Wont Let Go

18 Não vou deixar você ir


Notas iniciais
Capítulo especial. Final.

A madrugada chegou, dentro da cela todos se ajeitaram de modo a ficarem no mínimo confortáveis para dormir, o que não era muito fácil, devido a precariedade do lugar. Todos, exceto Yuki, que continuava a olhar para a janela. Não conseguira dormir, não tinha sono, esperava apenas que o dia chegasse o mais depressa possível para que pudesse sair dali. Eram quase cinco da manhã quando finalmente seus olhos pesaram e ele dormiu.

O arrulhar de uma pomba despertou Teru, juntamente com os primeiros raios da manhã. Levantou-se tomando cuidado para não esbarrar nos amigos — Kamijo e Jasmine dormiam enrolados em um cobertor a um canto, Hizaki estava a poucos centímetros de seus pés e Yuki permanecia na mesma posição de antes. Passo a passo foi andando até a janela, onde a ave permanecia pousada. Ergueu as mãos na tentativa de pegá-la, mas a bicada que tomou o fez gritar e acordar os demais.

– Cala a boca, Teru! Não está vendo que estamos dormindo? — o baterista reclamou.

– Para que foi se levantar? — o vocalista perguntou, erguendo-se do colchonete.

– Desculpem, mas eu não pretendia ser bicado por uma pomba! — defendeu-se o guitarrista, que chupava o próprio dedo para fazer a dor passar.

– Uma pomba? — Hizaki se levanta e vai até a janela, mas a ave ameaça bicá-lo também.

– Deixem comigo. — Jasmine assume o perigo e também faz uma tentativa, mas com sucesso. — Olhem, tem um papelzinho enrolado na patinha dela.

– Continue segurando, vou esticar a pata e Teru, você pega o papel, está bem? — diz Yuki, que já vai se colocando ao lado do baixista.

Cuidadosamente, Yuki ergue a pata onde estava preso o papel enquanto Teru o tira de lá. Ele desenrola o bilhete e lê alto o que está escrito: "A ajuda chegará logo, confiem. PS: Se eu fosse vocês, não ficaria perto da janela".

– Não está assinado. — completa.

– É uma mensagem estranha. — Jasmine coloca a pomba de volta na janela e ela levanta vôo.

– Parece que tem alguém querendo nos ajudar. — Hizaki comenta.

– Sim, mas o que será que quis dizer com se eu fosse...

BOOOOOOOM!!!

Antes que Teru pudesse concluir o raciocínio, a parede atrás de si explodiu, voando pedaços de tijolos para todos os lados e deixando um enorme buraco.

– Vamos sair daqui, rápido! — exclama Kamijo, que é o primeiro a passar pelo vão.

O espaço na parede dava vista para o lado de fora da delegacia, onde havia um jipe e um cavalo. Ao ver o animal, Yuki se postou em cima dele.

– Vou indo na frente, e se der sorte ainda consigo evitar o casamento. Vejo vocês lá!

Dito isso, disparou pela estrada rumo ao castelo onde, dali a algumas horas, aconteceria o evento.

Os outros que ficaram para trás tiveram uma rápida oportunidade para pegarem o jipe e fugirem, pois os poucos policiais de plantão estavam ocupados controlando os presos que restaram. No alvoroço da explosão, os que estavam lá tentaram fugir também.

Depois de algum tempo cavalgando sem parar, Yuki chega ao castelo. O jardim enfeitado para a ocasião estava vazio, exceto por alguns seguranças. O salão estava aberto, indicando que a cerimônia acabara de começar.

Sem pensar duas vezes jogou o cavalo para cima dos seguranças, que caíram tentando detê-lo e, ainda montado, avançou para as portas de entrada, invadindo o salão e chamando a atenção de todos.

–... se há alguém presente que tenha algo contra a união desses jovens, que se manifeste agora ou cale-se para sempre. — ia dizendo o juiz.

– EU TENHO! — disse o moreno, descendo do cavalo.

– YUKI! — Exo, que se mantinha triste e séria antes da interrupção, virou-se alegre para o rapaz, que sorriu para ela.

– Quanta insolência! — Sakurai manifestou-se — Mesmo depois de ser preso, ainda não tomou consciência de que minha afilhada não é para você?

– E quem foi que disse isso, padrinho? — a loira perguntou — O senhor? Agradeço pela criação que me deu, mas isso não te dá o direito de escolher quem é melhor para mim. — ela então virou-se para o rapaz à sua frente, segurando em suas mãos — Sinto muito Yasu, mas não é você quem eu amo. Se me permitir ainda poderemos ser amigos, pois você não tem culpa das loucuras do meu padrinho.

– Tudo bem Exo-chan, entendo a sua situação e te libero de qualquer compromisso comigo. Mas vou querer ser seu amigo. — e sorriu.

A moça beijou-o ternamente no rosto e correu para os braços do amado, que a recebeu com muito carinho.

– Segurem eles! — gritou novamente o padrinho, dessa vez para dois seguranças que chegavam.

No entanto, antes que estes pudessem pôr as mãos em Exo e Yuki, foram atingidos por trás por fortes cacetadas. Eram vindas de Jasmine e Hizaki, que seguravam pedaços de madeira.

– Demoramos? — o guitarrista perguntou.

– Não poderiam ter chegado em hora mais adequada. — respondeu o baterista, aliviado.

Logo em seguida vieram Kamijo e Teru, que já entraram no salão prontos para atacar.

