Notas iniciais
Avenged Sevenfold - Afterlife
;*

— Você realmente não para uma noite em casa, não é? – perguntei, entrando em seu quarto.

- E você queria o que? – retrucou Megan, escolhendo uma blusa que combinasse com a calça jeans agarrada. – Não sou a imagem da filha perfeita.

- Vou ignorar a indireta. – sentei-me na cama. – Aonde vai?

- Festa. – sorriu.

- Espere, que tipo de festa? – perguntei.

- Selly...

- Isso era o que temia ouvir. – disse fechando os olhos pesadamente. – Vai ser festa de distribuição de drogas, não é?

- Talvez.

- Você não me engana Megan. – bufei. – Porque faz isso consigo mesmo?

- Você não entende.

- Tem razão. – cruzei os braços sob o busto. – Não entendo. Quem vai?

- Eu e Demi.

- Demi? – indaguei, a voz presa na garganta. – E você ainda leva sua melhor amiga?

- Foi ela quem disse que ia. – sentou-se ao meu lado, segurando minha mão. – Não posso deixá-la sozinha.

- Isso não é desculpa Meg.

- Pior que eu sei. – encostou os lábios delicados nas costas de minha mão.

- Onde vai ser, pelo menos? – disfarcei.

- No barracão leste. – respondeu.

- Sex and Drugs? Nem sei por que perguntei.

Ela riu.

- Como você conseguiu fazer aquilo com Demi? – questionou curiosa.

- Fazer o que?

- Ela ficou... sóbria ontem. – Megan arqueou as sombrancelhas. – Como?

- Eu não fiz nada. Foi ela que não bebeu. – ri.

O único barulho que impedia o silencio eram seus dedos brincando com minha pulseira.

- Já vou. – avisou levantando-se.

- Já? – imitei seu gesto. – Até que essa festa não começou tão cedo.

Cheguei as 19:00mp no relógio.

- Isso é um bom sinal. – despediu-se.

Esperei os passos se esgoratem com a batida forte da porta e corri para meu quarto, mudando de roupa rapidamente.

- Sex and Drugs, aqui vou eu. – peguei a chave do carro de meu pai.

(...)

Estacionei o carro na rua lotada, observando as luzes florescentes do salão Sex and Drugs brilhar na noite recém chegada.

Ao chegar à porta um homem esbarrou em mim, sussurrando coisas sem sentido. O que me fez reconsiderar aquela voz no fundo e minha cabeça que implorava pela minha fuga, mas a ignorei com um balançar ligeiramente brusco de cabeça.

Não havia um único espaço no piso de madeira inculpado por alguém.

A escuridão era cegante com suas linhas de neon do contorno do grande bar.

Como achar alguém conhecido aqui?, pensei, mas logo vi a resposta.

Em um canto escuro, sentado em uma cadeira, um homem encapuzado jazia. As pessoas que vez ou outra se aproximavam dele saiam com pequenos saquinhos suspeitos.

- Com licença? – disse quando encarei as sombras de seu rosto.

- Cocaína? – questionou rudemente a voz grossa.

- Não, hm... heroína. – lembrei das picadas no braço de Demi e suas marcas.

- No andar de cima. – explicou, apontando para a escada em espiral quase totalmente oculta pela falta de luz. – Procure por Rob, ou Ed.

- Ok, obrigada. – segui sem hesitação para a escada, o olhar ainda vasculhando a pequena multidão.

O andar de cima era ainda menos iluminado que o outro e assim como havia pessoas ainda pulando no som alto da batida, havia outras no chão. Seringas pendendo de seus braços inchados.

As pessoas no bar gritavam, deixando a bebia extravasar. Mas, tudo foi interrompido em minha visão quando uma certa garota de cabelos negros foi avistada.

- Que prazer Demi. – disse um homem ao seu lado, quando me aproximei.

