With Me

1 Capítulo 1:Forever


Notas iniciais
Isso mesmo pessoal,só um chap.Espero que gostem dessa one-shot (shortfic) ela me deu um pouco de trabalho.
Boa leitura e kisses!

Chovia sem parar naquela noite. Roxas entrou num bar qualquer, sem notar o numero de pessoas que o encaravam com olhos desconfiados. O rapaz estava totalmente encharcado, e suas roupas, um sobretudo preto que usava para sair, além de sapatos e etc, pregavam em sua pele.


Adentrou o local e se sentou numa mesa afastada, colada a parede, longe de todos os outros presentes. Uma garçonete não demorou a aparecer. Roxas podia ter levantado o olhar para analisá-la, ver se era bonita ou algo do tipo, mas não o fez, estava de péssimo humor.


-Uma vodca qualquer, rápido. -Falou Roxas. Nunca havia bebido antes, era novo demais para aquilo, no entanto, naquele lugar tão vulgar, não parecia haver diferença.


A mulher não demorou a trazer o pedido, que Roxas bebeu sem hesitar. O álcool, substância nunca antes experimentada pelo rapaz, provocou um efeito mais que bem vindo, e ele imediatamente pediu outra dose.


Estava pouco se lixando para o que ele pensaria. Era por causa dele que Roxas agora buscava refúgio na forma mais barata de esquecer os problemas: Ficando bêbado.


Seu celular tocou, e como de reflexo, Roxas atendeu, com uma voz arrastada:


-Alô?


-Roxas?! Cara, onde diabos você se meteu?!-Perguntou a voz do outro lado. Era ele.


-Não é da sua conta.


-É claro que... Espera aí! Não acredito. Roxas, você está bêbado?!


-Não te interessa, Axel!-O outro gritou, desligando a ligação e afundando o celular no fundo de seu bolso.


Logo sentiu um nó subindo em sua garganta. Só de ouvir a voz dele, Roxas já sentia um aperto no coração. Olhou ao redor e percebeu que grande parte das pessoas do bar agora o fitavam, umas curiosas e interessadas e outras com desconfiança, afinal, Roxas tinha gritado de forma tão alta e até desesperada que isso levantava suspeitas.


Apesar de ter bebido algumas poucas doses de vodca, com certeza já estava bêbado, tanto que começou a gritar para aqueles que o olhavam:


-O que é?! Tá olhando o quê?! Nunca viu um loiro depressivo não, porra?!


Um dos homens que estava no local, um brutamonte, simplesmente virou a cabeça para longe, como se Roxas não merecesse sua atenção. Roxas se levantou e foi até o homem, o empurrando, ignorando o fato de que seu adversário era duas vezes maior que ele.


-Qualé cara?! É covarde é?! É mulherzinha?! Seu...


Imediatamente Roxas levou um murro na barriga e caiu de joelhos, abraçando o abdome. O homem então o levantou pelo pescoço e o jogou para fora do bar, sem falar mais nada.


Roxas se levantou, e resmungando baixinho, se afastou dali. Seu celular voltou a tocar, e sem nem mesmo ver que o chamava, Roxas apenas desligou o aparelho. Não queria mais falar com ninguém.


Andou pelas ruas sem rumo. Ainda chovia, e Roxas não se sentia bem. Talvez estivesse ficando gripado, ou talvez fosse o álcool. A questão era que sua vista começava a falhar, estava ofegante, tropeçava, perdia o equilíbrio e por vezes caía no chão, se levantando em seguida, apoiando-se nas paredes das casas. Será que era por causa do seu primeiro porre? Axel não ficava assim quando bebia... Axel.


Pois é. Axel. Como já era tarde da noite (02h37min da manhã) e a rua estava deserta, Roxas se deu ao luxo de permitir que as lágrimas descessem por seu rosto. Tudo por causa dele, pelo Axel. Ruivo idiota. Como gostaria de dar-lhe um murro agora naquele exato momento.


