Wolf
1 Primeira Vista
Notas iniciais
Nos meus exatos oito anos, meu pai junto com minha mãe alugaram uma casa entre um parque e uma floresta bem atrás de uma grande montanha aonde o frio era comum, a casa mesmo simples era aconchegante com seu ar um tanto rústico. Estávamos bastante felizes era o momento perfeito para qualquer garota de oito anos. Era.
Meu pai resolveu me levar ao parque para me acostumar com o local decidimos lá brincar de bola, minha brincadeira preferida durante dias de neve — pelos quais admiro a beleza da cor extremamente branca junto com a magia que a neles — Nunca imaginando que nesse dia, nesse parque minha vida mudaria o seu rumo por completo, ou que esse acontecimento poderia me intrigar e assustar na mesma sintonia.
O parque onde nós estávamos era normal, com balanços, gangorras e tudo que deveria haver em um simples parque, com a sua própria floresta, cheia de trilhas — como já havia a mencionado — eu estava ganhando de dois a zero, riamos muito enquanto eu me gabava da pequena vitória.
Pai.
Logo depois do jogo algo pulou em cima dele, a criatura era forte, grande, porém fascinante, tinha dentes que na minha visão seriam para ajuda a rasgar a carne do alimento, e as garras para fazer o trabalho que seus dentes não fariam, seus pelos eram prateados com pequenas mechas pretas, foi tudo tão rápido, que quando dei conta do que estava acontecendo corri para casa, chorando aos berros. O que mais uma garotinha de oito anos conseguiria fazer?
Depois daquele dia nunca mais vi meu pai, ouvia minha mãe chorando pelos cantos, se lamentando e tentando fazer com que eu não percebesse — sem sucesso — mesmo assim fingia que não a ouvia. Ela também recebia ligações de policiais dizendo que não haviam encontrado nada, nenhum vestígio, o que piorava sua tristeza. Hoje procuro saber o que era aquilo que atacou meu pai, qual o motivo para ter atacado um adulto e não uma frágil criança?
Seria mais simples.
Depois daquele acidente todos os dias algum policial vinha nos visitar ou era perguntas para mim ou para minha mãe, os olhares que eles davam quando me olhando eram de preocupação, medo. Podia senti que eles tinham uma pequena preocupação conosco, afinal meu pai tinha morrido de uma forma muito, muito estranha. Todo o dia vinha uma mulher para conversar comigo. Para apoios psicológicos.
- Vamos garotinha, não vai doer nada se você conversar comigo um pouco. — Seu sorriso fixo demonstrava que ela não queria estar ali ao meu lado.
- Hum. — Era o que eu pronunciava, era tudo que eu queria pronunciar em sua presença. Sentia que ela queria me sacudir até eu a responder. Sentia seu ódio.
- Ótimo como você está se sentindo?
- Hum. — E assim se passaram mais duas longas horas com a doutora Ana.
- Acabou, até outro dia, senhorita. — Ela se levantou, meio que apressada para ir embora e agradecer por conseguir fugir de mim...
Dez anos depois ainda procuro minhas preciosas respostas que não vou parar até consegui-las, a não vou.
Se tenho medo? Claro, quem em sã consciência não teria? Tenho medo de até aonde minha curiosidade irá me levar, do que poderei encontrar pela frente, dos perigos. Eu sei que aquilo não era exatamente um animal sei que é algo, além disso, muitas perguntas vêm em minha mente quando penso nisto: \"Será que existem coisas fora do mundo que julgamos ser normal? Se a coisas mais incríveis que uma simples invenção cientifica?\"
Existem mais de onde surgiu a tal criatura? E se aquilo for anormal, existem mais coisas como aquilo?
Levantei da cadeira puxando minha bolsa do chão, desci rapidamente a escada e encontrei minha mãe.
- Filha, vai querer café?
- Não, obrigada mãe, já vou indo, estou atrasada! — Sai correndo fechando a porta enquanto ela sorria e acenava.
- Até mais tarde querida!
E foi assim, o começo de mais um dia monótono, alguns da escola podem até dizer que sou estranha por ser assim, tão indiferente. Mas é (desde o acidente) o meu jeito de ser, meu modo de me proteger, deixando meus pensamentos somente para mim afastando tudo e todos deles.
- Hey Rachel, me espere. — sua fala ofegante abafou meus pensamentos.
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