Brian

Depois de fazer os testes e recebermos os resultados, foi confirmado que Lisbeth era realmente minha filha, foi uma briga feia até eu, Kenan e Jared entrarmos em um acordo sobre Lisbeth, eu fiz besteira e agora eu queria reparar, eu poderia trazer ela para minha casa pelo menos 3 dias por semana, eu teria que dar uma certa quantia de pensão todo mês a Lis, não reclamo disso, eu queria ser o pai dela, mas não foi fácil contar tudo isso a Victoria, minha noiva, nosso noivado ficou por um fio, mas consegui salvar.

– O que você quer fazer hoje Lis? — Perguntei enquanto ela entrava no meu carro. Coloquei sua bolsa no banco de trás e dei partida no carro.

– A gente pode tomar sorvete? — Ela mexia nos meus CD's.

– Claro. Nós podemos passar a manhã no parque, o que acha?

– Então vamos logo Bri, eu adoro o parque. — Ela disse animada. Alguns minutos depois estacionei o carro e Lis pulou pra fora.

– Hey, me espera. — Ela segurou minha mão e me levou até onde as outras crianças brincavam.

– Pai, eu vou no escorregador, ta? — Ela disse e saiu correndo.

Senti meus olhos marejados e uma sensação estranha. Lis me chamou de pai, pela primeira vez. Sorri como um idiota e sentei em um banquinho perto dos brinquedos olhando minha pequena correndo.

Flashback on

Estávamos todos nós na casa da Ken, no jardim, bebendo, conversando sobre os anos separados, sobre os filmes que o Jared tinha feito e sobre o novo álbum da banda que estava sendo produzido ainda, que no caso, eu era o único não interessado nesse assunto. Então decidi chegar ao assunto que eu mais queria. Paternidade.

Como não queria falar sobre isso com todos por perto, chamei a Ken em um canto, sinceramente esses anos fizeram bem a ela, estava uma mulher maravilhosa, seus cabelos de fogo estavam curtos, mas pelo que me disseram, estava enorme antes, ela estava com uma regata coral, um short azul claro e um tênis, ela estava definitivamente muito diferente de anos atrás. Jared me jogou um olhar mortal, ignorei e fomos pro outro lado do jardim.

– O que é Brian?

– Nós temos um acordo, quero que Lis saiba que sou o pai dela. – Disse rápido

– O que? Está maluco? Ela é muito nova pra entender certas coisas.

– Inventamos algumas partes pra ela.

– No futuro ela vai saber da verdade.

– Não aguento mais, eu quero que ela me chame de pai.

– Caramba, você é impossível.

– Dizemos que namoramos no passado e você acabou engravidando, só que minha família não queria que você se casasse comigo, então nos separamos e você conheceu o Jared.

– Como se fosse verdade, e mesmo assim é muita coisa pra cabecinha dela.

– Dizemos simplesmente que ela é especial e tem dois pais. Por favor Ken.

– Tudo bem, depois falamos com ela, talvez outro dia.

– Agora Kenan, eu tenho tantos direitos quanto você. Entenda, eu PRECISO que ela saiba.

– OK EU JÁ ENTENDI — Todos nos olharam — E você não tem nenhum direito, eu estou sendo bondosa contigo, vamos falar sobre isso mais tarde.

– Não! Agora.

– Estamos em total harmonia aqui e como sempre você estraga tudo. – Ela respirou fundo e fechou os olhos. – Lis meu amor, venha aqui.

A pequena ruivinha veio correndo e vi Ken trocar um olhar significativo com Jared, ela fechou os olhos e respirou fundo. Kenan se sentou no sofá com a Lis no colo, me sentei ao lado delas.

– Meu amor, temos que conversar algo sério com você.

– O que foi mamãe? — Lis piscava seus cílios enormes em expectativa.

– Meu amorzinho você sabe que é muito especial né? E que crianças especiais, tem coisas melhores que as crianças normais. — Ela sorriu assentindo com a cabeça.

– Você vai gostar pequenininha, era uma surpresa, mas eu não consegui esperar. — Disse ansioso.