– Mas o que é isso, uma gangue? Vocês só podem estar de brincadeira! — Atsushi ironizava — Exo-Chika, venha já aqui!

– Padrinho, faz tempo que aceito quieta as suas decisões. Mas agora já chega! Quero eu mesma fazer minhas próprias escolhas e eu escolho ficar com o Yuki. — a jovem rebateu.

Nesse instante, por todo o salão começaram a ser ouvidas vozes e palavras de incentivo, vindas dos visitantes que, até o momento, apenas assistiam aos acontecimentos. "Deixa os dois, Atsushi", disse um; "É, deixa eles serem felizes", disse outro. Então, todas as vozes se uniram e gritaram um uníssono "Deixa, deixa, deixa!".

– Está bem, eu deixo! — dando-se por vencido.

Sakurai caminhou em direção ao casal ao mesmo tempo em que os seguranças abatidos recuperavam os sentidos, prontos para se vingar.

– Não se faz mais necessário. — disse aos dois — Minha afilhada, minha Exo... – segurando as mãos da garota — Se é isso que você quer, eu não vou mais me intrometer. Achei que estava fazendo o melhor para você, queria que tivesse um futuro confortável, despreocupado e, além de tudo, queria que fosse com alguém que cuidasse de você tão bem quanto eu. — olha para Yuki — Mas eu estava errado. O que esse rapaz é capaz de fazer por você, como já vi até agora, prova que ele é a pessoa mais adequada para te proteger.

– Sakurai, sua afilhada não precisa que a protejam. Ela é uma mulher madura e responsável, mas pode ter certeza que, ainda assim, não deixarei de cuidar dela, porque a amo.

– Acredito nisso, rapaz. Aliás, te devo desculpas pelo que fiz contra vocês e seus amigos. Irei me retificar na delegacia o mais breve possível.

– Obrigado por isso e por confiar na gente. Agora, se me der permissão, gostaria de aproveitar o dia com a minha noiva. — diz Yuki olhando para Exo, que sorri.

– Já disse que não vou mais me intrometer, fiquem à vontade. — Atsushi vira-se para os convidados — Todos estão liberados, o casamento está cancelado.

Depois disso, o baterista conduz a loira até o cavalo, ajudando-a a montar no animal, posicionando-se atrás dela logo após. Com um agito nas rédeas, o cavalo dispara em direção a estrada e, em poucos segundos, se perde no horizonte.

Os membros do Versailles vão saindo do salão juntamente com os demais, mas uma coisa ainda aborrece Teru, que comenta com o colega baixista:

– Que bom que tudo acabou bem, só gostaria de saber quem foi que nos ajudou, explodindo a delegacia.

Nesse momento, Raveman, que estava entre os convidados, passa por eles e a luz de seus olhos brilha intensamente por de trás da máscara.

De volta à terra do sol nascente, seis meses depois. Noite de estréia no estádio de Osaka para o novo grupo, Aural Vampire. À medida que a primeira música começa surge um caixão em meio a uma negra e suave fumaça que gradualmente se dissipa. Sobre a tampa há um grande buraco em formato de cruz, que mãos femininas usam para abrir o objeto, fazendo assim sair o corpo da formosa Exo-Chika.

Raveman a acompanha na mesa de som enquanto ela canta Freeeeze!!, primeiro single de uma carreira que acabara de começar, estrondosa, sob olhares atentos do padrinho, dos amigos e do orgulhoso marido.

Depois do show e de passar por uma imensa fila de congratulações, a cantora entra no camarim e encontra Yuki à sua espera.

– Parabéns para a mais nova artista do Japão! Você estava incrível! — diz o rapaz entregando-lhe um buquê de flores.

– Amor, obrigada! Mas só consegui fazer isso porque tive o seu apoio, a pessoa mais importante na minha vida.

– A segunda mais importante, porque a primeira está aqui. — colocando as mãos sobre a barriga da loira.

– Estou tendo tudo que sempre quis, nem acredito! Tenho uma carreira, pessoas queridas e agora, uma família. — sorrindo e olhando para o próprio ventre.

– E será que a senhora que tem tudo aceitaria tomar um café comigo?

– Não recusaria esse convite nem se eu tivesse todo o ouro do mundo.

E assim seguem juntos em direção à conhecida cafeteria onde tudo começou, caminhando e conversando sobre assuntos banais e mais felizes do que nunca.



~ FIM ~


Notas finais
Estou tão feliz gente, consegui ir até o fim com mais uma fic e essa, diga-se de passagem, foi a minha favorita. Agradeço de coração a todos vocês que acompanharam desde o princípio, deixando comentários e me motivando.
Agora, dando algumas explicações: Atsushi Sakurai (http://4.bp.blogspot.com/_KHHKkJvtdmw/RqvrNMRe5cI/AAAAAAAAAZA/tHP_VYYcKiE/s320/sakurai.JPG) é do BUCK-TICK, uma banda das antigas e que eu adoro. E Yasu (http://jstation0.files.wordpress.com/2010/01/acid-black-cherry1.jpg) é do Acid Black Cherry, que eu também adoro, mas como nessa história foi apenas um "figurante", não achei necessário entrar em detalhes sobre ele.
Bom, é isso. Espero que tenham gostado do final.
Beijos a todos!
PS: Gostaram da capa nova (by Miss_Bizarre)? Se preferirem a outra podem falar. ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!