Wolverine: Guerra por Madripoor
1 Plano Roche
Notas iniciais
Logan chega ao Bar Princesa, o seu local favorito em suas visitas a Madripoor, uma ilha asiática. O mutante está disfarçado, pois da última vez que esteve aqui foi atacado pelos ninjas do Tentáculo. No momento, Logan veste uma roupa preta com um capuz na cabeça, escondendo seu cabelo preto. Ele senta em um banquinho e pousa sua mala ao lado.
–Cerveja. — Pede Logan.
–Já vou pegar — Diz o barman gordinho e careca, com um tapa-olho.
Logan olha ao redor do bar e pensa se já não esteve em uma situação melhor. Então, recorda-se de uma briguinha relatada pela Mulher-Aranha quando ela e os X-Men estavam na ilha meses atrás. "É, guria, cê nunca mais deve aparecer por aqui", pensa ele.
O barman retorna trazendo uma garrafa de cerveja e um copo, enchendo-o. Logan bebe um pouco da cerveja e encara os homens jogando cartas numa mesa feita às pressas. "Essa guria arrebentou mesmo o lugar", pensa outra vez enquanto bebe mais um copo.
Passado alguns minutos, a porta se abriu e um grupo de homens entrou no estabelecimento. Eles estão usando roupas sujas e, Logan pode ver, guardando facas na cintura. "Eles vão comprar briga", pensa. Logan continua bebendo sua cerveja e ignora o grupo.
Um dos homens, este musculoso e barbudo, fala algo para o barman. Infelizmente, Logan não entendeu. O barman balançou com a cabeça, confirmando o que o homem falou.
–Tu é americano? — Pergunta o homem, com um forte sotaque da Austrália.
–Depende. — Responde Logan, bebendo mais um copo — Depende do país.
–Só existe um país onde as pessoas são americanas.
–Então não, xará. Sou canadense. — Logan pousa o copo vazio — Mais uma rodada.
–É pra já.
–Ainda não, cara. — Diz o homem, como se fosse uma ordem para o barman — Não fui com a tua cara de americano.
–Canadense — Corrige-o. — Sou canadense, não americano.
–Pouco importa se você é canadense, americano ou mexicano, temos ordens para matar quem deseja ver o Chapel.
–Boa sorte com isso. Xará, mais cerveja! Não tenho o dia inteiro.
O homem musculoso puxa da calça a faca e agride Logan, que desvia no momento certo e joga o homem para longe. Os outros homens do grupo avançam contra Wolverine. Logan soca um e dá um chute em outro. De repente, o mesmo homem que puxou briga bateu com um taco de sinuca na cabeça do mutante. O objeto quebrou, mas o herói continua de pé.
Logan vira-se e dá um soco no rosto do agressor. Entretanto, o mutante é agarrado por trás e jogado para o lado, quebrando a mesa improvisada para baralhos. Os jogadores reclamam em malaio sobre o ocorrido.
–Lamento, xará. Não foi minha culpa. — Agora furioso, Logan se levanta e ativa suas garras de adamantium — Prometo que pago tudo mais tarde.
Os homens arruaceiros pegam correntes de moto e fazem uma roda ao redor de Logan. O mutante guarda suas garras e parece não pretender brigar.
–É o seguinte. Não quero machucá-los, portanto deixem-me beber cerveja em paz. — Diz na maior paciência possível e arrumando o baralho de cartas.
–Não quer brigar, covarde?
Logan para de arrumar as cartas e vira para o mesmo musculoso que agrediu-o anteriormente.
–Você me chamou de covarde? Xará — Logan reativa suas garras bem devagar — este foi o segundo maior erro de sua vida.
–Qual foi o primeiro? — Pergunta ele em forma de deboche. Irritado, Wolverine enfia as garras da mão direita no estômago dele.
–Nascer. — Logan retira as garras do corpo do homem, que ajoelha com sangue nos olhos (literalmente).
–Sai daqui, sua aberração! — O barman aponta uma escopeta para a cabeça de Wolverine — 4 idiotas como você ferraram com meu estabelecimento!
–Eu vou pagar.
–Não quero seu dinheiro americano! Cai fora!
Naquele mesmo instante, a porta é aberta com violência e uma moto entra no estabelecimento, atropelando as cadeiras e dos arruaceiros que ainda estavam de pé.
–Sobe — Diz o piloto. Wolverine não pensou duas vezes e subiu na moto, segurando-se na garupa. A moto fez uma curva e saiu do estabelecimento.
