With You Is Where I Belong..
1 Capítulo Único: I will travel with you.. forever.
Sem pensar duas vezes, ajustou o destino e partiu. Seu peito ainda doía com a morte de Amy e ele se agarrava à sua última esperança. Encontrá-la novamente.
Foram necessárias muitas viagens a planetas estranhos, alguns um tanto hostis, para conseguir o vestígio da tecnologia necessária para chegar a ela. Não Amy, ele havia a visitado secretamente diversas vezes nesses últimos dois meses. Ele procurava uma forma de encontrar a garota que o mudou para sempre. Ele procurava Rose Tyler.
A Tardis, sua fiel cabine policial, parecia um avião passando por uma área de turbulência e ele esperava que estivesse funcionando. Se segurou forte enquanto a máquina pousava na Bad Wolf Bay, uma praia em uma dimensão futurística da Noruega. Respirou fundo e se preparou para o momento que demorou tanto a chegar. Assim que abriu a porta, ele pôde ver a garota de costas, longe o suficiente para não ter ouvido o som que a cabine policial emitia durante a sua aparição.
Seus cabelos loiros haviam crescido e caíam por suas costas, ela vestia uma calça jeans e uma camiseta com a bandeira do Reino Unido, usada naquela vez em que ela foi erguida por um balão de gás no centro de Londres durante um bombardeio alemão. É, ela não costumava escapar de pequenos problemas assim, tão facilmente. Quando ele se deu por si, já estava caminhando na sua direção. Ela se virou e finalmente o viu ali.
– Doctor... você mudou – ela disse em voz baixa, quase não acreditando no que seus olhos viam.
– Sim – ele respondeu antes de receber um abraço apertado seguido de uma risada.
– Como você chegou? – ela perguntou ao se separarem.
– Naquela adorável caixa azul, mas não se preocupe, é maior do lado de dentro – ele disse com um sorriso, o primeiro verdadeiro em muito tempo.
– Gravata borboleta? Sério? – reparou em suas vestes.
– Elas são legais! – ele respondeu. – Ei, por que não continuamos a nossa conversa lá na Tardis?
– Eu... eu posso? – ela perguntou surpresa.
– Mas é claro! Eu e você, para sempre, se lembra? – ele respondeu, seu coração se aquecendo ao ver um sorriso surgir nos lábios de Rose. – Allons-y!
Ele pegou a sua mão e saiu correndo em direção a uma nova aventura.
– Para onde nós vamos? – ele perguntou.
– Que tal Paris, em algum lugar do passado? Sempre quis conhecer a Torre Eiffel! – ela sorriu.
– Seu pedido é uma ordem – ele disse ajustando as coordenadas.
Quando chegaram, ela correu antes dele e abriu a porta, se vislumbrando com a visão da cidade do amor. Ele a seguiu e segurou a sua mão. Ele parecia mais novo, porém suas mãos eram tão macias e seguras quanto ela se lembrava.
Eles caminhavam pela cidade quando ouviram um grito vindo do cemitério. Compartilhando um olhar entusiasmado, correram para ver o que era.
Assim que adentraram o cemitério, um calafrio percorreu o corpo de Rose, mas ela estava bem. Estava com ele. Desde que eles se despediram, ela visitava a Bad Wolf Bay todo fim de semana, que eram os seus dias de folga na loja de roupas que trabalhava em Londres. Seus pais ficavam preocupados com a sua saúde mental, mas depois de tudo o que já havia viveram, não duvidavam mais de nada.
Andaram até uma parte mais isolada, sem encontrar nenhum sinal de que alguém esteve ali, embora soubessem que houvera. Eles ouviram o grito.
– Doctor... Eu acho que eu vi aquela estátua se mexer. – Rose disse, perturbada.
E quando a mesma piscou foi visível a mudança na estátua do anjo, que agora olhava fixamente para ela.
– Não pisque! – ele gritou antes que ela pudesse piscar novamente. – Não olhe para os lados e nem nos olhos!
– O que é isso? – ela perguntou assustada.
– Eles se chamam Weeping Angels. Eles levaram alguém que eu amava muito e vão se arrepender por isso! – ele gritou em direção as estátuas, seus olhos preenchidos com raiva e dor. Sem ao menos entender sobre o que se tratava, Rose segurou a sua mão.
– Doctor! – ela o chamou de seu devaneio ao notar que havia mais deles. – O que nós vamos fazer?!
– Feche os olhos e eu darei um jeito. – ele respondeu depois de refletir por um breve segundo.
– Mas você disse para não piscar! – lembrou, confusa.
– Assim é mais seguro. Rose, me escute com atenção. Eu vou embora, eles vão me levar. Mas vai ficar tudo bem comigo, eles estão atrás da Tardis. Você se lembra de como pilotá-la? – ela acenou com a cabeça que sim – Excelente. Vá para Torchwood, procure o Jack, ele saberá o que fazer. – explicou rapidamente.
– Eu não vou te deixar! – ela disse, repentinamente, e mesmo sem ver o seu rosto, Doctor sabia que ela estava se controlando para não chorar.
– Você vai me encontrar assim como eu a encontrei, confio em você – ele deu um sorriso fraco e apertou sua mão mais forte antes de soltá-la. – Agora vá. Corra.
Ela saiu correndo, milagrosamente sem esbarrar em algum muro ou até mesmo em uma estátua. A última coisa que ouviu foi um grito: “Gerônimo”.
Rose já havia lutado contra diversos alienígenas, porém nunca ouvira falar sobre este. Estava tão preocupada tentando entender o que acontecera que já estava na rua quando se lembrou de abrir os olhos. Algumas pessoas a encaravam como se tivesse fugido do hospício, mas tinha problemas maiores para lidar.
