Wishmaster

41 Entrando em Ação


Notas iniciais
Retornando das sombras, eis que Yuma volta à tona! Rs' Não me matem pela demora em atualizar a fanfic, sei que vocês viram atualizações minhas com outros projetos de oneshot's e longfic's novas. Porém elas estavam prontas há um bom tempo, apenas esperando para serem postadas, enquanto ainda precisava escrever Wishmaster. Mas hoje a inspiração de David Bowie caiu sobre mim e consegui escrever mais um capítulo para vocês! Espero realmente que gostem!

Fazia um calor fora do normal naquele dia. Os cabelos castanhos de sua franja grudavam em sua testa por conta do suor e isso o incomodava de certa forma. As mão trabalhavam naquele momento para afastá-los, mas sempre caíam novamente em sua testa, o que o irritava às vezes.

Caminhando por um lugar que não tinha a certeza se levava aos quartos ou ao refeitório, sua única companhia era o barulho que a bengala fazia contra o chão na medida em que caminhava. Isso também o estava irritando naquele dia e não sabia dizer se era consequência do calor ou dos últimos acontecimentos.

No dia anterior, chegou à conclusão de que seria praticamente impossivel fazer com que o comandante da Polícia Militar mudasse de idéia em relação àquela vingança que para Eren, era totalmente sem fundamento. Ao mesmo tempo em que havia desistido de pedir permissão para visitar Levi, visto que seus pedidos eram constantemente negados. Além disso, sentia também que estava sendo vigiado à todo o momento por algum outro soldado, mas não tinha a certeza.

Suspirou pesadamente, aquela situação o irritava, o calor e o suor que escorria pelo seu rosto o irritava, o barulho da bengala o irritava e até mesmo o som dos mosquitos voando o irritava. Para si, aquele dia iria aparentemente continuar daquela forma, o que também o irritava.

Apenas parou quando ouviu uma voz conhecida chamá-lo por trás, virando-se então minimamente antes de receber uma respiração descompassada e um pedido para que esperasse. A pessoa que o havia chamado estava agora apoiada sobre os joelhos, tentando recuperar a respiração perdida por conta da corrida que havia feito para alcançar o outro.

– Que merda Jaeger... Estou te chamando há um tempo! – A pessoa praguejou e mais do que depressa o rapaz conseguiu identificar quem era.

– O que foi Jean? – perguntou sem rodeios, apoiando uma das mãos na bengala e a outra na cintura. Estava totalmente sem paciência para as brincadeiras e bobagens que o outro dizia de vez em quando.

O mais alto ainda ficou arfando por alguns segundos antes de responder.

– Vem comigo. – disse, agarrando o outro pelo pulso e logo o puxando, o que o fez tropeçar nos próprios pés algumas vezes antes de conseguir acompanhar o ritmo do amigo.

– E-Ei! Aconteceu alguma coisa? – Tentou perguntar, sem resposta. – Que coisa, diga o que aconteceu, cara de cavalo!

– Cala essa porcaria de boca e só vem comigo, Eren! – O outro disse também irritado, resmungando algumas coisas que o moreno não entendeu. – Já está se achando só porque está na Polícia Militar? É um idiota mesmo.

O jovem Jaeger engoliu em seco, não iria responder ou então acabariam brigando e, no momento, aquilo era a última coisa que queria. Na verdade estava mais curioso para saber para onde Jean o estaria levando, visto que era um tanto quanto incomum algum soldado da tropa de exploração ter um contato maior com um da Polícia Militar. Se bem que, no fundo, sabia que o comandante Irwin não iria simplesmente entregá-lo.

Depois de correrem por alguns minutos e suarem mais do que o necessário por conta da temperatura, finalmente chegaram em uma divisão que Eren não tinha conhecimento, porém, ao ouvir a voz da tenente Hanji e de Connie, teve a certeza de que estariam planejando alguma coisa.

– Eren! – Ouviu a voz da morena antes que ela saltasse em sua direção em um abraço no mínimo estranho, que fez alguns que estavam ali dentro rirem controladamente.

Mesmo estando em um dia irritadiço, não conseguiu conter um sorriso por conta daquilo. Em seguida foi puxado para dentro e sentado em algo que parecia ser um pequeno banco de madeira, desviando às vezes de itens misteriosos que encontrava no chão do apertadíssimo corredor que havia ali. Ao seu lado conseguia identificar a voz de Armin e ao lado deste, a de Irwin, que cochichava algo que não conseguia entender.

– Estão todos aqui? – perguntou o comandante e os outros assentiram antes de ouvi-lo suspirar. – Desculpe pegá-lo de surpresa assim Eren, mas estamos correndo contra o tempo.

– Também foi difícil encontrá-lo sozinho, sem que o comandante Savage estivesse por perto. – Armin comentou, vendo o amigo fazer uma carranca pouco agradável. – Ele fez alguma coisa com você.

– Apenas conversamos. – disse sincero, arrancando olhares estranhos dos ali presentes. – Ele não parece ser mau, pelo menos comigo.

