Witchcraft
2 Cherry Bomb
Kenan
Lizzie falava alegremente no celular com Jeremy, havia pego o endereço, a casa não ficava tão longe, apenas umas 6 quadras dali. Ela desligou e virou para mim saltitante, estávamos realmente animadas por reencontrar nosso amigo. Lizzie como sempre correu alegremente na minha frente, essa garota tinha uns problemas em ficar parada. Um carro vinha em alta velocidade no fim da rua, quando nós vimos o carro já estava quase em cima dela. Lizzie gritou e caiu dramaticamente, o carro parou e eu corri até ela.
– Amiga você ta bem? – Falei assustada, por pouco ele não a atropela. Ela se deitou no asfalto com a respiração muito acelerada.
– Kenan pensei que ia morrer – Choramingou minha amiga.
– Shh querida já passou tudo bem – dei um abraço desajeitado nela.
Então eu reparei que um cara descia do carro, estava assustado, não sabia o que fazer, percebi que seus olhos eram verdes e brilhavam intensamente, desesperado.
Zacky
Dirigia em direção a casa do Jimmy, teríamos um show a noite, eu cantava alto Scream dos Misfits juntamente com a música, simplesmente amava essa banda. Não estava prestando atenção no caminho, afinal eu conseguiria chegar a qualquer lugar de Huntington Beach de olhos fechados e quando me dei conta havia uma garota na pista. Pisei no freio com força, fechei os olhos e a garota gritou, como não senti impacto abri os olhos. Ela estava no chão e tinha uma moça ruiva ajudando, observei aquela cena por um tempo. Oh merda! As garotas da noite passada...
Saí do carro e a ruiva olhou para mim e ao mesmo tempo a morena, com olhos furiosos que me deixou com as pernas bambas. Nunca uma garota tinha me colocado tanto medo.
Kenan
Lizzie se levantou num salto ao ver o cara de olhos verdes.
– Você é cego? Idiota! – E deu um gancho de direita perfeito no olho do rapaz, que cambaleou.
– VOCÊ É DOIDA? – disse ele colocando a mão no olho machucado.
–DOIDA? EU? VOCÊ PODIA TER ME MATADO! – Lizzie estava furiosa, ela tinha um gênio e tanto.
– Garota, vai a merda!
– VAI VOCÊ – Ela parecia prestes a atacá-lo de novo. Segurei-a pelo braço.
– Já chega Elizabeth! – Esbravejei com ela – E você mil desculpas.
Continuamos a andar como se nada tivesse acontecido, apesar de todos na rua terem ficado perguntando se Lizzie estava bem:
– Ta louca menina? Ele podia ter te matado se quisesse – A arrastei pra longe do garoto.
– Qual é K não tenho medo, alias não ia deixar isso assim nunca, você me conhece, eu ia acabar com aquele idiota. – Ela deu um risinho sínico.
– Que ótimo né Lizzie, mas agora vamos, estou cansada.
– Claro vamos – ela disse suspirando.
Caminhávamos rápido, estávamos ansiosas demais. Algumas quadras dali achamos a casa de numero 156, como indicado pelo nosso amigo.
– Enfim chegamos. – Suspirei.
– Pelo visto a essa é a casa – Lizzie ficou na ponta dos pés e tocou a campainha.
Um cara alto, forte e com um rosto muito familiar abriu a porta, deu um sorriso de orelha a orelha.
– Ah meu Deus eu não acredito! Ferrugem e Mal Humor chegaram. – Ele deu uma gargalhada, abraçando nós duas ao mesmo tempo.
– OMG Jerry, eu não me lembro de você ser tão grande – disse Lizzie empurrando nosso amigo e sorrindo.
– Entrem meninas, rápido. Eu não acredito, não acredito mesmo, vocês não mudaram nada. – Ele nos olhou dos pés a cabeça.
– Não se pode dizer do grandão aqui – Todos rimos, Jerry deu língua para Lizzie e nos abraçou novamente.
– Ei tem alguém aqui precisando de um banho hein – Ele tapou o nariz dramaticamente.
– Realmente, tem alguns dias que não tomamos banho mesmo.
– Então vamos para o quarto garotas, precisam descansar um pouco e depois a gente conversa ta?
Subimos para o quarto de hospedes e ele nos deu toalhas para o banho. Lizzie foi primeiro, enquanto ela tomava banho contei tudo a Jeremy.
– Devíamos sair hoje a noite, preciso me divertir. – Disse abraçando meu velho amigo.
– Hm, tem um lugar legal, acho que vocês vão gostar. – Lizzie saiu do banheiro e foi a minha vez. Me despi e entrei no box de vidro, pus a água bem forte e gelada, deixei ela cair pelo meu corpo, era tão bom e fazia um tempo desde a ultima vez que tomara banho, lavei meus cabelos e passei a esponja por todo meu corpo, sai do banheiro me sentindo outra garota.
Elizabeth
As 22 horas já estávamos prontas e arrumadas. Kenan tinha os cabelos soltos em ondas vermelhas, usava uma calça jeans e uma camiseta branca, que deixava um dos seus ombros a mostra. Eu vestia uma saia preta e uma camiseta do Misfits, fiz um coque meio solto e bagunçado no meu cabelo.
– Prontas garotas? – Jerry abriu a porta do quarto, vestido casualmente, mas muito bonito.
[...]
