Wolf Woods
2 Capitulo 1 - A Mudança
Estava tudo no mesmo sítio, sem se alterar. A pequena vila continuava com o mesmo aspeto, a mesma humidade, a mesma tranquilidade, o mesmo ambiente misterioso que sempre a envolvia mas que de certa forma era amigável.
Tiveram sorte. De tempos a tempos o sol descobria e iluminava os contornos de tudo o que alcançasse.
Avistou a casa. Era grande em comparação com as construções em volta. As construções que iam ficando para trás conforme avançavam. Era a última casa á saída da vila. A sua fronteira com a floresta. Ainda que fosse grande, era simples, apenas com o necessário para viver.
Entraram através do portão de ferro sempre aberto e percorreram o pavimento de gravilha.
Assim que o carro parou, Chloe saltou do seu lugar, no banco de trás, para o exterior e inspirou o ar puro enquanto a sua pele absorvia os travessos raios de sol que conseguiram escapar á sua prisão de nuvens.
Karen, a avó, abriu a porta e deu-lhes as boas vindas.
Jeremy ajudou Chloe com as malas enquanto Karen os conduzi-a até o interior do que seria o futuro quarto da neta. Subiram as escadas e dirigiram-se ao extremo do corredor onde se encontravam duas portas perpendiculares. Karen abriu a que estava á sua frente e deixou que a nova inquilina da casa entrasse e se deslumbrasse.
O quarto era espaçoso e bem iluminado apesar de só ter uma janela, com duas cortinas azuis pálidas, ao centro. Na parede da esquerda apenas se encontrava uma escrevaninha com uma cadeira á sua frente e algumas prateleiras dispersas incrustadas na própria parede. Na da direita, encostada ao canto, uma cama com dimensões mais parecidas a uma cama de casal. A seus pés, um velho baú. Entre a cama e a janela uma mesinha de cabeceira com gaveta ocupava lugar. No canto oposto à zona de dormir um maciço e simples armário. Do teto pendia um candeeiro azul com uma boneca de trapos incrustada. Toda a mobília era feita de velha madeira trabalhada e bem conservada, sem sulcos ou arranhões. As paredes de um branco sujo que transmitiam tranquilidade.
Olhou para a avó e esta sorriu. Silenciosamente abraçou-a; um abraço que descrevia tudo o que estava a sentir.
Jeremy, por sua vez entrou no quarto abismado e pousou as malas.
— Fica à vontade. Instala-te que eu e o Jeremy vamos para baixo ajudar a tua mãe e o teu avô a preparar a refeição. Não é rapaz? – Jeremy olhou para ela e fez que sim com a cabeça, em seguida saiu para obedecer à ordem implícita. Vendo a cara da neta acrescentou – Mas onde é que a tua mãe foi desencantar aquele namorado? Sinceramente pensava que por esta altura já tinha mais juízo… — vendo a cara da neta acrescentou — Sim, sim eu sei eles já estão juntos há quase dois anos, nem digas nada… Bem vou para baixo e deixo-te. Não te preocupes com o teu avô, depois cumprimentam-se. – e piscou o olho fechando a porta atrás de si.
Não tinha muito para arrumar só trouxera o básico. Meteu mãos ao trabalho e começou a abrir as poucas malas que a acompanhavam. Primeiro, colocou as roupas, organizadamente, no armário. Depois, dispôs os livros pelas prateleiras nas paredes. Em seguida, colocou o despertador na mesinha de cabeceira e o seu peluche de infância na cama juntamente com a sua almofada. Atirou os demais objetos para dentro do baú e, por fim, empurrou as malas para debaixo da cama e organizou, à sua frente, os variados mas poucos sapatos que tinha: um par de ténis de correr e outro estilo ‘all star’, umas pequenas botas pretas e uns chinelos. Olhou em redor e a sua atenção foi atraída pela paisagem que se via através da janela.
Postou-se à janela. A vista era estonteante. Via-se o descampado e logo a seguir a densa floresta. Fixou o seu olhar nela sem conseguir desviar como se algo a atraísse para lá.
A sua barriga roncou. A voz da avó a chamar chegou-lhe aos ouvidos. Saiu do quarto e dirigiu-se rapidamente à cozinha.
A mesa já estava posta e os ocupantes no seu lugar, só faltava ela. Cumprimentou o avô à cabeceira da mesa e sentou-se a seu lado, em frente da avó.
O almoço foi revitalizante e a tarde que lhe seguiu também. Sentaram-se na sala e puseram a conversa em dia. Mas a hora das despedidas chegou. A sua mãe e Jeremy foram-se embora e a casa ficou silenciosa.
Como o avô foi para o escritório, Chloe e a avó foram preparar o jantar.
O tempo passara a voar. Quando se apercebeu o estufado de carne já estava no estômago e caminhava para o quarto. Veio a descobrir quase imediatamente que a porta ao lado da do seu novo quarto era a da casa de banho que ia utilizar e suspeitou que a avó fizera de propósito para lhe dar privacidade. Tomou um duche rápido e vestiu o pijama.
Quando se foi deitar reparou que a colcha tinha finos e delicados trabalhos rendados. Passou a mão por eles com suavidade. Deitou-se e cobriu-se com os lençóis, manta, edredão e colcha, aconchegando-se era uma sensação ótima.
“Nunca mais terei de ver aqueles imbecis agora. Amanhã começa uma nova vida!” — pensou e deixou-se dormir.
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