Wishmaster
36 Feliz Aniversário, Levi - Especial de Natal
Notas iniciais
– Você não tinha o direito de ter feito isso sem o meu consentimento! – O comandante exclamou, espalmando ambas as mãos sobre a mesa. – Você comprometeu toda a expedição com isso!
– E o que queria que eu fizesse? Continuasse calado enquanto os poucos soldados que nos restavam morriam? – O capitão retrucou, cruzando os braços e visivelmente enfurecido. – Quem mais deveria morrer até que estivesse satisfeito, Hanji, Mike, Nanaba? Não trate a vida das pessoas como se elas fossem simples peças de xadrez, comandante de merda!
– Você fez a escolha errada, Rivaille. – continuou, porém, o outro não permitiu que prosseguisse.
– Se eu continuasse consentindo com a sua loucura eu teria feito sim a escolha errada. – devolveu, fuzilando o outro com os olhos. – Caia em si, Irwin. Você quer fazer as coisas melhor que o Elaijia, mas está deixando isso cegá-lo!
– Está dizendo que sou pior do que aquele sujeitinho? – perguntou, mas não deixou Levi responder. – Quem precisa abrir os olhos aqui é você! Será que não enxerga o quão baixo ele é?
– Chega Irwin! – Perdendo a postura, Levi espalmou ambas as mãos sobre a secretária do loiro, focando seus acinzentados sobre os azulados do outro. – Irei arcar com as consequências de meus atos com o Marechal, no entanto, creio que ele dará total razão à minha decisão de bater em retirada.
– Você não entende como isso é mau...
– Então explique-me ao invés de ficar insistindo em todo esse sigilo. – pediu, voltando à sua postura inicial.
No entanto, Irwin apenas suspirou pesadamente antes de se encostar melhor sobre sua poltrona.
– Não posso. – respondeu, logo tendo a atenção roubada pelo barulho de passos pesados que de repente começavam a ecoar. – Ainda não terminamos, Rivaille.
– Pois para mim isso foi um ponto final. – devolveu, abrindo rapidamente a porta daquela sala e batendo-a com força assim que saiu. Estava extremamente irritado por conta das atitudes inexplicáveis de Irwin quanto àquilo. Não reconhecia mais o amigo, que passara a agir de forma estranha desde que colocaram os pés sobre a base da Polícia Militar central.
Sempre teve conhecimento das diferenças entre os dois, no entanto, jamais imaginaria que tal competição fosse capaz de fazer com que um homem antes responsável passasse a tomar decisões tão imprudentes. Simplesmente não conseguia entender como uma simples rivalidade poderia ser capaz de coisas como essas.
O capitão desceu rapidamente o lance de escadas que levava para um dos corredores daquela base. Precisava de um tempo sozinho para organizar os pensamentos e tentar se acalmar antes de tentar qualquer tipo de contato com os demais soldados, o que justificava o fato de andar o tempo inteiro com a cabeça abaixada, ignorando todos os elogios, cumprimentos e tentativas de diálogo. Apenas ergueu levemente o olhar quando, ao passar por um local de campo aberto, viu Eren sentado sobre o gramado com alguns poucos amigos, logo em seguida desviando o olhar e voltando a seguir seu curso.
Não haviam trocado uma palavra sequer desde que haviam voltado da expedição. O único contato que tiveram foi enquanto ainda voltavam, dentro de uma das carroças com suprimentos, onde Levi não largara o corpo do adolescente em momento algum.
Aquela distância o incomodava, porém, não faria nada para mudar aquela situação no momento. Às vezes também precisava de um tempo sozinho para conseguir se estabilizar novamente e, além disso, imaginava que o garoto também precisasse desse espaço.
Rivaille então suspirou pesadamente enquanto a imagem do que havia acontecido com seu esquadrão há poucos dias atrás era reproduzida nítida em sua mente. Sentia demasiadamente aquilo, afinal, talvez o quarteto ainda estivesse ali presente caso pensasse em uma outra forma ofensiva contra aquela titã. Por mais que temesse, o mesmo de quinze anos atrás havia acontecido mais uma vez, o que o definhava por dentro.
Balançou então a cabeça negativamente, tentando expulsar aqueles pensamentos. Era tarde demais para ficar ponderando sobre o que teria acontecido. Naquele mundo não existiam vagas para arrependimentos e, além disso, sabia mais do que ninguém que era impossível prever o resultado de alguma decisão.
Ao virar o próximo corredor, acabou por se encontrar com uma Zoe extremamente sorridente a caminhar com os braços cruzados atrás da cabeça, que tentou abordá-lo de alguma forma para iniciar uma espécie de diálogo. No entanto, Levi contornou aquilo o melhor que pôde, aumentando a velocidade dos passos e ignorando por completo a voz da mulher, que ergueu uma das sobrancelhas por conta de tal reação.
Porém, a tenente mal teve tempo para se lamentar de tal desfeita por se encontrar com o ruivo que havia os ajudado para o retorno daquela expedição. Rapidamente caminhou na direção do mesmo, chamando sua atenção à sua maneira:
– Ei, garoto! – A voz da mulher ecoava animada em meio ao sentimento pesado daquele lugar. No entanto, funcionou, visto que o ruivo logo voltava sua atenção para a morena. – Venha aqui! Sammael, certo?
