Wishmaster
26 Angústia III
Notas iniciais
– Ainda não me respondeu. — disse, cruzando os braços antes de suspirar e deixar seu corpo relaxar enquanto observava o moreno ajoelhado a sua frente. O rosto de Eren estava completamente rubro, o que aumentou a curiosidade de Levi.
– É que... A tenente Hanji estava entrando e... Ainda estava sem as roupas... — O moreno fechou os olhos, levando ambas as mãos ao rosto, cobrindo-o. — Então precisava me esconder, por isso...
O capitão balançou negativamente a cabeça, levantando-se e voltando sua atenção para o que restava das roupas de Eren que ainda estavam no chão, lembrando-se imediatamente do banho que prometera ao garoto. Ergueu ambos os braços acima da cabeça, espreguiçando-se.
– Você fez bem eu acho... — disse por fim, aproximando-se do rapaz de pele bronzeada outra vez. — Fiquei surpreso ao ver que conseguiu vestir a calça sozinho. — Aquele comentário fez com que o rosto do moreno ficasse mais rubro, ocasionando um sorriso involuntário por parte de Rivaille, que suspirou antes de segurar sobre o pulso do outro. — Sinto precisar tirá-la outra vez, mas é inadmissível que fique mais tempo sem um banho.
– H-Heichou-
– Não adianta tentar contestar. — interrompeu, arrastando o garoto consigo e espalmando a porta de madeira do banheiro com a mão livre.
No entanto, Eren não iria resistir a nada que aquele homem quisesse que fizesse. O incidente com Hanji o havia feito perder sua linha de pensamento por alguns minutos, no entanto, iria fazer o que tinha planejado naquele momento. Fora rude demais com o homem que até aquele momento apenas fora gentil consigo e havia lhe feito conhecer um sentimento que nunca imaginou que pudesse existir, mesmo não sabendo ao certo o que seria aquilo ou como iria proceder.
Tentou não tropeçar sobre os próprios pés enquanto era guiado por Levi, sentindo a mudança da superfície do chão onde se encontrava. A mão que segurava seu pulso agora o largava e aproveitava para vagar pela cintura nua do rapaz antes de retirar aquele tecido e largá-lo em um lugar qualquer do banheiro. Os acinzentados do mais velho se demoraram outra vez sobre a fisionomia do rapaz de pele bronzeada, a visão o obrigando a morder o lábio inferior para afastar os pensamentos nada castos que insistiam em assolar sua mente. Ao invés de ouvi-los, simplesmente esticou o braço ao registro, ligando o chuveiro.
O choque da água gélida sobre o corpo até o momento quente de Eren o fez saltar de onde estava, estranhando como a água estaria caindo sobre si como se fosse uma pequena nuvem de chuva. Essa imagem acabou ficando em sua mente e se permitiu sorrir ao imaginar como os soldados haviam capturado uma para facilitar o banho daquela forma.
Balançando a cabeça negativamente, o jovem Jaeger sentiu quando a mão do capitão o empurrou para baixo daquela água, obrigando-o a fechar os olhos para que o mesmo não se irritasse.
– Vou pegar o sabão. — avisou Levi, afastando-se do corpo completamente molhado do outro. — Acho que consegue se banhar sozinho, mesmo sendo em um chuveiro.
– S-Sim senhor. — respondeu, mesmo sabendo que talvez pudesse ter dificuldades em utilizar a "nuvenzinha". — H-Heich-
– Depois que terminar. — Tornou a se pronunciar, interrompendo outra vez o moreno. Aproximava-se do mesmo e, segurando outra vez sobre um dos pulsos de Eren, depositou o sabonete em barra sobre sua mão logo após erguê-la. — Quero que se encontre com os seus amigos. Acho que tem passado tempo demais no meu quarto e é melhor para você que caminhe um pouco e converse com as pessoas.
Rivaille ergueu o olhar para o rosto de Eren outra vez, fitando o olhar perdido em um ponto aleatório do garoto, o que o fez suspirar novamente. Ainda não sabia como se portar ao lado do moreno depois do que acontecera há horas atrás. Temia que ainda estivesse bravo consigo ou pior, que quisesse se afastar por conta daquela visão.
