Wizard

21 Capítulo 4 - Second Season


— Onda Trovão! – Diversos raios saíam do meu corpo, formando uma nuvem violeta que se expandia rapidamente, os raios vez ou outra saíam da formação, mas logo voltavam. Caí exausto no chão, minhas mãos tremiam, queria desesperadamente comer e dormir, mas mal conseguia me mover. Respirava de forma rápida e irregular, minha visão começou a ficar turva, quando uma pessoa entrou no meu campo de visão. Senti a agulha perfurar o meu braço esquerdo, uma onda de energia percorreu o meu corpo, meu coração começou a bater cada vez mais rápido, meus músculos relaxavam e contraiam involuntariamente, depois de um tempo se estabilizou. Tentei levantar o meu braço, ele se moveu lentamente pra cima, fechei e abri a mão algumas vezes e segurei um bastão ao meu lado, dentro dele tinha pilhas, absorvi a energia e a usei pra descansar um pouco. Levantei, cambaleei até uma cadeira e me joguei nela. Assim que voltei a respirar normalmente, um cara puxou a cadeira e sentou a minha frente.

— Até quando acha que pode manter esse nível de treinamento? – Ele perguntou nervoso, mas apesar do tom de voz, sabia que estava bastante preocupado.

— Até eu conseguir…

— Mas se você morrer antes não vai adiantar de nada! Desisto de entender…

— Eu preciso… não, eu vou me tornar mais forte. Eu tenho que derrotá-lo e trazê-la de volta. – Disse confiante.

— Sim, mas nada além de descanso hoje, você já treina nesse nível há quatro dias, sendo que você não dorme a três! Volte pro seu alojamento até segunda ordem.

Contrariado, saí do ginásio e segui até um conjunto de prédios de quatro andares, entrei no último, subi até o quarto andar, encontrei a porta 403 e entrei. Joguei a bolsa no sofá, joguei as peças de roupa que tirava em qualquer lugar e entrei no banheiro. Liguei a ducha, coloquei na temperatura mínima e sentei embaixo dele, abraçando as minhas pernas e encostando a cabeça nos joelhos, fiquei parado na mesma posição por horas. Entrei em uma espécie de transe, absorvia a energia da água e recarregava a minha pedra, enquanto descansava. Ouvi, depois de muito tempo, alguém bater na porta e logo depois entrar. Ela seguiu o barulho do chuveiro e bateu na porta.

— Quanto tempo pretende se isolar do mundo? – Ela bateu mais uma vez, parecia bastante irritada. – Não vai responder? Então tá. – A porta de madeira simplesmente explodiu, pedaços e farpas voaram por todo o banheiro. Ela passou a mão na tampa do vaso, limpando-o, e sentou, enquanto me observava. – Você ficou aqui esse tempo todo? Devia de tá cansado mesmo.

— Bastante. Há quanto tempo?

— Dois dias. O síndico já começou a reclamar de novo da água.

— Eu não ligo, afinal eu pago a conta de todo mundo sozinho. – Suspirei. Levantei uma das mãos e desliguei o chuveiro. Apontei pra uma toalha, ela pegou e jogou pra mim. Levantei a cabeça e inclinei-a levemente em direção a porta, ela suspirou e saiu, não sem antes dizer:

— Que diferença faz, já vi você assim tantas vezes… — Sequei e fui até o meu quarto, vesti uma roupa leve e me olhei no espelho. Parecia realmente acabado. Suspirei e fui ate a sala onde estava a mulher. Ela já tinha preparado um pequeno lanche, que comi com voracidade, e depois ela deitou em meu peito. Ficamos assim por um tempo até que ela perguntou:

— Isso tudo é por causa daquela época?

— Sim. Eu sei que foi minha culpa. O mínimo que eu posso fazer e me redimir. – Ela suspirou e tocou no meu tapa olho.

– Você pode mesmo regenerar o seu corpo? – Fiz que sim com a cabeça. – Então por que aqui nunca regenerou normalmente?

— Não faço a mínima ideia. Mas até que é bem útil assim.

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Eu acordei no chão da maca, dois policiais mantinham guarda no local. Eu gemi e me sentei. Olhei em volta e vi que já era noite. Suspirei, aquilo realmente me cansou, seria tudo tão mais simples se a Gabriela não tivesse me atacado daquele jeito. Eu tentei olhar para a esquerda, mas não vi nada, toquei no meu olho, parecia normal, exceto por ele ter uma consistência escamosa. “Ai meu deus”, eu pensei rápido. “Nasceu um peixe no meu olho”, toquei de novo, tentei puxar mas doeu a ponto de gritar e assustar os policiais. Um deles saiu pela porta, o outro ficou com a arma destravada em posição de combate. Respirava rapidamente, pra ver se a dor diminuía, mas não adiantava nada. Depois de um tempo, quando melhorou um pouco, o outro policial apareceu com o comandante, ele tinha uma postura séria o suficiente pra que eu começasse a ter uma postura mais defensiva.

— Me siga. – Foi o que ele me disse assim que me viu.

— Mas...

— Só me siga. – Ele disse mais baixo, mas me deu muito mais medo. Segui ele até uma sala com um vidro na parede. Entrei e vi sentada a Gabriela, algemada e muito, mas muito irritada. Eu sentei na extremidade oposta, ele ficou junto com o cabo Almeida. EU tinha no caminho pego um pedaço de pano que encontrei e fiz uma bandagem improvisada para o meu olho.

