World Cup 2014 Brazil!

54 Uma montanha-russa de emoções


Notas iniciais
Hey! Era pra ter postado na segunda mas teve o carnaval e desandou tudo kk. Deu pra dar uma descansada, e até consegui passar tempo com a familia. Sabe, as vezes é dificil saber se vc quer ficar sozinha ou se vc ta se acostumando a ser alguém solitário, então passar um tempo com as pessoas q vc gosta te lembram q a vida é boa e psoas são legais :) Sobre a fic… Oq vou dizer é q tentei reduzir o cap mas de ultima hra resolvi adicionar + um monte de informação extra e BLAM, cinco mil palavras. A vontade de deletar tudo é grande mas a minha preguiça é maior, e tipo eu me comprometi a postar esse trem então eu vou postar! De resto sla, to literalmente “no thoughts, head empty”. O problema de ser sua propria beta reader e ser perfeccionista é q vc vai reler o mesmo cap mil vezes e vai ficar implicando com as coisas minusculas q acontecem e de repente as palavras no documento n significam + nada. Tenho q aprender a só deixar as coisas rolarem… pq sinceramente ta insustentavel, juro q nem lembro mais qual é a historia q eu to contando *rindo de desespero*. Ja criei tantas permutações diferentes dessa fic q essa aki nem é + a linha principal na minha cabeça. MAS n quer dizer q eu n vá tratar ela com todo meu amor e carinho, então vamos nessa <3 ps: são quase 11:40 de uma quarta a noite e eu n sei qual vai ser o nome desse cap ainda. Eu quero jantar, então o que for foi, e qqr coisa eu mudo dps. ps2.2: esse é o unico capitulo q tem travessão certo por algum motivo, n se acostumem

Quando abriu os olhos, estava na escola. Jusé olhou para as próprias mãos, tentando se situar. A rodinha de amigos com quem sentava parecia um borrão, mas havia alguém que conseguia ver muito claramente: Ruan, seu melhor amigo, que estava sentado à sua frente…

— Ruan, verdade ou desafio?

— Desafio!

— Desafio você a beijar o Jusé!

Uma voz diz e Jusé arregala os olhos. O garoto de cabelos ruivos bagunçados parecia igualmente surpreso, ele olhou para os lados, confuso, e riu da sugestão. Ele tinha um sorriso muito bonito, mesmo com o aparelho cobrindo seus dentes e a enorme espinha na sua cara.

Então viu Ruan engolir seco e se arrastar para perto dele, ele colocou a mão em seu ombro, tremendo de leve… Ele realmente ia cumprir o desafio?! O amigo se inclinou para perto e Jusé protegeu a boca com seus braços, se defendia como se a sua vida dependesse daquilo, mas era inútil, Ruan sempre foi mais forte que ele.

A partir daí ele já não lembrava como foi, só aconteceu: o contato breve de seus lábios. Seria até exagero enquadrar o fato assim. Foi mais como um esmagamento de rostos, um ato afobado, onde os lábios comprimidos de Ruan mal tocaram os seus, seus narizes se bateram e ele encostou a bochecha naquela espinha nojenta que o ruivo tinha.

E depois daquilo foi como se todos os nervos do seu corpo tivessem se ativado de uma vez, um calor se espalhou por ele, o mundo de repente tinha mais cor, mais vida, nada mais parecia ter importância além de Ruan...

Ele não lembrava de mais nada além de ter saído correndo até o banheiro, limpando a boca com insistência na manga da blusa. Por mais que jogasse água no rosto, o formigamento na sua boca não acalmava, nem os batimentos fortes do seu peito.

Suspirou, provavelmente estava parecendo patético. Porém quando levantou a cabeça não se viu no reflexo do banheiro, encontrando no lugar o olhar reprovador de seu pai.



...


Pela fresta da janela, um raio de sol fez seu caminho até o rosto do albino. As pálpebras do homem tremularam e se abriram pouco a pouco, Jusé franziu as sobrancelhas, confuso com a claridade. Quando entendeu que estava deitado na cama, soltou um longo resmungo e massageou o rosto, tentando digerir aquela lembrança.

Nunca conseguiu esquecer daquele dia, das sensações mágicas e da confusão e vergonha que seguiram. Também conseguia escutar perfeitamente a voz do seu pai gritando com ele depois de ter descoberto o "beijo".

"Que pouca vergonha é essa, quer morar na rua?", o jeito que seu pai falava fazia parecer que seu filho era um promíscuo ou que tinha cometido algum tipo de crime horrendo (coisas saudáveis para se dizer a uma criança e que com certeza não o afetaram de forma alguma).

