Wolves And Krakens
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Havia dias que estavam viajando, mas Alyssa Stark ainda não havia aberto a carta de Theon Greyjoy. Afirmou para si mesma que não teve muito tempo sozinha. Mas a verdade é que durante dos momentos que ficou sozinha, tudo o que fez foi encarar o papel fino, selado por cera. Tinha medo de abrir a carta, um estranho receio do que poderia estar escrito. Guardava-a dentro do vestido, do lado esquerdo do peito...
Alyssa estava cansada de viajar na carruagem, então pediu ao pai para cavalgar ao seu lado naquela manhã. Sua loba, Rhaenys, caminhava contente aos pés do seu cavalo, assustando as pessoas que também cavalgavam. No primeiro dia de viagem, Lorde Eddard contou a Alyssa quem era o tal lorde com quem se casaria. Ela tentou fingir surpresa, mas, como sabia, não tinha muito talento para mentir. Eddard acabou descobrindo que a filha já sabia sobre Renly, e tudo o que fez foi sorrir. Alyssa o amava muito e ver como parecia confiante em casá-la com Renly Baratheon a deixou triste. De certa forma, traira a confiança dele ao entregar-se para Theon. Se sua mãe, Catelyn, soubesse...
À tarde, a comitiva do rei chegou a uma grande estalagem. Já deveriam estar no meio do caminho, para o alívio de Alyssa, e principalmente de Sansa, que vivia reclamando com a irmã mais velha sobre como viajar era horrível. Arya parecia feliz, vivendo suas aventuras com seu amigo Mycah, filho de um carniceiro.
Após a chegada, Alyssa foi acomodada em um quarto pequeno, mas muito confortável. Estava exausta, pois não conseguia dormir direito na estrada. Finalmente teria um tempo sozinha. Deitou-se na confortável cama dos aposentos e pegou a carta de Theon. Encarou-a como sempre fazia. Seus dedos deslizaram até selo. Será que devo abrir? Acabou dormindo com a carta em mãos. Acordou com três batidas.
— Senhora Alyssa? — Era a voz rouca de Septã Mordane.
Assustada, escondeu a carta rapidamente em seu vestido.
— Entre.
A septã entrou no quarto estampando um sorriso no rosto enrugado e algo pendurado em seus braços.
— Seu pai pede para que compareça ao salão, minha senhora. — Alyssa levantou-se. — Espere! Precisa se vestir adequadamente, Alyssa. — Ela mostrou o vestido que tinha pendurado nos braços. Era de um leve tom amarelado. — E antes disso, precisa se banhar. — A septã fechou a porta e ajudou a jovem.
Após estar devidamente preparada, como Septã Mordane disse que estava, Alyssa desceu as escadas da estalagem e seguiu a septã até o salão. Haviam muitos homens do rei, alguns ostentavam um manto branco, provavelmente eram da Guarda Real. Alyssa olhou para a multidão no salão sem reconhecer um rosto sequer. Aposto que Sansa pode dizer o nome de todos os bem-nascidos e cavaleiros dessa sala, pensou consigo, com inveja da memória e dedicação da irmã. Septã Mordane a ajudou a passar pela multidão e logo pôde avistar o Rei Robert, sentado numa grande cadeira e gargalhando, com um cálice de vinho em mãos. O rei a viu assim que ela pôs os olhos nele.
— Veja quem chegou! — ele gritou fazendo com que todos olhassem. — Minha querida, venha até aqui. — Alyssa andou, nervosa, até o rei. Viu o pai, que abriu um leve sorriso, olhando-a com orgulho. — Está especialmente bonita nessa noite, minha senhora.
Alyssa sentiu seu corpo tremer. Todos a olhavam.
— Agradeço o elogio, Vossa Graça.
O rei riu, parecendo contente.
— Venha, Renly! Venha conhecer sua futura esposa!
Renly está aqui? Alyssa ficou ainda mais nervosa. Seu pai não havia contado que Renly estaria ali.
Um homem vestido de verde saiu do amontoado de pessoas, sorrindo. Era um sorriso muito parecido com o do rei. Era Renly Baratheon.
