World of minds

47 Não serei contida


Notas iniciais
Olá pessoassss, eu sei, demorei né, mil desculpas! Como um pedido de desculpar fiz um big capitulo e espero que vocês gostem. Não tenho muito o que dizer, mas estamos na reta final, chorando aqui. Mas e ai,será que faço segunda temporada? digam o que acham ok? Boa Leitura!

POV ANNIE

Eu estava em um lugar escuro, andava sem saber para onde ir quando de repente uma luz se acendeu revelando um corpo caído no chão. Minha respiração acelerou ao constatar que quem estava ali na minha frente era Percy. Ele me olhou pela ultima vez com seus incríveis olhos verdes e o movimento de sua respiração parou. Ele havia morrido e eu estava paralisada. A voz desconhecida soava insistente em meus ouvidos: — Você precisa de mim. Eu vejo então uma casa e uma rua. Seja lá quem ele seja está me mostrando o caminho para encontra-lo, mas algo me assusta: É a minha rua, a casa ao lado da minha.

Acordei em um átimo, estava suando e minhas mãos tremiam. Estava deitada na cama onde tudo começou, no quarto que não havia ficado nem meia hora na primeira vez que estive nesta casa. Percy não estava mais ao meu lado e a angustia tomava conta de mim cada vez mais. Eu não podia perder o controle aqui.

Ela não pode ficar aqui.

Eu não confio nela.

Não vou deixar que ela machuque algum de nós.

Minha mente, como se já não bastasse, começou a ser inundada por pensamentos sobre mim, sobre como eu era um perigo.

Aperto minhas mãos ao redor do meu corpo numa tentativa falha para me conter. Minha cabeça dói, e sem eu perceber estou escutando os pensamentos da pessoa que parece mais me odiar nesta casa. A loura que eu havia visto Percy proteger. Calipso.

Ela vai acabar nos matando assim como fez com o coitado que ela disse ter matado, ela aparece e acha que vai ficar tudo bem? Pois eu digo que não.

Percy é ingênuo de mais para ver que ela é um grande problema.

Porque ela não ficou com eles? Porque teve que vir atrás de nós? Será que ela não vê que ela é o problema?

– Pare, pare, pare...- Murmuro enquanto fecho os olhos. Ouço os móveis começarem a tremer e sei que estou fazendo algo errado. As frases que ela solta ficam cada vez mais altas e eu preciso me afastar.

Ela vai matar a todos nós.

Percy será o primeiro.

– Já chega! – Grito e é como se uma grande onda de poder avançasse sobre o quarto. Os móveis não arremessados, a janela se quebra.

Abro os olhos assustada e eles se enchem de lágrimas. O que estava acontecendo comigo?

Eu estava totalmente fora de controle. Era quase como estar louca, cada vez que as coisas ficavam difíceis tudo se abria e a enxurrada – meus dons- devastava tudo pela frente.

Minha vida toda eu desejei estar no controle e agora tudo estava de cabeça para baixo. Eu havia matado Hera, eu não fazia ideia do que acontecia quando meus poderes me comandavam, era um estado de torpor, eu fazia aquilo que que meus dons queriam. Eu queria me vingar, eles se vingaram para mim, mas eu não queria matar, destruir e tirar a escolha das pessoas, mesmo assim eu fiz.

Quem sabe a Calipso não estivesse certa? Eu é que acabaria com tudo, eu é que coloquei todos em perigo e era eu quem deveria acabar com isso.

– Annabeth? Annabeth você está bem? Abra a porta! – Dizia Piper batendo apressadamente na porta.

Eu olho para a janela e faço o que tenho que fazer. Eu pulo e sigo em direção a onde a voz me instruiu, a casa ao lado da minha. Abandono todos os dotes e sigo meu caminho como devia ter sido sempre, sozinha.

Estava amanhecendo, as ruas vazias. Ando em direção a minha casa, ninguém havia me seguido, nem se deram conta que eu havia ido na direção que fui. Eles não pensariam que eu iria para aquele lugar.

Ao ver minha antiga casa a distância minha saudade aperta em meu peito.

– Não é hora para isso. –Digo a mim mesma e sigo reto para a casa de madeira antiga.

Não sei se foi uma alucinação, não sei se eu estava maluca ao ponto de acreditar em um simples pesadelo, mas algo dentro de mim me dizia que não era coincidência. Nada em minha vida é uma coincidência. Então eu parei em frente à porta de madeira, de relance eu conseguia ver as cortinas do meu antigo quarto sobre a janela de vidro.