– S-Sim, tenente Hanji! – disse assim que se aproximou o suficiente, fazendo a típica saudação do exército.
– Não precisa ser tão formal comigo, querido. – comentou com um sorriso cordial sobre o rosto. – Apenas queria parabenizá-lo pelo seu desempenho na missão anterior. É sempre bom termos soldados talentosos como você na tropa.
O ruivo sentia as maçãs de seu rosto se esquentarem levemente e, animado, logo assentiu, agradecendo pelo elogio da mais velha, que logo levou uma das mãos aos seus cabelos, afagando-os.
– T-Tenente... Gostaria de perguntar uma coisa. – arriscou um tanto relutante, mas logo animando-se mais uma vez ao receber a permissão. – O capitão Rivaille e o comandante Savage são muito amigos?
– Sim querido, por quê? – quis saber, erguendo uma de suas sobrancelhas por conta daquela pergunta tão repentina. Foi quando Sammael levou uma das mãos ao rosto, coçando-o levemente enquanto seu rosto se enrubescia mais.
– Bom... Eu admiro muito o comandante Savage e eu queria ter me alistado na Polícia Militar quando me formei na brigada de cadetes, mas minha pontuação foi muito inferior... – comentou e então Hanji logo entendeu onde o mesmo queria chegar. – Então eu me alistei na tropa de exploração porque diziam que o capitão tinha um ótimo relacionamento com o comandante e-
– E agora que está na base da Polícia Militar central, quer uma chance de se encontrar com o Elaijia, acertei? – interrompeu a morena e ao fitar o rosto completamente constrangido do ruivo, percebeu que havia finalmente chegado no ponto que o outro queria. – Poderia ter dito logo de uma vez ao invés enrolar dessa forma.
– D-Desculpe...
A tenente sorriu mais abertamente, voltando a afagar os fios ruivos do jovem soldado antes de continuar:
– Tentarei fazer o meu melhor. Caso consiga alguma coisa peço para que te avisem, tudo bem? – Sammael então assentiu eufórico, os olhos castanhos brilhando em expectativa antes de se despedir da morena e seguir alegremente seu caminho anterior. Mesmo já sendo um soldado, o rapaz não passava de uma criança.
–
Estava totalmente aéreo, mal prestava a atenção no que as pessoas à sua volta diziam realmente. Ainda estava tentando processar toda a informação da última expedição. Mesmo sem enxergar, sabia que um par de olheiras adornava-lhe a face por conta das noites mal dormidas. Sempre que pensava em finalmente se entregar ao sono, as imagens dos corpos de seus companheiros completamente esmagados e ensanguentados se fazia presente, fazendo com que despertasse.
Além disso, não conseguia parar de pensar no que Armin lhe dissera antes de partir para aquela expedição. Talvez o loiro estivesse certo quanto ao fato de ser um titã que ainda não havia "despertado", afinal, era a única forma de se explicar a origem de seus poderes regenerativos. Antes mesmo de voltarem para a base da Polícia Militar central sua mão e nariz estavam em perfeitas condições mais uma vez, mas apenas percebeu tal detalhe no dia seguinte, quando lhe perguntaram se estava se sentindo bem.
Não se lembrava perfeitamente do que havia acontecido depois que fora engolido por Annie, apenas sentiu seus olhos extremamente pesados antes de finalmente perder a consciência. Pelo o que Jean lhe havia dito, fora salvo mais uma vez por Rivaille, que ficou extremamente furioso.
O Jaeger engoliu em seco, sentindo um grande desconforto na garganta. Era um fato que o capitão o estava evitando desde o momento em que chegaram da missão, o que o fazia pensar se seu distanciamento dos últimos dias havia finalmente surtido efeito. Talvez realmente fosse melhor assim, dessa forma não o poria em risco como das últimas vezes.
"...re...n..."
"E...n"
– Eren! – O moreno se exaltou levemente com o último chamado, seguido pelo estalar de dedos de um de seus amigos. – Ah, parece que finalmente saiu do transe.
– Não fale assim, Jean! – Ouviu a voz de Christa repreender o outro. – Ficamos preocupados Eren, você se desligou de repente...
– Desculpe. – disse ainda distante, mas esforçando-se para esboçar um sorriso.
– Pensei que não teríamos mais problemas com aqueles titãs... Que droga, por que isso aconteceu quando resolvi me alistar? – resmungou Jean, recebendo um leve tapa de Sasha, que até o momento se ocupava em comer um pedaço de pão que lhe haviam oferecido mais cedo naquele dia.
– Parece que você atrai essas coisas. – ralhou Connie, recebendo um olhar de descontentamento do Kirschtein. – O mais incrível disso tudo foi o fato de Eren ter aparecido de repente quando o capitão estava em apuros.