Segundos depois resolveu se afastar, dando as costas para o moreno e começando a caminhar para sair daquele pequeno banheiro, crucificando-se mentalmente por não conseguir questioná-lo a cerca do ocorrido. Tal pensamento o fez crispar os lábios, ao mesmo tempo em que um gosto amargo se fazia presente em sua boca.
No entanto, fora tirado de seus devaneios por Eren.
– Heichou!
O capitão parou de caminhar e, mesmo sabendo que o outro não enxergaria, voltou o corpo para a sua direção. O moreno segurava firmemente o sabão em barra que lhe fora entrege, ao mesmo tempo em que seu cenho permanecia franzido em um claro sinal de insatisfação. Levi se perguntava mentalmente o por quê daquilo, imediatamente conectando com o que dissera anteriormente sobre querer que ele saísse de seu quarto. Talvez o garoto tivesse interpretado de uma forma errada.
– Você não é um incômodo para mim, mas é saudável conversar com outras pessoas de vez em quando. — disse, esperando que fosse o suficiente.
– N-Não é isso... — As feições de Eren então relaxaram, dando lugar a uma expressão encabulada tingida em vermelho. — É que... — Ergueu um dos braços, coçando a nuca, sem saber ao certo como faria aquilo. Nunca precisou fazer algo do gênero, portanto, mal sabia se deveria ou não ser direto. Resolveu optar pela primeira opção. — Desculpe...
Rivaille franziu o cenho, virando-se completamente na direção do garoto dessa vez. O Jaeger então levou uma das mãos ao rosto, cobrindo-o.
– Eu... Disse uma coisa muito dura para o senhor... — Abaixou a cabeça, sentindo a água escorrer por seu pescoço e ombro. — Desculpe-me por isso, eu... Agi sem pensar...
As feições de Levi relaxaram, ao mesmo tempo em que o peso em sua consciência desaparecia como em um passe de mágica, dando lugar ao sentimento de culpa. Por mais que soubesse que aquilo fora intencional, não conseguia deixar de se sentir culpado pelo o que havia acontecido, afinal, Eren também se sentira mal no fim das contas.
Sem pensar duas vezes, caminhou rapidamente na direção do rapaz, desligando o registro do chuveiro e abraçando o corpo do mesmo, ignorando por completo o fato de estar completamente molhado. O moreno, pego de surpresa e sem tempo de reagir como deveria, apenas comentou que o capitão deveria se afastar, visto que iria molhar suas vestimentas. Recebeu uma resposta negativa e, por fim, retribuiu o gesto que lhe fora oferecido com um singelo sorriso sobre os lábios.
Quando Levi finalmente percebeu o que havia feito, seus olhos saltaram imediatamente, ao mesmo tempo em que um suspiro cansado escapou de suas narinas.
– Tsc. As coisas que você me faz fazer... — resmungou, fechando os acinzentados outra vez e descansando a cabeça sobre o ombro do mais novo. — Pirralho idiota.
– Desculpe. — Eren respondeu, arriscando descansar a cabeça sobre a de seu superior, sorrindo ao perceber que não fora censurado por isso. — Eu fiz o heichou se sentir mal, não fiz?
Rivaille nada respondeu, apenas afundou ainda mais o rosto sobre o ombro de Eren, que se arrepiou ao sentir a respiração do homem de baixa estatura se chocar contra sua pele.
– Eu nunca me permitiria fazer esse tipo de coisa. — comentou, reabrindo os olhos, mas sem se desvencilhar dos braços do outro. — Agir tão impulsivamente dessa forma com alguém. Nunca fiz isso com ninguém então... Por que é diferente contigo? — perguntou vago, o olhar perdido sobre a pele bronzeada do outro. — Tenho um palpite do que possa estar acontecendo, mas não tenho certeza.
Os esmeraldinos de Eren se abaixaram por alguns momentos. Sabia que Levi era o tipo de pessoa que queria encontrar uma resposta lógica para tudo, mesmo com o pouco tempo de convívio. Também sentia certa curiosidade, ainda mais por descobrir que, aparentemente, seu superior contemplava visões assustadoramente parecidas com os sonhos que tinha quando era mais novo. No entanto, tinha medo de buscar por alguma resposta, ao mesmo tempo em que queria saber. Poderia se dizer que havia caído em uma espécie de paradoxo que pendava mais para o lado de continuar sendo leigo àquele assunto.