. Acontece que Roxas era o colega de quarto e melhor amigo de Axel, ou era, pelo menos, talvez ainda fosse, não sabia, os pensamentos estavam incertos. Viviam juntos há dois anos, compartilhando alegrias, raivas e tristezas, e pouco a pouco, Roxas começou a sentir algo mais pelo ruivo, algo que não era só amizade. Amava Axel, admitia, e ia até contar a verdade, no entanto, há duas semanas, o ruivo apareceu de mãos dadas com uma garota da faculdade, Larxene, afirmando que eram noivos, coisa de amor a primeira vista.


-O quê?!-Roxas exclamou quando Axel contou a ele. -Mas você nem fala com ela!


-E daí? Nós combinamos, isso basta. -O outro respondeu, virando o rosto para longe de Roxas.


E ficou assim. Roxas era obrigado a ouvir as juras de amor improvisadas de Axel, sem poder falar nada, se afastando cada vez mais do ruivo. Não podia dizer que o amava, e apesar de feri-lo por dentro, se Axel estava feliz com aquela garota, Roxas não o impediria ou o atrapalharia. A felicidade do ruivo valia mais que a sua.


Aguentara até aquele dia, quando chegou em casa e flagrou, no sofá, Axel e Larxene se agarrando sem parar. Começou a chorar, e soluçando, saiu correndo do apartamento que dividia com o ruivo. Axel tentou ir atrás dele, pedir desculpas ou falar qualquer besteira que o fizesse parar, mas quando chegou na rua, não o viu.


Procurara pelo amigo durante o resto da noite, rodando a cidade inteira e tentando ligar para Roxas, que só atendera uma vez e depois desligou o celular. Axel estava preocupado com o amigo. Roxas estava sozinho, no meio da madrugada, e pior, parecia estar bêbado.


Roxas continuava a andar pela rua, se arrastando. Manter-se em pé virou uma das coisas mais difíceis do mundo. Confundia postes de luz com árvores, e perdera a conta de quantas vezes havia tropeçado.


Contando os passos, voltou a cair no chão, de joelhos, e um forte enjôo tomou conta de si. Vomitou ali, no meio-fio da calçada. A rua estava deserta, e carros só passavam de vez em quando.


Roxas sentou-se no chão e tocou sua testa. Estava pálido e suava frio. Talvez estivesse com pressão baixa. Levantou-se e voltou a andar. A vista falhou por alguns segundos, e quase que Roxas volta ao chão.


Apoiou-se na parede, ofegante, voltando a sentir o enjôo subir pela garganta, mais forte que antes, mas o ignorou e continuou andando. Por causa dos seus reflexos abalados e da chuva, além de estar passando mal, Roxas acabou atravessando a rua sem pensar. Foi bem na hora que um carro vinha com alta velocidade.


Tudo aconteceu em questão de míseros segundos. Num deles, Roxas atravessava a rua com passos lentos, ameaçando cair a qualquer hora, e no outro, o carro o atingia com uma enorme força. Foi tão rápido que tudo que o loiro viu foi o céu ficar de cabeça pra baixo, e depois tudo escureceu, além da dor, uma enorme dor em toda a lateral esquerda de seu corpo. A última coisa que pensou antes de perder os sentidos foi na imagem de Axel.


Vendo o pequeno adolescente ali, estatelado no chão, com obviamente vários ossos quebrados e, quem sabe, prestes a morrer, o dono do carro que o atropelara apenas fugiu, com medo de ser sentenciado. Então Roxas foi deixado ali, no meio da chuva, as 03h30min da manhã, sozinho.


Axel ainda tentava ligar pra Roxas. Agora estava realmente ficando desesperado. Onde diabos aquele loiro burro se metera?! Por que simplesmente não esperara que Axel explicasse o que tinha acontecido?! Mas nãããão! Ele tinha de sair correndo!


Axel estava virando uma esquina em seu carro quando ouviu um barulho alto vindo da outra rua, algo que lembrava bastante o som de algo sendo arremessado e caindo com força no chão. De repente Axel sentiu um falta de ar, em uma angústia se apoderou de seu coração. Um enorme mau pressentimento pairou no ar. Não sabia por que, mas tinha que ver o que fora aquilo.


Um carro esportivo saiu arrancando daquela mesma rua, como se estivesse fugindo de algo. Isso fez com que as suspeitas de Axel piorassem mais ainda. Dobrou na rua, que era iluminada somente por uns postes de luzes, iluminando fracamente o lugar, mas mesmo assim, a visão que Axel teve não poderia ter lhe trago maior terror. Saiu do carro e se aproximou.


