Without You

1 Capítulo 1 - Não vou saber viver sem ti (ONE-SHOT)


Notas iniciais
Ok pessoal. Aqui está o primeiro capítulo.
Eu realmente espero que gostem (:

– Até amanhã pessoal – disse Jane dirigindo-se a Frost e Korsak, depois de mais um cansativo dia de trabalho.

Passara o dia interrogando suspeitos, seguindo pistas para no final descobrir que era apenas mais uma brincadeira para fazer os detetives de palhaço.

Uma brincadeira de mais um assassino que se achava o esperto, mas que mais cedo ou mais tarde seria pego e passaria o resto de sua vida na cadeia, se não morresse. De tanta raiva que os policiais locais estavam, era bem capaz que assim que o encontrassem metessem um tiro na cabeça do infeliz.

– Até mais, Jane – respondeu Frost e Korsak que apenas sorriu e mandou um aceno.

Então Jane seguiu para o estacionamento. Estava cansada, acabada. Queria apenas ir para casa, depositar um beijo na boca de sua mulher e dormir de conchinha com ela, como faziam todas as noites. Exatamente, “faziam”, antes de todo um tormento atingir o relacionamento das duas mulheres agora.

Presa em seus pensamentos, chegara ao carro sem nem perceber.

Agradecera mentalmente por ter estacionado ali. Se tivesse estacionado do outro lado da rua como sempre faz, provavelmente seria atropelada, antes de chegar ao carro.

Abriu a porta do veículo e adentrou, jogando todo o peso do seu corpo no banco que rangiu, ao súbito movimento e a dureza que o corpo da detetive atingiu o objeto.

Fechou a porta e jogou sua cabeça para trás, fechando seus olhos.

“Finalmente” – pensou.

Após alguns segundos abriu os olhos novamente, para se deparar, com uma foto dela e de Maura, abraçadas, em uma parque de diversões na fila da montanha russa, que Maura sempre quis ir e que Jane, lógico, estava lá contra sua vontade. Mas se esforçava, para agradar a namorada, na época e que agora era sua esposa. Como se já não bastasse ter que ir na maldita montanha russa, Maura ainda queria tirar foto. Sabia que Jane não gostava, mas também sabia que a detetive tiraria, porque sempre fazia suas vontades, como uma criança.

Qual é Maura, eu não quero tirar foto agora – dizia Jane choramingando para Maura, que já pediu a uma mulher que estava atrás dela na fila para tirar a foto.

– Deixa de ser chata Jane. Eu quero me lembrar desse momento – retrucou Maura.

– Ok, Ok. Então vamos tirar logo isso – disse a detetive finalmente cedendo.

Jane então colocou-se atrás de Maura e posicionou suas mãos em volta da cintura da loira, que sorriu com o movimento.

Encaixou seu queixo no ombro da loira e encostou sua cabeça na da namorada.

– Eu amo você, sabe disso, certo ? – perguntou Jane e segundos depois a luz do flash invadiu os olhos do casal.

Depois de pegar a câmera de volta e agradecer, Maura virou-se para Jane e colocou um beijo apertado nos lábios da morena.

– Sim, eu sei. Eu te amo também – disse a loira sem conseguir conter seu sorriso, que logo contagiou a morena também e devolveu o beijo logo em seguida.

Para depois seguirem a fila e realizar o desejo da legista.”

Jane que ainda estava com o carro parado no estacionamento lembrou-se do acontecimento e um sorriso estampou seu rosto.

Queria voltar naquele dia e tirar quantas fotos Maura quisesse, de todas os jeitos possíveis. Andar na montanha-russa, quantas vezes quisesse, mesmo vomitando logo na primeira vez. E ficar lá naquele parque de diversões, até expulsarem as duas, para finalmente fecharem as portas.

Faria tudo isso, e muito mais. Se pudesse ter apenas Maura de volta.

Uma lágrima impossível de ser contida, logo desceu pelo rosto da detetive. Já era comum isso acontecer. Lembrar-se dos momentos com Maura e chorar. Chorar até que seus olhos secassem e inchassem.

Sua mente correu por mais um momento, dessa vez no aniversário de 1 ano de namoro.

“Jane havia preparado um jantar, ali na casa de Maura mesmo, para que Maura tivesse a surpresa quando voltassem do trabalho e se dirigissem a casa da legista como sempre.

Mas antes de tudo isso. Jane passara o dia inteiro sem nem tocar nesse assunto, sem dizer palavras doces e até mesmo nem um “Eu te amo” a morena conseguiu conter, para fazer a legista achar que ela(Jane) tivesse esquecido do aniversário. O que com certeza deixou a legista triste o dia inteiro, desde a manhã, que Jane fez questão de passar a noite com ela, e acordar de manhã como se fosse mais um dia normal, nada de especial. Mas a loira nada disse o dia inteiro.

Era arriscado, com certeza, era muito arriscado de Maura começar a gritar com ela e falar tudo que estava pensando.

Mas Jane correu esse risco. Queria que a loira tivesse essa surpresa a noite, quando visse tudo arrumado.