O moreno engoliu em seco outra vez enquanto os demais ali presentes voltavam suas atenções para si. Não poderia dizer nada acerca de suas visões repentinas e da necessidade instintiva de salvar aquele homem sempre que sentia que estivesse em grande perigo. Eles não eram como Armin, que assimilava toda a informação para criar uma resposta lógica, mas agiam por puro instinto momentâneo, por isso temia suas reações.
– Provavelmente o capitão o treinou muito bem para conseguir fazer essas coisas mesmo sem enxergar. – comentou Christa e o Jaeger agradeceu mentalmente pela intromissão da garota, que sorriu cordial para o grupo de amigos que pareceu concordar com aquela afirmativa.
– Falando no capitão... Parece que vocês não se falaram desde que chegaram, não é, Eren? – perguntou Sasha e o moreno abaixou levemente a cabeça.
– Sim... – respondeu cabisbaixo. – Acho que é melhor assim. Não quero aborrecê-lo com minhas preocupações.
De certa forma aquilo era verdade. No entanto, resolveu ocultar também de seus amigos o fato de que estivessem correndo perigo por sua causa e, principalmente, o pseudo relacionamento que mantinha com o capitão.
Suspirou pesadamente antes de erguer o rosto mais uma vez, fechando os olhos quando uma leve brisa passou a correr por aquele campo aberto. Às vezes imaginava o que aconteceria caso o capitão não conseguisse salvá-lo. Talvez todo aquele pesadelo terminasse de uma vez por todas.
– Mas... Isso é mau, não? – disse Christa, tirando-o de seus pensamentos. – Vocês ficavam muito tempo juntos e o capitão parecia apreciar muito sua companhia, Eren.
– Nisso eu concordo. Ele pode parecer sério e indiferente, mas tenho certeza de que também está sentindo o peso de tantas tragédias assim como nós. – comentou Sasha antes de morder o último pedaço de seu pão. – Ele também é um ser humano, então mais cedo ou mais tarde ele pode se desestruturar. Não acho que se afastar seja a melhor das soluções nesse caso.
– Finalmente disse algo inteligente. – Jean debochou, recebendo outro tapa da morena, que resmungou algumas coisas que fez Connie e Christa rirem.
No entanto, tal comentário fez surgir um forte aperto no peito de Eren, que balançou a cabeça negativamente antes de se levantar e esticar as pernas, que começavam a adormecer por conta da posição desconfortável em que estava sentado. Sabia que a Brause tinha razão com o que disse e isso o deixava péssimo, principalmente por conta da recente morte de seu esquadrão, cujos membros eram tão próximos de si. Sentia-se uma pessoa horrível por não estar ao seu lado naquele momento.
Todavia, não esperava pelo o que Connie de repente deixou escapar:
– Não é amanhã o aniversário do capitão Levi?
Aquilo fez com que arregalasse levemente os olhos por conta da surpresa, que apenas piorou ao ouvir as confirmações dos amigos. Como não podia saber de algo assim, sendo que era a pessoa mais próxima de si nos últimos meses? Na verdade, ao parar para ponderar sobre tal situação, não sabia praticamente nada sobre a vida do homem que amava.
Tal pensamento o fez enrubescer. Ainda não havia admitido em voz alta esse amor para o outro, no entanto, estava convicto de que o sentia e era por isso que havia se afastado. Porém, não poderia simplesmente ignorar o aniversário daquele homem. Além disso, por conta dos acontecimentos recentes, precisava encontrar uma forma de entrar em contato com o mesmo.
Com isso em mente, rapidamente agarrou sua bengala e se pôs a caminhar, deixando os amigos para trás confusos quanto àquela reação repentina. Ignorou por completo seus chamados e algumas ofensas, cortesia do Kirschtein, concentrando-se apenas em encontrar uma forma de sair daquela base e ir para a cidade. Havia recebido certa quantia em dinheiro por conta da expedição. Não sabia dizer ao certo quanto era, mas esperava ser o suficiente para comprar algo que Rivaille gostasse e que também lhe fosse útil.
Com isso em mente, resolveu recorrer à uma das pessoas que mais o conhecia dentro da tropa da exploração e, caso tivesse sorte, também pediria para que o acompanhasse.
[...]
Poderia dizer que seu humor havia melhorado desde o dia anterior, não fosse por um simples detalhe que o irritava profundamente por atrapalhar todo o seu trabalho: seu aniversário.
Irwin o havia dispensado de seus afazeres para que pudesse descansar naquela data que era considerada por ele especial. No entanto, não conseguia entender tal lógica, visto que nada mais era que um dia comum e normal. Na verdade, ele próprio havia se esquecido de que faria trinta e treis anos no dia vinte e cinco de dezembro.
– Como se isso fosse mudar alguma coisa. – resmungou, suspirando pesadamente antes de se encostar sobre o batente de sua janela, fitando com total desinteresse aquele fatídico dia em que poderia estar fazendo algo de útil para a humanidade, ao seu ver.
Nunca gostou de seus dias livres, mesmo sabendo que era uma condição que o exército deveria disponibilizar aos seus soldados. Geralmente programava algo para fazer nesses dias, como uma espécie de trabalho extra sem o conhecimento de Irwin. No entanto, por ser pego completamente desprevenido, encontrava-se em um tédio fora do normal.