E, como se as coisas não pudessem piorar, depois daquele dia Jusé começou a ter sonhos com o amigo. Sonhos não muito puros que faziam ele acordar suando no meio da madrugada. Sonhos que faziam ele querer se enterrar na terra e nunca mais sair de lá. Infelizmente ele nunca encontrou uma pá para o serviço. Portanto fez a segunda melhor coisa, que foi se afastar de Ruan até que seus sentimentos hormonais fossem embora…

…Demorou um mês. Eles viviam tão grudados que deixar Ruan foi como abandonar uma parte de si mesmo, mas era necessário. Aqueles sonhos vinham em flashes durante o dia e ficava impossível ver o amigo de forma inocente, ele sentia tanta culpa e tanto medo de ser descoberto que entrava em pânico perto do ruivo. Depois que os sonhos pararam, Jusé conseguiu se enganar o suficiente para fingir que nada tinha acontecido, e tudo voltou ao normal.

Tudo culpa dos malditos hormônios, fazendo ele sentir coisas estranhas! Felizmente aquela fase passou, agora era um homem maduro e controlado, que não era afetado por qualquer coisa boba. Ai, ai, crianças realmente faziam tempestade em copo d’água. Jusé rolou na cama e--PUTA QUE O PARIU ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN ELE TAVA DE CARA COM O RUAN--

SEM PÂNICO

SEM PÂNICO

SEM PÂNICO

RESPIRA PORRA!

Jusé colocou a mão na frente do rosto e inspirou e expirou muito timidamente, com medo de que a sua respiração pegasse no amigo. “Se ele acordar eu tô fudido”, pensou. Apesar disso, não fez nenhuma menção de se afastar. No que foi se acalmando (o máximo que podia naquela situação) não conseguiu evitar de ficar olhando para ele. Ruan era de longe a pessoa mais bela dormindo, inclusive agora ele estava babando no travesseiro, mesmo assim parecia adorável. Um sorriso singelo brotou de Jusé, ele quase queria voltar a dormir, o rosto sereno de Ruan trazia uma tranquilidade tão boa…

Porém, um dos hobbies favoritos do seu cérebro era impedir que ele fosse feliz por mais de cinco minutos. O ar pareceu ficar rarefeito, Jusé passou a mão pelos cabelos enquanto o medo tomava espaço entre seus pensamentos.

Apesar de tudo, aquele "beijo" não era uma memória tão ruim. Mas mesmo depois de tanto tempo nunca escutou o lado de Ruan da história. E se o ruivo não tivesse a mesma visão que ele sobre aquele dia? Nunca parou para pensar que talvez Ruan se arrependesse daquilo ou até sentisse nojo... O que ele faria se descobrisse que seu melhor amigo estava apaixonado por ele?

Ruan era uma das únicas pessoas que sempre esteve com ele pro que der e vier e que o ajudou a sobreviver o inferno que foi a escola, Jusé poderia dizer com convicção de que o ruivo havia mudado a sua vida. Imaginar que de uma hora para outra ele pudesse odiá-lo, desprezá-lo como se ele fosse pior que lixo… Não! Não, não, não, não, não, nem fodendo! Ruan não poderia saber desse segredo, nunca! Se necessário Jusé se afastaria dele de novo, fugiria para o Alaska até os sentimentos sumirem.

“Quero estar sempre com você.”, foi o que Ruan disse noite passada. Jusé sentia o mesmo, não precisava que Ruan retribuísse seus sentimentos, estava feliz em apenas ser seu amigo…


Quando Ruan abriu os olhos, Jusé não estava mais do seu lado. Ainda sonolento, resmungou e fez um bico, rolando até o espaço onde o outro deveria estar. Ah, o travesseiro estava com o cheiro do xampu dele! Sem pensar, Ruan enfiou a cara no travesseiro e deu uma boa fungada, antes de voltar a cair no sono...

— RUAN! Desce logo ou você vai ficar sem panquecas!

Kimiko surge abrindo a porta com tudo e acordando Ruan no susto, mas quando escutou a palavra “panquecas” ele pulou da cama e seguiu a garota.


Cozinha

— Hmm! Essas panquecas tão uma delícia! Você cozinha muito bem, Kimiko. — Ruan disse, enfiando mais comida na boca.

— Ai, para, não precisa me elogiar~ Eu já sei que cozinho bem~

“Afinal, maximizei minhas habilidades culinárias para fisgar o Makoto pelo estômago, muahaha...”

— Disse alguma coisa? — Makoto pergunta.

— Nadinha~ Enfim, eu decidi que vamos todos sair juntos pra nos divertir!

— Hm, verdade, nunca saímos juntos fora do trabalho... — Jusé reflete.

— Então, topam?

— Sim! Onde vamos?

— Hehe, eu já tenho uma ideia!


