Wolves And Krakens
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo!
Alyssa não passara dos beijos com Theon, por mais que ele demonstrasse querer mais. Ficaram um bom tempo na Torre Quebrada, até Alyssa perceber que já estava tarde e se recolher. As palavras que Theon dissera não saiam de sua mente, ecoando em sua cabeça e fazendo-a sorrir inconscientemente. Não havia como continuar brava com ele. “Pedirei sua mão ao senhor seu pai”, dissera, e apesar de se preocupar com esse fato, não conseguia conter o sorriso quando lembrava-se da fala do rapaz. Mesmo que se sentisse boba por isso, imaginou como seria uma vida ao lado de Theon, a aparência de seus filhos e como seria ser a Senhora das Ilhas de Ferro.
Acordou de seus devaneios quando Robb entrou em seus aposentos sem ao menos bater. Estava com um semblante sério assim como no banquete, o que não era típico dele.
— Por que não bateu? Não deve-se entrar de tal maneira nos aposentos de uma dama.
— Não quando essa dama não se comporta como uma. — Robb cuspiu as palavras de forma grosseira e recebeu um olhar confuso de Alyssa. — Vim até seu quarto após o banquete e não encontrei você. Voltei ao Salão Principal e Theon não se encontrava mais lá. Fiquei lhe procurando pelo castelo até ver silhuetas na janela da Torre Quebrada, fui até lá e constatei que as tais silhuetas eram quem eu temia: você e Theon Greyjoy. — Ele parou de falar, mas como Alyssa permaneceu calada, continuou. — Briguei com ele mais cedo para te defender de qualquer que fosse o motivo dele lhe ter magoado e você continua encontrando-se com ele.
— Nós fizemos as pazes. — Alyssa sentia algo que nunca sentira antes: medo do irmão.
— Eu vi como fizeram as pazes. Se insistir nisso, Alyssa, contarei aos nossos pais. Creio que já desconfiem de algo, pois todos aqueles boatos já devem ter chegado a eles. Afaste-se de Theon. Não estou pedindo, estou ordenando.
Alyssa teve vontade de rir. Quem Robb pensava que era?
— Pensei que Theon fosse seu amigo — disse tentando manter-se calma.
— Ele é. E é exatamente por isso que quero que se afaste dele. Conheço-o muito bem — Robb deu alguns passos, sem rumo, pensando e fitou a irmã. — Por favor, me diga que não fez nada com Theon de que pudesse se arrepender — disse tentando escolher as palavras mais adequadas para fazer esse tipo de pergunta à irmã.
— O que? Não!
— Espero que fale a verdade... — Robb soou mais aliviado. — Só estou lhe dizendo essas coisas porque quero o melhor para você, Alyssa.
Por que Theon não pode ser o melhor para mim? Teve vontade de perguntar. Sentia-se tola ao pensar isso. Era óbvio que Theon não era o melhor para ela, mas Alyssa gostaria de acreditar que fosse. O que está acontecendo comigo?
— Devo ir agora, está tarde. Lembre-se do que lhe disse. Do que lhe mandei fazer. Caso encontre você com Greyjoy novamente não hesitarei em contar aos nossos pais. — Robb disse e foi-se.
Alyssa sentiu raiva de Robb. Ele achava que podia mandar nela? Sabia que tudo o que ele desejava era seu bem, e deveria ter o agradecido por defendê-la. Mas não queria. Ela só queria uma coisa. Um alguém. E foi nele que pensou até finalmente adormecer.
No dia seguinte Lorde Eddard Stark chamou seus filhos para comunicá-los de que aceitara ser Mão do Rei.
— Robb, você, como meu herdeiro, cuidará de Winterfell. Rickon também deverá ficar com sua mãe, pois ainda é muito pequeno. Sansa, como futura esposa do Príncipe Joffrey, irá para Porto Real comigo, é claro. Arya, Bran e Alyssa também virão.
Robb sorriu para Alyssa, que não gostou nada do comunicado. Bran dava pulinhos de alegria, Sansa estava muito contente e a expressão de Arya era indecifrável.
