Wonderwall
2 Bela Flor
– Você mora por aqui? – Nami questionou para o menino que devorava silenciosamente um pastel de carne. É, ele realmente estava faminto.
– Não. Moro no Ferro Velho perto do porto. Venho aqui de vez em quando. – Ele respondeu com a boca cheia. A moça sorriu.
– O pastel está bom? – Crocodile acenou positivamente com a cabeça, não podendo falar – Você mora sozinho? – Perguntou no momento em que o menino engolia, com esforço, a grande porção de massa e recheio. Ele pigarreou antes de responder.
– Tenho mais dois amigos. São dois idiotas.
Eles terminaram de comer em silêncio. Crocodile ainda não entendia o que levara a ruiva a dar-lhe comida, uma vez que não vira pena nos olhos castanhos e sinceros dela. Tampouco aversão. Já Nami apreciava a companhia dele, até porque já fora uma moradora de rua feito ele. Lembrava-se de como também sentia fome boa parte do tempo. Sorriu, as lembranças, apesar de um tanto tristes, tinham sua beleza. Falando em tristeza... A mulher suspirou, terminando o seu pastel de pizza depois de Crocodile praticamente engolir o dele. Já ia falar alguma coisa sobre ter de ir embora, mas o garoto foi mais rápido.
– Você está triste. – Não fora uma pergunta.
– Sim, eu estou. Mas vou ficar bem, não é a primeira vez que isso acontece. – Disse forçando um sorriso.
– Você... Não precisa sorrir se não quiser. – Comentou, desviando o olhar.
– Eu quero, apenas não consigo.
A criança olhou para ela com certa admiração. Aquela mulher, definitivamente, era diferente dos outros adultos. Nami se despediu de seu novo conhecido, não indo embora antes de passar a mão nos cabelos negros e sujos dele, e seguiu seu caminho. Tinha que ir tirar satisfações com certo moreno.
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– E então? Qual o motivo de você furar comigo? – Nami questionou para o homem no outro lado da linha. Eram nove horas da noite, e só agora ele tinha a cara de pau de ligar para ela. A ruiva sabia que o horário de estudo dele ia só até às cinco da tarde, afinal, marcaram um encontro às seis.
– Estive estudando muito, Nami-ya. – Trafalgar Law justificou calmamente para a namorada. Sorriu ao ouvi-la bufar.
– Você só sabe fazer isso.
– Você sabe bem o motivo.
– Eu sei, eu sei. Você quer ser médico, precisa estudar e blá, blá, blá...
– Exato.
– Mas você precisa se divertir um pouco também! Além do mais, nós mal nos vemos já faz quase uma semana.
– Quando eu me formar, prometo que vamos compensar o tempo. Pode esperar até lá? Por mim? – Aquilo sempre funcionava.
– Posso tentar.
– Essa é minha garota. Vou desligar, até mais.
– Até. – Ele desligou e Nami sorriu – Idiota... Acha mesmo que eu caio nessa? Já se foi o tempo em que fui tão inocente, Trafalgar Law.
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Crocodile andava pensativo pelo parque, até avistar uma cabeleira laranja conhecida. Já fazia uma semana que não a avistava. Paralisou em seu lugar entre Doflamingo, um loiro mais alto e dois anos mais velho, e Mihawk, outro moreno com olhos amarelos que pareciam os de um falcão. Os seus dois amigos pararam junto (Tipo, gêmeos Weasley, o que um faz, o outro segue) e olharam para o mesmo lugar, percebendo a moça de cabelo alaranjado.
– Essa é a garota que você falou? – Mihawk questionou.
– Oh, nosso caçula está apaixonado. – Doflamingo zombou. Eles tinham 12, 11 e 10, começando, respectivamente, pelo loiro e terminando em Crocodile.
– Calem as malditas bocas!
– Tá bom, mas, ei, parece que sua garota tá chorando.
– Ela não é minha garota, Doflamingo. É apenas uma conhecida.
– Então não tem problema se nós três falarmos com ela, certo?
– Deixe-me fora disso. – O moreno de olhos amarelos resmungou.
– Certo, vamos falar com ela! – O loiro do grupo exclamou, empurrando os dois morenos para perto da garota que chorava encostada numa árvore.
Estava sentada debaixo duma árvore, numa posição que mais parecia ter caído ali, sem forças. Sua cabeça estava baixa, fazendo várias mechas caírem e esconderem seu rosto choroso. A franja cobria os olhos. As roupas dela, diferente daquela vez, pareciam mais sofisticadas. Um vestido de alças vermelho cor de vinho indo até os joelhos, com um pequeno decote, e sapatos também dessa cor. Simples, mas tinha seu charme. Na verdade, ficava muito bonito nela. A garota sequer notou a aproximação dos três garotos. Isso obrigou Crocodile a agir, antes que Donquixote fizesse algo.
– Levou outro bolo? – Questionou indiferente. Nami pareceu finalmente perceber a presença deles ali.
Ergueu a cabeça, reconhecendo a voz. Crocodile. Fazia tempo que não o via. As lágrimas em seus olhos terminaram de cair com o movimento. Então notou os outros dois. Eram um tanto diferentes do que havia imaginado. Voltou sua atenção para o moreno e secou as lágrimas, rapidamente. Não podia, não queria, não gostava de parecer fraca para os outros, nem para ela mesma.
– Não, não levei. – Respondeu, com a voz embargada – Na verdade, foi algo pior, mas isso não importa agora. Já faz um tempo, Crocodile. Tudo bem? Quem são eles?
– São aqueles idiotas que eu mencionei. Esse é Mihawk. A gente o chama de "Olhos de Falcão".
– É, dá pra perceber o porquê do nome. Eu sou Nami, prazer. – Mihawk apenas acenou com a cabeça. Ainda estava emburrado de estar ali.
– E esse é Doflamingo. Eu o chamo de "Okama Esquisito", mas aí depende do que esse idiota faz.
– Você é muito ranzinza para um menino de dez anos. – Nami zombou e voltou-se para Doflamingo – Prazer em conhecê-lo, eu sou Nami. – Doflamingo estava estático, fitando a menina com os olhos arregalados. Linda. A menina era linda. A mais bela das mais belas – Doflamingo?
– Hey, anta loira, acorda. – Crocodile chamou delicadamente seu amigo.
–... L... Linda!
– Hã? – Os outros três olharam para o loiro como se ele fosse louco.
– Você é a coisa mais linda que eu já vi nesse mundo! Com certeza, a mais bela do mundo! – Dito isso, o menino pegou uma das mãos da mulher e deixou entre as suas – Diga-me, que foi o idiota que te fez chorar? Vou fazê-lo sofrer por ter feito isso!
– Hã?
– Uma flor tão linda não merece chorar por idiotas!
– Hã?!
– Vou ensinar que não se mexe com a garota de Donquixote Doflamingo!
– HÃ?!
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