Provavelmente minha mãe e Malcon estão dormindo, eles logo logo começariam a sentir minha falta. A desculpa que eu dei da ultima vez que os vi partiu meu coração.

Eu havia prometido a mim mesma nunca usar meus dons neles.

Agora olhe para mim, aqui, desesperada por controle.

Você não vai perder o controle.

Eu não vou perder o controle.

Não vou perder o controle.

Então bato na porta. Ela não se abre imediatamente, demora um tempo até que é aberta e eu perco o folego.

***

POV PIPER

Estava dormindo quando um barulho me acordou. Levantei imediatamente da cama, algo estava errado e aquele frio na barriga me atingiu.

Depois que fui capturada e presa naquele quarto as coisas me assustam mais facilmente, mas hoje eu sei que não são os membros da Organização querendo me pegar, eu acredito no que Annabeth disse, eles se foram.

Então me lembro que ela estava fora de si. O tamanho poder que estava irradiando dela. Eu sou sensitiva com dons, tecnicamente posso localizar os dotes que estão na região e quando estou perto de dotes eu sinto a energia fluindo através deles. A dela está em um nível que quando a toquei foi como se ela fosse uma lanterna em meio a escuridão. E aquilo estava a afetando.

Sai de meu quarto e Calipso estava na porta do seu quarto de pijamas. Depois dela as outras portas foram abertas e os outros vieram ver o que havia acontecido.

A porta do quarto que Annabeth dormia estava trancada. Tentei abri-la, bati e a chamei, mas nada.

– Annabeth!! – Olhei aos outros pedindo ajuda e Jason pediu para que eu me afastasse e a porta voou, literalmente, para dentro do quarto. Entramos lá dentro e ela não estava em lugar algum, mas a sua energia ainda emanava pelo cômodo. A janela estava quebrada assim como o quarto e percebo que ela se foi.

– Merda, precisamos ligar para Percy. – Diz Leo.

Cerca de vinte minutos depois um Percy descabelado entra pela porta, sua expressão preocupada e eu sei o que ele deve estar sentindo, ficar longe de quem se ama não é fácil e agora ela se foi novamente.

– Como assim ela não estava no quarto? – Pergunta ele pela milésima vez.

– Já dissemos cara, ouvimos um barulho, a rainha da beleza aqui bateu, chamou ela não respondia, então Jason estourou a porta e o quarto estava uma bagunça e ela não estava em lugar algum. – Leo suspira quando termina.

Percy balança a cabeça e se levanta começando a andar de um lado para outro.

– Ela não está em condições para ficar sozinha. Nós precisamos encontra-la. – Ele olha para nós esperando que concordemos. Ninguém se manifesta.

– Concordo com Percy.

A não ser eu.

– Nem morta. – Diz Calipso e eu tenho vontade de joga-la de um abismo.

– Como pode dizer isso! – Falo a ela irritada, os outros apenas me olham de olhos arregalados. – Ela voltou lá por mim! Ela quis ir salva-los, cada um de vocês que estavam lá presos. Charles, Artemis, Octavian e até mesmo você Calipso! Ela e vocês que também estavam seguros e podiam simplesmente tocar as suas vidas como se nada tivesse acontecido, mas não vocês decidiram ir até os que precisavam, seus amigos, e agora que ela está precisando o que fazemos? Sentamos e ignoramos?! Isso é hipocrisia! – Eu estou praticamente gritando.

Eles me encaram em silencio, meu peito sobe e desce e eles ficam apenas lá parados.

– Annabeth acabou com a Organização. Ela me disse isso, ela fez tudo o que pôde e sabe-se lá o que eles fizeram a ela lá e tudo por que ela quis se juntar a vocês. – Diz Percy e ele está magoado. – Eu não acredito que ela se sacrificou por isso, para receber isso em troca.

Ele balança a cabeça para os outros e sorri para mim. Meus olhos lacrimejam e quando ele vai sair pela porta eu digo:

– Percy, espere, eu vou com você.

Subo correndo as escadas e pego um casaco para mim e outro para ela caso nós a encontremos, minhas mãos tremem e tento ignorar a dor no peito pela decepção que sinto dos meus amigos. Desço as escadas e todos me seguem com o olhar, eu os ignoro.

– Esperem! – fala Thalia e eu olho para eles. Sei que meu olhar deve ser de pura decepção. – Eu também vou, foi eu quem a trouxe para cá.

– Eu também. – Diz Silena e Charles assente.

