Wizard
25 Capítulo 8 - Second Season
Notas iniciais
— Precisamos de algumas respostas, amigo. – Disse ao cara amarrado na cadeira, com a ponta da minha espada encostada em seu pescoço.
— Pode pegar as minhas coisas, mas eu não di... – Minha mãe pegou o punhal do meu pai e fincou na coxa dele. Ele gritou de dor, ela torceu, abrindo a ferida. Peguei o pingente e curei a perna dele.
— Bom, ainda temos bastante energia, então podemos ficar aqui um bom tempo.
— Tanto faz, vai ser melhor que ser entregue para o governo. – Minha mãe levantou o punhal novamente, mas pedi para esperar. Fiz um sinal pra que continuasse. – Eu era um Wizard incomum, venho de uma família de inibidores.
— Inibidores? – Perguntei.
— São Wizards que tem o poder de impedir a nossa magia. – João respondeu pegando o punhal de volta. – É aquela Gem presa no machado? – Ele negou.
— Não tenho uma Gem a um bom tempo, por isso estou limitado a inibir o uso de novos poderes apenas em salas fechadas como essa. Como eu falava antes, nossa família focava mais em combates, então montamos um dojo de artes marciais. Ficamos séculos escondidos, mas há menos de uma década, o Governo capturou a todos nós. Quando descobriram a respeito da nossa habilidade, resolveram fazer testes em nós, para criar uma máquina pra inibir vocês, em uma escala nacional. Eles não conseguiram finalizar o projeto, mas no final, todos da minha família morreram, exceto eu e minha irmã. Conseguimos escapar graças a ajuda do meu empregador, mas agora estamos reféns dele. Se eu não aceitar as suas “missões”, ele me entrega de volta para o governo.
— E quem seria esse seu empregador? – Ele cerrou os dentes e não respondeu. – Você não pode falar quem ele é? – Ele concordou. Pensei um pouco e perguntei. – Qual era a natureza das sua missões?
— A maioria eram de reconhecimento, apenas avaliar novos alvos dela, mas se ele fosse do elemento Aqua, eu recebia a ordem de neutralizá-lo.
— A sua Gem, o poder dela é idêntico ao seu? – Ele concordou. Chamei ambos para um canto e falei. – Olha, se a história dele for verdadeira, podemos eliminar o empregador dele, assim eu fico a salvo.
— Bom nesse ponto eu concordo com você, mas você ao menos suspeita de alguém? – Minha mãe perguntou.
— Tenho uma pessoa em mente sim, se for ela, ela deve estar em posse da Gem. Preciso de um tempo, tenho trabalhado em algo que pode me ajudar. Mas tem um certo problema. Preciso enfrenta-la sozinho.
— Como assim? – Ambos gritaram ao mesmo tempo. Meu pai tomou a palavra. – Não mesmo, se ela matar você?
— Ela vai tentar.
— E?
— Bom, como disse, tenho trabalhado em algo há algum tempo, mas nunca tinha tentado antes, caso funcione, eu tenho um plano. Pra saber eu preciso sair daqui.
Voltamos até o cara amarrado na cadeira, ele olhava a todo momento para o machado dele e tentava se balançar, mas a cadeira mal se movia.
— Qual o seu nome?
— Ricardo.
— Bom ,Ricardo, eu sei quem é o seu empregador. Ela não vai escapar tão fácil assim. – Ele me olhou surpreso, depois olhou para um lado qualquer. – Bom, só preciso saber como saio daqui. Se me dizer, posso deixar você e sua irmã livre. – Ele continuou olhando para o lado. Olhei a sala em volta, como estava sem sinal de círculo, ele poderia estar omitido. – Só olhe pra direção dele, só isso que e preciso.
Ele olhou sobre o ombro direito, apontando para um ponto mais escuro da sala, caminhei até lá e antes que pudessem me impedir, o círculo brilhou e estava do lado de fora da clareira. Corri até o centro e segui direto para o Quartel. Entrei e fui até a sala do Oliveira. Como estava vazia, perguntei pelos corredores a qualquer um que passasse, eles me indicaram o ginásio dali. Antes de entrar no ginásio, perdi acesso a minha magia. “Então ela está aqui” . Voltei alguns metros e assim que estava livre da influência da Gem, coloquei uma magia no meu braço e voltei a ficar próximo da porta, meu braço doeu um pouco mas a magia ainda estava lá. Voltei e desfiz a magia, reproduzindo-a em meus pontos vitais. Olhei para ambas as mãos, conferindo se as runas ainda estavam lá e assim que me senti pronto, entrei.
