Women of Marvel: Dawn of the A-Force
1 The Housewives Warriors
Notas iniciais
Em meio ao barulho dos carros por toda a rua, uma mulher de cabelos cor de fogo caminhava, tentando ser o mais silenciosa possível. Ela escondia o rosto com o capuz de seu casaco surrado da GAP, temendo que as pessoas a reconhecessem. Ela adorava ser famosa e popular, mas, naquele momento, estava torcendo — pela primeira vez — para que ninguém a notasse.
Enfim chegou aonde queria. Aproximou-se do grande prédio prata e perolado, um letreiro dourado no topo da grande torre indicava que aquele era o "Edifício Baxter". A mulher entrou, e continuou andando até chegar à mesa da recepcionista. Não falaram nada. Bastou puxar o capuz para que a recepcionista lhe entregasse o cartão do elevador. A mulher o pegou e foi para o elevador. Segundos depois, ao chegar no andar que queria, fitou Susan Storm Richards, a Mulher Invisível, que já a esperava.
-Mary Jane! — Sue a abraçou, parecendo animada.
-Oi — Mary Jane sorriu em resposta — Desculpe-me pelo incomodo...
-Oh, não se preocupe — Sue a olhou perplexa — Você nunca é um incomodo. Para falar a verdade, eu estava mesmo querendo te ver. Queria te convidar pessoalmente para uma festa. É neste fim de semana. Será meu vigésimo aniversário de casamento.
-Nossa! — Mary Jane se surpreendeu — Eu adoraria ir — Ela sabia que Sue e Reed estavam casados há muitos anos, mas não sabia que eram tantos. Esperava um dia chegar a esse ponto com o Peter...
Mary Jane sentiu uma pontada gélida no peito. Pensar em Peter fez ela lembrar do verdadeiro motivo que a fez ir até ali. Sue, percebendo o olhar da amiga, a puxou para mais perto da porta.
-Venha, entre.
Sue abriu a porta de seu apartamento de cinco andares na cobertura do Edifício Baxter. Mary Jane a seguiu até uma sala cheia de sofás e poltronas brancas e beges com almofadas coloridas. Sentou-se numa poltrona em frente a Sue.
-Bem, você não veio aqui só para receber meu convite — disse Sue, se esforçando para entender a expressão tensa no rosto de MJ — Há algo que queria me contar?
Mary Jane ficou nervosa. No momento em que ela pronunciasse aquelas palavras, não poderia voltar atrás. Assim que ela dissesse aquilo em voz alta, seria real. Seu coração bateu mais forte no peito, e então, ela abriu os lábios para falar...
-Eu estou grávida.
O rosto de Sue se contorceu em sucessivas reações. Primeiramente, ela ficou chocada, não esperava ouvir aquilo. Em seguida, seu rosto se iluminou de emoção e felicidade, ela sorriu animada. E então, seus lábios murcharam, caíram, seu olhar ficou tenso — ela entendera o medo nos olhos de Mary Jane.
-Você teme pela segurança da criança... — Sue murmurou. Não era uma pergunta.
-Sim — Mary Jane assentiu. — Norman Osborn está de volta, agora com o título de Duende Rei. Está mais louco e feroz que nunca. Se ele descobrir... Não medirá esforços. Ele já fez algo assim antes... faria tudo para atingir o Peter, e...
Mary Jane soluçou, seus olhos umedeceram. Sue entendia muito bem como MJ se sentia, ela ainda lembrava da noite chocante em que Osborn, na época chamado Duende Verde, tirara a vida de uma jovem americana que — infelizmente — era namorada do Homem-Aranha. Aquela morte abalara a todos, e ainda haviam cicatrizes dessa tragédia na mente de todos.
-Você já contou ao Peter? — perguntou Sue.
-Não — respondeu MJ — Ele está fora. Numa missão com os Novos Vingadores. Pensei em ligar para ele, mas acho que prefiro falar pessoalmente. Não acho que esse tipo de coisa deva ser compartilhada dessa forma, além do mais a linha telefônica pode não ser segura.
-Entendo...
Susan foi interrompida por gritos animados. Ben Grimm, o Coisa, abrira a porta do apartamento e estava entrando acompanhado por Franklin e Valéria Richards. Eles estavam brincando e rindo, mal notaram a presença das duas ali. Mary Jane olhou para os dois e tentou se acalmar. Tudo daria certo e, em breve, seu filho estaria grande, forte e feliz, assim como os filhos da Sue.
Aos poucos sua respiração voltou ao normal, ela estava calma.
***
Lágrimas escorriam nos rostos do povo quando avistaram a sua deusa. Forte, alta, de cabelos brancos e pele cor-de-café, a deusa estava no alto, sorrindo para eles. Ela estava de volta para salvá-los da morte. A deusa estendeu os braços e, ao seu redor, o céu se contorceu. As crianças levantaram seus rostos e abriram suas bocas secas, deixando que o preciso tesouro transparente que caia dos céus derramasse por seus rostos. As mulheres agradeciam à ela pelo presente, todas abraçadas aos seus filhos que bebiam a água desesperadamente. Enquanto isso, os homens se juntavam para levantar caixas cheias de oferendas — a pouca comida que eles tinham.
A deusa que eles tanto amavam desceu do céu e foi ao encontro deles. Levantou a mão, pedindo que eles abaixassem as caixas.
-Sua felicidade já é o agradecimento que necessito — disse Ororo, a mutante Tempestade, conhecida pelos miseráveis como Deusa da Esperança. Ela encarou todos aqueles rostos emocionados, sentiu uma vibração gostosa no peito ao perceber o brilho de esperança que ressurgia naqueles olhos.
