Wishmaster
9 O Primeiro Contato
Notas iniciais
A visão do cabo da tropa de exploração correndo desajeitadamente pelos corredores da base de Rose carregando um garoto mais alto que si seria no mínimo cômica, não fosse apenas o fato de que o moreno se debatia e se mutilava sobre os braços de Levi, ao mesmo tempo em que a branca e espessa fumaça continuava a escapar pelos ferimentos que eram recém abertos. Além disso, era perceptível à distância a onda de calor que emanava do corpo de Eren, responsável também pela coloração extremamente avermelhada do rosto do homem que o carregava, que suspirou pesadamente ao chegar a conclusão de que precisaria pedir ajuda à sua amiga Hanji por falta de opção. Naquele momento acabou por se lembrar dos irmãos do moreno que estariam a observar o treinamento de momentos atrás, perguntando-se mentalmente onde estariam. Devido à distância onde se encontravam anteriormente já deveriam os ter alcançado há alguns minutos.
Trincou os dentes, visto que sua prioridade era encontrar a mulher quem chamava "carinhosamente" de quatro olhos o mais rápido possível, resolveu não se preocupar com aquilo. Apressou os passos ao avistar o corredor que levava ao refeitório, caso não estivesse enganado estavam próximo do horário de almoço. Sendo assim, provavelmente encontraria a mulher naquele local a espera da tradicional refeição que era ali servida. Ao se aproximar o suficiente, ergueu uma das pernas e com um movimento brusco, chutou a porta dupla de madeira do refeitório, que se chocaram contra as paredes ocasionando assim em um barulho relativamente alto que atraía a atenção de alguns dos soldados que se encontravam sentados nas bancadas.
Nem um pouco preocupado com quem estivesse no local, o cabo voltou a caminhar em passos rápidos enquanto corria os olhos acinzentados por todo o local, ao mesmo tempo em que reparava na forma como os soldados se levantavam para saudá-lo. No entanto, Rivaille encontrava-se cada vez mais irritado na medida em que se aproximava da cozinha e não encontrava sinal algum da mulher morena e após ouvir um sôfrego muxoxo vindo de Eren, resolveu perguntar:
– Alguém sabe onde aquela maltida quatro olhos se meteu? — Sua voz soava impaciente e irritada, o que fazia os demais soldados tremerem levemente. Sem receber uma resposta imediata, tornou a perguntar onde estaria a mulher, ao mesmo tempo em que rogava mil e uma pragas contra a mesma, que como se adivinhasse os pensamentos do homem de baixa estatura, surgia por entre as paredes que levavam à cozinha daquele refeitório.
– Oi! — disse tranquila, aproximando-se em passos desajeitados. — Estava ajudando Petra com novos ingredientes e-
– Não quero saber. — cortou, erguendo o corpo de Eren em seus braços, fazendo com que a mulher voltasse os olhos para o mesmo e arregalar os olhos, parecendo apenas naquele momento perceber a onda de calor que emanava daquele corpo. — Resolva isso.
Hanji voltou o olhar para uma das bancadas mais próximas, dando a entender à Levi que pusesse o rapaz deitado sobre uma daquelas superfícies. Assim feito, a morena tomava a liberdade de pedir suporte de alguns soldados que observavam a cena catatônicos com o estado do rapaz de bele bronzeada, que em momento algum deixara de cravas as unhas sobre a própria pele. Tal visão era perturbadora à olhares inexperientes e por mais que a morena e o cabo houvessem presenciado cenas piores, não conseguiam deixar de se sentirem levemente perturbados por uma ação como aquela.
– Darwin! — A mulher chamou e um rapaz moreno, alto e de excelente porte físico.
– Sim, Tenente Hanji! — respondeu, colocando-se ao lado da morena que sorria.
– Vá até a cozinha e peça bastante gelo a Petra, diga que é uma emergência. — explicou, levando uma das mãos até a testa do jovem Jaeger e afastando rapidamente, resmungando algumas coisas sobre a alta temperatura. — Nossa... É melhor levar alguém para ajudá-lo. Vá, rápido!