Além disso, sempre era obrigado a parecer gentil com os soldados que lhe presenteavam. Tentava ser o mais radical possível, respondendo apenas o necessário de forma a não parecer tão grosseiro como normalmente parecia, o que era para si um desafio de nível extremo.
O único presente que realmente apreciou foi o que recebeu de Elaijia, que havia lhe comprado um cravat novo. Estava pensando em usar o pagamento que recebera da expedição para um quando lhe sobrasse tempo para passar na cidade. No entanto, o ruivo acabou contribuindo, de certa forma, para a sua atual estagnação.
Foi tirado de seus pensamentos pelas batidas na porta de seu quarto e, em passos lentos, decidia se a abria ou ficava em silêncio. Provavelmente seria mais um de seus soldados o procurando para presenteá-lo de alguma forma. No entanto, rapidamente decidiu por abri-la por conta da insistência do outro lado.
Com o cenho extremamente franzido, não mediu forças para mover aquele pedaço de madeira, que acabou se chocando escandalosamente contra a parede. O soldado ali parado acabou se assustando por conta do barulho enquanto Levi assustava-se por conta do ser que estava em pé na sua frente.
– Eren? – perguntou surpreso, segurando a porta com uma das mãos enquanto os acinzentados analisavam cada centímetro do corpo daquele garoto, que parecia nervoso. No entanto, rapidamente mudou sua expressão ao perceber que o moreno segurava um enorme embrulho de papel nas mãos.
– D-Desculpe incomodá-lo senhor... Apenas queria lhe dar isto. – disse sem rodeios, logo estendendo o pacote que tinha em mãos enquanto Levi apenas observava aquilo com uma de suas sobrancelhas erguidas. – Fiquei sabendo que hoje era seu aniversário... Então lhe comprei um presente. Espero que goste senhor.
Rivaille ainda ficou sem reação por alguns segundos, apenas alternando o olhar entre Eren, que ainda parecia um tanto nervoso fitando um ponto aleatório, e o embrulho em suas mãos. Não esperava ser presenteado pelo garoto, levando-se em consideração a distância que havia se instalado entre os dois nos últimos dias.
– Vamos... Pegue. – O Jaeger insistiu e então o capitão finalmente se moveu, erguendo ambas as mãos e rapidamente rasgando os papéis que envolviam aquele enorme pacote, arregalando levemente os olhos ao perceber o que realmente era. – E então?
O que poderia dizer? Definitivamente não esperava receber uma coisa daquelas como um presente. Imediatamente reconheceu a caixa de madeira em tom mogno detalhada com os caracteres "Krieger" em ouro maciço bem ao centro. Mordendo o lábio inferior levemente, Rivaille usou uma das mãos para abrir a tampa encaixável, colocando-a sobre um móvel próximo antes de se focar na louça ali presente, cuidadosamente disposta sobre uma generosa camada de palha seca que servia como um amortecedor para que não quebrassem.
– A tenente Hanji me ajudou a escolher. Não sabia o que comprar, então ela afirmou com certeza que o senhor gostaria de ganhar um conjundo de chá como esse. – explicou, chamando a atenção dos acinzentados que foram voltados para si. Levi continuava sem reação, mal sabia o que dizer. Hanji finalmente havia acertado dessa vez. No entanto, seu silêncio acabou preocupando Eren de certa forma. – O senhor não gostou?
– Não é isso, apenas estou surpreso. Não esperava ganhar um presente como esse. – respondeu rapidamente, sentindo-se levemente aliviado ao finalmente poder contemplar mais uma vez o sorriso daquele garoto. – Obrigado.
O moreno sorriu mais abertamente após aquele agradecimento, as esmeraldas que tanto fascinam Levi brilhando em expectativa. Naquele momento, o capitão sentiu-se um pouco menos entediado ao reconhecer o empenho do garoto. Conhecia o fabricante daquele conjunto de chá, um dos mais caros e mais difíceis de se encontrar em Sina. Eren provavelmente teria usado todo o dinheiro que havia recebido para lhe comprar aquilo.
– Fico feliz em saber que tenha gostado, senhor! – exclamou bem humorado, atraindo a atenção do menor para si quando seu rosto se enrubescia levemente. – Mas... Admito ter usado isso como um pretexto para ver o senhor.
Rivaille então franziu o cenho novamente.
– Como assim? – quis saber, fitando o moreno levar uma das mãos até os cabelos, afagando-os levemente.
– Eu... Sei que nos afastamos depois dos últimos acontecimentos... E fiquei preocupado com o senhor depois da última expedição... – murmurou, abaixando levemente a cabeça, constrangido. – Eu fiquei preocupado com o senhor. Sei como prezava a companhia deles e-
Levi não deixou que o moreno concluísse, rapidamente colocando a caixa sobre o móvel ao seu lado e puxando o garoto pelo pulso com uma das mãos, fechando a porta de seu quarto com um dos pés enquanto rapidamente o prensava contra a mesma. O capitão observou por alguns segundos as orbes surpresas de Eren, entreabrindo os lábios algumas vezes enquanto observava cada detalhe do rosto bronzeado daquele garoto.
