World Sekai Gakuen | Interativa

3 Regra 2#: Никогда не бросайте суп на голову немца


Notas iniciais
Tradução do Título (Russo): "Nunca jogue sopa na cabeça de um alemão".

Daisy F. Jones

Eu estou, definitivamente, ferrada.

O primeiro de tudo é que o inglês – que aliás se chama Arthur – é dono do armário A-580, não o Alfred. Pelo o que eu ouvi, o meu querido irmãozinho trocou de armário com o cara umas horas antes porque queria que o dele fosse mais perto do ginásio. E não me pergunte porquê ele fez isso – conheço Alfred F. Jones há 17 anos e até hoje tenho problemas em entendê-lo.

Segundo, o Roma ficou furioso. Ele não imaginava que aconteceria alguma coisa logo no primeiro dia de aula, até porque esse tipo de coisa é difícil de acontecer num lugar onde quase ninguém se conhece. Praticamente, eu e a pervertida da minha colega de quarto francesa conhecemos alguém. Obrigatoriamente, claro, já que tanto Francis quanto Alfred (e o Matthew, mas ele que se dane) são nossos parentes.

Terceiro, ele não sabe quem é o verdadeiro culpado. Então, na mente do velhote, eu e o Arthur fizemos isso de propósito pra tirar com a cara do Alfred – sendo que o Arthur teve uma briga hella homo com o meu maninho momentos antes, então ele poderia muito bem se vingar escrevendo a palavra "fuck" no armário do seme dele.

Quarto, fui obrigada a passar a madrugada limpando os banheiros do terceiro andar com aquele asshole sem usar nada além de luvas e detergente. Ou seja, eu coloquei as minhas mãos dentro de um vaso sanitário por culpa DELE. E provavelmente vou dormir em todas as aulas do dia seguinte por culpa DELE.

"Mas Daisy, você vai se vingar?"

Que pergunta mais boba, é claro que sim.

Agora, eu tô limpando o banheiro masculino. São quatro da manhã – e ainda temos que limpar o banheiro feminino! – porque o dickhead do Kirkland não conseguiu desentupir uma privada e tivemos que fazer isso em dupla. E desentupir uma privada com um não estava nos meus planos de como passar a noite, muito menos dos da Cyz.

– A culpa é toda sua. – Arthur diz, de repente, com a voz carregada de mal-humor. Ele realmente quer começar a discutir com uma pessoa que está, no momento, com as mãos cheias de cocô e que está o odiando?

– Cala a boca, cachorro castrado.

– Foi você quem pichou o meu armário.

– Foi você quem aceitou mudar de armário com o Alfred.

– Aquele bloody git me obrigou! – Ele se irrita, com aquela voz irritante – tudo naquele faggot é irritante. Sério, vou acabar jogando o material tóxico que está nas minhas mãos na cara daquele sobrancelhudo de merda.

– Aquele o quê? – Que raios de xingamento é esse?

– Bloody git. B-l-o-o-d-y G-i-t. – Arthur soletra lentamente, como se eu fosse burra. Ele quer morrer?

– O quê que sangue tem a ver com o meu irmão?

– Bloody git é uma maneira de... Ah, esqueça o que eu disse. – O asshole revira os olhos e a nossa pequena conversa formal acaba definitivamente, o que marca essa como a pior noite de todos os tempos. Continuamos limpando a privada até que ela fique brilhante, e mentalmente anoto de me lembrar que tenho que assassinar o Beilschmidt da Sala A-3 por ter colocado "Gilbert is Awesome" na porta no banheiro – demorei séculos pra tirar aquela porcaria.

Depois de terminar o banheiro masculino e o feminino, nosso trabalho estava pronto e eu finalmente poderei ir para o meu quarto. São seis e meia da manhã, e já há algumas pessoas nos corredores. As aulas dos segundanistas começam às 8 da manhã, mas somos obrigados a participar do café da manhã às 7 todos os dias. Então só tenho 30 minutos para: tomar banho, dormir, me vestir, ir encontrar as outras no refeitório.

Merda, esse dia vai ser muito ruim.

Cyzarine Bragiskaya

Daisy não apareceu mais depois que fugiu ontem a tarde. É estranho, já que a americana me disse que queria jogar o jogo do copo às 3 da manhã para que os espíritos das pessoas que morreram no primeiro dia de aula nos dessem cola em todas as provas. Conversei bastante com Gylla e Charlotte enquanto esperávamos Lise chegar; Lottie tem um irmão chamado Francis, que aparentemente flertou com Lise quando a encontrou. Gylla é filha única, mas ela pretende se encontrar com um amigo que ela conheceu na internet aqui.