No céu apareceram mais duas mulheres altas. Carol Danvers, a Capitã Marvel, e Jessica Drew, a Mulher-Aranha. As duas traziam várias caixas, com mais comidas para a população, além de medicamentos e roupas.
-Está funcionando, Ororo? — perguntou Carol ao se aproximar dela.
-Sim — Ororo respondeu — Muito.
Tempestade havia chamado suas amigas para ajudá-la naquele dia. Após as catástrofes mutantes que haviam acontecido nos últimos tempos — desde a Dinastia Mutante, até a guerra contra os Vingadores e a lesão do tempo causada pela Batalha do Átomo — ela precisava se reencontrar como heroína e pessoa. Estava cansada de agir como soldado de guerra, ela era uma heroína, seu dever era construir e não destruir.
As guerras haviam tirado tudo dela. Seu casamento com T'Challa, o Pantera Negra, havia acabado de forma horrível. Seu amigo Scott Summers, o mutante Ciclope, agora atuava como líder de um grupo de terroristas acompanhado por Emma Frost e Magneto, seu antigo inimigo. Afim de trazer algum juízo para o atual Scott, Hank McCoy — o Fera — havia criado uma máquina do tempo e trazido os X-Mens originais (dos anos 60) para o presente, criando um paradoxo temporal. E além de tudo, Xavier e Wolverine estavam mortos, e ela era responsável por dirigir o Instituto Jean Grey para Jovens Mutantes e manter o sonho de paz entre mutantes e humanos de Xavier.
E, apesar de desejar focar-se na concretização do sonho de Xavier, Ororo, ainda por cima, se vê obrigada à treinar seus alunos para uma guerra eminente entre sua própria espécie.
Ao ver os rostos ao seu redor e sentir a nostalgia de seu tempo heroico, Ororo desejou que aquele dia nunca acabasse.
-Ororo! — Jessica Drew a chamou, sou rosto era uma máscara de pura tensão — Você precisa ver isso!
A Mulher-Aranha entregou à Ororo seu datapad. Nele, imagens de tumulto e explosões eram executadas. Ciclope, Emma e Magneto estavam nas ruas com seus jovens alunos mutantes no centro de New York, lutando entre si. Uma raiva crescente dominou Ororo.
-Estou cansada disso! — ela gritou, ficando extremamente irritada. — Chame os Vingadores — ela ordenou às amigas — De hoje não passa! Não aguento mais esse reinado de terror. Preciso dá um fim em Ciclope e sua revolução antes que suas atitudes tragam cicatrizes incuráveis para nossa espécie.
***
-Mais caos...
O homem velho de uniforme azul-escuro suspirou, sentado em sua poltrona de couro negro. Ele olhava irritado para a tela à sua frente, assistindo os mutantes destruindo a cidade de New York ao vivo.
Wanda Maximoff, a Feiticeira Escarlate, olhou para ele. Era estranho vê-lo daquele jeito. Quando ela o conhecera, Steve Rogers era o jovem e forte Capitão América. Mas agora, após um inimigo retirar de seu sangue o soro do Super-Soldado, Steve havia se transformado num idoso magrelo e fraco. Sua personalidade forte e patriótica, no entanto, permanecia intacta. E era por isso que Wanda permanecia ao lado dele, mesmo depois dele ter saído da equipe dos Vingadores.
Vingadores esses que, no último ano, havia, se separado. Steve Rogers, Tony Stark, Bruce Banner, Janet e Hank Pym, haviam deixado de ser uma equipe. Algumas perderam os poderes, envelheceram, morreram, ou desacreditaram na ideia clássica do que o verdadeiro heroísmo representava.
Para manter a ordem, um grupo de Novos Vingadores fora formado, liderado por Sam Wilson — antigo Falcão, e atual Capitão América. Mas, apesar de ser um grande amigo de Sam, Steve Rogers não confiava muito em sua liderança e não concordava com algumas de suas ações, por isso havia criado um grupo secreto para vigiar os passos da nova equipe.
As vezes ele se sentia mal, como se estivesse repetindo os pecados de seu antigo amigo, Tony Stark — o Homem de Ferro — quando este criara os ILLUMINATI para vigiar a Terra secretamente. Wanda, no entanto, sempre dizia para que ele tirasse tal ideia da cabeça. Ela trabalha como agente dupla, fazendo parte da equipe de Sam e contando os detalhes à Steve. Apesar da traição ser dolorosa, ela sabia que era necessária, afinal de contas, Sam estava agindo de forma inesperadamente perigosa. Semanas atrás ele havia ordenado que o Mancha Solar botasse fogo na Ilha IMA, matando à todos sem piedade.
Muitos vingadores se irritaram com a atitude dele, mas após um longo discurso, Sam Wilson os convencera de que fora um mal necessário. Wanda, no entanto, sabia muito bem que aquilo não fora certo.
-Temos que agir logo — disse Bucky, o Soldado Invernal, que estava em pé ao lado da poltrona de Steve.
-Posso nos teletransportar para lá — sugeriu Wanda.
-Melhor não, Wanda — Steve olhou para a tela, espremendo os olhos até que parecessem uma linha fina — Tem fotógrafos por todo canto, e ninguém pode vê-los juntos.
-Isso não é problema...
Wanda olhou para trás, em direção à voz. Uma mulher loira e alta entrou na sala, parecia cansada — provavelmente havia corrido por estar atrasada para a reunião. Ela sorriu para Wanda ao vê-la.
-Posso deixá-los invisíveis.
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