– Hanji... — chamou Levi, sentindo um incômodo fora do comum no peito e nos braços. — O que ele tem?
– Não sei dizer. — respondeu sincera, levando uma das mãos até o queixo, apoiando-o levemente enquanto voltava os olhos para as mãos do cabo, assustando-se. — Rivaille, suas mãos...
O homem abaixou o olhar para suas mãos, franzindo o cenho em seguida ao mesmo tempo em que retirava a jaqueta da tropa, depositando-a sobre a bancada, sentindo em seguida o tecido branco de sua camisa grudando em seus braços e peito, onde foram os locais onde manteve contato direto com o corpo do garoto. Levi então franziu ainda mais o cenho, usando das mãos para arregaçar as mangas de sua camisa, arrependendo-se logo em seguida. Podia sentir sua pele colada àquele tecido e na medida em que tentava arregaçar as mangas, a mesma desprendia-se de seu corpo, precisando fazer um esforço descomunal para não expressar a dor que estaria sentindo naquele momento. Voltou o olhar para a Tenente, que fitava a tudo aquilo com a mesma surpresa que os demais soldados. Afinal, como seria possível apenas o calor de um garoto provocar tais queimaduras apenas pelo contato físico? Além disso, também se passava pela mente de Rivaille o quanto o moreno não estaria agonizando com aquele calor emanando de seu corpo.
– Pare com isso Levi! — repreendeu a morena ao perceber que o cabo continuaria a tentar a puxar a manga da camisa. — Não vê que é uma queimadura de segundo grau? — Iria continuar, mas foi interrompida por Darwin, Petra e mais alguns soldados, que traziam enormes pedaços de gelo cobertos por serragem de madeira, que eram responsáveis pelo seu armazenamento, impedindo assim que o produto caro fosse perdido. — Obrigada! Agora usem os seus uniformes para armazenar o gelo e colocar com cuidado sobre o corpo do Eren. Não queremos que tenha um choque térmico e Petra! — chamou a ruiva, que se exaltava levemente pelo chamado repentino. — Cuide dos ferimentos do Rivaille, não toque diretamente nas queimaduras, use panos úmidos ou aquele borrifador da cozinha.
– Tsc. Deveria se preocupar apenas com o garoto. — Levi resmungou, atraindo um olhar pouco satisfeito da morena e da ruiva.
– O Eren faz "aquilo", você não. — disse Hanji, cuidando para aproximar com cuidado o gelo do corpo do rapaz, ao mesmo tempo em que pedia para que os soldados tentassem retirar a camisa do garoto, que continuava a se contorcer e a gritar algumas vezes.
Rivaille voltou o olhar para a roupa do garoto e para a sua própria em seguida, percebendo o tom de escarlate que se sobressaía das demais cores do uniforme e por mais que isso o irritasse, não conseguia deixar de se importar com Eren em primeiro lugar. Não sabia explicar como e nem porquê, mas vê-lo nesse estado não o deixava tranquilo. E foi exatamente por isso que, ao perceber que o tramatendo de Hanji com o gelo não estava funcionando, Levi ignorou completamente a ruiva que tentava ajudá-lo e foi em direção a bancada, sentando sobre a mesma e puxando o corpo do garoto para cima do seu, sentindo aquele calor insuportável incomodar também suas pernas. O cabo deixava as costas do rapaz apoiada sobre seu braço esquerdo enquanto usava o direito para pegar o antigo borrifador das mãos de Petra e posicioná-lo diretamente contra o rosto do rapaz.
– Rivaille o que está fazendo? — quis saber a dona dos óculos que assim como os demais soldados ali presentes, estranhou aquela reação tão repentina.