– Meu bem, você é tão especial, mas tão especial que tem dois papais. — Lis arregalou os olhos e em seguida começou a gritar e bater palminhas. Suspirei aliviado.

– Acho que eu nunca ouvi tanto a palavra especial, me deu até enjoo. — Jimmy disse saindo de trás da porta.

– TIO JIMMY EU TENHO DOIS PAPAIS — Ela começou a dançar pela sala e Jimmy segurou as mãozinhas da pequena dançando juntos. — Mas, espera. Quem é meu outro papai?

– Sou eu baixinha. — Me levantei e ela sorriu mostrando todos os seus dentinhos brancos.

Flasback off

Enquanto ela brincava percebi que as outras meninas não chegavam perto dela. Ela tinha o jeito da Lizzie e era teimosa como eu. Ela veio até mim correndo e sentou no meu colo.

– Pai, prende meu cabelo! — Ah meu Deus, agora eu me ferrei, porque não podia ser um menino?

Ela colocou uma liga na minha mão. Como se usa essa coisa? Peguei todo o cabelo dela, coloquei pra cima e dei um nó.

– Está linda! — Disse, mas era mentira, ela tava parecendo um bicho.

Ah qual é eu não podia deixar minha filha andar assim. Soltei o cabelo dela e tive uma ideia.

Coloquei meu boné na sua cabeça e botei o cabelo dela dentro do buraquinho do boné. Perfeita.

– Linda. Ainda protege da insolação. — Sorri animado e Lis riu também. Eu sou um gênio.

– Pai você é muito diferente do meu outro pai.

– Hmm sou? — Será que ela me achava um babaca?

– Você é doido. E o meu outro pai também é, mas você é mais. Mas eu gosto assim. — Ela colocou os braços em volta da minha cintura e me abraçou. Apertei seu corpinho pequeno contra mim e beijei sua testa.

– Quer sorvete agora? — Ela levantou animada.

– Vamos logo Bri, eu to com fome. — A peguei no colo e a levei até a sorveteria do outro lado da rua.

Coloquei Lisbeth no chão e ela correu para uma das mesinhas. Peguei minha carteira no bolso e vi uma mulher loira conversando com ela.

– Onde estão seus pais Lis? — Ela perguntou.

– Em casa tia.

– Nossa, que tipo de pais desnaturados deixam a filha sozinha na rua?

– Ela não está sozinha. — Disse chegando mais perto, a mulher me olhou de cima a baixo, nada discreta.

– Olá, sou Ivy. — Ela estendeu a mão sorrindo largamente — Professora da Lis.

– Sou Brian — Apertei sua mão — Pai da Lis.

– Pai? Mas o pai dela é o Jared...

– Eu tenho dois pais tia. — Ela falou toda orgulhosa — Papi meu sorveeete.

– Calma criatura. — Entrei na sorveteria e pedi dois sorvetes de morango. Meu preferido e da Lis também.

A Ivy ainda conversava com ela, mas não tirava os olhos de mim. Eu sei que eu sou gato, mas to comprometido né. Apesar da minha fama de cafajeste, eu gostava mesmo da minha noiva.

– Aqui o sorvete panda. — Sentei em uma das cadeiras. — Não se suje.

– Não vou me sujar Bri. — A moça continuava me olhando. Que deselegante.

– Então você... É casado? — Arquei uma sobrancelha.

– Não. Estou noivo.

– Hmm, um desperdício. — Ela disse tentando ser sexy.

– Paaaai. — Lis gritou e eu olhei pra ela. Seu rosto estava todo melado de sorvete, e a sua blusa também. — Só sujei um pouquinho. Ela mostrou seus dentes branquinhos

– Ta parecendo uma mendiga criatura. O que ta fazendo? — Lis sujou meu nariz com sorvete.

– Ta bonito agora! — Lisbeth riu mais.

– E eu não sou bonito? Você tem os meus olhos, a minha boca e ta me chamando de feio?

– Impressão sua Bri, você é um gato.

– De onde tirou isso menina?

[...]

Terminei de encher a banheira e a menina pulou me molhando todo.

– Entra pai — A criatura ruiva riu e jogou água em mim

– Quer que eu tome banho com você?

