World Of Chances
9 The Catalyst
Notas iniciais
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Caminhava com os olhos entreabertos pelo corredor iluminado pelo sol da manhã no pijama improvisado que Demi me emprestara. O caminho do banheiro até o quarto de hóspedes já era quase totalmente feito quando senti um cheio suspeito, identificando-o de imediato.
Lá estava ela, sentada sob o parapeito da grande janela de vidro liso do segundo andar, os pés para fora balançavam pelo movimento do corpo e uma fumaça cinza saia dentre seus dedos.
Caminhei arrastando meus pés no piso de madeira até ao seu lado, observando-a tragar descontraidamente o tubo branco.
A cena me chamou uma atenção estranha, assim como tudo nela desde pouco tempo atrás. Os dedos ágeis manuseavam o cigarro com habilidade fazendo-me questionar a quanto tempo ela praticava o horrível ato, a boca fechava-se com uma certa delicadeza feminina com o borrão branco entre os lábios e o quanto eles ficavam ressecados ao retira-lo.
- Dormiu bem? – perguntou após a fumaça sair do corpo.
- Sim e você? – respondi, apoiando os braços cruzados onde repousava.
- Só três horas. – riu amargamente.
A insônia é um dos principais problemas da bipolaridade sendo que o corpo não precisa da energia, embora a mente esteja acostumada as oito horas diárias.
Suspirei focando o cigarro agora preso em seus lábios.
Peguei-o entre os dedos levando até minha boca.
Puxei o ar filtrado por ele sentindo o horrível gosto da nicotina.
- Eca! – reclamei quando senti a fumaça sair. – Como você consegue gostar disso, é horrível.
Ela riu quando me vindo tragar novamente e devolver em sua boca.
- Bem, eu não gosto é mais uma mania. – falou.
- Tem gosto de... de queimado. – descrevi, gerando um arrepio. – Nunca mais encosto nisso.
- Ótimo. – concordou ela.
- Acho melhor aproveitar esse ai, porque vai ser o ultimo. – observei o transito leve na rua, mas desviei para ela quando senti fitar-me com confusão. – Não vou arriscar meu pulmão nessa fumaça tóxica.
- Aaah claro, isso tem tudo a ver com seu pulmão. – encolheu os ombros num sorriso. – Vai mesmo confiscar todas minhas coisas?
- Não todas. – disse. – Só as necessárias, como isso.
Agarrei o maço de vinte cigarros primeiro que ela.
- Selena...
- E não só os cigarros como as bebidas e aqueles pacotes pequenos de heroína que encontrei no fundo da gaveta do quarto de hospedes. – avisei. – E não se atreva a esconder algo de mim, porque vou vistoriar a casa inteira.
- Não esta levando isso muito a sério? – perguntou-me.
- E o assunto não é sério? – respondi. – Você quer acabar com isso?
- Claro. – assegurou. – Minha família ficaria...
- Não, não. – neguei. – Se for fazer por sua família estou me retirando. É por você. Você quer parar?
Ela me olhou com atenção, como se tentasse achar uma brecha qualquer em minha face. Algo que esclarecesse minha preocupação como mentira, mas o suspiro foi audível quando desistiu da busca.
- Quero. – afirmou.
- Então vamos fazer juntas. – estendi a mão os dedos mexendo em indicação ao cigarro já na metade.
- Hm... ta. Ok. – assentiu entregando-me o ultimo cigarro que tinha direito legal nessa casa.
(...)
Foi uma longa conversa com meu pai e, como disse a Megan, ele entendeu. Meu principal motivo agora não era somente o fato de desconfiança de minha irmã mais velha e sim a esperança proporcionada por Demi. A esperança de uma vida fora de perigo constante e aquele brilho especial que surgia em seus olhos quando percebia não estar sozinha, o que me fazia sorrir sem motivo.
Meu pai resistiu no começo, a mente impregnada de comentários maldosos de Megan, mas a verdade foi descoberta conforme a conversa via telefone de desenvolveu e, após falar com Demi por mais de vinte minutos, concordou em nós ajudar. Desejando muita boa sorte a mim e coragem a Demi, que agradeceu aliviada por ainda ter alguém adulto ao seu lado.
- Não vai ser bonito. – comentou ao fazer a natural patrulha no cômodo onde me encontrava.
- O que não vai ser bonito? – perguntei, jogando mais uma seringa usada no lixo que carregava pela casa.
Tinha começado a limpar a casa começando pela área mais preocupante: seu quarto.
- Esse lance de “sem bebidas”. – respondeu, reproduzindo a cena de mim jogando todas as garrafas do famoso lixo. – Acostumei a encher a cara todas as noites e uma pode fazer diferença.
- Eu sei que esta com medo. – disse começando a tirar as roupas do guadaroupa. – Não precisa ter, eu já pesquisei tudo. Tenho tudo sobre controle.
- Mas e se sair do controle? – perguntou insegura, apoiando-se no batente a porta.
- Não vai. – assegurei, jogando a ultimo cabide na cama e olhando-a. – Demi, eu realmente sei todas as fases de depressão pós drogas.
- Então deixe-me sair hoje, só hoje prometo. – pediu.
- Não...
- Pro favor, daí eu calo minha boca e deixo você trabalhar. – continuou.
- Não.
- Porque?
- Porque se hoje eu deixar, amanhã você trás a bebida pra cá, e depois de amanhã vai ser só um golinho e, não. – justifiquei. – Demi, eu sei que não é totalmente certo cortar a bebida tão radicalmente, mas não temos tempo. Eu tenho dois meses e meio pra ficar ao seu lado e, depois, será você por conta própria.
- O quê? – disse espantada. – Você vai me deixar?
- Demi, não vou te deixar, só vou voltar para New Jersey com minha mãe. – disse. – Não vou te abandonar, somos amigas, não é?
Um sorriso carinhoso tomou seus lábios.
- Só um ultimo golinho de vodka e... – insistiu, mas a cortei voltando ao trabalho.
- Não.
(...)
- Não estou me sentindo bem. – comentou Demi, no meio do filme.
- O que sente? – perguntei levantando-me da posição deitada, me sentando.
- É uma dor de cabeça boba. – explicou. – Tenho isso as vezes, tudo bem.
- Tem certeza? – assegurei-me.
- Claro, volte ao filme. – sorriu.
Hesitei em voltar meus olhos para a grande Tv.
Era o começo de uma longa jornada.
Notas finais
Obrigada ;*
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