Parque de diversões

— Uau! Faz tempo que não venho num lugar desses! O que vamos fazer primeiro? — Kimiko pergunta.

— Vamos começar com a montanha-russa! — Ruan exclama.

— Montanha-russa? — Makoto já começa a tremer. — E-eu passo…

— Tem medo, Makotinho? Pois vai perder o medo hoje!

— Makoto-kun não quer e ponto! — Kimiko firmou, se agarrando no braço do namorado. — Por que não vai com o Jusé?

— Porque ele é outro medroso que não gosta de montanha-russa. *faz bico* Ninguém quer ir comigo… Vou sozinho então… *anda triste*

— Afe, quem disse que vai sozinho?

— Yey! Kiki, você é demais!

— E-ei, nunca disse que podia me dar um apelido! — ela se vira para Makoto — Você não tá com ciúme disso?

— Erm… Não.

— Não? Fique com mais ciúme, tem um homem dando apelidinhos pra sua namorada na sua frente!

— Ah, tudo bem! *carinha de mau* Estou com ciúme… Deu certo?

— Nãaaao, você é fofo demaaais!


Montanha-russa

— Cintos apertados, Kimiko?

— Sim! Adoro brinquedos rápidos, dá aquele frio na barriga!

— Eu sei! O Jusé diz que tem medo, eu acho besteira.

— O medo faz parte da experiência!

— Todos com o cinto? Vamos começar em 3…

— Ai, tem uma coisa me incomodando… *tira algo da cadeira* R-RUAN!

— Que fo-- ISSO É UM PARAFUSO?

— 2…

— É DO BRINQUEDO??

— NÃO SEI, EU TAVA SENTADA EM CIMA!

— 1…

— MOÇA, ESPERA--

*VUSH*

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!1

— ADOJOAISDANDPAIBFPNAF0328FNQF9-WPPAODMQOWPJD´QD


Enquanto isso…

O carrossel tocava uma musiquinha leve e sonhadora, Makoto estava montado em um belo unicórnio creme com cabelos da cor de algodão-doce, atrás dele vinha Jusé, em cima de uma vaca alada que mugia “parabéns para você”. Sorrisos calmos estampavam seus rostos e eles batiam palmas toda vez que completavam uma volta.

— Ahaha~ Isso é tão divertido~

— Sim, ahaha~

— Ahaha~

— Ahaha~

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!

— Escutou algo, Makoto?

— Oh, devem ser os anjos do reino do arco-íris nos chamando para brincar nas nuvens~

— Vamos lá~


Próximo brinquedo...

— Makoto-kun, eu gostaria de entrar no “Túnel do Amor” com você… *junta os dedinhos toda kawaii*

— Então farei a tua vontade, my lady *piscadinha* *Kimiko dies*

— Bom, enquanto vocês vão lá a gente--

— Okay, vocês entram primeiro~

Sem conseguirem protestar, Ruan e Jusé foram empurrados para dentro do barco e arrastados pela água até dentro do túnel escuro, úmido e frio.

— Isso tá parecendo mais um filme de terror. — Ruan sussurra — Que silêncio... Que escuridão...

— P-poisé.

— Ué, tá com medinho, Jusé? — Ruan provoca.

— Claro que não! É só... Estranho. N-não era pra gente estar aqui.

— É... Mas não aconteceu nada até agora--

— BEM-VINDOS POMBINHOS APAIXONADOS!!!!!!

— AAAAAAAAAHHH!!!

— QUE PORRA?!!

Um cupido de madeira desce do teto e quase acerta eles no meio da fuça, por um triz não caem para fora do barco por causa do susto. O bebê alado era para ser fofo, mas a pintura deteriorada e o áudio distorcido tornavam aquilo extremamente perturbador, a luz vermelha o iluminando fazia ele parecer mais um ajudante de Satanás. As polias rangeram enquanto a criatura voltava para o teto e os dois homens continuaram sua bela jornada amorosa.

— Isso era pra ser romântico? — Ruan treme.

Talvez a “coisa” não fosse romântica, mas cumpriu seu papel. Porque no meio daquele desespero, Ruan acabou agarrando o braço de Jusé e não tinha soltado até agora. Uma musiquinha romântica preencheu o ambiente, a única coisa que quebrava a escuridão eram as eventuais luzes iluminando maquetes e estátuas temáticas de corações e casais. Dizer que Jusé estava prestes a explodir de nervoso não seria exagero, aquele clima e a proximidade entre eles fazia sua cabeça girar.

Seu instinto dizia para ele pular do barco e sair nadando para longe enquanto seu coração mal se aguentava de felicidade em ter Ruan agarrado nele e queria mais. Era um “cabo de guerra” de emoções estúpido que ele não conseguia controlar para nenhum dos lados. Se Ruan pudesse ler a sua mente agora, com certeza riria da cara dele…

Depois do que pareceu uma eternidade, o barquinho os trouxe de volta para o parque. Os dois saem e assistem Kimiko e Makoto surgirem do túnel, envoltos de corações e cupidos.

