Notas iniciais
O capítulo demorou um pouco, mas está aí. Já vou começar a escrever o próximo, e dependendo dos reviews postarei logo!! Obrigada pelos reviews do capítulo anterior, já já responderei! Espero que gostem do capítulo :)

Com a queda de Bran, a partida para Porto Real foi adiada por alguns dias. Alyssa permaneceu trancada em seus aposentos pela maior parte do tempo. Sua mãe não saía por um só segundo do lado de Bran e, de certa forma, os Starks pareciam distantes, cada um em seu canto. Havia três dias que Alyssa não via Theon. Ela estava evitando os banquetes e fazendo de tudo para não encontrá-lo pelos corredores do castelo. Por isso, só saía do quarto para visitar Bran ou ver Rhaenys. Mas Lorde Eddard Stark insistira que comparecesse no banquete daquela manhã, e ela não pôde negar. Theon não estava lá. Após o banquete, Lorde Stark chamou os filhos para uma breve conversa.

— Partiremos amanhã — disse num tom de lamento.

Robb acenou com a cabeça enquanto encarava o chão, Arya fez uma cara de desgosto e saiu correndo, Sansa deixou escapar um leve sorriso e Jon suspirou, sabendo que chegara a hora de ir para a Muralha com seu tio Benjen. Alyssa protestou.

— Não podemos deixar Bran, pai!

— Meistre Luwin disse que Bran está fora de perigo, ele acordará em breve.

— E eu quero estar aqui quando isso acontecer! — ela correu para perto do pai desajeitadamente. — Por favor... Não pode deixar mamãe sem mim.

Ele acariciou a face da filha, revelando um triste sorriso.

— Sua mãe sabe se cuidar.

— Ela não terá ninguém para ajudá-la. Robb estará ocupado demais, e... E... — Ela parecia não saber o que dizer. — Rickon é muito pequeno... Quem lhe fará companhia?

— Alyssa, já conversamos sobre isso. Você irá para Porto Real.

— Ótimo — disse com uma cara emburrada. — Pelo menos me conte quem é o meu futuro esposo.

Nos últimos dias Jon tentara fazer de tudo para descobrir quem era o tal Lorde que casaria-se com Alyssa, mas não obtivera sucesso. O tempo passava e a angústia no peito de Alyssa apenas aumentava. Seria ele um velho? Não, seu pai nunca a entregaria para um velho... Mas com certeza seria mais velho do que ela. Seria ele muitíssimo rico, um grande senhor? Ou um senhor menor? Seria bonito ou feio? Cruel ou gentil? Nunca prestava muita atenção nas aulas de Septã Mordane sobre as grandes e menores casas, então tentou pesquisar sobre os lordes que procuravam uma noiva. Como foi ficando cada vez mais assustada com as perspectivas de noivo que tinha, desistiu. A ideia de casar-se com um completo estranho a assombrava. A única coisa que a assombrara mais nos últimos dias fora Theon... E agora tinha menos de um dia até deixar Winterfell. Queria procurá-lo, jogar-se em seus braços, mas seu orgulho a impedia. Ele havia a rejeitado, provavelmente achara que ela não era boa o suficiente para ele.

— Quando partirmos lhe contarei. Não se preocupe. Recebi um corvo dele mais cedo, disse que estava ansioso para conhecê-la. É um bom homem. — Assim espero, pensou Eddard. Não via Renly desde que ele era um menino, mas Robert parecia gostar muito do irmão. — Prepare-se para a viagem, querida. — Lorde Eddard beijou-lhe a cabeça e se retirou.

Naquela tarde, Alyssa foi visitar Jon. Quando ele abriu a porta de seu cômodo e viu a meia-irmã, sorriu. Seus lábios sorriem, mas seus olhos querem chorar, pensou Alyssa. Sentiria falta de Jon.

Ela entrou no quarto do bastardo forçando um sorriso.