— Senhora Stark — Renly disse ao se aproximar. Pegou a mão de Alyssa e aproximou de seus lábios, beijando-a. — Ouvi histórias sobre sua beleza, histórias que chegaram até Porto Real. Mas nunca pude imaginar que fosse tão linda, minha senhora — Alyssa corou ao encarar os olhos azuis do belo rapaz. — Sou Renly Baratheon, Senhor de Ponta Tempestade e seu futuro esposo.
— É um prazer conhecê-lo, meu senhor. — Alyssa disse tentando ao máximo não gaguejar. O salão inteiro fitava os dois. Renly sorriu galantemente.
— Disse que me agradeceria, irmão. — O rei gritou entre risos e bebeu mais vinho.
Renly estendeu o braço para Alyssa.
— Gostaria de me acompanhar em um passeio, minha senhora?
— Claro — Ela sorriu. Não parecia que pudesse dizer não. Era seu futuro marido, se ele desejava que ela o acompanhasse deveria obedecê-lo. Ela entrelaçou seu braço no dele e os dois saíram do salão.
Renly levou Alyssa até um lago não muito longe da estalagem.
— É uma bela vista, não?
— É sim, meu senhor. Simples, porém bela.
Renly a observou com o canto do olho.
— Sente saudades de casa?
— Sinto, meu senhor. Winterfell já não é mais minha casa, sei disso. Mas sinto falta dos meus irmãos...
— E quanto ao jovem Greyjoy, o protegido de sua família?
O sangue de Alyssa gelou.
— O que...
— Não foram só histórias sobre a sua beleza que chegaram até Porto Real ou Ponta Tempestade.
Alyssa olhou para Renly sem saber o que falar.
— Essas histórias... Foram inventadas, meu senhor. Theon Greyjoy era apenas meu amigo, fomos criados juntos.
Alyssa sentiu as bochechas queimarem. Lembrou-se que alguns dos boatos sobre ela e Theon haviam se tornado verdade. Ela havia, de fato, sido desonrada pelo protegido. Sentiu um certo arrependimento. Renly descobriria que já não era donzela... O que aconteceria?
— Meu irmão me assegurou de que tais histórias não eram verdade. Mas mesmo que sejam, passado é passado. Construiremos nosso futuro, juntos.
Ela apenas balançou a cabeça. Renly acariciou o rosto de Alyssa. Não de uma forma romântica, mas de forma galanteadora, atrevida. Como Theon fazia com as servas das cozinhas do castelo de Winterfell... Ele sorria.
— O rei insiste para que celebremos nosso casamento em Porto Real. Disse que fará uma grande festa em nossa homenagem. E o mais importante: disse que arcará com todos os custos. Eu queria que nos casássemos em Ponta Tempestade, mas não pude negar isso.
Alyssa forçou um sorriso. Renly continuou falando sobre outras coisas: seus trajes de casamento, que seriam feitos pelos mais habilidosos alfaiates dos sete reinos, sobre a Fortaleza Vemelha e sua grandiosidade, sobre Ponta Tempestade e outras coisas que Alyssa considerava supérfluas. Renly era gentil, galante, mas parecia só se preocupar com exibicionismo e extravagâncias. De qualquer forma, Alyssa agradeceu aos deuses, novos e velhos, por ser ele o seu noivo, e não um velho barrigudo e ranzinza de alguma casa menor.
Quando voltou aos seus aposentos, após o banquete, já era tarde. Sentou-se na cama, cansada. Resolveu que leria a carta de Theon. Tinha que ler. Pegou-a e finalmente removeu o selo. Leu-a silenciosamente, com o coração na mão.
Querida Alyssa,
Desculpe-me pelo meu comportamento mais cedo e por tê-la magoado certas vezes. Eu não gosto de despedidas. Na última vez que me despedi, me despedi da minha família, e nunca mais a vi. Fiquei com medo... Talvez nunca mais nos vejamos. Mas é assim que deve ser. Não seria um marido bom para você, sabe disso. Nossa noite foi... diferente... incrível... Nunca fiz amor com uma mulher, como fiz com você. Me lembrarei dessa noite para sempre. Espero que seja feliz com seu futuro esposo. Espero também que possamos nos ver novamente algum dia.
Theon
Fale com o autor