— Credo. — Ruan brinca.

— Cuida da sua vida! — gritam juntos.

Enquanto os três se bicavam, Jusé estava dissociando da realidade, exausto. Felizinho de ter passado tempo com o Ruan? Sim. Parecia que o seu cérebro tinha virado um mingau e ele sentia vontade de deitar no chão e dormir por doze horas ininterruptas? Também. Sentimentos eram cansativos. Por hora, apenas tentou evitar interações com Ruan o máximo que podia para dar um descanso ao seu coração.

— Você vem com a gente? — Makoto pergunta, Jusé nem tinha prestado atenção no que foi dito, apenas fez que não com a cabeça.

— Mas você vai ficar sozinho! Vocês podem ir, eu fico com o Jusé. — Ruan oferece.

— P-pensando bem, acho que eu vou dar uma volta do outro lado do parque! *corre*

— Espera... Nossa, né que ele foi mesmo?

Durante as próximas horas, Ruan notou que Jusé parecia estranho, como se tentasse o evitar, mas achou que era coisa da sua cabeça…

PRÓXIMO BRINQUEDO!

— Quem vem comigo naquela torre giratória?! — Ruan aponta, animado.

— Até ia, mas acabei de comer. — Kimiko diz.

— Hmm, eu espero então…

— Tem certeza? Aquela fila tá grande, melhor você ir agora senão não vai conseguir ir depois.

— É, mas eu não queria ir sozinho, fica chato! Makotinho...

— Não, obrigado.

— Juséeeee!

— Sai pra lá! Não vou nem ferrando!

— Tá bom, eu tentei. *#forever alone*

— …Hah, se só tem eu, vai eu mesmo. — Jusé se levanta, sendo manipulado com sucesso.

— Obrigado por se sacrificar por nós, Jusé.

— Honraremos sua memória.

— Por favor, não deixem meus pais saberem que foi assim que eu morri…

— Deixa de ser medroso e vambora!



— Eaê? Como tá se sentindo estando prestes e experimentar um brinquedo ultrarradical, bro?

*cara de profundo arrependimento e desespero*

— Tá…

Jusé realmente não entendia o apelo de brinquedos duvidosos que poderiam te matar, aquilo nem tinha começado e ele já tremia. Mesmo assim tentou ao máximo esconder o cagaço. Se, pelo menos, aquilo deixasse Ruan feliz, já seria um positivo.

No meio do seu desespero interno, que estava claramente estampado externamente, mal notou quando a mão quentinha de Ruan foi sobreposta à sua. Ruan não parecia nem um pouco preocupado com a possibilidade de ser arremessado para fora daquela máquina de ferro que subia, descia e girava em alta velocidade. Ao invés disso, ele tinha um sorriso no rosto, Jusé só não sabia dizer se ele estava tentando tranquilizá-lo ou rindo da sua cara. Com um pouco de força o ruivo consegue fazer o amigo deixar de agarrar o ferro do assento e segura sua mão, coisa que deveria deixar Jusé feliz, mas o medo o impedia de sentir emoções.

— Vai ser divertido!

— Claro! N-n-n-não tô nem um pouco preocupado em morrer!

— Jusé…

Com o polegar, Ruan gentilmente acariciou as costas de suas mãos. O mundo todo se calou, seus pensamentos pararam e seu coração diminuiu a velocidade, Jusé só conseguia se concentrar naquela sensação reconfortante. Brilhinhos cor-de-rosa e flores de cerejeira dançavam ao redor dos dois, um perfume doce permeou o ar. Jusé deixou seu nervosismo embora num suspiro e relaxou por completo. Se pudesse, queria poder viver o resto da vida apenas com o carinho e o sorriso de Ruan...

— Jusé, tá tudo bem. — ele diz, num tom suave que fez o albino derreter. — Se você morrer, eu morro junto.

— QUE?!

*VUSH*, o brinquedo sobe de repente.

— PUTAQUEOPARIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!!!



— Waffles belgas! Água fresquinha!... Irmão, precisamos mesmo fazer isso? — Bélgica resmunga.

— Os parques de diversão são caros demais, é preciso ganhar de volta o dinheiro que gastamos. — Holanda diz como se fosse algo óbvio.

— Mas foi só uma pipoca! Isso é um parque, deveríamos estar nos divertindo…

“Ah, certo. Para ele, provavelmente não há nada mais divertido que ganhar dinheiro.” A mulher pensa. “Bem, então vamos fazer nosso melhor!”. Ela coloca um sorriso positivo no rosto e continua a propaganda.

