Wizard

34 Capítulo 16 - Second Season


Notas iniciais
Boa leitura!

— Está ferido? – Uma mulher, por volta dos 50 anos, me perguntava com um olhar gentil. Ela me entregou uma garrafa de água e segurava uma maleta de primeiros socorros.

— Não, eu estou bem, obrigado. – Estava sentado na parte de trás da van, na minha frente estava uma outra oficial, tinha cabelos louros e olhos azuis, que nesse momento estavam iguais aos meus, vazios. Mas por motivos completamente diferentes. Ela perdera todo o time dela, que eram os seus melhores amigos, de forma brutal e eu, bom, eu acabei de tirar uma vida. Mesmo sendo de um criminoso, ainda era uma vida.

Os bombeiros tinham chegado pra apagar as chamas, e logo depois duas ambulâncias pararam e prestavam atendimento aos soldados feridos. De dentro da van dava pra ver o Capitão falar com a imprensa sobre o ocorrido, dava pra ver várias câmeras de emissoras famosas. Ele já havia reportado aos superiores o que aconteceu, então deram autorização pra revelar os fatos à imprensa, já que foi um sucesso a missão.

— Você tem certeza? – A oficial perguntou pra mim. No colete dela estava escrito cabo, mas o sobrenome estava coberto, era um padrão no nosso grupo. Ela levantou a cabeça, parecia que choraria a qualquer momento, mas tentava se manter forte. Concordei com um aceno. – É a sua primeira vez? – Olhei confuso pra ela. – A primeira vez que tira a vida de alguém.

— É.

— Que bom que você se sente assim. – Por um instante, o ambiente a minha volta esfriou. – Isso só mostra que você é uma boa pessoa. Você realmente se importa. Mas vai por mim, esse sentimento, não vai melhorar, você só se acostuma.

— Meus pêsames. – Foi o que eu disse. Ela concordou e voltou a fitar o chão. Assim que o capitão entrou no carro, o nosso motorista nos tirou dali. Quando estávamos mais afastados, ela se encolheu em um dos cantos e, escondendo o rosto, ela desabou. O capitão se sentou do lado dela, consolando-a, mas levou muito tempo até o choro diminuir.

— E o Carlos? – Perguntei.

— Ele perdeu muito sangue, mas conseguiram estancar, então deve de sobreviver. E você?

— Eu estou ok. – Disse, voltando a olhar para a porta.

— Olha, foi minha culpa ter levado você at...

— Não precisa se culpar. Provavelmente aquele cara mataria a todos nós, naquele momento, era a nossa única opção. E eu não me arrependo. – Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Ele esticou a mão, mas recuou logo em seguida. – Mas mesmo assim doí. — Sussurrei escorando a cabeça na lataria e fechando os olhos.

Ficamos em silêncio o resto do caminho, assim que chegamos, segui direto pra uma sala, onde nós retiramos as nossas fardas e armas, e vestimos a nossas roupas casuais. Segui pra uma baia pequena, onde tinha apenas uma mesa com uma caneta e uma folha com algumas perguntas e um espaço vazio atrás. Já tinha preenchido algumas vezes durante treinamento, era um relatório do que tinha acontecido. Sentei-me e levei alguns minutos até começar a escrever o meu. Assim que acabei, o que pra mim foi uma eternidade, segui para os chuveiros e fiquei durante um bom tempo debaixo da minha ducha, não só pra me recarregar, mas pra tentar tirar esse sentimento de mim. Voltei a mim quando alguém bateu na lateral da minha baia. Desliguei o chuveiro e segui para a sala do capitão. Como ele tinha participado da missão, tinha no lugar dele um superior, junto de um cara por volta dos trinta com uma prancheta.

— Sente-se. – Me sentei e esperei ele começar as perguntas. – Nome e patente.

— Eduardo Rocha, Soldado Mago.

— Relate pra nós o que aconteceu. – Fiquei por volta de uma hora contando o que aconteceu e como eu me sentia, o que sinceramente era um porre, mas era padrão, então tinha que fazer. Assim que acabou, peguei as minhas coisas e fui pra casa.

Minha mãe estava sentada no sofá, assim que me viu, ela correu e abraçou forte.

— Não machucado tá?

— Não, tá tudo bem. – Ela se afastou e olhou nos meu olho. – Sério, tá tudo ok. – Disse forçando um sorriso.

— Aquela magia...

— É, fui eu. – Fomos até a cozinha, ela estava fazendo um chá, ela terminou de coar e me deu um copo.

— Eu não vou parecer um rádio velho e dizer o quanto isso foi perigoso, ou o tanto que me deixou preocupada. O que aconteceu? A verdade, a TV mente ou aumenta, você sabe. — Peguei o meu telefone e tirei a bateria, ela fez o mesmo.