– Quero pai. Tem patos aqui? Eu adoro patos. — Meu Deus, é uma praga mesmo. Primeiro o demente do Jimmy e agora minha filha. Qual é o problema dos patos?

Peguei dois patinhos dentro do armário do banheiro e tirei as minhas roupas ficando só de cueca, entrando na banheira em seguida. Minha filha é muito nova pra ver certas coisas

– Vem cá menina feia, deixa eu lavar essa juba — Ela fez careta e jogou água em mim.

– Juba nada. Já olhou o seu cabelo? Porco espinho. — Jesus que menina afiada, é isso que dá andar demais com a doida da Lizzie.

– Então, me conte como é na escolinha. — Disse enquanto passava shampoo no seu cabelo vermelho.

– Ai pai mais devagar, minha cabeça. — Ela fazia careta. — Eu detesto aquelas meninas chatas, elas só gostam de rosa e de batom. Eca. Gosto de jogar futebol com os meninos. — Eita que orgulho da minha filha.

– Minha vez pai. — Fiz uma careta sem entender e ela ficou em pé e começou a passar shampoo no meu cabelo. Suas mãozinhas pequenas puxavam meus fios, quase como uma massagem. — Papai acorda. — Isso mesmo, aquilo tava tão bom que acabei tirando uma soneca. Senti um tapão na minha testa e abri os olhos assustado.

– Não faz mais isso peste. — Enxaguei nossos cabelos e passei condicionador enquanto ela brincava com os patos. Se liga no dialogo.

– Oi meu nome é Rodolfo e o seu?

– Ah meu nome é Quack Quack.

– Que nome legal cara.

– Pois é Quack.

– Pera, mas Quack não é seu nome?

– Sei de nada mais não cara.

Quase chorei de desespero. Essa menina não é minha filha. Onde que eu erreeeeei? Acho que essa menina é filha do Jimmy, só pode ser.

– Que foi papai que o senhor está me olhando? — Eu juro que quis rir da carinha dela, parecia o Jimmy em seus momentos normais (raros) Kenan me enganou, essa menina é filha do Jimmy!

– Nada não linda, ta na hora de dormir vamos. — Me levantei e peguei ela no colo, a enrolei numa toalha e depois me vesti com um roupão.

– Porque eu não posso vestir o roupão também? — Ela cruzou os bracinhos e fez careta.

– Por que vai ficar muito grande pra você.

– Ta me chamando de baixinha?

Joguei ela sobre meu ombro e marchei em direção ao quarto e a joguei em cima da cama.

– Veste uma roupa, vou fazer nescau quer?

– Tem mini marshmallows? Eu quero! — Ela fez aquela carinha fofa que me fez rir.

– Tem sim, estou indo fazer. — A deixei no quarto e fui pra cozinha preparar os mini marshmallows com chocolate pra pirralha e pra mim. Voltei ao quarto e com o que eu me deparo? A vermelha encardida afogada em um dos meus moletons do AC/DC.

– Paaai cadê os meus braços? — Ela perguntou desesperada.

– Pelamor de Deus Lis, aqui os seus braços! — Abaixei as mangas do meu moletom deixando os braços livres.

– Ah — Ela riu e se jogou na cama. — Me da pai. — Dei o nescau a ela e voltei ao banheiro pra me trocar.

Coloquei uma cueca limpa e uma calça de moletom, estendi o roupão. Quando voltei ao quarto ela estava coçando os olhinhos, que eram exatamente iguais aos meus.

– To com sono papai.

– Então vamos dormir vermelhinha. — Deitei na cama ao seu lado, peguei o copo que estava pela metade e coloquei na cômoda ao lado da cama.

– Boa noite papai. — Ela se inclinou, beijou minha bochecha e deitou a cabeça no meu peito. Apertei à pequena junto de mim.

É isso vida nova. Desde que soube que ela era minha filha, as coisas parecem diferentes pra mim. Apesar de louca, minha filha me faz feliz. E uma coisa que eu nunca pensei dizer... Synyster Gates está apaixonado, e por uma menina de 5 anos!