Uma coisa era certa: aquela não era a única vez que se encontraram. Sim, acreditava em reencarnações e acreditava também na força maior que o unia a todos os seus amigos e que escreveu toda a sua vida até aquele momento. Todavia...
Involuntariamente, apertou ainda mais o abraço que oferecia a Levi, fazendo-o erguer o olhar para si em seguida.
– Eren-
– Por que não esquece isso, senhor? — disse por fim, aguçando a curiosidade do capitão. — Acho que isso não é para fazer sentido... É uma coisa que simplesmente acontece. — Seus lábios se entortaram em um belo sorriso que, mesmo não sendo lançado diretamente à Levi, o fez suspirar outra vez. — Acho que... Desde que estejamos felizes, não precisamos nos preocupar. Eu estou feliz, e o senhor?
Rivaille foi pego de surpresa com aquela pergunta. Definitivamente não esperava que lhe questionassem daquela forma. Será que não estaria óbvio o suficiente? Claro que, apesar de tudo, estava feliz ao lado do garoto. Não seria necessário transmitir aquilo em palavras, seria?
Com a ausência de resposta, Eren se afastou aos poucos, coçando a nuca uma outra vez. Talvez tivesse ultrapassado o limite ao perguntar uma coisa daquelas, mas simplesmente não conseguira conter aquelas palavras. Riu nasalmente, constrangido, enquanto tateava a parede atrás de si a procura do registro que ligava o chuveiro, a fim de quebrar o clima tenso que se instalara de repente no local.
– Sim, estou feliz.
Aquela resposta o pegou desprevenido. O garoto imediatamente estagnou, arregalando os olhos enquanto sentia um calor gostoso ao lado esquerdo do peito e um sorriso bobo desenhar em seus lábios. Tal reação fez com que Rivaille sentisse uma leve sensação de constrangimento, visto que esperava uma reação completamente diferente daquela. No entanto, fora surpreendido uma outra vez pelo dono das orbes esmeraldinas, que saltava de repente na sua direção, envolvendo seu pescoço com os braços magros.
Rivaille cambaleou para trás algumas vezes, segurando firmemente sobre a cintura nua de Eren a fim de impedir uma queda perigosa. Aquilo definitivamente o irritou, mas ignorou por completo os pensamentos que se formavam em sua mente pelo beijo que lhe fora roubado pelos lábios daquele garoto. Dando de ombros, decidiu apenas retribuir àquela troca de afeto abrindo caminho pela cavidade do outro com a língua. Por mais que fosse estranho para si, deveria admitir que estava começando a gostar realmente daquela situação.
Enquanto demonstravam o afeto que sentiam um pelo outro, não perceberam a presença de mais uma pessoa naquele local, esta que havia aberto a porta do banheiro sem permissão ao ouvir certo burburinho vindo do mesmo. As mãos ajeitavam os óculos na medida em que um largo sorriso se formava em seus lábios. Fez muito bem em voltar para o quarto do parceiro de trabalho e amigo, comprovando que sua suposição de minutos atrás estava certa.
A tenente resolveu sair em silêncio, não atrapalhando assim os dois. Fechou lentamente a porta do quarto de Levi ao sair, cuidando para que nenhum ruído a denunciasse, encostando-se sobre a parede logo em seguida enquanto uma risada muda escapava de seus lábios. Sabia que o amigo não se lembrava do que havia acontecido anteriormente, mas estava extremamente feliz por ele.
Lembrança
Corria por entre os corredores daquele castelo apressadamente, segurando o enorme e exagerado vestido esverdeado com ambas as mãos para facilitar seus movimentos. Tinha total conhecimento do que aconteceria se os boatos fossem reais e, por mais que todas as regiões de Maria, Rose e Sina estivessem satisfeitas — pelo menos aqueles que tinham conhecimento do que realmente estava acontecendo -, sabia que não tinha como aquela história terminar bem.