— Vou ser bem direto. Eu poderia colocar ambos em uma cela por muito tempo. Mas para a felicidade de você eu sou muito bonzinho e vou apenas tentar resolver isso amigavelmente. O que é obvio que se não acabar bem, ambos vão presos. Ok? – Eu fui o único que respondeu a ele.

— Primeiro. – O cabo olhou na minha direção. – Posso saber porquê o seu olho tá sangrando?

— Preciso ir ao banheiro.

— Não tão rápido.

— Tem certeza que querem ver? – Ambos concordaram. Retirei a bandagem e toquei o meu olho. Senti aquela pele escamosa se mexer levemente. Aquilo no meu olho era uma pele de proteção, agora ela havia soltado, eu puxei-a levemente até que saiu. Usei o restante da magia pra acabar com o sangramento e fui até o vidro, ele refletia como um espelho. Olhei pra ele e vi que meu outro olho era... estranho. A pupila parecia normal, mas quanto ao resto, parecia que a esclera e a íris tinham se juntado, colocando numa cor que seria difícil de descrever. Ela mudava pra diversas tonalidades sempre que olhava de um ângulo diferente, mas era predominantemente azul. Prestando atenção, a minha pupila vez ou outra ficava meio avermelhada de outro ângulo. Tentei olhar só com esse olho, mas via tudo escuro, talvez ainda não estivesse reparada a ligação entre o olho e o cérebro.

— Nojento. – A Gabriela disse com asco.

— Incrível. – Foi o que o Almeida disse.

— O que é isso?

— Não faço a menor ideia. — Ele bufou. – Olha isso é novo pra mim também. Apesar de saber bastante de magia, eu nunca li sobre algo semelhante a isso. – O cabo pegou uma bandagem e eu recobri o olho novo.

— Entendo. Tem algum recurso que possa consultar? – Fechei os olhos e me foquei nas lembranças do príncipe, mas não tinha nada a respeito. – Poderia ir ao banheiro?

— Por que?

— Eu não tenho nenhuma energia extra agora, então não posso pegar o meu livro e dar uma olhada.

— Não, você pode muito bem machucar a todos nós.

— Eu machuquei vocês depois que eu desmaiei? – Ele mostrou a mão, retirou a luva e vi uma bandagem nela.

— Eu toquei em você quando estava com aquela... aura azul, mas você queimou a minha mão, só que todos sentiam que a sua volta era extremamente frio. Alguns tiveram queimaduras de primeiro grau, mas estão bem, mas a minha mão, ela teve uma queimadura de segundo grau, o médico disse pra não me preocupar, que ela ficaria como nova, desde que eu descansasse. Por duas semanas.

— Em minha defesa, se a garota ali não tivesse me atacado, aquilo não tinha acontecido. – Ela pensou em falar, mas o capitão olhou pra ela e por algum motivo, se conteve e ficou calada.

— Como assim?

— Eu estava prestes a desmaiar, meu corpo estava envenenado e severamente ferido e tinha uma séria ameaça a minha vida. Meu corpo agiu por instinto e me recobriu com uma camada de energia, fria o bastante pra manter qualquer um afastado. — “Provavelmente.”, pensei, aquela magia também não estava no livro. O que queria dizer que o que eu aprendi apenas arranhava a magia. Talvez algumas magias nível 4 e 5 no livro foram criadas por pessoas como eu, que agiram por puro instinto. “Será que as minhas também estão no livro? Acho que não.”

— Aquilo foi pura autodefesa? – Concordei. – Mas não impediria uma bala.

— Talvez sim, talvez não. Mas concordam que aquilo me protegeu. Apenas isso.

— O que volta a questão do seu olho. Não sabe mesmo o porquê disso? – Fiz que não com a cabeça.

— Não vamos nem comentar a respeito do veneno que ela colocou nas lâminas? Ou do fato dela ter fincado uma faca na minha cabeça? – Eu disse meio indignado.

— Não. Pode ir pra casa. – Bufei indignado, mas brigar não daria em nada ali. Almeida me levou até a saída. Segui andando até em casa atento, mas ninguém me seguiu. Chegando em casa, eles surtaram por causa do olho, mas calmamente expliquei a situação e menti um pouco sobre a gravidade do ocorrido. Fui para o chuveiro, que a proposito demorou umas duas horas até eu me sentir um pouco de energia fluindo em mim. Depois deitei na cama e suspirei. “Que merda de dia. Saco, porque que tinha que acontecer comigo?? Justo comigo? Merda de olho idiota!”

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Assim que o Eduardo saiu, a Gabriela ficou numa postura mais ofensiva.

— Pra que todo esse teatrinho? Não era mais fácil ter atirado nele e acabado com tudo de uma vez?

— Eu não menti ou atuei como você disse, eu apenas omiti bastante os fatos. – Ele soltou as algemas dela e se sentou em uma cadeira próxima. – Não sabemos muita coisa a respeito desses “Wizards”, mas ele podia nos informar ou até mesmo se tornar um dos nossos oficiais. Mas voltamos à mesma questão outra vez: quando você vai superar isso?

— Nunca! – Ela disse numa voz baixa, se aproximou do rosto do capitão com um olhar frio. – Eu prometi a ele, vou matar cada um que use magia de água. Cada um deles.

Notas finais
Bom, eu expliquei (Mais ou menos), os motivos de estar postando novos capítulos na historia Novos Horizontes, então se tiver alguma curiosidade, só dar uma passadinha lá. Até o próximo capítulo!!