...
Em outro lugar, Roche está apreciando a paisagem. Roche tem o cabelo grisalho e barba estilo chinês, usando também um terno branco juntamente com a calça. Roche é o senhor do crime em Madripoor, atuando em especial na Cidade Baixa.
Quando um de seus agentes interceptaram uma comunicação de Dave Chapel, Roche imediatamente mandou um grupo para o Bar Princesa com o objetivo de deter o americano conhecido como Logan. A porta se abre e outro de seus agentes entra na sala.
–Diga.
–Senhor, o grupo foi nocauteado pelo americano. E por um motoqueiro. Ambos fugiram do bar.
–Pague uma indenização ao barman. Eu não esperava pelo motoqueiro. — murmurou para si. — Nosso assassino já está em Madripoor?
–Quase, senhor.
–Avise-me quando ele estiver aqui. E traga-o para cá.
–Sim, senhor. — O agente sai pela porta.
...
Já longe do Bar Princesa, Wolverine e o motoqueiro misterioso param no canto do beco de uma loja de bolos e entram na garagem de ferro. Ambos descem da moto.
–Obrigado pela carona, mas eu sei me cuidar.
–Mesmo com tantos ninjas atrás de você? — Diz o motoqueiro.
–Ninjas não me machucam.
–Eu não diria isso depois do que aconteceu com você da última vez, senhor Logan. Qual o nome da garota que lhe nocauteou? Joyce?
–Não te interessa, xará. Vou embora.
Quando Wolverine ia sair da garagem, o motoqueiro corre e chuta as costas dele. Logan cai no chão, mas logo se ergue. Ele ativa suas garras retráteis e avança contra o motoqueiro, que desvia e chuta o estômago do mutante. Em seguida, ela passa a perna no pescoço dele e o imobiliza.
–Você não vai a lugar algum, Logan.
–Solte-me, senão eu te corto! — Ameaça.
–Chega dessa encenação. Gente, que bagunça vocês fizeram com minha garagem? — Diz uma terceira voz.
O motoqueiro solta Logan, que fica ajoelhado e tenta recuperar o fôlego. Wolverine olha para o homem branco com traços asiáticos no rosto e de cabelo preto.
–Chapel?
–Em carne e osso, companheiro. Fico feliz que tenha vindo.
–Promessa é dívida, xará. Apesar de você não me encontrar onde combinamos.
–Perdão, mas tivemos um imprevisto. O senhor do crime interceptou nossa conversa e enviou homens para eliminá-lo. Por isso, enviei minha sócia. Logan, esta é Jessán Hoan
O motoqueiro, ou melhor, a motoqueira retira o capacete, revelando ser uma mulher. Ela possui o cabelo preto, liso e longo e também é asiática, mas com traços diferentes de Chapel — ela parece ser japonesa.
–Prazer em conhecê-lo, Logan — Diz Jessán, curvando-se e fazendo reverência ao Wolverine.
–Igualmente, japa. Chapel, por que eu vim para cá?
–Vamos derrubar o Senhor do Crime. E queremos sua ajuda. Além disso, você me deve um favor. Estou cobrando este favor agora.
–Tá bom, Chapel. Eu vou te ajudar. Quem é esse tal Senhor do Crime?
–Daremos mais detalhe amanhã, senhor Logan. Melhor descansar por enquanto. Levarei ao seu quarto.
Ambos saem da garagem, deixando Chapel sozinho ali com a moto. Jessán sobe as escadas juntamente com Logan. A japonesa vira a esquerda e para diante de uma porta. Em seguida, ela puxa de um dos bolsos de seu macacão uma chave quadrada. Ela destranca a porta e permite que Logan entre.
–O café será servido a partir das 7 da manhã. A água do chuveiro está morna, mas você pode diminuir a temperatura girando-o para a direita. Trarei roupas em breve. Tenha uma boa estada.
–Obrigado — Diz Logan, mas em japonês. Jessán sai do quarto e deixa-o sozinho.
...
Ainda em sua sala e quase madrugando, o Senhor do Crime bebe mais um gole de seu conhaque. Ele não aceita que seus homens tenham falhado, mas acredita que o novo contratado fará corretamente o serviço.
–Senhor Roche, ele está aqui. — Diz um segurança.
–Mande-o entrar.