— Veja — Ele disse e pegou um embrulho de pano em sua cama. — Darei isso a Arya — Tirou do embrulho uma fina espada e Alyssa sorriu sinceramente apreciando a bondade do irmão.

— Ela irá adorar, tenho certeza.

Jon sorriu, embrulhando a espada no pano novamente. Alyssa não sabia o que dizer, então simplesmente o abraçou. Jon retribuiu o abraço imediatamente, sentindo a saudade de Winterfell começar a nascer em si.

— Irei sentir sua falta, Jon.

— Sabe que também sentirei sua falta, Alyssa.

— Tem certeza? — Ela interrompeu o abraço para encará-lo. — Tem certeza do que está fazendo?

— Nunca tive tanta certeza. — Jon parecia confiante.

— Será o melhor patrulheiro que já existiu! — Ela disse fazendo Jon gargalhar. — Será Lorde Comandante um dia, o melhor de todos!

Jon sorriu mais uma vez e abraçou a irmã brevemente.

— Obrigada. E você, conte-me, como está?

O sorriso que Alyssa expunha se desfez.

— Não consegui arrancar de nosso pai quem é o meu noivo. Robb sabe, tenho certeza, mas nega saber.

— Robb também não me revelou nada. Desculpe-me, fiz tudo que pude...

— Tudo bem.

— Posso te perguntar uma coisa, Alyssa?

— Sim?

— Você ainda está se encontrando com Theon?

Ela corou, sentindo-se boba por isso.

— Não... Não o vejo há dias.

Jon ergueu uma de suas sobrancelhas.

— Foi porque a senhora sua mãe proibiu-a? — Jon conhecia a irmã, sabia que ela não desistia fácil das coisas. Se Senhora Catelyn havia a proibido de encontrar-se com Theon, ela faria exatamente o contrário.

— Não só minha mãe me proibiu, mas nosso pai também. Além disso, colocou Robb para me vigiar.

— Sei que Robb não tem te vigiado tanto desde que Bran caiu. O que a impediu de encontrá-lo?

— E-eu não sei — disse desviando o olhar.

Jon reparou que ela não desejava falar sobre o assunto. Preocupava-se com a irmã, mas o que quer que tenha acontecido entre ela e Theon... Bem, era melhor que ele não soubesse.

Após falar com Jon, Alyssa foi até os aposentos de Robb, mas não o encontrou lá. Caminhou pelo castelo procurando-o, mas acabou encontrando outra pessoa. Theon parecia abatido.

— Alyssa... — Theon chamou-a, mas ela passou por ele, ignorando-o. Ele deve me achar patética. — Alyssa! — ele pegou-a pelo braço fazendo-a parar. — Por que está me ignorando?

Ela não conseguia olhar para ele. Theon levantou o queixo da garota e obrigou-a a encará-lo.

— Olhe para mim. — Ele colocou uma mecha de cabelo de Alyssa atrás de sua orelha e acariciou seu rosto. Ela tentou desviar o olhar, mas Theon puxou seu queixo para cima novamente. — Conte-me o que está acontecendo...

Ela não aguentou e abraçou-o, chorando.

— Deve achar que sou uma tola...

— Não, nunca!

— Você... Você me rejeitou...

— Não... Alyssa, entenda que tudo o que eu mais quero é você. Mas naquela noite, você não sabia o que estava dizendo...

— Eu sabia, Theon! — disse fitando os olhos confusos do rapaz. — Eu sabia, e sei o que quero.

Theon olhou para os lados.

— Não podemos ter essa conversa no meio do corredor, qualquer um poderá nos escutar. Mais tarde irei até seu quarto, se Robb não tentar me impedir como das últimas vezes. — Alyssa sorriu um pouco ao saber que Theon havia tentado encontrá-la. — Deuses, se ele me tentar me impedir, irei mesmo assim. Aguarde-me.

Quando Theon seguiu seu caminho Alyssa teve vontade de chamá-lo e revelar que partiria amanhã. Será que ele já sabe? Mais tarde o contaria.