– Estou resolvendo o problema. — disse simplesmente, sentindo o jovem Jaeger segurar firmemente sobre o tecido de sua camisa que estava agarrada ao peito, puxando-a levemente e causando um grande desconforto no cabo, que apenas resolveu ignorar enquanto dava algumas borrifadas de água contra o rosto de Eren, que imediatamente abria os olhos e se exaltava mais uma vez, provavelmente sentindo dor por aquele choque tão repentino. Levi então ajeitava o braço que apoiava o corpo do moreno, de forma a abraçá-lo e fazer com que apoiasse seu rosto em seu ombro, sentindo sua pele arder com aquele contato ao mesmo tempo em que balançava o corpo para frente e para trás, como se estivesse ninando o garoto. — Calma Jaeger. — disse em uma voz estranhamente calma, ao mesmo tempo em que continuava a borrifar a água pelo corpo do rapaz, que tinha leves convulsões. — Mantenha a calma e respire fundo, consegue fazer isso? — perguntou, mas não obteve resposta. — Faça como eu, inspire... — Rivaille puxou o ar, sentindo o peito crescer e prendendo levemente a respiração em seguida, observando como o garoto tentava fazer o mesmo. — E expire. — Soltou o ar, vendo Eren fazer o mesmo. — Isso, vamos fazer isso de novo, juntos.
Aquela cena era presenciada por cerca de dez soldados incrédulos, afinal, poderiam imaginar qualquer reação vinda de seu superior, menos a que estavam a presenciar. Sabiam que a presença do garoto era importante para o avanço da humanidade contra a incessante luta contra os titãs, porém nunca haviam lhes passado pela cabeça que Levi chegaria àquele ponto. Já Hanji observava a tudo aquilo minuciosamente, desde a reação de seu amigo para com a situação até ao fato de que o jovem de orbes esmeraldinas parecia estar se acalmando aos poucos, o que apenas instigava a sua curiosidade. Mas, por hora, deixaria as coisas naquele estado.
Enquanto todos se questionavam a cerca do que estaria se passando na mente do cabo, o próprio apenas se preocupava em como poderia ajudar para ver o garoto se recuperar rapidamente, ao mesmo tempo em que tentava entender como aquilo poderia ter começado. Não poderia ser resultado do treinamento, visto que as reações não coincidiam com detalhes físicos. Foi quando se lembrou de algo que não deveria ter deixado passar por despercebido. Trincou os dentes enquanto apertava mais o corpo do garoto abaixo de si, que havia finalmente parado de se auto mutilar, o que já era um alívio imenso para o cabo.
– Hanji. — chamou, rapidamente vendo a mulher saltar para o seu campo de visão, o que o fez rolar os olhos em desdém. — Precisamos conversar, tire os soldados daqui.
[...]
O loiro recusou outra das muitas bebidas estranhas que o comandante das tropas estacionárias o oferecia, aguardando apenas o outro se acomodar em sua poltrona para iniciar o assunto que o estava perturbando desde que retornara de Sina. Por mais que quisesse entender o significado por trás das palavras de Elaijia, nunca conseguiria chegar à uma conclusão exata, o que o obrigava a precisar procurar outro caminho. Suspirou, logo tendo seus devaneios cortados pelo comandante à sua frente.
– Espero que realmente seja algo importante Irwin. — disse sem rodeios, encostando-se melhor sobre a poltrona, fitando os azulados do capitão à sua frente.
– Creio que gostaria de saber das novidades. — começou. — Como comandante das tropas estacionárias, o senhor Dot Pixis não pode ficar sem informações.
– De fato. — respondeu. — Então?
– Provavelmente o Marechal já lhe mandou um pequeno relatório, resumindo os acontecimentos em Trost e ressaltando o novo membro da tropa de exploração. — comentou e ao observar o outro assentir, continuou. — Precisamos discutir quais estratégias tomar daqui para frente.
– Não acha que deveríamos ter pelo menos um representante da Polícia Militar conosco? — apontou, sorrindo curioso pela expressão de Irwin.
– Acho que não devemos confiar tanto na Polícia Militar. — O capitão Smith suspirou pesadamente, encostando-se melhor sobre a cadeira, tentando encontrar uma posição mais confortável. — Digamos que temos muitos relatos sobre suas atividades suspeitas em Trost. Além disso, algo está me perturbando... — Irwin correu levemente o olhar pela sua sala antes de esconder seus orbes azulados com suas pálpebras. — Quando fui chamado pelo Marechal, o capitão Savage também estava lá e ele mostrou um interesse, digamos, estranho demais no garoto.