– Se ela os destruiu devemos isso a ela. – diz ele.

– Isso aê cara!

– Eu também irei.

– Ela nos ajudou, vou ajuda-la agora.

E assim cada um deles assente e se levanta, um lágrima sai do meu olho e eu sorrio para eles assim como Percy.

– Muito bem, eu vou localiza-la.

***

POV ANNIE

Ele era incrivelmente familiar, têm olhos verdes como o oceano, cabelos pretos desarrumados e barba por fazer. Tudo nele me lembra Percy.

– Minha nossa! – Ele está surpreso.

Seu pijama está amarrotado, seus cabelos desarrumados. Ele afasta para que eu entre e eu entro.

– Era você nos meus sonhos? – Pergunto.

Ele fecha a porta atrás de mim e me encara de olhos arregalados.

– Sim, era eu. Poseidon. — Ele se apresenta.

– Você disse que podia me ajudar.

– Sim, eu posso. Geralmente as pessoas que eu sinto que irão precisar de mim não demoram tanto. Eu sou como você. – Ele me leva pelos cômodos da grande casa, ela nunca parecera tão grande assim pelo lado de fora. – tenho habilidades. – Ele me observa. – nenhuma surpresa?

– Você chegou tarde. – Digo. – A Organização já me pegou.

Ele me encara. Ele tem muito auto controle porque não deixa nenhum pensamento hostil escapar.

– Sinto muito. Eles me perseguem há muito tempo, perdi muita coisa por causa deles.

Eu exalo quando a imagem de um garotinho correndo por entre as ondas de uma praia.

– Percy...

– O que disse? – Ele pergunta. – Deixa pra lá, venha por aqui criança.

Adentramos no salão que atormentava meus sonhos.

– Como eu disse: eu procuro por aqueles que eu sinto que precisam de minha ajuda. Eu a senti e segui você até aqui, procurei você pelos sonhos e quando a encontrei mostrei a você o que eu havia visto que aconteceria para que você precisasse de mim, mas você demorou a vir. Começou a ficar difícil me comunicar com você e apenas hoje consegui mostrar a você minha localização.

Lembro-me do sonho com Percy e estremeço involuntariamente.

– Como exatamente você pode ajudar-me? — Digo.

Ele me olha. Seus são olhos tão parecidos com os de Percy.

– Eu posso tomar um pouco de seus dons para quê eles não a consumam.

Eu o fito pelo que parece uma eternidade, eu não conseguia ter certeza se eu deixaria ele fazer isso. Não o conheço, não sei se ele é realmente quem diz ser e só quer, realmente, apenas ajudar. Eu tento acreditar em seus pensamentos, que ele pode ser o pai de Percy, mas tudo está difícil.

Não consigo me concentrar.

– Você tem muita energia. Ela não é fácil de controlar, eu gostaria de tentar uma coisa. Como no sonho, você se lembra? – Ele pergunta enquanto vai até uma mesa e apanha uma cadeira para eu me sentar. – Quero que você libere, faça sair e eu tentarei tomar uma parte, espero que com o tempo ele se esgote e você se sentirá melhor. – Ele explica.

Estou hesitante, não consigo me decidir.

Então escuto os pensamentos da minha mãe, seus sonhos. Meu coração bate mais rápido.

Me lembro de Percy de olhando assustado, dos pensamentos que foram direcionados para mim na mansão, do grito de Hera.

Eu assinto e me sento.

Fecho meus olhos e penso por tudo que passei, tudo que senti, toda a falta que sinto daqueles que eu amo.

Vejo os rostos de cada um deles por trás da névoa que meus poderes criaram.

Sinto o poder fluir por mim e minhas mãos se apertam ao redor da cadeira.

– Controle Annabeth! Está indo rápido de mais, não consigo pegar tão rápido!

Ele diz e eu escuto.

Só não tenho reação.

Não sei o que está acontecendo, não sei o que estou fazendo.

Barulhos começam a ser ouvidos, mas é como se fossem distantes. Estou revivendo cada momento. Desde o começo.

Minha vida, meus amigos, minha casa, minha primeira vez, meu primeiro e único amor.

Minha dor, minha raiva, minha dissimulação.

Ser traída, ser a traidora, ser destruidora.

Tudo começa a sair e eu não faço parar.

O homem, Poseidon, está gritando.

Eu não ligo.

Não quero ser controlada.

Não vou ser controlada.

Não dessa vez.

Notas finais
E então o que acharam? Comentem, favoritem e recomendem! xoxo Camila.