Elas são legais, o tipo de pessoa que não iria quebrar uma promessa, além de que não demonstraram nenhum tipo de medo de mim em nenhum momento – Charlotte até parece ter gostado muito de mim. Gylla também, e ela é tão animada quanto Lise demonstrou ser quando nos conhecemos.

Acordo com Gylla pulando em cima da cama de Lottie para acordá-la, e sorrio. A menina chama a francesa em finlandês, então não entendo nada do que ela diz, mas parece ser algo sério. Viro meus olhos para o relógio e percebo que são seis e meia da manhã – logo o sinal da escola liga e começa o horário do café da manhã. Me levanto e vou até a cama de Charlotte.

– Eu resolvo isso para você. – Digo sorrindo, e Gylla se afasta. Me sento na cama e sussurro no ouvido da francesa. – Filha, eu estava lendo aquela revista que você tanto gosta...

Charlotte quase morre do coração quando acorda, pulando e procurando os óculos, xingando em francês. Então seus olhos focalizam em nós quando ela põe os óculos.

– Je ai failli mourir! Je pensais que ma mère voyait mon magazine préféré! – Ela diz, aterrorizada.

– O que foi que você disse? – Gylla diz, completamente confusa.

– Ah... Ah... Eu disse que eu pensei que a minha mãe tivesse lido o meu hentai secreto... – Ela diz, coçando o topo da cabeça. A francesa se levanta e Gylla toma um susto; Charlotte dorme pelada. – O que foi?

– VOCÊ NÃO DISSE QUE DORME PELADA! – A finlandesa grita no mesmo momento que a porta bate três vezes lentamente. Charlotte se esconde nas cobertas, Gylla cala a boca e eu atendo a porta.

Dou de cara com uma Daisy completamente sonolenta, com cabelos bagunçados e com a roupa suja de um material marrom não identificado. Ela está com uma expressão psicopata, como se estivesse prestes a matar alguém. Lise entra no quarto com passos pesados sem nem dizer "oi", e se tranca no banheiro. Olho para Gylla e Lottie, que estão tão confusas quanto eu. Nos sentamos na cama de Lottie e esperamos Daisy sair do banheiro para nos dar explicações do que aconteceu durante a noite. Será que ela foi sequestrada? Ou foi contrabandear alguma bebida alcoólica?

Daisy sai do banheiro poucos minutos depois, vestindo o uniforme da mesma maneira não-to-nem-aí-pras-regras e bufando alguns palavrões em inglês. Ela olha para nós, e percebo que profundas olheiras estão abaixo de seus olhos e que suas mãos estão vermelhas. Ela estava... Trabalhando?

– Devo uma explicação à vocês? – Ela pergunta, irritadiça, enquanto prende a presilha vermelha no cabelo loiro molhado.

– Sim. – dizemos em uníssono e Daisy revira os olhos; ela parece se lembrar perfeitamente do que ocorreu na noite anterior.

– Bem, foi assim. Quando eu sai daqui, eu dei de cara com os armários masculinos. Aí resolvi pichar o armário do Alfred. Até aí, tudo bem. Mas um jerk chamado Arthur alguma-coisa-Land apareceu bem na hora que eu estava terminando de escrever "fuck"! E pior! O armário é dele, não do meu irmão. A professora Mary apareceu na hora e nos mandou pro Roma. Aí ele disse que o nosso castigo seria limpar os dois banheiros do terceiro andar a noite toda! Então, o dickhead do Arthur não conseguiu desentupir uma privada do banheiro masculino e nós tivemos que passar a noite toda ajeitando aquilo! E ele ainda disse que a culpa é toda minha! – Enquanto a americana explica, percebo que tanto Charlotte quanto Gylla estão prestes a cair na gargalhada. Sorrio misericordiosamente enquanto vou em direção ao banheiro.

...

Encontro Daisy, Gylla e Lottie no refeitório, procurando uma mesa, depois que busco o meu café.

O refeitório é um salão enorme, com várias mesas para 7 pessoas. Há várias pequenas bandeiras de países no teto, com um lustre no meio. As paredes são de um tom claro do azul, e o piso é de mármore. As mesas são de metal, e há uma grande diversidade de comida no lugar. O suficiente para que todos tenham um café da manhã normal em seus países, além de ter o suficiente para alimentar um pequeno país. Daisy carrega duas panquecas e uma Coca-Cola; Charlotte tem dois brioches e um cappucino; Gylla tem um pão com ovo e um café expresso; Peguei uma sopa de tomate, umas torradas e um chocolate-quente.

– Tá, okay... Em qual... Mesa sentamos? – Daisy pergunta, entre bocejos, ainda irritada pelo ocorrido na noite anterior. Gylla sorri para um lado do salão e começa a correr naquela direção sem mais, nem menos.