– S-Senhor...
– Eren, fica. – pediu, o que surpreendeu ainda mais o garoto, que mantinha ambas as mãos encostadas na porta. No entanto, percebeu quando Rivaille se aproximou perigosamente de seu rosto, levemente roçando seus lábios sobre os do moreno, que sentiu o corpo estremecer por conta de tal ato. A respiração quente do capitão se chocando delicadamente contra seu rosto.
– Isso é uma ordem? – perguntou em um fio de voz, umedecendo os lábios na medida em que sentia os de seu superior cada vez mais próximos.
– Não. – respondeu, ainda sem desviar os olhos dos de Eren. – Fica, por favor.
Levi se moveu mais uma vez, beijando a bochecha do rapaz enquanto ainda esperava por uma resposta. Estava completamente perdido, e se algo de ruim acontecesse caso voltasse atrás em sua decisão?
O homem de baixa estatura ergueu uma das mãos, tocando delicadamente sobre o rosto daquela criança enquanto aguardava a resposta. O Jaeger então fechou os olhos ao sentir aquele toque. Céus, sentia falta até mesmo do ar que aquele homem respirava e, a forma como o outro o tratava naquele momento o fazia se sentir miserável por ter se afastado daquela forma. Além disso, o coração disparado e a respiração descompassada não ajudavam.
Foi então que, ignorando todos os alertas que sua mente lhe lançava, ergueu os braços e envolveu o pescoço daquele homem, trazendo-o para mais perto de seu corpo. Ao perceber tal movimentação Rivaille rapidamente uniu seus lábios em um beijo afoito, retribuindo aquele abraço logo em seguida. Ah... Como sentia falta daqueles lábios, do toque que as mãos de Eren faziam sobre seu corpo, sempre tateando demais. No entanto, foram obrigados a se afastarem mais rápido do que pretendiam por conta do mal controle da respiração.
– Eu fico. – O moreno imediatamente respondeu e, como um reflexo, Levi o segurou pelo pulso, guiando-o o mais rápido que conseguia para a cama de solteiro daquele quarto, empurrando-o afobadamente assim que se encontrava próximo o suficiente. – L-Lev-
– Eu senti a sua falta, garoto. – interrompeu, logo posicionando-se sobre o corpo do moreno, beijando-o mais uma vez enquanto ambas as mãos percorriam o corpo daquele adolescente, que apenas apoiou as suas sobre os ombros do mais velho.
Eren sentia-se levemente desnorteado, sem saber ao certo como reagir por conta da tamanha afobação de Levi, que apenas agradecia mentalmente pelo mais novo não conseguir enxergar o quão necessitado estava naquele momento.
O capitão interrompeu o ósculo, trilhando um caminho de beijos, lambidas e chupões que desciam pelo queixo do jovem Jaeger e subiam novamente pela lateral do pescoço até próximo à orelha, sorrindo de canto ao ouvir o moreno arfando.
– Levi... A porta... – murmurou Eren, lembrando-se que o outro não havia trancado aquele quarto. Porém, o mais velho não se deu ao trabalho de interromper o que estava fazendo.
– Agora não.
– E se alguém nos vir? – insistiu, preocupado, e então Rivaille ergueu levemente o corpo, apoiando uma das mãos ao lado da cabeça do Jaeger.
– Eu não me importo. A única coisa que me interessa agora é estar com você, Eren. – respondeu firme, sorrindo minimamente quando o rosto do moreno se enrubesceu mais uma vez, encabulado.
Continuando, não tardou em percorrer a língua sobre a orelha do garoto, ora lambendo, ora fazendo movimentos de sucções que o faziam arfar com mais intensidade. Sem ficar para trás, Eren levou ambas as mãos à camisa de Levi, tateando-a e puxando-a em todas as direções até que o mais velho finalmente se ergueu apenas para retirar aquele pedaço de pano totalmente desnecessário naquela situação. Mais do que depressa o moreno espalmou ambas as mãos sobre o peito nu de Rivaille, tateando-o como podia enquanto permitia que o outro desafivelasse as correias de seu uniforme, lançando-as em um canto qualquer do quarto, em seguida se concentrando em retirar a camisa de Eren, que logo ergueu os braços para que o tecido fosse retirado.
Imediatamente umedeceu os lábios ao vislumbrar os mamilos róseos do garoto, que subiam e desciam lentamente por conta da respiração. Há muito tempo que não sentia o sabor da pele morena que tanto gostava, não perdendo tempo em começar a sugar o esquerdo enquanto a mão brincava com o direito, apalpando e apertando, sem deixar de fitar as expressões deleitosas de Eren, que franzia o cenho algumas vezes e mordia o lábio inferior para evitar que gemidos altos demais escapassem. Sempre gostou de lhe proporcionar tais sensações.