— Waffles belgas! Água fresquinha!

Não muito longe dali, um certo alguém finalmente começava a acordar. Jusé não queria abrir os olhos, se sentia fraco e tudo incomodava, até mesmo o som da vendedora ao longe. Queria continuar ali, com a cabeça deitada em algo macio e recebendo carinho nos cabelos…

Espera, que?!

Abrindo os olhos ele se deu conta da situação. Estava com a cabeça deitada no colo de Ruan, que brincava com seus fios. O ruivo sorri, Jusé sentiu seu estômago gelar. Ele se levanta depressa e senta na outra ponta do banco, olhando para os lados, será que alguém viu eles?

— Calma, você acabou de acordar!

— O QU--HÃ?

— Você meio que desmaiou naquele brinquedo e eu tive que te arrastar até aqui. Aí a Kimiko e o Makoto me deixaram de babá enquanto eles foram pra não sei onde.

— Ah...

— Cê tá legal?

— ...Não sei. — por um lado, estava vivo. Por outro, sua situação estava deplorável.

— É, aquilo foi muito mais intenso que eu achava! Nossa, você tá um caco…

Ruan riu, então chegou mais perto para arrumar a franja do amigo. O coração de Jusé dispara e por instinto ele se inclina para trás e dá um tapa na mão de Ruan. Foi tão rápido. Os dois se encaram, demorou para Jusé processar a situação. O sorriso havia desaparecido do rosto de Ruan e seus olhos escureceram.

— D-desculpa, eu... Eu não... — Jusé não consegue encontrar uma desculpa e desvia o olhar. — Te machuquei?

— Não, tá tudo bem. — Ruan diz com um sorriso fraco, massageando a mão. — Caramba, de onde veio essa força? Você é tão magrelo que parece que vai embora com o vento!

— E você com essa pança de fast-food? — retruca, meio ofendido.

— Ei, eu tô com o peso normal! E isso não é gordura, é excesso de gostosura. — Ruan dá uma piscadinha, Jusé ri só para tentar salvar o clima. — Eu vou no banheiro e você fica aí descansando, beleza?

Ruan foi embora e Jusé voltou a deitar no banco, se arrependendo muito de ter nascido. Fechou os olhos com força e quase imediatamente voltou a dormir. Estava cansado e ainda meio zonzo, não sabia se por causa do brinquedo ou por lembrar de Ruan segurando sua mão naquela situação. Sentia falta do calor dele, suas mãos formigavam esperando para segurá-lo novamente.

“Que idiota. Por que eu fico fazendo isso comigo mesmo?”, resmungou mentalmente.

Não voltaria a fingir que não era nada, porque aquilo claramente não funcionava, mas ser obrigado a sentir era igualmente desgastante.

Suspirou. Desejava tanto seu amigo, ansiava pelo seu carinho, mas precisava fugir. Se não fugisse, era capaz de cometer alguma loucura e deixar transparecer seus sentimentos… E ele não estava pronto para lidar com as consequências que viriam depois.

Nem notou os minutos passarem, quando percebeu, Ruan já voltava, acenando em sua direção com um sorriso bobo no rosto.

— Demorei! A fila tava enorme, rolou uma treta de anão lá dentro e atrasou o xixi de todo mundo. Foi bem feio, só teve golpe baixo.

Jusé rolou os olhos.

— Isso é verdade ou…

— O pessoal tava até apostando! Só não apostei também porque eu só gosto de lutas de alto nível.

— É impossível pedir pra você falar sério. *gota*

— Mas é verdade, eles saíram na briga mesmo, por sorte não acertaram a canela de ninguém. — piada péssima, mas infelizmente Jusé gostava delas.

— Voltamos! — Kimiko corre até a dupla. — Quem tá pronto pra ir em mais um brinquedo super-rápido?!

*Só Ruan levanta a mão*

— Você é muito idoso, Jusé.

— Eu acabei de acordar de um desmaio, seu sem-noção!

— Bom, tanto faz, vamos lá Ruan!



E enquanto Ruan e Kimiko gritavam em mais um brinquedo duvidoso, Makoto foi comer um cachorro quente com Jusé. Ficaram conversando sobre coisas banais, até Makoto entrar num assunto específico.

— Algo esteve ocupando sua mente recentemente?

— Erm... Sei lá, a Copa? Por quê?

— É que eu andei notando seu comportamento e, bem, às vezes é difícil esconder quando se está perdidamente apaixonado por alguém.

— E-EU NÃO ESTOU APAIXONADO PELO RUAN!

-… Eu nunca disse que era o Ruan…

O sorriso de Makoto cresceu à medida que Jusé foi ficando vermelho de vergonha.