O Oliveira estava com roupas casuais, conversando com a Gabriela. Me aproximei dos dois, eles falavam aos sussurros sobre ela. Assim que notou a minha presença, ela puxou uma faca e atirou na minha direção. Apenas desviei da faca e esperei um outro golpe, mas ela parou.
— Então finalmente resolveu aparecer? – Disse com um sorriso.
— Bom, aquele cara não era lá grande coisa. – Disse retirando a capa. Mexi os ombros levemente invoquei a Venit. O capitão se pôs entre nós, pedindo calma pra ambos os lados.
— Como assim aquele lá? – Ele perguntou.
— Um cara “gentilmente” sequestrou a minha mãe para que pudesse me matar. O que sinceramente não foi uma boa ideia. – Cerrei o meu punho esquerdo e nele apareceu o meu Ice Wall. Ela tirou a pistola do coldre e a travou, jogando-a para fora do nosso alcance. O Capitão olhou para nós e, suspirando, se afastou. Assim que tomou distância suficiente, fingi usar a minha magia, e fiz uma cara surpresa quando não funcionou.
— Esperava que eu não viesse preparada? – Ela abriu uma pequena caixa, dentro dela tinha confortavelmente uma Cromatina transparente. Depois de fechar e guardar em um de seus bolsos. Puxou suas facas e habilmente arremessou em minha direção. Defendi com o escudo e invoquei a Venit com o Braço direito. Ela correu e rapidamente encurtou a distância entre nós, golpeando com uma estocada em direção ao meu peito. Aparei o golpe com o meu escudo e tentei acertar um corte na coxa, mas ela desviou e voltou a atacar, dessa vez em direção ao rosto. Me abaixei e a empurrei com o escudo. Ela cambaleou para trás, assim que se estabilizou, mostrou uma das mãos um pino de granada. Me afastei, mas a explosão da granada de fumaça foi forte o bastante para afetar a minha audição, tempo suficiente para que, em meio a fumaça, ela me encontrar e acertar alguns cortes no abdômen e perna. Fiz o máximo que pude e, a medida que a minha audição foi voltando, fui defendendo melhor os golpes dela.
Assim que a fumaça dispersou, um pouco, vi uma silhueta em minha direção e desferi um corte vertical, ela recuou, mas não sem deixar um pequeno rastro de sangue. Decidi me afastar um pouco e tentar me acalmar, apesar da maioria dos cortes serem leves, valia lembrar que ela poderia usar aquele veneno outra vez. Assim que o resto da fumaça desapareceu, a vi ajoelhada, enfaixando o braço, com um pedaço da blusa. Terminei de conferir ver se tinha algum sangramento serio e, vendo que não, corri, preparando para usar meu ice wall.
Ela lançou uma outra granada, a rebati com o meu escudo, lançando-a em um dos extremos, ela levantou e tentou um corte ascendente, recuei um passo e girei a minha espada, acertando o dorso de sua mão com a parte chata. Ela largou a faca, com o outro braço tentou puxar mais uma, mas toquei o seu peito com a ponta da Venit. Os cortes começaram a arder, mas mantive a postura tempo suficiente para o capitão, que até agora apenas observara, se aproximar novamente.
— Você admite que sequestrou a minha mãe? – perguntei. Uma onda passou pelo meu corpo, minhas mãos tremeram por alguns segundos antes de conseguir estabilizar novamente. – Admite que fez esse circo todo só pra me matar? – Ela sorriu e olhou para o capitão. Ele virou o rosto e retirou uma das algemas do cinto.
— Vamos apreende-la até segunda ordem, já que você tem pelo menos uma Cromatina ilegal. – Ele olhou para mim e disse. – Pode deixar o resto comigo.
Concordei com um aceno e cambaleei em direção a saída, precisa sair da zona de ação daquela Gem pra eliminar aquele veneno. “Bom pelo menos agora eu...” Recebi um forte impacto nas costas, acabei caindo de bruços no chão. Tentei me levantar, mas recebi outro golpe nas costas, senti os ossos da minha espinha se partirem, causando uma enorme onda de dor. Tentei gritar, mas não saia som algum da minha garganta. Olhei para o lado e vi a Gabriela com a minha espada em mãos. Ela apontou uma pistola em direção a minha cabeça e com um sorriso puxou o gatilho mais uma vez.
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