Wolf Ice
3 Ill
Notas iniciais
Capítulo 3
Observava a chama do fogo, um alaranjado vivo. A chama dançava sobre a brasa, como uma bailarina dança sobre o palco. Viciante, admito. Ficar olhando para a chama.
Após o jantar, minha loba aproveitara, também, o cair da noite para descansar. Afinal, ela não fez nada! Ficou apenas falando e falando em meus pensamentos!
“E por um acaso continuo falando” – ela comenta com a voz sonolenta.
“Durma!” – ordeno.
“Agora eu tenho que dormir! Mais há cinco segundos eu era a aproveitadora!” – ri com o comentário dela.
– Do que você está rindo? – olho para Gray, que me encara. Como ele é lindo! Desde que fizemos a fogueira e ficamos sentados, vendo cada um adormecer de cada vez, e ele cada vez me encarando de uma forma diferente. Tento imaginar o que ele poderia estar pensando a cada vez que me encara.
– Nada demais, apenas me veio à mente, uma... Amiga com seus comentários – Falo o encarando também, porém ele volta o olhar para a mesma chama que, antes, encarava.
Natsu havia me perguntado muitas coisas, como de onde eu vim, quem era meu mestre, de que guilda eu fazia parte, por que estou indo para a Fairy Tail, onde morava, quantos anos tinha, se eu tinha família... E a mesma resposta para todas as perguntas: “Quando chegarmos à Fairy Tail, responderei todas as perguntas, porém, tenho que falar com Makarov primeiro”. E mesmo assim ele insistia.
– Vou dormir... – Gray fala enquanto se deita, virando de costas para mim.
– Boa noite – Falo sem esperar uma resposta e sem receber a mesma.
Volto a olhar para a chama.
“Mina-sun... O que vamos falar para Makarov quando chegarmos à Fairy Tail?”
“Eu não havia pensado nisso... Acho que... Contar a verdade. Ele mais do que ninguém merece saber o que aconteceu com o irmã e como nós sabemos de tudo.” – Segundo meu mestre, ele havia fugido de casa após uma briga com Makarov. Desde aquele dia, ambos não se encontram... E esse encontro, agora, é impossível.
“Se eles nos olharem como se fossemos monstros?”
“Então nós saberemos que ali não é o nosso lugar... Nossa casa”.
“Mina-sun, em sinto que lá nos seremos vistas como qualquer outra pessoa... Seremos tratadas como pessoas comuns! Desde o dia em que o velho nos contará sobre Fairy Tail!” – Minha loba esta alegre.
“Assim espero loba.” – Suspiro fundo.
Olho para o céu, onde a lua crescente brilha como nunca. Algo de bom deve estar acontecendo para termos uma lua tão brilhante assim. Lembro-me da última vez que vi a lua brilhar assim... No dia que perdi minha família.
Nego-me a pensar sobre isso, afinal fazem mais de dez anos.
Resolvo dormir. Deito-me na grama e coloco a cabeça sobre um de meus braços. E assim adormeço.
ɸɸ
“Corro pela floresta, algo esta atrás de mim. É ele! O mago que mora dentro da caverna! Volto o olhar varias vezes para trás, porém não consigo ver nada além de escuridão. Começo, então, a correr o mais rápido, dar o meu melhor.
“Então, ouço um rugido. Meu coração começa a acelerar mais do que o normal. Volto o olhar para trás e então o vejo. O mago que corre mais do que qualquer outro mago. Que possuí olhos vermelho, que procuram por sangue e carne.
“O que eu faço?
“Tento despistá-lo. Porém, estou próxima a minha casa. E então tudo se encaixa em minha mente. Ele não está mais atrás de mim, agora o foco dele é a minha casa. Minha família!
“E então, eu caio no chão, vendo o monstro me ignorar e ir para minha casa. Me levanto e corro até a mesma, onde vejo apenas o fogo e ouço apenas os gritos.”
Dobro meus joelhos até o meu peito. Há tempos não tenho um pesadelo assim. Com... Eles.
As lagrimas são persistentes em querer sair de meus olhos, são tantas que eu não consigo conte-las. Deixo-as então, escorrer como nunca escorreram.
Meus soluços começam a ficarem mais altos. Os quatro corpos deitados em inconsciência começam a se mover. Eles não podem me ver assim, pois surgirão perguntas que não quero responder.
Levanto-me e caminho devagar e em silêncio, as lagrimas atrapalham o meu campo de visão, me limitando a ver nada mais que um palmo de distância a minha frente. Não paro de caminhar, vou até sentir que os outros não poderão me ouvir. Como eu pude deixar 5essa lembrança me corroer novamente? Sou treinada para não senti-la! Ou seja, todo o que o velho me ensinou foi em vão!
– Desculpe... Velho... Mais certas coisas, não podemos evitar... – Vou a sentir rios de lagrimas escorrendo em meu rosto.
Minha loba ainda esta dormindo. Ótimo.
Sento-me debaixo de uma árvore, e do mesmo jeito que estava, com os joelhos no peito, fiquei.
Aquela árvore estava de frente para o córrego que ali havia. O barulho de água corrente abafa os meus soluços.
O que eu fui fazer lá? Por que eu entrei na caverna? Por que eu não ouvi meu pai? Por que não acreditei em minha mãe?
São perguntas cujas respostas em não consigo responder. E isso é resultante em lágrimas. Soluços. Tudo.
Eu os amava tanto. Por que tive que os matar? Por que os matei?