Não demorou muito tempo e o contratado de Roche entrou na sala. Ele é alto, loiro, musculoso e veste a cor vermelha da mesma forma que sua antiga nação, a União Soviética. Seu sorriso é de um psicopata, mas Roche confia que o homem não tentará matar-lhe. O nome do assassino? Arkady Gregorivich, mas desde sua reformulação em seu antigo governo é conhecido apenas como Omega Red!
–Sente-se. — Pede Roche — Toma conhaque?
–Estou de regime — Diz.
–Certo. Regime. Senhor Gregorivich, eu e minha companhia...
–Nunca me chame assim. Chame-me apenas como Omega Red. Ou Omega.
–Perdão. Omega, temos um contratempo em comum. Meu inimigo chama-se Dave Chapel, ele quer dominar o crime em Madripoor e pretendo matá-lo, mas ele possui um mutante de seu interesse.
–Wolverine. — A voz de Omega continha ódio e fúria.
–Exato. Quero que você o mate ou atrapalhe-o tempo o suficiente para que meus homens façam o trabalho bem feito, que é matar o Chapel. Aceita?
–Sem pensar duas vezes, camarada. Deixe o cara comigo.
...
Dentro de outra base segura, Logan, Dave Chapel e Jessán Hoan encontram-se com um grupo de mercenários armados e vestidos como militares camuflados. Logan é o único fantasiado com sua clássica roupa amarela e azul. Chapel, o líder da missão, está repassando toda a missão para a invasão ao Banco Meridiano, a sede do Senhor do Crime.
–Pessoal, é o seguinte. Podem considerar uma missão suicida, podem considerar uma missão sem grande sucesso, mas é uma missão. E nós cumpriremos à risca. Dividiremo-nos em 3 grupos: Grupo A, liderado pela Jessán, manterá as ruas protegidas para os outros grupos. Grupo B, vocês darão cobertura nos prédios vizinhos como snipers. Grupo C será o grupo invasor. Eu e Wolverine estaremos nele. Invadiremos ao meio-dia. Vamos!
Logan e Dave Chapel entram em um caminhão militar juntamente de outras dezenas de mercenários. O caminhão liga e sai da garagem acompanhado de um comboio logo atrás. Chapel continua repassando a posição de cada um dos mercenários.
–Logan, você é o mais forte e preparado entre nós. Irá na frente.
–Beleza, Chapel. Me diga, e se o plano falhar?
–Se falhar, Jessán sabe o que fazer.
...
Passado um longo tempo, o comboio dos caminhões fechou a rua e o grupo B, formado por 4 homens em cada um dos prédio vizinhos, já tomam posição. No solo, Wolverine, Chapel e o restante do grupo C saem de seus caminhões e entram invadindo o Banco Meridiano, atirando nas portas de vidro.
–Sem sobreviventes! — Grita os mercenários.
Logan vai na frente e salta nos seguranças, sem utilizar suas garras de adamantium. Ele soca todos enquanto leva dezenas de tiros ao mesmo tempo. "Estou forçando muito meu fator de cura", pensa ele. Por sorte, seus companheiros mercenários também estão confrontando os inimigos.
...
–Senhor Roche! Estamos sob ataque! — Grita um segurança cercado por outros e fazendo um círculo ao redor do Senhor do Crime.
–Chapel! Droga, não esperava por isso. — Roche pressiona um botão debaixo da mesa e sua sala escurece graças às placas de aço que estão descendo sobre os vidros — Mandem o Omega! Agora!!
...
Wolverine cansou de se segurar e está atacando todos os seguranças ao seu redor com suas garras de adamantium. "Devo ser expulso dos Vingadores por isso".
–Ei, americano! Venha me confrontar! — Desafia um dos seguranças, escondendo as mãos nas costas.
–Você acha que sou burro, xará?
Logan caminha devagar até o segurança, que possui um sorriso debochado no rosto. Enquanto se aproxima, Logan ataca outros seguranças aleatoriamente com suas garras. No meio do caminho Wolverine começa a correr. A poucos metros, o segurança puxa algo como se fosse um lança-chamas e dispara contra Logan. Entretanto, o mutante desliza e desvia do fogo disparado, enfiando suas garras nas pernas do segurança.
–Idiota! — Diz Logan, chutando-o. — Eu sou canadense!
–Logan, depressa! — Grita Chapel — Falta um andar!
Wolverine se apressa e corre para acompanhar Chapel.
...
