Without The Love
2 Capitulo 1 . 10 dias antes
Notas iniciais
Stefan só veio perceber o que eu tinha feito no final do terceiro horário, no intervalo das aulas. Acho que dentre todas as coisas que já aconteceram na minha vida, e eu posso dizer isso com convicção hoje, que aquela foi a melhor experiência que eu já vivi. O momento em que ele saiu da escola rumo ao estacionamento, onde todos ficavam apoiados em seus conversíveis fingindo conversar sobre algo que não fosse hipócrita. Quando ele olhou para frente, todos boquiabertos, e Stefan mal se moveu, sua namorada, Katherine Pierce, reprimiu um grito levando a mão á boca.
Todos começaram a murmurar sobre quem poderia ter feito aquilo, aquela foi a polemica da escola nos dois horários depois da descoberta. Matt e Bonnie estavam com medo que eu fosse pega antes do fim da aula. Mas eu nem ligava para isso, nas únicas 4 aulas que eu tive com Stefan tudo o que conseguia era ficar admirando a fúria que despertei nele. Como eu sempre despertava.
Obviamente ele foi à diretoria, e claro, o diretor estava procurando por suspeitos. Mas não foi o senhor Morgan que me pegou naquele dia. Eu estava sentada em um banco no lado de fora da escola no final da aula quando Katherine Pierce se aproximou de mim, atrás dela vinham Rebekah Mikaelson e Tyler Lockwood.
–Sabemos que foi você. – foi tudo o que Katherine disse.
Katherine era uma garota ligeiramente bonita. Muito bonita, para falar a verdade. Não me admirava que Stefan gostasse tanto de transar com ela. A garota tinha sedosos cabelos longos e encaracolados, olhos castanhos e a pele cor de oliva. Parecia uma boneca de porcelana, mas não era tão frágil quanto parecia.
–Não sei do que você está falando, querida- eu disse fechando meu caderno e guardando na mochila. – além do mais, porque suspeitaria da uma garota como eu? Tão transparente.
Levantei-me para ficar na mesma direção que ela. Katherine não deixava se abater fácil. Seus pais eram muito ricos, realmente, donos de mais de cem hotéis Pierce pelo mundo. Mas Katherine adorava passar sua vida em Mystic Falls, com as mesmas pessoas que a temiam e a idolatravam. Então surge aí a nossa rivalidade, crescendo na mesma escola, na mesma cidade, na mesma vizinhança, Katherine não gostava do fato de eu me negar a ser sua amiga. De qualquer forma, não era como se eu estivesse perdendo muito.
–Você não vai se safar dessa, Gilbert. – ela disse antes de virar as costas, seguida por suas duas sombras.
–Vadia- sussurrei quando ela estava longe demais para ouvir.
Depois disso voltei para casa impacientemente. O restante do dia foi completamente voltado para as provas antes do feriado de natal. Seria dali três semanas praticamente, e eu já planejava viajar para casa da vovó com meus pais e Jeremy. Todos não paravam de falar sobre isso quando o telefone tocou na hora do jantar, foi meu pai quem se levantou para atender, o que não foi grande surpresa já que minha mãe nem pareceu notar a interrupção da conversa.
Eu nem percebi quanto tempo ele tinha ficado lá, mas minha mãe sim, porque depois dos 5 primeiros minutos ela se levantou e foi ver o que meu pai estava fazendo. E de lá voltaram 10 minutos depois. Em silencio, sem respostas, e nem eu nem Jeremy queríamos fazer as perguntas. Acho que naquela altura eu já suspeitava um pouco sobre o que se travava. Mas a noticia foi dada quando meu irmão terminou o jantar e minha mãe pediu que ele fosse para o seu quarto. Jeremy me olhou e sussurrou um: boa sorte.
–Você destruiu o carro de um Salvatore?- meu pai foi quem falou.
Fechei os olhos rapidamente.
–Pai...
–Elena, você prometeu.
–Eu sei, e me desculpe okay? Mas ele disse coisas horríveis... — eu tentei explicar algo sem explicação e acabei me ferrando ainda mais.
–Ele disse coisas horríveis? Elena, quantos anos você tem? – ele perguntou, incrédulo.
Minha mãe continuou calada. E todos na mesa sabiam o porquê. Se ela falasse, iria gritar.
–Me desculpe. Eu só... Ele não para de querer me atingir, eu imaginei que...
–Que se destruísse o carro dele ele iria parar e ficar calado? Que ia ter medo de você?
–Não. Eu imaginei que seria ótimo ver a cara dele quando visse o carro e o que estava escrito lá.
–Panaca- meu pai completou por mim. – seu diretor nos disse pelo telefone.
–Eu imaginei.
Por uns minutos todos na mesa ficaram em silencio.
–Eu teria pagado para ver a cara daquele garoto quando viu o conversível novinho naquele estado. – meu pai disse então. Com o tom de voz descontraído.
Levantei minha cabeça para olha-los: eles estavam rindo! Sem brincadeira, minha mãe estava tentando se controlar, mas meu pai, ele não parava de rir.
–Vocês não estão bravos?- eu perguntei pensando que poderia me safar.
–Não. Nós estamos. Estamos furiosos com você, Elena. – minha mãe foi quem disse. –de qualquer forma, você ainda não tem 18 anos, ainda temos que responder por seus atos, então...
–Estou de castigo.
–Claro que está. – meu pai disse. – mas essa não vai ser a sua punição, minha filha.
–O que?- olhei para meus pais em suplica. – então qual vai ser?
–Stefan difamou sua imagem em uma rede social, e ele é menor. Então não pense que ele não será punido também. – minha mãe disse.
–Então amanhã, nós e o irmão mais velho e responsável legal por ele vamos discutir na sala do seu diretor uma forma de fazer vocês aprenderem a parar de tentarem matar um ao outro. — meu pai disse.
E eu os encarei. Queria sair correndo gritando para pararem, queria dizer que aceito qualquer outra punição que não fosse a escolhida naquela sala. Queria argumentar e chorar e implorar para que fossem mais tolerantes. Mas tudo o que consegui dizer foi:
–Por favor, não arruínem a minha vida.
E com isso meus pais riram e se despediram de mim. Desejaram-me sorte e foram para o quarto. E em toda minha vida, eu não me lembro de ter sentido um medo maior até aquele momento, e outro, mas isso não é relevante agora.
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