E assim permaneço por alguns minutos, que pareceram-me, horas.
“Mina, o que houve? Por que está chorando?”
“Nada, loba...”
“Mina...”
Permaneço em silêncio.
Limpo o meu rosto com a água do córrego. Aproveito e bebo um pouco da água. Refresco a minha mente, tento não pensar em nada, ficar apenas consciente o suficiente para andar até Fairy Tail. Ouço um barulho vindo por trás de mim. Fico alerta, porém não paro de lavar as mãos.
“Mina, tem alguém atrás de nós.”
“Eu também ouvi...”.
“O que vai fazer?”
Não respondo.
Levanto-me, ficando perfeitamente em pé. Junto às duas mãos em frente ao corpo e penso duas vezes. Ele espera que eu ataque com magia. Fecho uma das mãos e viro meu corpo 180°. Minha mão é mirada no rosto do oponente. Porém, ela é segurada centímetros antes de acertar o alvo.
– Eu poderia ter lhe matado! – falo retirando minha mão do encaixe da sua.
Ele ri.
“Como ele ousa?”
– Isso era para me matar? Se fosse assim, tenho minhas dúvidas sobre seu poder! – E ele volta a rir.
Fecho a cara.
Como ele ousa dizer isso? Dúvidas sobre o meu poder? Ele está pensando que é quem?
Cerro meus punhos.
Sinto minha magia tomando conta de meu corpo, usufruindo do mesmo. Ele acha que eu não uma maga forte? Que eu não uso minha magia corretamente? Vou mostrar para ele quem é Mina D’Moon.
“Mina não faça isso!”
Mais já é tarde.
– Ice Rock! – falo com todo o ar que tenho nos pulmões.
O cubo se forma ao redor de Gray. Ele não está nem um pouco surpreso, está com a mesma feição de antes. Ele continua com a cara de riso! Isso é o cúmulo para mim! A raiva toma conta de meu corpo ao vê-lo destruindo meu Ice Rock.
– Pensei que você fosse mais forte... Deve ter sido algum engano, afinal você congelou aquele homem!
– Ice Total! – Conjuro dando alguns passos para trás. Vendo o corpo de Gray congelar em segundos, porém ele continua rindo. Perfeito. Sorrio de volta para ele e movo minhas mãos o mais rápido que posso – Dry Ice – Esse é um dos poderes mais sombrios que o velho me ensinou. Ele faz parte do Ice Total. Enquanto o seu oponente fica preocupado em descongelar-se, o Dry Ice é conjurado, deixando a vitima ligeiramente cega. Assim feito, a velocidade, no caso, a minha velocidade, triplica, permitindo-me assim, dar o golpe final nas costas da vitima.
Vejo o mesmo sorriso irônico de Gray, desaparecer. O mesmo sorriso que me enfrentará a poucos segundos. Agora é a minha vez de sorrir. Duvidou de mim, irá pagar por isso, não há dúvidas!
Ele está cego!
É a hora de atacar.
“Mina-sun! Pare!”
Em um piscar de olhos, Gray que estava sorrindo, agora está tentando sair do meu Ice Total.
Inútil.
Corro para as suas costas. E conjuro o feitiço:
– Frostclaw! – Minhas unhas, viram garras enormes e, obviamente, de gelo. E então corro para matá-lo pelas costas.
“MINA! EU ASSUMO O CONTROLE DE SEU CORPO!” – E antes que eu pudesse matar Gray Fullbuster, o meu corpo já não obedecia meus comandos. Sinto a transformação chegando. E isso é péssimo.
Vejo a magia sobre Gray desaparecer, levada pelo vento, assim como as pétalas das flores de cerejeiras são levadas pela brisa. Gray volta o olhar para mim, ele está furioso. O que, nesse momento, não é a pior coisa, mais sim, minha transformação em sua frente.
“Loba...” – Sinto meu coração doer como nunca. Esse é o efeito de uma das magias dela. Controle total sobre mim. Quando isso acontece, as minhas chances de morte aumentam devido ao meu coração congelado.
O meu corpo fica cada vez mais pesado, até o momento em que não consigo mais sustentá-lo. Caio de quatro no chão. O ar começa a faltar em meu peito. A loba não vai parar a transformação?!
“Mina-sun... Você iria mata-lo... Desculpe!” – ela choraminga.
Começo a puxar o ar como certa dificuldade. Gray ainda está parado na minha frente.
“Loba, eu não vou mata-lo... Pare a... Transformação!”
Porém ela não faz isso.
Possuo apenas uma opção.
Desfazer sua magia.
Isso pode custar a minha vida... Porém, isso já não me preocupa. Perder minha vida. Afinal, já presenciei tantas mortes, de tantas pessoas próximas e importantes para mim.
Gray percebe que minha respiração diminui a cada instante e se aproxima:
– Mina?
Estufo o meu peito com todo o ar que consigo inspirar e falo:
– Eu revogo o feitiço lançado por ela! – Sinto o circulo de magia se abrir abaixo de mim – Meu corpo sob o meu controle! – E assim está feito. Revogado o feitiço de minha loba, caio no chão, ainda respirando com dificuldade, duplicada agora.
“Mina... O-o que... O que você fez?”
– Mina, o que você fez? – Gray diz as mesmas palavras de minha loba.
E a imagem de Gray Fullbuster me encarando confuso, vira apenas um clarão.
“Perdão, Mina...”
E as palavras da loba, virão o som do vento que corre entre as arvores.
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