– Ei, Gylla! O que foi? – Lottie pergunta, que a ignora. Começo a segui-la, com uma Daisy sonolenta atrás de mim e uma Charlotte curiosa. Os passos de Gylla aceleram, e estamos quase correndo atrás da morena que vai em direção à um rapaz de olhos violetas.

Então eu tropeço em algum lugar e a sopa de tomate voa pelo refeitório. Daisy se assusta, acordando. Charlotte deixa um gritinho escapar. Gylla para e segue a trajetória de voo da sopa com os olhos. Não tenho tempo para me levantar e impedir a sopa voadora de acertar alguém. Então ela cai diretamente na cabeça do líder de um grupo de três garotos logo à frente.

Logo os reconheço como o grupo de garotos que vi no corredor ontem; o italiano, o japonês e o alemão, que foi acertado pela sopa.

Ele possivelmente é o mais velho do grupo, por ter uma expressão madura – que, no momento, está calma-furiosa – e por ser mais alto e musculoso. Lembro-me que ele tem olhos azuis sérios – que estão fechados no momento –, o cabelo loiro arrumado para trás e é mais alto que eu. O uniforme escolar parece ser muito pequeno e apertado para ele, já que o casaco parece prestes a se rasgar a qualquer momento. A sopa de tomate pinga em sua roupa, deixando-o completamente vermelho. Quando ele abre os olhos, ouço Daisy dizer "oh-uh"; ele está furioso.

– MIO DIO, DOITSUUUUUUUUUUU! RESISTA! – O italiano grita correndo na direção do alemão com os olhos fechados e os braços abertos, como se fosse o abraçar para que ele não fizesse um escândalo.

– CYZAAAAAAA, MEUS BELOS PEITOS! NÃO DESTRUA ESSA OBRA DE DEUS! – Charlotte grita, fazendo o mesmo que o italiano.

Então eles batem de cara um com o outro e acabam desmaiando ali mesmo. E uma muvuca começa a acontecer: Daisy encontra o culpado do meu tropeção – que é o irmão dela, um garoto muitíssimo parecido com ela que usa óculos – e começa a brigar com ele; Gylla começa a conversar com o rapaz de olhos violetas enquanto ambos arrastam Charlotte e o italiano para fora dali; várias pessoas começam a gritar e ficar em volta de mim e do alemão furioso.

– Eh, izvini. – Me desculpo, sorrindo. Sinto minhas bochechas arderem, mas não chego a me importar. Levanto-me e sorrio novamente para o alemão, que nada diz. Ele parece estar tentando guardar a raiva para si, mas sua expressão é ameaçadora. – Eu tropecei no pé do irmão da minha amiga e–

– VOCÊ DEVERIA PRESTAR ATENÇÃO POR ONDE ANDA! – Ele explode. Seu grito ecoa por toda sala silenciosa, fazendo Daisy parar de brigar com Alfred e Gylla parar de arrastar Charlotte. – SE TIVESSE VISTO O PÉ DO IRMÃO DELA – Ele aponta para os dois gêmeos americanos, que observam a cena. – NÃO TERIA DERRUBADO A SUA SOPA DE... – Ele para de gritar e lambe a boca por alguns segundos. – SUA SOPA DE TOMATE!

– Mas eu estava indo buscar a minha outra ami–

– E VOCÊ! – Ele aponta para Gylla, que quase desmaia de tanto medo. – VOCÊ NÃO DEVERIA SAIR CORRENDO PELO REFEITÓRIO SEM MAIS NEM MENOS, E SEM AVISAR AS SUAS COLEGAS! UM ACIDENTE GRAVE PODE OCORRER, COMO AGORA! – Gylla está tremendo, e tanto Charlotte quanto o italiano começam a acordar. – E VOCÊ! – Ele aponta para o irmão de Daisy, Alfred. – NUNCA MAIS COLOQUE O PÉ NO CAMINHO DE UMA PESSOA QUE ESTÁ SEGURANDO COMIDA QUENTE! UM ACIDENTE COMO ESSE PODE ACONTECER!

– Ludwig-san, você não deveria se exaltar tan– – O japonês do grupo tenta dizer, mas em vão. E as broncas sucessivas do alemão continuam por quase o horário da refeição inteiro, com o italiano tentando acalmá-lo e Charlotte me protegendo. Daisy furtivamente consegue escapar junto com seu irmão 20 minutos depois, e os gritos do tal Ludwig se tornam mais um barulho no salão.

Um segundo dia de aula perfeitamente normal.

Notas finais
Personagens novas aparecem no próximo capítulo