— Tivemos uma missão pra apreender um cara com uma Gem, a informação veio de uma fonte anônima, mas segura, já que tinha entregado outras informações úteis. Ele já tinha várias mortes confirmadas, e como eu estava no esquadrão, além de ser um mago, eu fui pra cobrir eles. Acontece que aparentemente era uma armadilha, e assim que estávamos prontos pra ir, ele começou a matar as equipes. A nossa foi a última, vimos o André ser cortado ao meio pela magia de sombra dele. Depois tentou nos atacar, mas dei suporte ao time com as minhas magias, mas mesmo assim acabamos encurralados. Então quando não tinha mais opção, só sobrou o meu cajado, então... – segurei mais firme a caneca. Ela se aproximou e passou a mão na minha cabeça. Ela queria me confortar, mas eu via que ela não conseguia encontrar algo certo para o momento, então ficamos assim por um tempo. – Eu vou pra cama. – Me despedi e fui para a cama.

Recebi uma ligação pela manhã, pediram pra ir até um psiquiatra da empresa, depois ficaria liberando por uma semana. Pelo que entendi não só eu, mas a oficial loira também. Assim que me liberaram do colégio segui para a clínica, depois de terminar a minha avaliação e, segundo ela, estar “normal”, coloquei os fones e decidi andar pela cidade até dar a hora de voltar pra casa. Quando percebi, estava perto do Calabouço, então segui pra lá. Acabei não precisando mais dos elementos, ele de alguma forma me reconhecia, então apenas toquei no globo e a passagem abriu. Fiquei em frente ao pedestal e retirei a venda, três opções de teleporte, escolhi a segunda. Assim que disse o número do andar, no segundo seguinte estava nele. Vaguei pelo lugar, os monstros ainda não haviam dado respawn. Sentei em uma das salas e fechei os olhos por alguns minutos.

— Milagre você ter voltado aqui.

Só pela voz sabia que era a Alice. Estava em frente à sala luminosa com o ácido. Abri o olho e a vi, com uma blusa de frio e um lampião elétrico na mão. Ela desligou e se sentou do meu lado.

— Pensava que você não podia mais sair.

— Minha mãe me liberou. – Ela estava com o livro de aeris em uma das mãos. – Há isso. Eu venho aqui embaixo treinar, de vez enquanto. Não que a minha mãe saiba, mas já que não detecta magia aqui, é um bom lugar.

— Assim espero. –Disse olhando pra sala.

— O que tá te incomodando? – Fiquei alguns minutos em silêncio, não queria dizer pra ela o que aconteceu. Ela também não perguntou, ela pegou o livro e lançou uma magia de som, Silence. Ela ficou durante alguns minutos lançando e desfazendo a magia, mas cada vez ficava mais inquieta. De repente ela se levante e se ajoelha na minha frente, olhando direto nos meus olhos. – Sério, em dá agonia te ver assim. O que que pegou? – Eu desviei o olhar e não disse nada. Era muito egoísta da minha parte, por que não queria que ela fosse embora, mas não tinha coragem pra dizer o que tinha acontecido, com medo do que ela poderia achar. Ela suspirou e se sentou. – É sobre a notícia? Olha, eu sei que foi você.

— Como assim?

— Passou em todos os canais, até no nacional. Um Oficial Mago usou uma magia de destruição em massa pra eliminar um procurado federal. A descrição da magia é idêntica a que você me passou do Cajado do Vazio, então liguei os pontos. – Eu fechei os olhos. – Olha o cara deve tá morto agora, mas você está aqui. É o que importa pra mim. Quer dizer, pra todo mundo. Disse desviando o olhar com o rosto corado.

— Qual o seu problema?

— Como? – Ela perguntou confusa.

— Você acabou de dizer que sabe que matei o cara, e mesmo assim tá tudo ok pra você? – Eu gritei. Minha voz ecoou pela caverna, então foi bem mais alto do que imaginei. Ela parecia assustada, mas depois colocou a mão no meu rosto.

— Eu não me importo. – Agora eu estava com a cara surpresa. – Eu já perdi amigos, família, o meu pai. Eu não quero perder mais alguém. Então se você voltar vivo quer dizer que um criminoso morreu, foda-se, eu não me importo. Por que eu... – Foi nesse momento que eu beijei ela.

Naquele momento, banhado com a luz azulada, era um dos mais perfeitos da minha vida. E sabia que aquele sentimento, aquela pessoa, era a que eu queria ao meu lado pelo resto da minha vida.

Notas finais
Esse, assim coo o anterior, foram agendados, então qualquer erro de escrita, sugestão ou comentário, devo conseguir ler em alguma lan-house na segunda. Então até o próximo capítulo!!!