Pixis sorriu outra vez, delineando seu bigode grisalho de uma forma engraçada enquanto levava uma das mãos até o frasco que carregava junto com seu equipamento básico, abrindo-o e levando-o até seus lábios ressecados a fim de ingerir o seu conteúdo. Estava curioso e surpreso em saber que não seria o único a ter leves suspeitas contra a Polícia Militar.
– Elaijia Savage sempre foi um homem estranho e que aparentava um caráter duvidoso. — disse o comandante, guardando o seu frasco assim que se saciava. — No entanto, sempre foi muito útil para a humanidade e servindo ao Rei. — Viu quando o loiro voltou a olhar para si. — O que foi que ele te disse, Irwin?
– Coisas sem nexo. — deixou escapar, suspirando pesadamente mais uma vez. — Perguntou se já tinha ido à igreja e que havia muita coisa interessante por lá.
O comandante pareceu ponderar por alguns segundos sobre aquele assunto, sendo friamente observado pelo capitão.
– Talvez fosse uma simples provocação. — Deu de ombros.
– Foi o que pensei. — concordou, abaixando levemente a cabeça. No entanto, não tinha a certeza de que Elaijia diria aquilo apenas para provocá-lo.
– Mas, talvez não seja. Deveria perguntar à Rivaille sobre essas coisas. Afinal, ele e Elaijia não são amigos? — continuou Pixis, atraindo mais uma vez o olhar de Irwin. — Quanto ao fato de se ter algo interessante na igreja... Bom, deveríamos investigar, não? Já ouvi falar de uns livros interessantes que estariam em posse dos representantes daquele culto às antigas muralhas.
O capitão Smith franzia o cenho, perdendo-se em seus próprios devaneios. Não era a primeira vez que ouvia algo relacionado à esses livros, se sua memória não lhe enganava, o próprio pai fora o responsável por comentar tais coisas consigo quando era mais novo. E tendo em conta o fato de que a igreja tinha consciência do potencial de um titã e, mesmo após a quase aniquilação em massa da humanidade, manteve-se em silêncio, deveria ter sim suas suspeitas. Distraiu-se tanto com esse raciocínio que mal percebeu quanto Pixis lhe dirigia a palavra, desculpando-se logo em seguida por sua falta de atenção, fazendo o outro rir.
– Você se preocupa demais com essas coisas Irwin. — comentou. — Se continuar assim, rapidamente subirá ao cargo de comandante.
O loiro sorriu por breves momentos ao se imaginar como comandante, provavelmente teria mais responsabilidades sobre seus ombros do que atualmente, fato que o assustava de certa forma, mas sabia que seria facilmente contornável.
Continuaram então a debater sobre as novas estratégias e formações que deveriam seguir a partir daquele momento, ao mesmo tempo em que Irwin esclarecia o comandante à sua frente das misteriosas habilidades de Eren, o que o surpreendia de certa forma. Todavia, ambos seguiam o mesmo pensamento: com o garoto no exército, eles poderiam ter uma grande chance em uma batalha direta contra os titãs.
[...]
Ainda com o rapaz em seus braços, Levi observava atentamente cada movimendo seu, demonstrando tamanha atenção que surpreendia a si próprio. Eren agora respirava mais tranquilamente e por mais que seu corpo ainda estivesse com uma temperatura muito elevada, o cabo conseguia sentir-se aliviado por saber que o pior havia passado. O dono dos orbes esmeraldinos ainda resmungava alguma coisa vez ou outra, provavelmente ainda se sentindo incomodado pelo calor.
– Rivaille... O que aconteceu aqui, hein? — Hanji se pronunciou, olhando para o cabo com um grande sorriso enquanto este a fuzilava com o olhar. — Nunca te vi dessa forma! Tão preocupado, parecia até-
– Se você não se calar agora, conhecerá a morte mais cedo do que imagina. — ameaçou, observando a amiga levantar ambas as mãos em rendição, mas ainda assim continuava com o sorriso sobre os lábios.
