dela para você, o significado dessas palavras para você. Eu sei que nunca cheguei a dizer isso, dizer que iria estar ao seu lado onde quer que você estivesse, mas eu senti que tinha quebrado uma promessa que eu havia feito.

– Você quebrou mesmo. — murmurei seguindo o movimento do seu indicador com os olhos. — Você prometeu que não seria igual ao Luke, e foi... Talvez pior.

– Eu sinto muito, de verdade... Mas é aquilo, nós só damos valor depois que perdemos.

– Nenhum de nós dois soube dar valor ao que realmente tinhamas, e eu não estou falando da relação, e sim de tudo... Não soubemos dar valor as nossas próprias vidas, a nós mesmos, a nossa reputação, quando nos envolvemos. — olhei para ele, me assustando com a proximidade de nós dois. Não iria deixar isso acontecer, não iria me envolver de novo, por isso não pensei duas vezes antes de dar um passo para trás. — Eu estava ocupada demais em manter a minha reputação de vadia para me preocupar com o sentimento dos outros e você estava ocupado demais se achando o todo poderoso para abaixar a guarda... A aposta, querendo ou não, foi uma consequência dos nossos próprios atos... Além do mais, você nunca me teve para me perder.

– Você fala isso com tamanha naturalidade. — ele soltou uma gargalhada leve, soltando a minha mão e, mentalmente, eu agradeci por isso. — Mas, você não entendeu onde eu quero chegar.

– Onde você quer chegar, então? Em um final alternativo para tudo isso, afinal, essa é a parte onde você vai para uma universidade, conhece uma garota nova e, provavelmente, é com ela com quem vai se casar e ter filhos. — ele arqueou a sobrancelha ouvindo isso, ficando, novamente, com uma expressão engraçada e tornando impossível esconder o sorriso. — O que foi?

– Isso não é um filme, Annabeth! Nem um livro, essa é a vida real. — ele deu risada, se aproximando de mim novamente e segurando o meu queixo com cuidado, me obrigando a olhar para ele. — Como você mesma disse: não tivemos a verdadeira intenção de nós conhecermos de verdade, tudo girava em torno da aposta, mas mesmo assim você foi um livro aberto e mesmo assim eu usei todas as minhas fantasias românticas para conseguir o que eu queria. Em partes, nada do que eu fiz falso, todos os meus gestos e palavras foram verdadeiros. Eu fiquei o dia todo pensando para onde te levar em um primeiro encontro, e no final das contas eu acabei na praia, com você, ouvindo a sua versão da sua própria história, um dia depois de ouvir você dizer que eu não te conhecia. Não acha que eu fiquei me questionando sobre aquela história por dias? Eu realmente me perguntava se ela era real e, eu tive que ver você fugir da sua mãe e a Thalia dizer que pulava da janela do Luke para acreditar... Demorou para a minha ficha cair, mas, da mesma maneira que eu errei, você também errou e nós nunca tentamos reverter a situação.

– O que quer dizer?

– Depois de tudo aquilo, depois do dia dos namorados, nós passamos a agir como estranhos e assim ficou, nunca fizemos nada reverter o erro que cometemos anteriormente. — ele acariciou a minha bochecha. — Por que não fazemos isso agora? Será que realmente é tarde demais para mudar? Estamos em outro estado, em outra cidade e não somos mais as mesmas pessoas de seis meses atrás, não temos ninguém para nós julgar, para questionar o que estamos fazendo, estamos por conta própria e só depende de nós para tudo ser diferente.

– E por que quer tanto que seja diferente? Por que quer recomeçar sendo que, como você mesmo disse, temos a chance de seguir em frente sem ninguém para nos julgar?

– Porque, de alguma forma, eu acabei me envolvendo por você, pelo seu jeito fútil, de garota mimada e destruidora de corações... No fundo, eu realmente desejava que você destruísse o meu. — ele respondeu colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, me deixando com um nó na cabeça apenas por ouvir aquelas palavras. Eu realmente seria capaz de fazer isso? Não sei, mas, ele não estava ajudando nada me olhando com compaixão, estando tão próximo de mim. De alguma maneira, eu ainda estava envolvida nos dedos do Percy e tinha medo dele me fazer de marionete.

Prendi meu ar ao sentir os lábios de Percy tocarem os meus, de maneira delicada, enquanto uma das suas mãos estava na minha cintura, puxando meu corpo de encontro ao seu, onde eu cedia fácil demais, sem ter controle sobre eu mesma, sobre meus próprios atos. Eu não queria corresponder o beijo, não queria criar falsas expectativas, mas parecia ter uma força maior sobre mim, empurrando todos os meus quereres para um canto isolado e apenas correspondendo as coisas em tempo real.

Coloquei, receosa, minhas mãos no pescoço dele, sentindo meu corpo colado ao seu, as suas mãos firmes na minha cintura e os seus lábios selados aos meus. E, como se o meu toque fosse um impulso, ele pediu passagem para o beijo e eu cedi, correspondendo um beijo, no qual, ele ditava o ritmo e eu apenas dançava de acordo com a melodia, lembrando-me de todos os momentos que tivemos naquela semana, lembrando da sensação oculta de liberdade que eu tinha e sentia quando estava ao seu lado.

Por que não? E, ao mesmo tempo, por que sim?

– E então, Annabeth Chase, você nos dá uma segunda chance?

Notas finais
Meus deuses, alguém me abraça porque eu estou tremendo e, falando sério, eu estou com os meus olhos marejados depois desse final. Sim, eu quis deixar ele incerto porque tem aquelas que odeiam o Percy depois do que ele fez e não querem ele com a Annabeth de jeito nenhum e tem aquelas que ainda assim amam ele e querem Percabeth, então vocês vão tomar a decisão da Annabeth e caírem de cabeça nesse mundo, a partir de agora, a relação deles esta na mão de vocês. (mas isso não dá direito de plagiar a história e mudar o final, por favor não é, eu fiz isso de brincadeira, usem a criatividade que os deuses lhe deram) O que eu quero dizer, é que vocês vão decidir, apenas a cabecinha de vocês, se a Annie diz sim ou não. Enfim, eu agradeço a todos que aguentaram as minhas demoras, os meus suspenses e aqueles que sobreviveram meses de Wrapped Around Your Finger e bem, como eu disse no começo e nas notas da fanfic, ela era para comemorar o aniversário de um ano de Unconditionally e eu nunca imaginava terminar ela no dia em que finalizei Unconditionally, eu pretendia terminar antes, mas com a vida de estudante abduzida ela escola que eu tenho, isso adiou o final e tipo, a males que vem para o bem. E tipo, essa nota esta gigante e se eu continuar falando vocês vão ficar com raiva de mim, sério. Então, muito obrigado mesmo, por tudo, pelas recomendações, pelos comentários, ameaças de morte e etc, eu amo cada um de vocês e realmente espero que não me odeiem e nem mandam um míssil na minha casa. Feliz dia dos namorados (eca!) e eu realmente amo vocês. Xoxo, Lolla.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!