— Por que tenho que ir? — Alyssa contestou. — Deixe-me ficar, pai. Meu lugar é em Winterfell, ajudarei mamãe a cuidar de Rickon.
— Sua mãe já cuidou de muitos filhos, acha que precisa de ajuda? — Lorde Eddard pareceu irritado. Respirou fundo a fim de se acalmar e mudou o tom de voz. — O que eu quero dizer, é que você virá, de qualquer jeito.
— Por quê? — ela questionou novamente.
— Porque estou dizendo.
Alyssa saiu dos aposentos do pai bufando, pensando no que iria fazer. Não queria ir para Porto Real. Ainda mais agora.
— Você vai se casar. — Ouviu alguém dizer e foi puxada para que parasse de andar. Era Sansa, sorrindo como uma tola para a irmã.
— O que?
— Joffrey ouviu o próprio Rei dizer a papai algo sobre enviar um corvo a algum Lorde, oferecendo sua mão. Joff disse que seria feio se você não se casasse antes de mim. Provavelmente seu futuro marido está em Porto Real! — Sansa estava muito animada e sorria descontroladamente. Alyssa não retribuiu o sorriso. Deixou a irmã e continuou a andar.
Não queria se casar. Não com qualquer um. Não com um homem que não conhecesse.
— Está assim por que serei rainha um dia e você não? — Sansa perguntou seguindo a irmã. Não falou para se vangloriar. Perguntou aquilo na inocência, pensando que o fato de estar em uma posição melhor magoara a irmã. — Não se preocupe, estaremos sempre juntas!
— Não é por isso... Por favor, deixe-me, Sansa. — Sansa fez o que Alyssa pediu e virou-se a fim de andar na direção contrária.
Após dar mais alguns passos esbarrou em alguém. Era Theon. Ele estava com um sorriso estampado no rosto e seu olho parecia um pouco menos roxo, no entanto a cor ainda contrastava fortemente com sua pele clara.
— Venha comigo — disse e agarrou a mão de Alyssa, fazendo com que ela andasse ao seu lado na direção da qual estava voltando.
— Theon, me largue. O que está fazendo?
— Indo até seu pai.
— O que pensa que vai fazer? — Alyssa temia que Theon fosse cumprir o que dissera-lhe na última noite. Sentia o coração palpitando contra seu peito, acelerado.
— Farei o que lhe disse. Pedirei sua mão.
— Theon, não!
Theon fez um gesto para que ela se calasse. Já estavam em frente aos aposentos de Lorde Eddard e Senhora Catelyn. A porta estava fechada e Theon bateu nela duas vezes, de forma educada. Alyssa quis se esconder. O que ele pensava que estava fazendo? Não podia bater na porta do quarto de seus pais e simplesmente pedir sua mão, muito menos arrastá-la até lá para que presenciasse essa cena.
Antes que pudesse fugir, Lorde Eddard abriu a porta. Alyssa arregalou os olhos quando viu o rosto do pai encarando-os.
— Meu senhor, peço que me deixe entrar. Tenho algo a lhe dizer.
Eddard olhou para o rapaz de forma desconfiada.
— Tudo bem...
Theon entrou nos aposentos e sentiu o pesado olhar de Senhora Catelyn em si. Alyssa permaneceu do lado de fora sem saber o que fazer até que seu pai pediu que entrasse.
— E então, Theon?
— Serei breve — avisou. — Sei que não estou aqui em Winterfell por um motivo convencional, mas aprendi a apreciar o Norte e a amar Winterfell e encontrei nos Starks verdadeiros amigos — sua voz tremeu um pouco ao falar "amigos". Lembrou-se de Robb e de seu olho roxo. Não apreciava tanto o Norte ou amava Winterfell. Não estava sendo totalmente honesto, tinha consciência disso. — E sinto que encontrei em sua filha a pessoa com a qual desejo passar o resto de minha vida. Serei um lorde um dia, e estou aqui humildemente pedindo-lhe, Lorde Stark, a mão de sua filha, para que ela seja minha senhora.
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