Rivaille logo desceu a mão livre, usando-a para apalpar o melhor que conseguia da cintura do moreno, que ainda estava coberta pela calça do uniforme. Logo movimentando o corpo, acomodando-se melhor para que pudesse abrir a calça de Eren. O capitão sorriu com isso, lambendo vagarosamente aquela região enquanto o Jaeger contorcia levemente o corpo, segurando com força o lençol que cobria aquela cama enquanto um lânguido gemido escapava pelos seus lábios, o que apenas serviu como um incentivo para o homem acima de si, que abaixou aquele pedaço de pano juntamente com a roupa íntima, deixando o membro do mais novo totalmente exposto para si.
– L-Levi... Hn... – Eren engoliu em seco quando sentiu a língua de seu superior finalmente entrando em ação, percorrendo vagarosamente a sua glande enquanto uma das mãos acariciava seus testículos.
Levi fechou os olhos, alternando entre lamber e chupar lentamente aquela região, deleitando-se com os gemidos que lhe eram oferecidos pelo mais novo, que produzia uma grande quantidade de lubrificante que apenas facilitava os movimentos dos lábios do capitão. Em um rápido movimento, Rivaille movimentou a cabeça de uma forma mais brusca, em um movimento de vai e vem, alternando entre as lambidas e as sucções.
Em um ato reflexo, Eren levou ambas as mãos até os fios negros de seu superior, afagando-os e, ao mesmo tempo, ditando o ritmo do vai e vem que mais lhe agradava, não deixando de gemer em nenhum momento. Levi não se importou, preocupando-se apenas em fazer com que o outro se sentisse bem e, ao mesmo tempo, sentindo o calor característico da excitação dominando seu corpo aos poucos. No entanto, não queria que o outro chegasse ao ápice naquele momento, levando então ambas as mãos à cabeça, afastando delicadamente as de Eren para que pudesse se levantar outra vez, arfando extasiado pela visão de um moreno completamente ofegante, com as esmeraldinas entreabertas e o rosto em brasas.
Naquele momento precisou encontrar forças para se conter, abaixando-se o suficiente para que ficasse com o rosto o mais próximo possível dos lábios do seu moreno, sem deixar de acariciar possessivamente seu corpo com uma das mãos enquanto sentia os braços do Jaeger envolverem seu pescoço, trazendo-o para mais perto.
– Eren... Preciso que me diga se tem certeza que quer continuar com isso. – disse, tentando controlar o tom de voz. – Se formos mais além, posso não conseguir parar...
– Eu quero... – respondeu, sem se preocupar com a forma totalmente entregue que aquilo soava. – Levi... Por favor...
– Sabe que a última coisa que quero nesse momento é machucá-lo. – continuou, encostando a testa sobre a de Eren, usando da mão que antes percorria seu corpo para se desfazer de sua calça, deixando o garoto totalmente nu.
No entanto, rapidamente parou com qualquer movimento ao ouvir o primeiro soluço vindo do jovem abaixo de si, afastando levemente o corpo e fitando as grossas lágrimas que escorriam pelo rosto de Eren, que fechou os olhos e levou ambas as mãos ao rosto, escondendo-o.
– M-Mesmo depois de tudo... O senhor ainda se preocupa comigo? – murmurou com a voz embargada pelo choro. Levi havia se assustado com aquela ação repentina, temendo que o tivesse forçado à algo que não queria. – Eu o tratei mal e me distanciei... Fui um ingrato mesmo depois de todas as coisas boas que me fez e ainda assim continua preocupado comigo?
– Eren-
– Eu não mereço isso! – exclamou, fungando profundamente enquanto encolhia o corpo. – Eu não mereço toda essa preocupação! Se eu não estivesse aqui, talvez eles... Ainda estivessem vivos...
Foi então que Rivaille interveio, segurando ambas as as mãos do garoto, pressionando-as contra a cama ao lado da cabeça de Eren, que abriu os olhos surpreso.
– Nunca mais diga uma coisa dessas. – disse sério e o moreno prendeu a respiração por alguns segundos. – Será que não consegue perceber a importância que tem para mim?
– L-Levi!
– Eu não direi isso duas vezes, portanto, preste atenção. – continuou e então Eren se calou. – Há alguns meses eu jamais admitiria isso e voz alta, mas eu me apaixonei por você desde o dia em que nos encontramos pela primeira vez em Trost. Eu ainda não entendo muito bem, não sei se foi sua personalidade ou... – Rivaille abaixou a cabeça, mordendo o lábio inferior enquanto pensava no que diria a seguir. – Droga Eren, será que não percebe o quanto eu gosto de você? É por sua causa que isso tudo é tão suportável. – Ergueu o rosto mais uma vez, encontrando-se com a expressão incrédula estampada sobre a face do Jaeger. – Eu sinto a morte deles todos os dias sempre que me deparo com uma situação nostálgica e isso me sufoca. Mas... Ao mesmo tempo eu me sinto aliviado porque sei que vou poder ver esses olhos esmeraldas mais uma vez... – Levi suspirou pesadamente ao ver novas lágrimas se formarem no canto dos olhos de Eren, levando então uma das mãos até sua face direita, limpando o antigo rastro. – Então não diga mais coisas assim, por favor. Você é importante demais.