— FILHO DA PUTA! NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO!

— Hehehehe! Sou manipulador, filho! — Makoto ri — Por que não fala para ele? Quem sabe as coisas vão para frente?

Brilhinhos saíam dos olhos do japinha enquanto ele falava. Ele realmente era um romântico sem cura (ou só muito viciado em mangás de romance...).

— Queria que as coisas fossem fáceis como no seu mundinho. — Jusé lamenta. — Nem sei que tipo de reação ele teria se eu dissesse isso…

— Aposto que seria uma bem positiva… — Makoto diz, segurando um riso quando vê o rosto do amigo esquentar — Cada coisa no seu tempo, mas você não pode desistir sem tentar. Estarei aqui te apoiando, Jusé! Ganbatte!

— O-obrigado… Enfim, você não pode falar isso pro Ruan, entendeu? Nem um pio ou eu queimo seus yaoi.

— *indignação* Você não ousaria!

— Ousaria *olhar du mal*

— *medo*


Roda-gigante

Kimiko e Makoto forçaram os amigos para dentro da Roda-gigante, agora Jusé estava ali, observando a paisagem com Ruan à sua frente. Vez ou outra seus olhos o traíam e olhavam para o homem. Quando seus olhares se cruzavam, voltava a encarar o lado de fora.

Será que era estranho dois caras estarem juntos numa roda-gigante? Será que Ruan estava desconfortável perto dele?! Ou será que Jusé só estava pensando demais? As palmas das suas mãos tinham marcas de unhas e os nós de seus dedos estavam sem cor, segurava a vontade de balançar a perna apenas para não fazer a cabine tremer.

Então sentiu um chute na sua canela.

— E aí? — Ruan diz com um semblante relaxado, tentando puxar assunto. Por um segundo ele pareceu tão descolado…

E sim, só aquilo foi o suficiente para fazer as borboletas se debaterem no estômago de Jusé. Nem ouvia o que era dito, só acenava e torcia para que Ruan não notasse seu nervosismo. Aquilo era idiota, Jusé pensava, não deveria estar se sentindo assim por nada! Pensar aquilo só adicionava mais nervosismo ao seu nervosismo, efetivamente piorando a sua situação e transformando ele num pimentão mudo.

— Hoje foi um dia agitado, foi divertido passar tempo com os japinhas.

— Hm.

— Se eu voltar aqui, com certeza vou na montanha-russa de novo, e você?

— Hm.

— …Você não tá muito pra conversa, não é?

—... Cansado.

Ruan apertou os lábios e olhou para baixo. Estranho, apesar de conseguirem ficar confortáveis com o silêncio um do outro, dessa vez o ar parecia tenso.

Jusé continuava virado para o lado de fora, ele mal olhou para a cara de Ruan durante os minutos que estiveram ali e estava agindo estranho desde mais cedo, se afastando dele e o respondendo com poucas palavras. Ruan começava a achar que talvez tivesse chateado o amigo, mas não conseguia pensar em nada que poderia ter feito de errado.

“Argh, para com isso, ele disse que só tá cansado. Depois de ter desmaiado acho que faz sentido. Ah, será que ele tá bravo por causa disso?”

Não, Jusé deixaria bem claro se esse fosse o caso. Então por que ele parecia tão distante? Bom... Pelo menos isso Ruan podia consertar. Não pensou muito e, num giro, se colocou no pequeno espaço vazio ao lado do albino.

— R-ruan?! Volta lá, esse treco vai perder o equilíbrio!

— Vai nada~ Agora vai dizer o que tá escondendo de mim ou vou ter que arrancar na marra?

— E-eu não tô escondendo nada!

— Aham, eu sou seu melhor amigo e você acha que me engana, é? Olha pra mim e desembucha.

Jusé desesperadamente olhou para os lados, tentando encontrar um outro assunto. Foi quando vislumbrou algo pela janela...

— Olha lá!

Ali, no ponto mais alto, viram o sol caindo no horizonte, iluminando toda a cidade de laranja. As nuvens, finas como algodão desfiado, eram arrastadas pelo vento como lençóis e cobriam o céu pálido com suas cores vibrantes emprestadas do sol. A paisagem parecia retirada diretamente de um filme. Jusé piscou, incomodado com a claridade, ainda assim não conseguia deixar de ver aquela cena mágica. Ele até conseguiu se acalmar um pouco...

Então foi surpreendido por Ruan segurando seu queixo, o forçando a ficarem cara a cara.

— Jusé, não me ignora. — implorou num sussurro — Olha pra mim. Por favor…

Pedindo assim é claro que não poderia dizer não! Jusé engoliu seco e dando o braço a torcer, levantou os olhos com cautela. Finalmente tendo a atenção para si, Ruan abre um sorriso singelo.

