Wolves And Krakens
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Naquele mesmo dia os homens de Lorde Stark capturaram um desertor da Patrulha da Noite. Eddard não tinha escolha, teria que condená-lo à morte. E o homem que dá a sentença deve brandir a espada.
— Diga a Bran que ele virá também — Disse Eddard à Sor Rodrik.
— Ele tem apenas dez anos, Ned — Senhora Catelyn disse. — É jovem demais.
— Mamãe tem razão, pai. — Alyssa, que havia se juntado aos pais há poucos minutos, disse. — Bran é apenas uma criança.
— Ele não será uma criança para sempre. O inverno está chegando.
Sempre que ouvia essas palavras Alyssa estremecia. Podia ser a frase de sua família, mas sentia um tipo de angústia ao ouvi-la. Era pequena demais no último inverno. Tudo que lembrava era do frio — um frio que nem as muralhas aquecidas de Winterfell podiam conter.
Bran foi assitir à condenação do desertor, assim como seus outros irmãos, Robb e Jon, Theon e outros homens dos Stark. Alyssa esperou pela volta do pai e dos irmãos do lado de fora do castelo, enquanto conversava com Arya, a irmã a quem era mais próxima. Quando os garotos entraram pelo portão principal de Winterfell com filhotes lobos no colo, Arya saiu correndo em direção a eles.
— São lobos gigantes — disse Robb.
— Há um lobo para cada Stark. Até para o bastardo — disse Theon entregando um dos lobos para Alyssa e outro para Arya. Jon passou por Theon com um ar de desprezo e um lindo filhote branco de lobo nas mãos. Não gostava de ser chamado de bastardo.
— Não chame Jon assim. — Alyssa disse e Arya fez uma cara feia para o protegido.
— Ele é o que ele é. — Theon disse e recebeu de Arya um chute na canela.
Ele gritou de dor.
— Parece que as Stark gostam de me bater — disse sorrindo quando Arya saiu de perto deles.
Alyssa revirou os olhos e adentrou o castelo, sorrindo enquanto aninhava sua pequena loba. Não era tão próxima a Jon como Arya, mas gostava muito dele. Sabia do sentimento de sua mãe por ele — como ela não suportava vê-lo — e que por vezes sofria por ser um bastardo. Mas Jon não tinha culpa de ser filho de Lorde Eddard com outra mulher e Aly não gostava de ver o meio-irmão sendo maltratado por isso.
No banquete de jantar daquela noite, Lorde Eddard anunciou que a Mão do Rei, Jon Arryn, havia morrido e que o Rei Robert Baratheon seguia para Winterfell e chegaria em menos de duas semanas. Durante o banquete Alyssa sentiu os olhos de Theon nela e seus olhares se cruzaram duas vezes. Ele sorria para ela e ela não gostava da sensação que sentia quando via aquele sorriso. Rhaenys, sua loba, estava aos seus pés e Alyssa jogava comida para ela o tempo todo.
— Sua loba vai acabar ficando gorda desse jeito. — Robb disse rindo.
Foi difícil escolher um nome para a loba; Pensara em Nymeria, mas segundos depois Arya anunciou que já escolhera aquele nome para a sua. Pensou em muitos, mas acabou batizando a filhote de Rhaenys. Não era uma homenagem a nenhuma Targaryen, apenas gostava do nome.
Após o jantar Alyssa se dirigiu ao pátio e sentou-se em uma pedra, a fim de observar as estrelas, como fazia quase sempre. Poucos minutos depois sentiu alguém sentar ao seu lado. Os ombros dela e da tal pessoa se encostaram. Estava tão concentrada observando as estrelas e perdida em pensamentos que não havia percebido que alguém se aproximara. Olhou para o lado e viu os olhos de Theon a observando. Seus rostos estavam tão próximos que ela se afastou instintivamente.
— O que faz aqui? — Perguntou Alyssa desviando o olhar.
— Vim fazer-lhe companhia. Pensei que lhe encontraria aqui. Vem quase todas as noites, não?