Jane havia pedido uma folga a Cavanough há alguns dias atrás. Mas nada avisou a Maura, deixou a legista pensar que era apenas mais um dia de trabalho. Assim fez, foi até o departamento junta com a namorada, combinou com Frost e Korsak para dizerem a Maura, caso a procurasse, que passaria todo o dia fora, resolvendo alguns assuntos. Sem especificar nada, apenas para deixar a loira preocupada o dia inteiro.

Enquanto Maura trabalhava. Jane estava na casa da legista. Comprou livros de culinária e cozinhou uma comida francesa que Maura gostava e comprou também o tal vinho “Le Chateau”.

Jogou pétalas de rosas da porta, fazendo um caminho até a mesa.

Acendeu várias velas e colocou em volta. Sabia que ouviria daquilo, porque poderia acontecer um incêndio.

Depois de tudo pronto, olhou a hora. E era a hora em que elas costumavam sair do departamento. Pegou suas chaves e foi para o departamento, indo direto ao necrotério encontrar com a namorada, que já pegava suas coisas para ir embora.

– Oi meu amor. Consegui voltar aqui para irmos juntas para casa – selou os lábios com a namorada.

– Senti sua falta hoje

– Eu também senti a sua – sorriu e deu mais um beijo na legista – Vamos para casa – passou o braço em volta do ombro da loira e sorriu.”

Agora já chorava descompensadamente dentro do carro, lembrando-se do sorriso e da surpresa da loira ao ver tudo aquilo. E como tiveram um jantar maravilhoso e uma noite melhor ainda. Havia até esquecido que estava no estacionamento e que poderia ser pega por alguém chorando ali.

Respirou fundo, secou as lágrimas com as costas da mão, ligou o carro e foi para casa.

Em todo o caminho pensava em vários momentos que teve com Maura e se arrependeu dos que não realizou por bobeira, como cansaço e teimosia.

Parando o carro e estacionando na garagem da legista, já sabia como ia encontra-la dentro da casa. Lendo. Era tudo que a loira fazia nesses últimos tempos de tribulação.

Mas ao abrir a porta teve uma surpresa. Maura estava sentada no sofá com os joelhos encostados em seu peito, os braços em volta das pernas e sua cabeça encostada em seus joelhos e chorava. Chorava desesperadamente, descompensadamente, desproporcionalmente.

Aquela cena quebrou o coração de Jane e Maura ao perceber a figura morena parada ali a olhando, rapidamente se ajeitou no sofá, tentou secar as lágrimas para enganar, mas os olhos inchados diziam outra coisa.

– Oh Jane, me desculpe. Eu não sabia que chegaria tão cedo hoje.

Sim, estava cedo, pelo menos para Jane Rizzoli, que todos os dias saia do departamento e ia ao Dirty Robber beber, para tentar esquecer seus problemas com Maura e chegava tarde da noite, totalmente bêbada e deixava Maura a esperando muitas vezes até as 4:00 ou 5:00 da manhã, preocupada.

Hoje Jane não o fez. Queria ir para casa, queria abraçar e beijar sua esposa com toda ênfase e exaltação que poderia demonstrar em um só beijo. Queria concertar tudo, fazer as coisas certo, pelo menos uma vez em sua vida.

– Vo-Você estava chorando ? – perguntou Jane comovida, sem mover seu corpo um centímetro da entrada da casa.

– Eu...eu...Jane feche a porta – disse Maura mudando de assunto.

Jane então assim o fez. Entrou de vez dentro da casa e fechou a porta atrás de si. Dessa vez tentando não demonstrar emoção, perguntou:

– Você estava chorando Maura ?

Sentindo a pressão da voz rouca de Jane preenchendo o ambiente. E a pressão de seu próprio pensamento, que não queria demonstrar-se fraca em frente a namorada, Maura desabou em choro novamente.

Jane dessa vez sem conseguir controlar suas próprias emoções, correu até Maura e jogou-se de joelhos em frente a loira.

– Por favor. Por favor, não chore.

– Eu-eu, não consigo Jane, simplesmente não consigo. Não consigo esquecer. Sinto-me culpada por não ter sido mulher suficiente para você e... – desabou em lágrimas novamente para instantes depois continuar – E por não ter sido uma boa mãe para o nosso filho.

– O que ? Não. Maura, por favor. Não diga isso. Olhe para mim, por favor, olhe para mim.

Maura relutante olhou para Jane, que ao encontrar os olhos castanhos da morena tão perto, fez com que mais lágrimas escorressem do rosto da loira e a fizessem tentar abaixar a cabeça novamente. Mas Jane não deixou, por mais que fosse difícil encarar aqueles olhos verdes e inchados do choro, tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Posicionou sua mão no queixo da loira e ergueu a cabeça da esposa.

– Preste atenção. Não se culpe. Não se atreva – agora a detetive também chorava – Eu disse não se atreva a se responsabilizar pelos meus atos, pelos meus erros. Eu os mereço, eu os possuo, eles são todos meus. Você não fez nada Maura, eu fiz, eu destruí a nossa família. Você foi uma ótima esposa e uma ótima mãe.