A garota agradeceu à sua paranoia de nunca sair de casa sem sua cópia da chave da Tardis e adentrou a espaçonave. Assim como o Doctor, ela havia mudado, mas continuava linda como sempre fora. Um conforto de quem finalmente chega ao lar a invadiu quase imediatamente. Depois de alguns segundos ela se lembrou de como determinar o destino e partiu rumo à Londres.
Rapidamente aterrissou e encontrou o prédio onde ficava a instituição. Ela o detestava por lembrar-se do dia em que perdeu o homem que a salvou tantas vezes, o seu Time Lord. Seus pensamentos foram interrompidos ao ver um rosto conhecido.
– Mickey! – ela disse, abraçando o velho amigo.
– Há quanto tempo! A que honra devo a sua visita? – ele sorriu, o mesmo garotinho brincalhão de sempre.
– Eu estou procurando o Capitão Jack, ele está? – ela perguntou olhando em volta.
– Você está com sorte, ele acabou de chegar. Quer que eu o chame?
– Por favor.
Depois de se afastar, Mickey disse algo a um dos outros homens que trabalhavam no local e voltou:
– Ele já está vindo. Não suma de novo, senhorita Tyler! – ele riu.
– Eu? Você que nunca mais foi em casa! – ela se defendeu.
– Estive meio ocupado por aqui... – uma pessoa se dirigiu a ele e disse algo em voz baixa, não permitindo a Rose ouvir. Ele acenou com a cabeça e a pessoa se afastou. – Tenho que ir agora. Foi ótimo te ver!
Alguns minutos depois, Jack chegou com o seu clássico sobretudo escuro. Depois de se cumprimentarem com um abraço que tirou os pés dela do chão, os dois riram e ele perguntou:
– Loirinha! O que faz aqui?
– Bem... – ela olhou para os lados se certificando que ninguém os ouvia. – o Doctor me pediu para que viesse.
E assim contou toda a história de como ele havia voltado, o grito no cemitério e o que aconteceu depois.
– Ele disse que você saberia o que fazer.
– Tem certeza? Weeping Angels? – ele perguntou por precaução.
– Foi o que o Doctor disse. Pode nos ajudar?
Depois de Jack explicar melhor o que são as estátuas de anjos e como elas se comportam, ela perguntou:
– Então eles não o mataram? – Rose perguntou, se certificando que era mesmo fora de cogitação.
– Claro que não, eles o mandaram para algum lugar no tempo, provavelmente no passado. – ele disse mais uma vez.
– E como o achamos?! – ela perguntou, tentando controlar sua ansiedade.
– Acho que isso seja possível na Tardis.
– Vamos logo! – ela disse determinada, saindo da sala onde estavam.
– Rose, é para o outro lado. – ele riu enquanto ela mudava de direção no corredor para o lado onde ficava a saída.
Foi bem mais simples do que ela imaginara. Eles só precisaram de uma peça de roupa dele para coletar o DNA (ou o equivalente extraterrestre disso) necessário para a nave o localizar. Rapidamente, e com muita turbulência, eles se viram no local indicado. Também não foi difícil encontrar o Doctor e pela primeira vez não havia nenhum alienígena indesejado entre eles.
– Eu sabia que você iria me achar. – ele disse enquanto abraçava a garota sorridente de quem sentiu falta por tanto tempo.
– Jack! – ele o cumprimentou ao se separar de Rose.
Aqueles três poderiam ficar conversando por dias, mas o Doctor decidiu levá-lo de volta para Torchwood afirmando que queria mostrar algo à loira. Eles se despediram no prédio, que já não parecia mais tão sombrio aos olhos de Rose, com a promessa de voltar mais vezes. Depois ele colocou as coordenadas na aparente cabine policial e os dois partiram.
– Quando você disse que os anjos haviam levado alguém que você amava... era sua acompanhante? – Rose perguntou, ainda insegura.
– Sim, Amelia Pond. Como o nome em um conto de fadas. Eu costumava viajar com ela e o seu marido, Rory Williams desde que eu “mudei”. Eu perdi os dois. – ele contou, o sofrimento visível nos seus olhos pesados com tudo o que já viram.
– Eu sinto muito – ela disse, se culpando por ter sentido uma pontada de ciúmes.
– Já disse que você é fantástica? Porque você é – ele se virou para ela e sorriu. A garota não conseguia não sorrir de volta.
– Chegamos – ele correu para abrir as portas azuis.
Ela saiu primeiro e ele a seguiu em silêncio.
– É-é lindo! – ela balbuciou encantada. Eles estavam bem no topo da Torre Eiffel em uma noite iluminada pela lua e incontáveis estrelas.
– Imaginei que fosse gostar – ele sorriu, seus olhares se encontrando.
Então Rose acordou sobressaltada em sua cama, ainda na dimensão futurística de Londres. Estava tão frustrada que poderia chorar. Mas é claro que era um sonho; Mickey e Capitão Jack ficaram na outra dimensão e seria completamente impossível as fendas se abrirem novamente. Sentiu vontade de chutar a parede, gritar com o vento, mas decidiu fechar os olhos e desejar que nada daquilo tivesse acontecido e que ela acordasse na Tardis novamente, onde nunca deveria ter saído. Estava tão distraída que nem ao menos percebeu a imagem do homem de gravata borboleta lentamente desaparecer enquanto uma única lágrima escorria pelo seu rosto.
Notas finais
Ah, e bem vindos à doce tortura que é shippar esses dois (seja a 9, 10 ou 11 regeneração).
Love always,
Annie.
Fale com o autor