— Anda me seguindo, por acaso?
Ele sorriu e olhou para o céu.
— O que há de tão prazeroso para você em observar as estrelas? — Theon perguntou.
Alyssa olhou para o rapaz com um olhar desconfiado. Por que ele estava tão interessado em seus hábitos? Lembrou-se do beijo que ambos compartilharam naquela manhã e sentiu aquela sensação estranha novamente.
— As estrelas são muito mais antigas que qualquer homem vivo. Viram os Filhos da Floresta, os Primeiros Homens... Viram muitas guerras e até Os Outros. Viram os dragões... Gosto de olhar para elas e pensar no futuro e no passado. É como se elas emanassem sabedoria.
— Seu pescoço não dói de tanto olhar para cima? O meu já está dolorido... — Theon disse sorrindo e Alyssa revirou os olhos.
— Pensei que estivesse interessado, mas vejo que não se interessa em nada.
Theon riu.
— Só estava brincando. Gostei do que disse, você tem razão. É como se as estrelas realmente transmitissem sabedoria. — Ele disse e empurrou o corpo para o lado, para mais perto de Alyssa e a olhou nos olhos.
O que ele pretende? Pensou Alyssa. Mas ela sabia muito bem o que pretendia. Aquela estranha sensação que nunca havia sentido antes continuava. Também podia sentir seu coração palpitar fortemente contra seu peito. O que seria aquilo?
Theon aproximou sua face da dela e logo não havia espaço entre ambos. Seus lábios se encostaram, selando um beijo. Foi um beijo mais suave do que o primeiro e Alyssa ficou surpresa por não ter feito nada para que Theon a largasse. A verdade é que ele mal a segurava — ela estava retribuindo o beijo. Ele acariciou sua bochecha, ainda a beijando.
— O que é isso? — Uma voz disse e Theon e Alyssa imediatamente se separaram.
Alyssa virou-se e viu o rosto de Jon Snow a poucos metros de distância.
— Jon? — disse. — Eu... — Ela entrou em desespero. Não sabia o que dizer.
Jon se aproximou com uma expressão indescritível: parecia assustado, sem graça e indignado ao mesmo tempo. Alyssa percebeu que ele, assim como ela, não sabia o que fazer ou o que dizer.
— O que... O que vocês estavam fazendo? — Uma pergunta estúpida, Jon percebeu assim que a fez. Era muito óbvio o que os dois estavam fazendo. Ele não gostou nada de presenciar aquilo, mas estava sem palavras. Robb saberia exatamente o que dizer e arrancaria Theon dos braços de Alyssa sem fazer nenhum tipo de pergunta ridícula.
Theon permaneceu calado até aquele momento.
— Eu... Eu tenho que ir. — Ele disse e levantou-se.
— Não, Greyjoy — Jon avisou. — Vocês ficarão aqui. Chamarei Robb.
— Não! — Alyssa gritou. — Não faça isso, por favor, Jon. Foi um... Acidente. Não acontecerá nunca mais, por favor, não conte a ninguém o que viu.
Jon pareceu desconfiado.
— Vocês fingem que se odeiam? — Ele perguntou.
— Não! Eu realmente odeio Theon. — Ela disse.
— O que? — Theon disse e riu, como se o que ela dissesse fosse absurdo. — Você não me odeia.
— Cale a boca! Vá embora, Theon.
— Farei o que disse, minha senhora. — Theon disse abaixando a cabeça e foi embora.
— Espere! — Jon gritou, mas Theon fingiu que não o ouviu e seguiu andando. — O que estava fazendo, Aly? Conhece Theon e sua reputação.
— Eu... Eu sei. — Ela disse. Por um momento havia se esquecido de todos os defeitos de Theon. — Acredite em mim, Jon. Aquilo... Não voltará a se repetir. Não conte a Robb.
Jon ficou pensativo por alguns instantes.
— Tudo bem. Mas é bom mesmo que não volte a se repetir. Ou você acabará se machucando.
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