Lá estava seu Roxas, deitado, ou melhor, jogado no asfalto. Estava encharcado de água por causa da chuva, mas algo mais coloria sua camisa branca por debaixo do sobretudo. Um silêncio agonizante pairou no ar. Sangue. Havia sangue por todo o corpo de seu melhor amigo.


Axel se ajoelhou ao seu lado, e a primeira coisa que fez foi checar o pulso do menor. Estava fraco, mas estava ali, Roxas ainda respirava, estava vivo. Fora atropelado pelo carro esportivo que vira instantes antes, e era culpa de Axel que agora ele estivesse daquela forma. Se ao menos o tivesse alcançado antes, ou se o tivesse achado mais cedo... Mas agora não era tempo de se lamentar.


Axel poderia tentar levar o menor para o hospital, mas como não sabia se Roxas tinha machucado a coluna ou algo do tipo, decidiu ligar para uma ambulância. Oito minutos contados depois (que para o ruivo fora uma eternidade), o carro do hospital chegara. Levaram Roxas para o Ansem, The Wise o mais rápido que conseguiram, levando Axel junto como responsável pelo loiro.



Os olhos de Roxas se acostumaram pouco a pouco com a claridade do quarto. Tudo era branco, até as flores que estavam sobre o criado-mudo no canto da parede. Estava num hospital, dava pra notar até pelo cheiro enjoativo que todo hospital que se preze tem, aquele cheiro que lembra limpeza.


Olhou para os lados, mas mover o pescoço doía, aliás, tudo doía. O que teria acontecido pra estar num hospital? Lembrava que tinha começado a beber e algumas coisas tinham acontecido, mas tudo estava embaçado demais pra assumir uma forma coerente. Tentou abrir a boca e percebeu que seus lábios estavam rachados, mas quando passou a língua por cima, percebeu que na verdade eles estavam cortados, rasgados, como se tivesse levado uma queda e tacado a cara no chão.


Tentou mais uma vez olhar em volta, e com esforço, percebeu que um tubo estava conectado a veia de seu braço, e o mesmo não estava em bom estado, repleto de cortes, com dezenas de hematomas. Parecia que tinha sido espancado ou coisa do tipo. Tentou levar a mão que estava livre do tubo a tocar sua cabeça, mas algo o impediu, havia um peso por cima.


Roxas abaixou o olhar o bastante para que sua cabeça latejasse e viu seu ruivo ali, do seu lado, dormindo com um semblante preocupado, segurando sua mão, enquanto mantinha a cabeça apoiada no colchão do loiro e o restante do corpo na poltrona. Inconscientemente, Roxas acabou murmurando o nome de seu amado, que acordou, mas não soltou sua mão.


Axel sentou-se melhor na poltrona, olhando nos olhos de Roxas por uns instantes, deixando que o silêncio pairasse no quarto. Roxas ia começar a falar quando Axel disse:


-Seu idiota... O que diabos você estava fazendo? Enlouqueceu de vez? Quer mesmo morrer?


-Eu-Eu não...


-Você foi atropelado, Roxas! A-T-R-O-P-E-L-A-D-O, got it memorized? Como pôde fazer isso?!


-Não fui eu que me joguei na frente do carro. Pare de gritar assim comigo, eu não tive culpa! Você nem se importa comigo, afinal de contas...


-O quê?! Como pode dizer isso?! O que quer dizer com isso?!


-Que você só tem olhos pra sua querida noiva! Mas não adianta explicar pra você. Por que você não volta pra ela e termina o que começaram, heim?! Apenas me deixe em paz, Axel. O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta.


-Roxas... Você está muito estranho ultimamente. Somos amigos, não somos? Você nunca escondeu nada de mim, e agora vem com essa historia e com essa ignorância toda. Qual é o seu problema?


-Eu que pergunto isso. Você vive comigo há anos e de uma hora pra outra se apaixona por umazinha qualquer e tudo desaba!-Roxas responde, tentando cruzar os braços, mas não consegue, a dor é grande demais.