A verdade era que, por mais que devesse se afastar do garoto, não o queria fazer e isso o estava corroendo por dentro. Não se importava com os comentários que poderia receber no dia seguinte, afinal, poderia castigar os soldados a hora que bem entendesse, era apenas o fato de não querer se afastar do garoto que o incomodava.
– Não está doendo? — A morena perguntou, atraindo a atenção de Levi para si.
– Um pouco. Arde na verdade. — comentou, voltando a olhar para Eren, que dormia tranquilamente em seus braços. — Hanji... Esse tipo de coisa é normal para alguém como ele?
– Não sei. — A morena deu de ombros e o cabo sentiu uma veia de sua testa saltar com isso. — Nunca estudei um garoto tão fascinante quanto ele...
Rivaille voltou seu olhar de poucos amigos para Hanji, recebendo em troca o olhar maníaco que a mesma lançava aos titãs que costumava estudar em seus tempos livres. Nunca conseguiria entender o que se passava naquela mente e nem sabia se queria realmente entender.
– Naquele dia em Trost o Jaeger disse que seu corpo queimava. — continuou. — Foi no momento em que o retirei daquela muralha de titãs.
– Por isso acha que tem alguma ligação com essa... Habilidade que ele tem? — quis saber e o cabo assentiu.
– O garoto me disse que antes disso, um titã o havia chamado de "Mestre Eren". — comentou, suspirando levemente antes de mover a mão livre e tocar no rosto do rapaz, sentindo-o menos aquecido e aproveitava o momento para acariciar levemente a pele macia de sua face.
– "Mestre Eren"? — perguntou, vendo o amigo assentir mais uma vez. — O titã disse isso... Será possível que...
O cabo voltou seu olhar para a morena, que levou a unha do polegar até a boca, passando a roer-la compulsivamente, atitude esta que o cabo não pode considerar menos nojenta.
– Será possível o que, quatro olhos? — perguntou sem paciência, fazendo a mulher sair de seus devaneios e fitá-lo apreensiva.
– Antes de morrer, meu pai tinha me dado uns livros que eram restritos à igreja que dizia algo sobre os primeiros titãs. — disse, atraindo a atenção de Levi, que franzia o cenho com aquela nova informação. — Se bem me lembro... Esses titãs eram referidos como "Mestres" e... — Hanji interrompia seu raciocínio assim que percebera algo estranho vindo de seu amigo, que olhava para ela fixamente e com os olhos arregalados. — Rivaille?
As paredes claras e as janelas do refeitório sumiam da visão de Levi dando lugar a paredes escuras. O local era iluminado apenas por uma pequena janela gradeada acima do que parecia ser um corpo preso por correntes. O cabo conseguia sentir o cheiro de mofo e podridão daquele lugar o que o obrigara a entortar o nariz. Em seguida, uma risada arrastada era ouvida e o corpo à sua frente se movia o suficiente para entrar no campo de iluminação da pequena janela, revelando a coloração avermelhada de seus longos cabelos lisos que Rivaille pensou reconhecer por breves momentos.
Aproximou-se daquele misterioso corpo em passos lentos a fim de tentar identificar o dono daquelas madeixas exóticas, parando automaticamente assim que o mesmo avançava contra seu corpo, sendo impedido apenas pelas correntes que imobilizavam seus braços e pernas à certa distância. Porém, não fora a reação repentina do homem que o surpreendera, mas sim a sua aparência. Seus fios ruivos caíam desgrenhadamente pelo seu rosto oval, contrastando com sua pele pálida e olhos acinzentados que o fitavam enfurecidos.
Levi separou os lábios por um momento e antes que pudesse dizer alguma coisa, aquela visão de repente se desfazia e as paredes claras do refeitório voltaram a ocupar sua mente, juntamente com as mãos de Hanji, que as balançava na frente dos olhos do amigo para despertá-lo. O cabo estava surpreso, atônito com o que contemplara e isso o incomodava em demasia. Fechando os olhos por alguns segundos, decidiu se acalmar antes de voltar-se para a amiga, com sua indiferença costumeira:
– Mostre-me esses livros. Agora.
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