– Não, eu não fui uma boa esposa. Eu não fui mulher o suficiente para você e por isso você...vo-você me traiu – disse Maura agora gritando.

Jane perdeu o chão, não achou que Maura fosse repetir aquela palavras mais uma vez e dessa vez com mais agressividade. Então lembrou-se de seu filho de 5 anos que provavelmente a essa hora estava dormindo.

– Não grite... Você vai acordar o Dennis.

– Ele não está em casa, ele está na casa da avó – respondeu Maura abaixando a voz – Esta vendo. Você nem ao menos sabe onde está o nosso filho – continuou Maura agora levantando a voz novamente.

– COMO EU IA SABER MAURA ? Eu estava trabalhando e ele está sempre dormindo a essa hora. E porque ele está na casa da sua mãe ?

– Eu disse que precisava conversar com você.

– Então diga, o que precisa me dizer ? – disse Jane com medo da resposta mas precisava ouvir, precisava saber se ainda tinha chances de fazer a coisa certa, se ainda tinha chance com Maura.

– E...eu-eu...

– DIGA – pressionou Jane agora nervosa.

– ACABOU!! ACABOU, EU ESTOU SAINDO E ESTOU LEVANDO DENNIS COMIGO.

Jane ao ouvir aquilo, perdeu o resto do chão e da esperança que cultivava em seu coração antes de chegar em casa. Sentiu seus joelhos ficarem mais fracos e simplesmente caiu sentada no chão, encarando Maura.

– Vo-você...Não pode fazer isso. Não pode tirar meu filho de mim. Ele é meu também – disse Jane, agora com a voz mais calma.

– Eu sinto muito Jane...

– Maura, por favor...

– É o fim Jane.

– Você me perdoou Maura. O que mais eu fiz ? Espera, eu sei. Você tem outro alguém ?

– Não, Jane. Calma, não tem ninguém. É pior, tente entender. Eu não amo mais você – disse Maura agora levantando para ir embora.

– Para. Por favor, não vá. Não dá para continuar sem você.

– Jane...

– Eu vou lutar, vou...

– LUTAR PELO QUE JANE ? ACABOU!!

– Eu não vou saber viver sem você.

– Jane, por favor. Não me complica, não faz assim. Também não vai ser fácil para mim.

Jane agora estava de joelhos novamente. Estava literalmente aos pés de Maura pedindo para ela não ir. Estava certa, não estava exagerando. Não conseguiria continuar sem Maura, não conseguiria viver sem sua mulher, sem seu filho. O mundo não teria razão para Jane.

Enquanto Jane pensava, Maura já havia se direcionado até a porta e pegado uma mala que havia deixado perto da porta pronta ali, com algumas roupas que daria por uns dois dias. Apenas para se acalmar, voltar e pegar o resto de suas roupas. Deixaria a casa para Jane por um tempo. Sabia que Jane havia vendido seu apartamento quando foi morar com ela.

– Adeus, Jane!

– Maur...

– Eu sinto muito.

E antes que Maura pudesse se virar para abrir a porta e ir embora. Jane levantou-se usando as últimas forças que tinha e foi até Maura. Encostando-a na porta olhou nos olhos de Maura, para ver se ela queria sair dali ou queria fazer o que estavam prestes a fazer mais uma vez, apenas mais uma vez.

Nada. Maura não moveu-se um centímetro. Era o que Jane precisava para fazer o que tanto queria a meses. Sim, havia meses que elas não se beijavam.

Jane aproximou-se mais, fechou os olhos e selou os lábios com os de Maura. Deram um beijo apaixonado, mas repleto de tristeza. Afinal, era o último. Tinha que ser especial.

O beijo que começara calmo, agora aprofundava-se. Maura deu acesso para que Jane invadisse sua boca com sua língua. As mãos de Jane viajavam por todo o corpo de Maura provocando a loira. E a legista também não ficava para trás, passou suas mãos por dentro da camisa de Jane, mas logo separaram-se apenas porque precisavam de ar, mas não moveram seus corpos. Continuaram ali, juntas, sentindo a respiração uma da outra. Quando já estavam mais calmas, Maura quebrou o silêncio.

– Adeus Jane... – depositou um beijo na bochecha de Jane.

Dessa vez Jane não reclamou, não retrucou. As mãos da detetive que agora descansavam na cintura da legista, caíram, dando espaço para Maura passar. Maura se espantou, achou que Jane brigaria mais ou falaria alguma coisa. Resolveu que também não falaria mais nada. Seria mais fácil para Jane, seria mais fácil para as duas.

Saiu de perto de Jane, pegou sua mala e posicionou suas mãos na maçaneta e começou a abrir devagar, apenas para dar tempo para Jane mover-se para longe da porta. E saiu...Jane que não levantou a cabeça, apenas escutou a porta fechar-se. Dessa vez, era diferente das outras. Sem chances que fosse aberta novamente e Maura aparecesse ali com um sorriso no rosto.

Acabou. Havia acabado de vez.

Notas finais
E então, o que acharam ?
Deixem-me reviews please *-------*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!