-Roxas... -Axel murmura, levando uma de suas mãos até o rosto do loiro, vendo a súbita careta de dor que ele fizera. -Me diga qual é seu problema, o que está acontecendo que o perturba. Você confia em mim, não é?


-Eu...


-Por favor? Você não sabe o que eu passei quando te vi lá, jogado no chão, como um boneco de testes quebrado... Você quebrou umas cinco costelas, sabia? Sem falar de um dos braços e de ter fraturado uma perna, além da pancada na cabeça. Por favor, Roxas, me conte o que é.


-Eu não quero.


-Por quê?


-Porque...


-É minha culpa?


-Sim e não.


-É da Larxene?


-Sim e não também. É que eu não aguento mais... Eu só queria esquecer... Mesmo que se...


-Não aguenta o que, Roxas?


-Eu... Eu não... Aguento ver você... Com ela.


-Me ver com a Larxene?


-É, Axel. Eu estou com ciúmes, okay, eu admito!-Roxas exclamou, corando como um pimentão em seguida.


-Mas por que você está com ciúmes, Roxy?


-Por que eu te amo! Sua besta quadrada e idiota! É culpa sua! Eu fui beber porque eu vi você e aquela égua se agarrando! Eu ia dizer a você, mas aí você chega pulando de alegria dizendo que ficou noivo! Seu merda!


-Ei, olha os palavrões.


-Mas você fala! E não mude de assunto! É culpa sua se eu estou assim! Não sabe o quanto eu te amo, e o quanto me dói ver você com ela. -Lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Roxas, finalmente ele tirava aquilo da garganta. -Não sabe o quanto me dói, mas se você estava feliz com ela, eu não faria nada pra separar vocês, eu juro. Eu te amo, Ax...


Roxas não terminou de falar. Axel se levantou da poltrona e inclinou-se sobre o menor, lhe segurando o queixo e levantando seu rosto cuidadosamente, para que não lhe doesse o pescoço, tocando os lábios do loiro com os seus em seguida, o tomando num beijo apaixonado. Roxas não pensou, apenas se entregou a Axel, deixando que ele invadisse sua boca, até aquele momento imaculada, com sua ávida língua.


Claro que teriam acontecido muito mais coisas se Roxas não sentisse dor apenas ao levantar um dos dedos da mão, além de que começou a faltar ar. Axel separou-se do menor, totalmente corado, mas sorrindo sem entender.


-Roxas... Por que você não me disse isso antes? Eu aceitei ficar noivo da Larxene pra que ela causasse ciúmes no ex-namorado dela! Eu pensei que você estava com raiva porque gostava dela, e não porque me amava! Roxas, eu te amo desde que te vi se trocando pela brecha da porta do banheiro!-Axel falou, sorrindo como nunca, e até um pouco corado, ainda segurando o queixo do loiro.


-Axel, eu... Espera aí! Você o que?!


-Você entendeu...


-Mas você estava se agarrando com ela no sofá, eu lembro muito bem.


-Bem, aquilo foi um acidente. Ela queria nos filmar pra depois mostrar pro ex. E antes que você pergunte, eu também aceitei o noivado porque estava disposto a causar um ciumezinho em você também. Não se preocupe, hoje mesmo eu termino tudo com ela, não que tenha existido algo entre nós, claro.


-Seu idiota... Me sinto violado. Você não devia ter me dito isso, esse negoço do banheiro, sabia?


-Mas você é tão lindo... E é tão grande o seu...


-Cala a boca, Axel.


Cerca de cinco segundo depois, ambos voltaram a se beijar longamente, e Roxas amaldiçoou-se por ter sido atropelado, afinal, se ainda estivesse em condições, podia aproveitar (ou ser aproveitado por) seu Axel ali. Um mês depois, Roxas estava quase curado, só com o braço quebrado e as costelas também. Nunca fora tão feliz, e agora namorava com Axel. O loiro também prometera não beber mais até os 18 anos (Axel tinha 21), e claro que quebrou sua promessa várias vezes...

Notas finais
Espero que tenha gostado,e por favor,mande reviews,elas são o oxigênio pra uma escritora como eu.
Kisses!!!!!!!!!!!!!!!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!