Eren fungou outra vez, fechando os olhos enquanto sentia a carícia que lhe era oferecida ao mesmo tempo em que aquelas palavras atingiam um ponto em específico em seu peito, causando-lhe um misto de arrependimento e culpa. Jamais imaginou que um dia conseguiria ouvir tal declaração saindo dos lábios de Rivaille, o homem mais forte da humanidade. Aquilo o deixava extremamente feliz.
– Desculpe... – murmurou, abraçando o capitão assim que o mesmo libertava suas mãos, sendo imediatamente correspondido. – Levi, por favor, desculpe-me por ser um idiota.
O mais velho balançou a cabeça negativamente, resmungando algo que o Jaeger não conseguiu entender.
– Você é mesmo um pirralho idiota. – comentou, arrancando um riso do moreno. – Vamos continuar?
Rivaille se afastou um pouco enquanto Eren confirmava e, antes de mais nada, selou seus lábios outra vez em um ósculo menos afoito, durando apenas poucos segundos antes que o próprio capitão o interrompesse, aproximando seu dedo indicador e o médio dos lábios do moreno, que assim que entendeu o que o outro pretendia, tratou de sugá-los para dentro de sua boca.
Engolindo em seco, Levi observou aquela cena por breves segundos antes de usar a mão livre para erguer uma das pernas de Eren, colocando-a sobre seu ombro de forma a deixar o garoto mais exposto para si. Aproveitou o momento para beijar as costas de seu joelho, sem deixar de fitar a forma como o Jaeger sugava-lhe os dedos com volúpia, deixando-os completamente úmidos pela saliva.
– Já está bom. – alertou, afastando os dedos da boca do moreno, sorrindo admirado pelo fio de saliva que insistia em conectá-los e que se arrebentou poucos segundos depois. – Não faço isso há muito tempo, então avise-me se doer.
Quando lhe veio a confirmação, Rivaille prontamente se moveu, erguendo dessa vez ambas as pernas do garoto e sentindo uma fisgada de excitação em seu baixo ventre ao fitar a entrada rosada de Eren totalmente exposta para si. Mal podia esperar para finalmente tomá-lo como seu, no entanto, iria devagar para o deleite do moreno e seu próprio. Afinal, gostava das reações de Eren tanto quanto do ato em si.
Com isso em mente, pediu para que o garoto mantivesse as pernas erguidas, segurando-as pelos joelhos enquanto Levi, agora com ambas as mãos livres, ocupava-se em se acomodar melhor por entre as pernas do moreno, abaixando-se levemente até estar com o rosto próximo daquela entrada rosada, sorrindo de canto quando a mesma se contraiu por conta do choque de sua respiração quente.
Mais do que depressa o capitão levou um de seus dedos úmidos até o local, circundando-o lentamente antes de ameaçar penetrá-lo, unindo também sua língua à ação, que percorria toda aquela pequena região enquanto o dedo indicador era engolido pelo corpo de Eren aos poucos.
O moreno arfou ao sentir o capitão começar a movimentá-lo ao mesmo tempo em que um baque nostálgico de repente se fazia presente, fazendo com que algumas imagens de anos atrás voltassem. Eren se lembrava perfeitamente da dor e da humilhação que o sr Lockwood o fizera passar por tanto tempo, sendo obrigado a guardá-la apenas para si durante todos aqueles anos. Imaginava que seria da mesma forma todas as vezes, independente da pessoa. E no entanto...
– Hm... – deixou escapar, movendo levemente a coluna quando sentiu, juntamente com o segundo dedo, também a língua de Levi se movendo limitadamente dentro de si, o que lhe proporcionava alguns arrepios.
Percebendo isso o capitão ergueu o corpo mais uma vez enquanto movia ambos os dedos em um movimento de tesoura, mordendo o lábio inferior com força ao fitar a entrada do outro se contrair com aquele movimento. Logo em seguida retirou-os, apressando-se em abaixar a própria calça, deixando seu membro necessitado de atenção finalmente liberto.
– Irei colocá-lo agora, Eren. – avisou e sem esperar por uma resposta se posicionou, movendo-se lentamente e suspirando pesado na medida em que penetrava-o aos poucos.
Os acinzentados foram fechados com força ao mesmo tempo em que o Jaeger largou as pernas deixando-as a mercê do apoio dos ombros de Levi e usou as mãos para tatear o corpo do homem acima de si até encontrar seus braços, segurando-os firmemente. Os lábios de Eren estavam abertos e os olhos também fechados em um gemido mudo, que logo veio à tona ao sentir todo o membro do capitão preenchê-lo. Não conseguia descrever a sensação no momento tamanho fora o calor que de repente subia pelo seu baixo ventre e incendiava todo o seu corpo.
Rivaille não esperou muito mais para começar a se movimentar, ainda que lentamente para não machucar seu garoto. No entanto, rapidamente fora obrigado a aumentar a intensidade das estocadas que se seguiram quando, surpreendentemente, Eren passou a cobrá-lo. Resolveu então abrir os olhos, trincando os dentes ao sentir as unhas do moreno serem cravadas em seu braço, mas, ao mesmo tempo, sentindo seu membro fisgar vez ou outra por conta das mais variadas expressões prazerosas que Eren deixava escapar.