Ah, Ruan estava tão bonito sendo banhado de laranja, a luz fazia seus cabelos ruivos ganharem a cor do fogo, o brilho âmbar de seus olhos ficar mais vivo e Jusé tinha que morder a língua e fingir que não queria beijá-lo ali mesmo. É, tinha esquecido o quão doloroso gostar de alguém poderia ser. Uma merda, realmente, mas fazer o que se ele era idiota o suficiente de se apaixonar por alguém que nunca poderia ter?

Ruan não disse nada, mas Jusé também parecia lindo na luz do entardecer. Seus cabelos claros e a sua pele ganhavam uma tonalidade quente, contrastando com seus olhos: azuis como o céu numa manhã fria. O rubor que acompanhava suas bochechas era o toque final.

Ruan se inclinou para mais perto. Naquele momento Jusé estava encurralado, sendo capturado pelo olhar intenso do ruivo, o polegar dele pressionava de leve seu lábio inferior e a mão esquerda dele o prendia no lugar. Jusé estava aflito, sabia que o que sentia era errado mas não conseguia impedir, seu corpo estava em chamas. Ruan também sentia calor, ele não se aproximou mais, porém, no fundo, só aquilo não era o suficiente, queria fechar a distância entre eles, estar muito mais próximo…

“Mas por que eu quero estar tão perto dele?”

“Por que ele tá tão perto? S-será que ele vai me…”

Os pensamentos de ambos são cortados quando o carro balança. Estavam de volta ao chão. Jusé fica encarando o amigo e se perguntando que caralhos acabou de acontecer. Ruan apenas dá de ombros.

— A-achei que tinha alguma coisa no seu olho, mas não era nada. — gaguejou.

Se apressam para sair, Kimiko e Makoto surgem logo depois, os olhando de cima a baixo com expressões maliciosas nos rostos.

— Então, como foi? — Kimiko pergunta.

— A vista lá de cima é muito bonita! — Ruan diz. — Ah, será que a moça dos waffles ainda tá aqui? Vou atrás antes que ela suma! *sai correndo*

— Você tá vermelhinho, Jusé~

— S-sério?! Acho que foi o sol lá em cima!

— Ai, para, eu sei que você gosta do Ruan~

— Makoto, seu fofoqueiro!!

— Mas eu não falei pro Ruan *carinha inocente*

— E agora? Vai se declarar quando? Quando vai ser o casamento?

— Hah... Não posso fazer isso.

— Mas--

— Eu sei que vocês querem que eu me declare, mas as coisas não são tão fáceis. O Ruan é um amigo muito importante pra mim, não posso arriscar perder ele. Se eu ferrar com tudo… Algumas coisas não tem como voltar atrás…

Jusé deu alguns passos na outra direção e ficou encarando o horizonte, suspirando e sendo miserável com seus próprios pensamentos. Makoto fica pensativo e apoia uma mão no queixo.

— O problema dele é que ele não quer estragar a amizade. É uma preocupação razoável.

— Se o Ruan se declarasse primeiro, ele não ficaria com medo.- Kimiko sugere.

Os dois se entreolham. Ruan era tão observador e perspicaz quanto uma pedra, ele provavelmente não tinha ideia de que estava apaixonado…



“Caramba, o que deu em mim?”

Ruan estava meio tonto e parou para se sentar, só então reparou na sua respiração descompassada e no quão forte seu coração batia. Respirou fundo até conseguir se acalmar, porém notou um sentimento estranho no seu peito que não conseguia se livrar. Um certo incômodo, uma dorzinha que só piorava quando voltava a pensar em Jusé.

Será que ainda estava chateado por Jusé ter o ignorado? Provavelmente, não é? Foi por isso que tinha chegado mais perto e feito... Aquilo. Ok, talvez tivesse ficado perto demais dele. Pra que quis chegar perto assim? Não tinha ideia, só sentiu vontade e fez.

— Acho que não é a toa que falam que eu sou sem noção... — gemeu, seu rosto ainda queimava de vergonha — Jesus, desde quando ficou tão quente?!

Enfim, não tinha motivo para ficar chateado, Jusé não estava o ignorando de verdade, só estava cansado depois de tanta emoção num dia só. Por isso, resolveu deixar de lado o resto das preocupações. O importante era que nada de ruim tinha acontecido. Sim, não havia nada com o que se preocupar!

Tentou forçar um sorriso enquanto voltava até o grupo, ignorando aquele emaranhado de sentimentos confusos dentro dele.


Mais tarde…

— Pelo amor, Ruan, nós vamos ser presos…

— Por isso você tem que ficar de tocaia!

Ruan passou as últimas horas testando a chave que roubaram do chefe em todas as casas da região. Agora, eles chegaram na casa que ficava de frente para a ponte que moravam. Ruan escuta um click, e a porta se abre.