- Me dê logo. – reclamou, notas verdes entre seus dedos da mão estendida. – Aqui tem cinqüenta.

- Hm, interessante. – o homem examinou o papel até puxar algo do palitó pesado. – Aqui esta.

- Obrigada Rob. – sorriu Demi, fazendo a troca de objetos.

O homem se afastou, quando ela voltou ao seu lugar no bar. Ao lado de Megan.

- Quanto? – perguntou minha irmã, a voz ligeiramente grogue.

- Cinqüenta dólares. – comemorou Demi abrindo o pequeno pacote com os dentes, fazendo uma nova seringa deslizar para sua mão. – Rob fez o mesmo desconto.

- Safada. – riu Megan. – É você que vai comprar as minhas drogas agora.

- Até parece. – a outra ajeitou a franja para trás da orelha, em concentração quando ligou a ponta da agulha a um caso plástico com um liquido dor castanha. – Muito cuidado nessa parte.

Ela sugou o liquido com precisão, suspirando quando o frasco se encheu.

Megan passou um elástico pelo braço da outra, fazendo o sangue se prender na veia principal.

Essa primeira cena fez-me lembrar um exame de sangue, onde sua veia da articulação salta sem a passagem no antebraço.

Fechei meus olhos com força quando a agulha penetrou a fina pele cor de porcelana.

- Calma. – riu Megan. – Pronto, até três minutos.

Demi sorriu encostando-se a parede onde outras pessoas já jaziam, curtindo a droga.

Seus olhos permaneciam trancados, a boca reprimida sem reação alguma. Seu corpo escorregou, apoiando-se ao chão. A mandíbula era definida, forçando-se a não gritar ou qualquer outra coisa.

Foram os três minutos mais longos de minha vida.

(...)

- Ei garota? – chamou uma voz desconhecida fazendo-me estalar os olhos. – O que faz aqui?

Saltei da cadeira, observando o ambiente.

A musica já não estourava tímpanos e a escuridão foi quebrada por luzes ao teto.

- Que horas são? – perguntei assustada.

- Quase cinco. – respondeu. – Esta esperando por alguém?

Para onde foram as pessoas?

- Procurando, na verdade.

- Aaah sim, estão todos no andar de baixo. – sorriu timidamente. – Desculpe a situação.

Situação?

Nunca teria entendido a frase se não, finalmente, descesse as escadas.

Todas as pessoas da festa estavam amontoadas a um canto, inconscientes. Corpo sobre corpo sem respiração audível.

O medo me tomou quando pensei em minha irmã. Onde ela poderia estar?

Corri o salão inteiro revirando corpos até achar um conhecido.

- Demi? Meu Deus. Fale comigo! – ajoelhei-me ao seu lado.

- S-Selly? – gaguejou, fazendo-me lembrar de sua voz rouca no carro de alguns dias atrás. – E-espere é voc...

- Sim. – tendei fazê-la sentar, mas não ouve sucesso. – Onde esta Megan?

- Foi embora. – sussurrou. – Você também deve.

- Não vou deixar você aqui. – retruquei. – Porque ela fez isso?

- ‘Ta tudo bem. – tentou sorrir. – Quando eles começam ajuntar os corpos, os sóbrios tem de fugir. Ela fez o certo.

- Eu vou te ajudar. – disse juntando minhas forças e a levantando, apoiando seu braço em meus ombros. – Vamos para minha casa.

- N-não, por favor, me deixe aqui. – implorou.

- Não adianta. – comecei dar leves passos.

- Para minha casa então. – indagou.

- Sua mãe pode cuidar de você? – perguntei.

- Não, mas ficarei bem lá.

A caminhada até o carro foi longa e a estrada até sua casa foi pior, seguida por gritos de dores e lagrimas desnecessárias.

- O que você estava fazendo lá? – continuou ela, a voz impregnada com choro. – Aposto que nos seguiu.