Assim que Jerry abriu a porta do carro, senti meu coração bater mais rápido, era um lugar estranho, o tipo de lugar que motoqueiros frequentariam, tentei me acalmar. Entramos no recinto e o cheiro de álcool e cigarro invadia o lugar.
– Hmm Jerry, preciso ir ao banheiro. – Sorri amarelo.
– Claro, espero vocês aqui. O banheiro é no fim desse corredor. – Ele apontou um corredor escuro e com vários casais se pegando. Franzi a testa.
– Vamos K. – Puxei-a pelo braço.
Zacky
O show seria daqui a pouco, o dono do bar disse que esperaríamos a outra banda terminar e seria a nossa vez. Estávamos prontos num camarim improvisado nos fundo do Johnny’s bebendo. Gates estava se esfregando em Johnny que o empurrava com raiva.
– Qual é amorzinho, só um pouquinho. – Ele disse rindo.
– Vai se foder Gates. — Todos nos não parávamos de rir, Johnny estava realmente furioso.
A porta do camarim foi aberta e esperamos nós chamarem pra tocar. Mas no lugar dele, quem eu vi, quase me fez ter um infarto.
– Ops! Acho que aqui não é o banheiro. – A ruiva sorriu sem jeito.
– Ei princesa! – Gates chamou e ela ficou vermelha.
– Mais eu não acredito que é esse idiota! – A morena revirou os olhos com raiva.
– A única idiota aqui é você e vê se cala a merda dessa boca.
– Ei ei parou a palhaçada ok? Podem me explicar o que é isso? – falou Jerry, um velho conhecido e a ruiva pulou na frente dele.
– Eu posso! Ele quase matou Lizzie hoje a tarde, que quase fez ele ficar cego, por sinal. — A ruiva sorriu.
– Ta brincando que foi uma garota que fez isso na sua cara? – disse Jimmy caindo na risada junto dos outros.
– E vou quebrar a sua se não calar a boca Sullivan.
– Chega de briga viadinhos – Gates se aproximou das garotas e as abraçou por tempo demais – Sou Synyster Gates, mas podem me chamar de Syn ou de docinho, ou o que vocês quiserem – Ao dizer isso ele piscou.
– Mas espera, como você chegou aqui Jerry? – A garota ruiva que se chamava Kenan perguntou.
– Ah, vocês estavam demorando muito e como é um bar estranho pra garotas sozinhas, eu resolvi procurar vocês. – Ele disse. Um cara que trabalhava no bar abriu a porta do ‘camarim’.
– Ei pessoal está na hora do show – Pegamos nossos instrumentos e corremos pra fora, animados e nervosos, enquanto as garotas nos desejavam boa sorte.
Elizabeth
O que dizer sobre aqueles caras? Eu estava sem palavras. Nunca tinha visto um show de Heavy Metal ao vivo, mas aqueles caras... O Jimmy que tocava bateria me encantou, ele tocava como ninguém. Matt tinha a voz mais rouca e maravilhosa que já ouvi, os caras das guitarras faziam uma dupla e tanto, e sim, eu estava realmente furiosa, um deles era o garoto que quase tinha me atropelado, chamava-se Zacky, mas no entanto tocava bem. O Syn tinha um talento incrível com a guitarra. Pena que estava acabando.
– Eles tocam bem hein? E são gatinhos – K disse e riu no meu ouvido.
– É são sim e o gato do Syn está olhando pra você. – Apontei para o outro guitarrista de cabelos grandes e calças rasgadas.
– Não está não. – Ela disse e suas bochechas ficaram vermelhas.
[...]
– Olá garotas – Falando do diabo. O tal guitarrista chegou perto da gente com um sorrisinho cafajeste, mas que era gato, era. Ele arqueou as sobrancelhas. — É um prazer conhecer vocês. Estão a fim de beber alguma coisa com os caras?
– Qual é Brian, dá um tempo, minhas amigas não. – Disse Jerry nos abraçando.
– Não tem problema, queremos sim. – K respondeu.
– Quê? Não vou dividir uma mesa com esse retardado nem que a minha mãe fale “Puta que Pariu” vamos embora. – Lizzie dirigiu um olhar mortal pro Zacky. Syn nos levou até a mesa onde estavam todos sentados. Sentei-me perto do Jimmy e do Matt.
– Vão querer beber o que? – Johnny já estava muito animadinho.
– Vodka – Eu e K falamos juntas e rimos.
– Uma rodada de vodka pra essas mocinhas – Matt disse ao garçom com sua voz rouca e maravilhosa.
– Então ruiva, onde mora? – Syn perguntou a K e eu deu uma olhada maliciosa para ela.
– Eu e Lizzie morávamos em NY e estamos passando um tempo na casa do Jerry.
– Estão de férias? São namoradas? — Syn perguntou com os olhos brilhando.
– O que? Não, não mesmo, só melhores amigas e primas. – Ela cutucou o meu braço.
– Então, podemos ir lá fora depois?
– Pode ser. – Falou, com as bochechas ficando levemente vermelhas.
– Então o que vieram fazer em Huntington Beach? – Foi a vez do Matt perguntar.
– Ah não, fugindo de casa. – Tomei um bom gole da vodka e K deu um sorriso amarelo. Todos riram, talvez, pensando que era mentira.
– Espero que eles usem camisinha. Sua amiga não vai querer pegar uma doença. – Ele disse rindo e colocando o braço no meu ombro.
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