Na rua, as coisas estão paradas. Jessán ouve os tiros vindos tanto dos prédios vizinhos quanto de dentro do Banco. Ela sorri, já que sabe do sucesso do plano de Chapel.
–Senhorita Hoan! Cuidado! — Grita um mercenário.
Jessán olha para trás e vê um carro desembestado atravessando a barreira de caminhões. A japonesa salta para o lado e vê o início de um tiroteio. O carro quebrou o restante da vidraça e explodiu dentro do saguão do Banco Meridiano. No entanto, dentro das chamas ela pôde ver um homem loiro fechando a porta e ativando algo como se fossem tentáculos. "Ah, não".
–Chapel! Abortar missão! — Ela tenta dizer pelo rádio, mas está sem sinal.
De repente, um dos prédios vizinhos explode. E outro. E outro.
–O grupo B já era! — Grita ela — Protejam-se dos destroços. — Enquanto todos corriam para longe, Jessán entra no único prédio de pé: o próprio banco.
...
Terminando de subir as escadas, Chapel e Logan procuram pela sala aonde Roche se esconde. Eles chutam cada porta com muita força, mas todas estão vazias.
–Aposta quanto que ele está nessa daqui? — Pergunta Chapel, apontando para as duas portas unidas.
–Uma cerveja, xará.
–Faça as honras.
Wolverine prepara suas garras e tenta atacar as portas, mas um mercenário grita das escadas e isso chama a atenção de ambos.
–O que foi isso? — Chapel aponta sua metralhadora para a escada de onde vieram — Relatório, pessoal! Relatório — Nenhuma resposta. — Jessán? A transmissão está muda.
Das escadas, os mercenários sobem assustados e atirando em algo perigoso.
–Senhor Chapel, um monstro vem...Ah! — O mercenário é puxado para baixo com algo metálico.
–Olá! — Diz o inimigo soviético, terminando de subir as escadas.
–Omega Red! — Logan fica furioso ao vê-lo e prepara-se para o ataque.
–Wolverine! Será um prazer matá-lo!
–Não hoje, xará! — Logan corre na direção de Omega e inicia um confronto de garras e tentáculos.
–Logan! — Chapel tenta impedi-lo, mas não adiantou. — Droga! — Chapel vira-se para a porta e atira nela, destruindo-a.
Dave Chapel encontra o empresário Roche sozinho e de costas, encarando a janela metálica. Aquilo assustou Chapel, mas ele mantém sua metralhadora apontada para o empresário.
–Você deve ser Dave Chapel. — Diz Roche, ainda de costas — Mate-me logo, senão será um clichê dos filmes americanos.
–Não gosto de desvantagem.
Roche solta uma gargalhada por conta daquele comentário.
–Mate-me logo, Chapel. Ou eu mato você agora mesmo.
–Muito bem, então. — Chapel mira em Roche e atira no empresário, mas ele some — Mas que... — De repente, duas lâminas frias encostam no pescoço do atirador como se fosse uma tesoura só, mas são duas espadas.
–Isto se chama truque das sombras, algo que aprendi nos tempos de Tentáculo. Você planejou bem, não esperava um ataque logo hoje. Adeus, Chapel. — Roche puxa as duas espadas, cortando os dois lados do pescoço de Chapel.
Roche vira-se e encontra Jessán observando aquela morte. Os olhos da japonesa tinham a mistura de tristeza com ódio. Ao invés de haver um combate, ela sai correndo para longe.
Ao mesmo tempo, Wolverine e Omega Red protagonizam uma batalha violenta. Os tentáculos do ex-soviete se enrolam no pescoço do canadense, que tenta reagir com suas garras atravessando o corpo do vilão.
–Você sabe que não pode me derrotar, Logan. — Diz Omega, apertando ainda mais o pescoço do X-Man.
–Cala a boca, russo sujo! — Wolverine retira e ataca com as garras diversas vezes, mas sem sucesso. Omega resiste mais ainda.
Omega joga Logan pelas escadas, mas o vingador se recupera e agride outra vez o ex-agente soviético. Omega soca o queixo de Logan e, em seguida, um de seus tentáculos atravessa o corpo de Wolverine. Por fim, Logan fica enfraquecido e desmaia.
–Eu esperava mais, camarada. — Omega ergue-o com seus tentáculos e volta para a sala de Roche — Wolverine dominado e desmaiado.
–Muito bem, Omega! Vamos levá-lo para um lugar...jamais visto antes.
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