- Depois conversamos. – ajudei-a sair do carro, me desequilibrando levemente. – Parece não ter ninguém na casa.

- E não tem. – gemeu ela, quando passamos pela porta de madeira esculpida. – Foram viajar.

- Onde é o banheiro? – perguntei, jogando as chaves e celular no balcão de vidro da cozinha.

- Andar de cima. – explicou. – A primeira porta.

As escadas foi, de longe, o mais difícil.

Ela não agüentava o próprio peso, me fazendo carregá-la para o chuveiro.

Suas roupas foram retiradas enquanto a água fria descia por seu corpo, depois de longos quinze minutos, só sobrou suas roupas íntimas encharcadas em seu corpo.

- G-gelada. – reclamou, os dentes batendo.

- Se chama: cura ressaca. – corrigi. – Seu quarto é a próxima porta?

Ela assentiu tentando sair das posses da água, fracassando quando a empurrei novamente.

- Vou pegar umas roupas. – disse deixando-a sozinha e adentrando o quarto ao lado.

As paredes eram um branco caramelo e outra, realmente, vermelha.

Abri o closet tirando uma simples camiseta e um mini sorte confortável.

- Vamos? Suas roupas estão na cama. – avisei desligando o chuveiro.

Sua voz não saia compreensível devido aos dentes estralando.

- Consegue se trocar sozinha? – perguntei, a sentando na cama.

- Posso tentar. – respondeu, apontando para a porta.

- Ok, vou sair. – sorri, encostando a madeira na tranca.

Desci as escadas encontrando facilmente a cozinha e umas folhas de boldo muito úteis na geladeira, como disse meu pai.

O chá demoraria e, enquanto a água fervia no fogo alto, meu olhar caiu sob o aparelho perto da chave no simples carro de meu pai.

Quinze chamadas perdidas, marcava na tela do celular.

- Alô? – falei, depois de discar o numero.

- Selena, aonde você esta? – perguntou uma voz brava.

- Pai eu só...

- Nada de desculpas. – começou ele. – Você saiu ontem e só agora, sete horas da manhã, tenho noticias de você. Não atende celular, não responde mensagens, não...

- Pai, calma, eu ‘to bem. – assegurei, adicionando as folhas verdes ao chá. – Podemos conversar quando eu chegar?

- O quê? – o volume aumentou. – Me desculpe se esta ocupada! Eu quase chamei a policia Selena!

- Pai eu estou na casa da Demi. – respondi calmamente. – Ela não esta bem e não posso deixá-la sozinha agora.

- Teremos uma conversa séria quando a senhorita chegar. – suspirou ele aliviado.

- Ok, é justo. – despedi, desligando. – Pronto?

- Já. – gritou Demi do quarto.

- O chá esta na cozinha. – expliquei entrando no quarto de novo. – Já posso ir embora? Meu pai esta uma fera.

- Não. – gemeu. – Por favor, fique.

- Não posso. – respondi, sentando-me ao seu lado.

- Eu o encaro, não tem problema. – disse ela apertando os fechos com força.

- Ainda esta doendo?

- Tudo ainda dói Selly. – chorou, os destes cerrados. – Droga.

- Calma, não foi sua culpa. – deitei-me ao seu lado, apoiando em meu braço dobrado.

- Foi sim. – respondeu. – Eu simplesmente não controlo quando pego a primeira seringa.

Ela tinha consciência de seus atos e eu também. Vendo todas aquelas pontadas em sua pele cheia de marcas avermelhadas durante toda noite.

- É melhor você dormir. – disse mudando de assunto.

- Como? Essa dor não me... deixa.

- Shhh. – silenciei, passando os dedos entre seus cabelos. – Eu não vou sair daqui, pode dormir.

- O-obrigada. – gaguejou.

- Shhh. – continuei.

Notas finais
Desculpe os erros de digitação, não revisei.
Obrigada pelas reviews maravilhosas *.*
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