Wolves And Krakens
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Dois dias haviam se passado desde que Theon pedira a mão de Alyssa em casamento. Nesse tempo, ela mal saíra do quarto, muito menos vira o homem que desejava ser seu esposo. Uma das únicas companhias que tinha era Rhaenys, sua pequena loba, que já crescera um bocado. O Rei e a corte ainda estavam em Winterfell e todos os dias eram realizados banquetes grandiosos. Sua mãe lhe proibira de comparecer nos dois últimos, provavelmente para evitar um encontro com Theon, porém Alyssa duvidava que ele tivesse aparecido.
No dia anterior havia recebido uma visita de seu meio-irmão, Jon Snow. Ela lhe pedira para que descobrisse algo sobre o seu futuro noivo, já que Robb mantinha total silêncio sobre o assunto.
— Prometo fazer o possível. — Jon dissera.
Perguntou sobre Theon, mas Jon não dissera muito, apenas que ele andava isolado e distante de Robb. Jon não gostava da ideia de Alyssa e Theon juntos mais do que o meio-irmão.
Faltavam poucos dias para que o rei e sua corte partissem a caminho de Porto Real, e com eles Lorde Eddard, Alyssa, Sansa, Arya e Bran. Alyssa não queria ir, mas não havia nada que pudesse fazer. Pensava em Theon o tempo todo, imaginando se ele havia deixado de amá-la, se ele havia a abandonado...
Alguém bateu rapidamente em sua porta. Por um momento pensou que fosse Theon. Seus lábios curvaram-se em um pequeno sorriso, que logo se desfez.
— Alyssa! — Era Robb. Sua voz parecia estranha, ansiosa. Bateu novamente. — Alyssa!
— Entre! — O coração da garota acelerou: algo estava errado.
Robb entrou nos aposentos da irmã com uma expressão horrível. Seus olhos estavam inchados e molhados.
— Bran... Bran estava escalando e... e caiu. — disse assim que entrou.
— O que? — Alyssa gritou sentindo seus olhos enchendo-se de lágrimas até transbordarem. — O-onde ele está? Ele está bem, não está, Robb? DIGA-ME!
Pela expressão de Robb, Alyssa presumiu o pior. Imaginar o pequeno irmão morto causou uma imensa dor em seu peito.
— Ele... Ele está desacordado. Vivo, mas não se sabe por quanto tempo. — Robb disse com a voz trêmula.
Alyssa não sabia dizer se ficara aliviada ou mais apavorada.
— O que Meistre Luwin disse?
— Ele não tem certeza se Bran vai acordar...
Alyssa correu para os braços do irmão que tentava ser forte, mas acabou desabando em lágrimas. Permaneceram abraçados por algum tempo, deixando as desavenças dos últimos dias de lado. Foram até os pais, que permaneciam junto a Bran. Catelyn parecia inconsolável.
No fim daquele dia Alyssa foi até o bosque sagrado. Rezara mais cedo aos novos deuses, agora rezaria aos antigos. Posicionou-se em frente à árvore coração, ajoelhada, e fez suas preces em voz alta.
— Por favor, por favor. Tenham piedade de Bran. Ele é um ótimo menino... Não merece partir tão jovem. Por favor, façam com que ele acorde. Por favor, por favor...
Um barulho fez com que Alyssa interrompesse suas preces. Virou-se e deu de cara com pernas. Sentiu um calafrio. Ao olhar para cima, viu Theon Greyjoy.
— Eu... sinto muito. — Theon disse timidamente, o que não era típico dele. Sua expressão era triste e seu olho permanecia roxo.
Alyssa levantou-se, cabisbaixa. Não sabia o que dizer. Tinha vontade de chorar, apenas.
Theon a envolveu em seus braços carinhosamente. Não demorou até que Alyssa começasse a chorar de novo. Sentiu-se egoísta por isso, mas não chorava apenas por Bran. Chorava também por Theon e por sua partida. Não queria ir, muito menos agora. Não podia deixar Bran, nem desejava deixar Theon. O rapaz afagou-lhe os cabelos e beijou-lhe a testa.
— Bran é um garoto forte. Vai acordar, você verá.
— Ele nunca cai, Theon — Alyssa disse com a voz chorosa. — Nunca...
Theon acompanhou Alyssa até seus aposentos, sem medo de que alguém os pegasse em flagrante. Ela soluçava sem parar. Ele deixou a garota em sua cama e acariciou seu rosto antes de se dirigir à saída do quarto.
— Theon, espere — Alyssa pediu. Ele parou, encarando-a. — Fique... um pouco... Não quero ficar sozinha.
Um sorriso um tanto malicioso surgiu nos lábios do rapaz. Não é hora para isso, pensou, tirando o sorriso dos lábios e lembrando que Alyssa estava sofrendo e não seria certo se aproveitar dela num momento desses.
Ele sentou-se ao lado de Alyssa, em sua cama. Ela olhou para ele e sorriu forçadamente.
— Eu senti sua falta — disse Alyssa.
— Eu também. Tentei vir até aqui naquele dia, mas Robb me impediu. — Alyssa bufou, sentindo uma raiva momentânea do irmão. — Eu estava furioso... e bêbado. Quase fiquei com o outro olho roxo. Talvez tenha sido melhor assim, ou sabe-se lá o que eu haveria feito.
— O que você haveria feito?
— Nós dois estávamos furiosos. Se você tivesse consentido... Bem, você sabe.
Alyssa corou um pouco.
— E se eu consentir... Agora? — disse, limpando as lágrimas do rosto.
— O que? — Theon espantou-se.
— Eu consinto... — Alyssa se aproximou de Theon, colocando uma das mãos em seu rosto. — Eu consinto. — Ela beijou os lábios do protegido, procurando uma escapatória para a dor.
Não havia nada que Theon quisesse mais. O volume que se formou em suas calças confirmava isso. Mas não era certo... E desde quando você se preocupa com o que é certo? Uma voz disse em sua cabeça. Ainda mais quando se trata de levar uma garota para a cama. Mas aquela não era qualquer garota, era Alyssa.
— Alyssa... — Theon disse interrompendo o beijo. Ela tentou desesperadamente dar continuidade ao beijo, mas Theon a afastou. — Você está frágil...
— Eu quero, Theon. Eu o quero. Muito... — Ela tentou beijá-lo novamente.
— Alyssa, você precisa dormir. — Theon disse com uma pitada de arrependimento. Pelos sete infernos, o que eu estou fazendo? — Hoje foi um dia difícil.
Ele levantou-se um pouco relutante, enquanto Alyssa encarava-o, abismada.
— Boa noite. — Ele disse beijando o rosto da garota antes de caminhar até a porta.
Assim que Theon saiu, Alyssa começou a chorar novamente. Agora, além de tudo, sentia-se rejeitada.
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