– Isso nos dá uma vantagem. – Hanji comentou, atraindo a atenção dos outros e também de Eren, que estava sem entender até o momento o que era aquilo, exatamente. A mulher de óculos, ao perceber a confusão do moreno à sua frente, logo continuou. – Estamos planejando uma forma de tirar o Rivaille daquele lugar.

O rapaz de pele bronzeada ergueu ambas as sobrancelhas, levemente surpreso com aquilo.

– E eu vou poder ajudar? – quis saber e mais do que depressa teve uma resposta positiva. – Como?

– É uma abordagem ousada e um pouco complicada, na verdade. – disse Armin, levando uma das mãos ao queixo, pensativo. – Para isso precisaríamos saber onde o capitão está, exatamente.

– Mas então...

– Um de nós vai precisar ir até as masmorras. – A voz de mais uma pessoa soou ali. Para Eren era familiar, mas não se lembrava quem era.

– Boa idéia Sammael! – Hanji exclamou contida, dando uns tapinhas nas costas do ruivo ao seu lado, que sorriu sem graça. – Mas a tropa de exploração está praticamente proibida de andar por zonas mais perigosas, por assim dizer.

– Mas a Polícia Militar não está. – Sammael continuou, voltando os olhos castanhos para Irwin. – Senhor... Se usarmos o Eren para que um de nós se infiltrasse nas masmorras, não teria tanto problema assim, certo?

O loiro pareceu pensar por alguns segundos, ponderando sériamente sobre aquilo.

– Pode dar certo. – Armin se intrometeu, atraindo a atenção dos demais. – Na verdade... Acabo de ter uma ideia que pode realmente dar certo.

– Continue. – Irwin permitiu.

– Jean pode se disfarçar de Eren, dessa forma eles conseguirão se infiltrar nas masmorras sem muitos problemas. – continuou Armin, franzindo o cenho. – Eles se parecem bastante, se conseguirmos uma peruca, ficará perfeito.

– Como é que é? – Jean exclamou, incrédulo.

– Está dizendo que eu tenho essa cara de cavalo? – Eren também se exaltou com uma expressão não muito boa.

– Isso não vai dar certo, não nos parecemos em nada. – O Kirchstein logo cortou, rolando os olhos.

– Deixem-me terminar! Alguns de nós iriam assegurar a passagem de vocês, claro... A tenente Hanji pode dar a cobertura direta, enquanto Nanaba e o major Mike poderiam limpar o lugar para que não haja muitos transtornos. – Armin completou, mas ainda recebia um olhar estranhado de Jean e um estalar de língua de Eren.

– Pode dar certo. – disse Erwin, levantando-se e esticando os braços. – Vamos pôr em prática. Caso algo fora do planejado aconteça o resto de nós agirá. De uma forma ou de outra, precisaremos ir para fora do território das muralhas.

Eren engoliu levemente em seco, assim como alguns outros soldados que ali estavam. Não que o território fora das muralhas fosse ruim, mas sempre existia aquela sensação de insegurança por estarem em uma "área aberta".

[...]

O suor que escorria pelo seu corpo apenas denunciava o calor infernal que fazia naquele lugar e a água no chão apenas contribuía para que esquentasse ainda mais. Não se lembrava ao certo da última vez em que os soldados haviam descido para trazer a comida que precisavam, mas sentia fome novamente. Fora a imundície e o cheiro terrível que ali se fazia, o que apenas contribuía para que seu mau humor se agravasse.

E, como se não fosse suficiente, simplesmente não conseguia encontrar uma brecha entre o caminho que geralmente fazia entre sua cela e a sala de tortura por onde conseguisse fugir. Não iria se arriscar em uma abordagem direta por conta do estado em que se encontrava no momento, visto que não tinha a certeza de que conseguiria invalidá-los com a pouca força que tinha.

Estalando a língua, levou as mãos sujas e enrrugadas ao rosto enquanto fechava os olhos. Começava a se sentir em agonia por não conseguir pensar em nada para sair dali. Tudo em que conseguia pensar no momento era em Eren e em como iria conseguir se vingar de Elaijia por ter o colocado naquela situação. Nunca, em toda sua vida tinha imaginado que um dia iria se sentir tão raivoso quanto naquele momento, com uma necessidade extrema de dilacerar uma pessoa como sentia para com o ruivo.

E apenas piorava sempre que pensava em como seu garoto estaria sendo tratado pelo mesmo.

Trincou os dentes raivoso, socando a parede ao seu lado com extrema força.

– Quem espera com prudência será recompensado no tempo certo. – Ouviu uma voz ressoar e então ergueu os olhos na direção da mesma. – Acredite quando digo isso. Alguém como você sempre será recompensado uma hora ou outra.

– Nowaki... – O capitão suspirou pesadamente ao ouvir a voz da mulher, encostando a cabeça na parede de pedra. – Não sou do tipo que acredita nesse tipo de coisa.