— As damas primeiro. — diz, fazendo uma pose exagerada.

— Não acredito que você conseguiu mesmo... — Jusé entra e fica admirando o interior — Que filho da mãe, ele ficava vendo a gente aí da casa dele!

— E aí? Não valeu a pena ter feito nosso chefe de comida de aranha?

— Violência realmente é uma opção boa.

— Eu amo violência!

A casa era grande e o melhor, finalmente podiam dormir em quartos separados. Jusé deitou para dormir mas não conseguia relaxar, ainda estava com Ruan na cabeça, nem as redes sociais faziam ele parar de pensar na mão dele segurando seu rosto ou no quão próximo estavam de se beija--

— PARA DE PENSAR ISSO! *tapão*

Para não ficar maluco de vez, resolveu se distrair e pegou um livro aleatório da estante. Era um dicionário. Ótimo, qualquer coisa servia.

Enquanto isso, Ruan também não conseguia dormir. Seus pensamentos corriam a mil e ele estava cansado demais para fazer tudo aquilo fazer sentido. A imagem de Jusé e o céu laranja do entardecer ficaram queimadas na sua memória, era a única coisa que via quando fechava os olhos. De repente a cama parecia grande demais, fria demais, faltava alguma coisa, o vazio ao seu lado era desconcertante….

*TOC TOC*

Jusé abriu a porta segurando um chinelo Havaianas, mas quando viu que era só o amigo relaxou.

— Aconteceu alguma coisa?

— Então… Não tô conseguindo dormir.

— Já tentou contar carneirinhos?

— Funciona mesmo?

— Não, mas já tentou?

— Eu tava pensando se eu podia dormir aqui com você. — admitiu, envergonhado. Os olhos de Jusé ficaram maiores e ele teve que parar para processar a informação.

— Erm… Tá.

Num pulo, Ruan já estava na cama. Ele colocou seu travesseiro ao lado do de Jusé e se cobriu enquanto o outro ainda ficou um tempo parado na porta tentando perceber se aquilo era mesmo real. Ele coloca o dicionário em cima do criado-mudo e se deita, tentando deixar um espaço entre os dois, o que era difícil já que a cama não era tão grande. Ruan deixou um suspiro satisfeito escapar e seu sorriso cresceu quando sentiu o peso do amigo na cama.

Buenas noches, José. — disse com seu melhor espanhol.

— Boa noite.

O vazio não existia mais, no seu lugar havia a presença reconfortante de Jusé. Ruan sonhou com o céu laranja e o pôr do sol, Jusé estava ali também. De manhã não se lembrou de nada, porém ver Jusé do seu lado fez Ruan sentir que ainda sonhava. Se pudesse, queria poder acordar todos os dias com ele ao seu lado...

“Espera, o que?”

Censurou seus pensamentos e se levantou. Ainda estava sonolento, por isso estava pensando em coisas estranhas. Isso mesmo, precisava lavar o rosto e acordar direito!

Notas finais
Aki: Jusé, seu besta, para de negar o que sente! K: quero é ver esses dois se pegando logo! Bom, eles vão perceber oq sentem até o fim do ano se Deus quiser (apesar q acho q essa merda vai adiar até 2026. eu enrolo d+ pra escrever os capítulos q faltam. se to sendo realista ou negativa fica pra debate lol) Backstory pro Jusé! Se eu pudesse, essa continuação seria 100% exposição. Foda-se a história, seria só uma biografia dos personagens q terminaria com “e eles viveram felizes para sempre “ (ˊᗜˋ*) ♡ a parte mais dificil do meu processo de escrita é encontrar um equilibrio entre “drama” e “comédia” pra n perder o tom da fic. Se bem que o tom vai todo pro caralho a medida q essa fic progride, vcs vão ver, mas enfim EU TENTO ՞(≧□≦)՞ Mas imaginem q existe uma versão desse cap onde o Jusé passa quatro parágrafos inteiros falando da relação dele com os pais e da homofobia internalizada dele Escrever os brinquedos foi super divertido, principalmente as cenas romanticas hehe >:3 Como sempre tem coisas q eu queria mudar mas no geral to bem feliz. E O RUAN!!! AAAAAAH!!! Apenas isso, fofo demais, eu te amo Ruan, vo te colocar num potinho e levar pra minha casa!! R: *sai correndo* Os sentimentos dele estão aflorando cada dia mais, mas ele ainda não percebeu. Ele é a definição de "no thoughts, head empty". Somos dois, irmão, somos dois..... O próximo capítulo é jogo! Preparem-se para uma partida emocionante e totalmente inusitada que com certeza ninguém sabe como acaba! Kissus~~