Foi então que o capitão se retirou de uma vez, rindo nasalmente ao ouvir um resmungo insatisfeito vindo de Eren.
– Fique de quatro para mim, Eren. – pediu e logo fora atendido, observando atentamente cada movimento que o moreno fazia até que estivesse com a cintura totalmente empinada na sua direção.
Levi não perdeu tempo, logo voltando à sua posição, segurando firmemente a cintura de Eren com ambas as mãos antes de investir de uma só vez contra o garoto, que encurvou a coluna por conta do movimento repentino, passando a gemer mais alto por conta da intensidade que as estocadas agora possuíam.
– L-Levi... – chamou e então o homem atrás de si se encurvou, praticamente deitando o corpo sobre as costas de Eren, sem deixar de se movimentar um momento sequer.
– Isso... Chame o meu nome... – pediu em um quase sussurro antes de mordiscar o ombro do moreno. O suor começando a aparecer por conta do ato.
– L-Lev.. Levi... – O Jaeger obedeceu, fazendo o melhor que podia naquele momento. Estava completamente perdido em meio à infinidade de sensações. – Lev-Ah!
Eren de repente gemeu um tom mais alto, sentindo todo o corpo estremecendo antes de sentir os braços fraquejarem.
– Ah... Encontrei... – murmurou, levantando novamente o corpo e levando ambos os braços até a cintura do garoto, um envolvendo-na de forma a fazer com que os corpos permanecessem mais próximos, o outro aproximando-se do membro até agora esquecido de Eren, cuja mão começava a masturbá-lo.
O mais velho continuou com as estocadas, tentando atingir aquele ponto em especial. No entanto, não demorou muito para que Eren chegasse ao clímax, desfazendo-se sobre a mão de Rivaille em um gemido gutural. O capitão continuou com os movimentos, segurando a cintura do Jaeger agora com ambas as mãos, soltando um gemido contido quando finalmente chegava ao próprio clímax.
Ainda permaneceram naquela posição por alguns segundos, arfando intensamente por conta do esforço daquele ato, até que Levi largou o corpo de Eren, que rapidamente se lançou contra aquela cama, sentindo o abdômen úmido por conta do próprio orgasmo. O corpo continuava em uma temperatura extremamente elevada, ao mesmo tempo em que um leve arrepio percorria-lhe a espinha ao sentir o líquido de seu superior escorrendo pela sua virilha aos poucos.
– Vire-se de lado... Eren... – pediu Rivaille. Estava cansado também afinal e gostaria de se deitar um pouco.
O moreno se moveu um pouco relutante, esperando o outro se acomodar melhor à sua frente, logo em seguida sentindo um fino tecido cobrir seu corpo. As orbes acinzentadas fitavam o sorriso que de repente era desenhado sobre o rosto do jovem Jaeger, que encolhia-se levemente sobre a cama, involuntariamente levando uma das mãos ao rosto do mesmo, acariciando-o.
– Espero não tê-lo machucado de alguma forma. – comentou baixinho, observando quando Eren movimentou lentamente o corpo, escondendo o rosto entre a curvatura do pescoço de Levi, que acabou por descansar o queixo sobre o topo da cabeça do moreno.
– Não machucou. – respondeu apenas, sentindo um dos braços de seu superior envolver seu corpo, trazendo-o para mais perto. – O senhor não precisa se preocupar tanto.
– Impossível. – comentou e Eren riu, fechando os olhos enquanto Rivaille fazia o mesmo, abaixando a cabeça e roçando o nariz sobre os fios castanhos do rapaz.
A cama nupcial espera por nós dois
Depois da paisagem de morte que atravessei
Diante de minhas tristezas eu devo morrer
Desejo noturno que envio pelo céu estrelado
A voz de ventos noturnos me despertou
Em meio à toda aflição eles me abraçam com alívio
Sob meus sonhos e desejos
Eu almejo tuas carícias
Talvez não existisse uma melhor canção que essa para definir o que ambos sentiam naquele momento, o que fez Eren rir mais uma vez. Era incrível como apenas aquele trecho em específico descrevia exatamente o que haviam passado até aquele instante.
Depois de tantas perdas, o moreno realmente queria ter morrido naquela expedição, fosse para proteger aqueles que amava, fosse para terminar de uma vez com aquele inferno. Havia desejado aquilo profundamente, no entanto, no fundo do seu coração algo lhe dizia que não era para ser assim. Sempre que se sentia perdido, conseguia pensar em apenas uma pessoa.
A sua voz de ventos noturnos era Levi.
Involuntariamente, Eren abraçou o corpo do homem à sua frente, que voltou a fitá-lo enquanto continuava aspirando o perfume de seus fios castanhos.
– Levi. – chamou e o outro resmungou, alertando-o de que estava ouvindo. – Feliz aniversário.
– Tsc. – resmungou novamente, revirando os olhos em constrangimento enquanto ouvia outra risada vinda de Eren. No entanto, acabou por envolvê-lo mais naquele abraço. – Pirralho idiota.
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