– Eu sei. O senhor é do tipo prático, acredita apenas naquilo que pode fazer com as próprias mãos. – A garota comentou e Levi apenas rolou os olhos.

– Não acho que sentar e esperar adiante de alguma coisa. Agir sempre é a melhor opção. – respondeu, fechando então os olhos enquanto suspirava. Acabando por não ver o sorriso que Nowaki lhe lançara.

No entanto, logo voltou a abri-los ao ouvir barulhos de passos naquele corredor. Normalmente teria ignorado e voltado aos seus pensamentos, não fosse uma voz conhecida alcançar seus ouvidos de uma forma repentina, fazendo com que se levantasse de uma vez e agarrasse as barras de ferro de sua cela.

A visão ainda era prejudicada pela iluminação praticamente nula do lugar, porém, os acinzentados foram arregalados quando reconheceu a silhueta de um adolescente que era guiado por um mais alto que carregava consigo um lampião para iluminar o caminho. Este que reconheceu se tratar de Jean pela forma como falava com moreno, mas estranhou a coloração de seus cabelos.

– Eren?! – chamou o subordinado assim que os mesmo passaram pela sua cela, aparentemente não percebendo sua presença ali.

No mesmo instante o Kirchstein e o Jaeger pararam e então a fraca iluminação caiu sobre o rosto pálido do capitão, que fechou os olhos e resmungou alguma coisa por conta da sensibilidade que sentia nos olhos.

– Capitão? – Jean comentou surpreso, arregalando levemente os olhos por ver o estado em que seu superior se encontrava enquanto Levi suspirava aliviado por Eren não estar enxergando no momento.

– Lev... Capitão? – Eren também sussurrou, erguendo ambas as mãos para tatear o ar, encontrando as barras de ferro e também os dedos de Rivaille que seguravam firmemente o material sólido, estes que logo foram agarrados pelo mais novo, o que vez o mais baixo suspirar levemente.

Era perceptível a preocupação estampada no rosto do jovem Jaeger, mas o que chamava realmente a atenção dos acinzentados de Levi era o uniforme que o mesmo usava: a jaqueta característica da Polícia Militar. Isso o fez se exaltar discretamente e, tendo a fraca iluminação ao seu favor que impossibilitava que Jean percebesse de fato, voltou-se para Eren:

– Você está bem?

O moreno lhe lançou um sorriso discreto, olhando como sempre para um ponto em específico.

– Sou eu quem deveria perguntar isso. – respondeu, tateando ainda mais as barras à procura do rosto do mesmo, que se afastou.

– Precisamos ser rápidos Eren. – disse Jean, a expressão de Eren mudando para uma mais desanimada, para a curiosidade de Rivaille.

– O comandante e a tenente têm um plano para tirar o senhor daqui. – começou sem rodeios, sendo respondido com um franzir de testa do mais baixo. – Por favor, só aguente mais um pouco.

– Você vem comigo. – Foi direto também, arrancando um olhar surpreso de seu amante. – Não irei te deixar sob os cuidados daquele filho da puta.

Tanto Jean quando o Jaeger estranharam o linguajar do capitão, visto que nunca o ouviram falar daquela forma e, muito menos, tratar alguém daquela forma.

– Capitã-

– Nós iremos para fora das muralhas, para a mesma cidade em que iniciamos o seu treinamento. – Interrompeu o moreno, os acinzentados fixos nos esmeraldinos do seu garoto. – Você ficará lá enquanto eu penso em alguma forma de acabar com isso de uma vez.

O rapaz de pele bronzeada iria dizer qualquer coisa, não fosse a voz de Jean o apressando mais uma vez, sendo obrigado a se despedir do capitão e correr com o amigo para fora daquele lugar antes que alguém os pegasse ali.

Estava preocupado e, principalmente, com medo do tom que Rivaille havia usado para definir o "acabar com isso de uma vez". Sentia um arrepio na espinha apenas em imaginar o que poderia acontecer.

Enquanto isso, era observado atentamente por um capitão preocupado, mas não tanto assim, agora que tinha conhecimento de um plano para que pudessem sair dali. Imaginava as diferentes rotas que Hanji e Irwin poderiam usar para entrarem naquele lugar e, dependendo da abordagem inicial, aquilo poderia realmente dar certo.

Foi tirado de seus devaneios por uma risada feminina que vinha imediatamente à sua frente, imaginando ser Nowaki mais uma vez. Não entendia o que aquela mulher pensava e, às vezes, imaginava que fosse apenas mais uma doente mental que fizera alguma barbaridade para acabar em um lugar como aquele.

No entanto, não esperava pelo o que a mesma acabava de dizer:

– Disse que se esperasse seria recompensado, senhor capitão.

Notas finais
A shortfic que conta a história de Elaijia/Elijah, Eren/David e Levi/Francis já foi postada com o título de So Ist Es Immer, dêem uma olhada, sim? Link: http://fanfiction.com.br/historia/600605/So_Ist_Es_Immer/ Comentários?