Seus sapatos altos ecoavam pelo hall que acabara de adentrar, sendo imediatamente censurada por um dos cavaleiros que estava em guarda. A morena ordenou que lhe desse passagem, mas o mesmo não lhe dera ouvidos.
– Sabes com quem estás a falar? — disse em um tom autoritário, levando ambas as mãos à cintura. — Sou Lady Zoe e exijo poder ver meu amigo Rei Rivaille!
– A senhora não pode ser Lady Zoe. — O cavaleiro respondeu com descaso. — Não vestida dessa forma e com cabelos tão desalinhados! Parece uma meretriz! Vossa Majestade jamais teria uma ligação com alguém assim.
– Maldito... Não entendes a gravidade da situação? — exclamou, arfando por conta da corrida.
– Sir Hyde, posso saber o que está acontecendo? — A conhecida voz masculina se fazia presente e tanto o cavaleiro como Zoe voltavam a atenção para o homem de baixa estatura atrás deles, vestido com a típica capa avermelhada cobrindo-lhe o corpo.
– Vossa Majestade! — exclamou Sir Hyde, fazendo uma funda mesura antes de responder. — Esta mulher diz conhecer o senhor.
Os acinzentados do outro se voltaram para a figura completamente cansada da mulher. Os cabelos que antes estavam aparentemente presos em um coque estavam soltos e completamente desalinhados, filetes de suor escorriam de seu rosto e seu espartilho havia se afrouxado por conta da corrida afobada.
O Rei então fechou os olhos, suspirando pesadamente antes de segurar ambas a mãos da mulher à sua frente, arrastando-a para dentro daquele hall.
– Lady Zoe, não é assim que uma mulher de seu porte deveria aparecer para um Rei. — comentou, caminhando para uma porta em específico. — Ou irão confundi-la com uma meretriz qualquer e isso seria inadmissível.
A morena rolou os olhos em desdém, voltando sua atenção para a sala na qual fora levada pelo amigo, onde estantes com milhares de livros se estendiam pelas paredes e, bem ao centro, se encontravam dois sofás azulados, decorados em estilo vitoriano, que combinavam com uma mesinha de madeira localizada entre eles.
O homem de baixa estatura ofereceu um dos sofás para a mesma se sentar, esta que o fez imediatamente enquanto observava o outro se sentar imediatamente à sua frente, no outro sofá. Pouparia seu tempo em oferecer algo para a amiga beber, visto que a mesma não apreciava tais formalidades, resolvendo então ir direto ao ponto.
– Poderia saber o que a traz aqui? — perguntou, apoiando a cabeça em um dos braços, cruzando as pernas em seguida. — Caso meu pai a esteja pressionando a cerca de nosso casamento absurdo, saiba que-
– Não estou aqui por isso, Francis. — interrompeu, fazendo erguer uma das sobrancelhas tanto pela interrupção repentina, quando pelo sotaque da mesma que sempre o agradou.
– Então o que a trouxe aqui, Liliam? — perguntou outra vez, esperando alguma resposta. Surpreendeu-se por ver que a mesma não se demorou.
– É verdade que mataste David? — Os olhos da mulher se arregalaram ao perceber como os músculos de Rivaille se tencionaram naquele momento, sentindo-os marejarem em seguida. — É verdade? Responda-me, Francis!
O Rei fechou os olhos, carrancudo. Não queria compartilhar o que havia acontecido para a amiga que, desde o início, tinha conhecimento do relacionamento oculto dos dois. Ainda era difícil para si acreditar que realmente fora capaz de tal atrocidade com a pessoa que mais amava no mundo.
– Liliam... Sei que não é uma de nós, mas a estimo como se fosse. — disse, ainda com os olhos fechados. — Mas isso não lhe dá o direito de interferir em assuntos reais.
– Assuntos reais? — A mulher se exaltou, levantando-se do sofá, ato que fez o homem de baixa estatura abrir os olhos, surpreso. — Matar o amor da sua vida é uma espécie de assunto real? O que ele fez para merecer isso, Francis?
– Ele mentiu para mim Liliam! — Também se exaltou, elevando o tom de voz sem perceber. — Ele era um Jaeger! Ele me traiu!
– Traíste? Diga-me quando ele fez algo para prejudicar-te a ti? — perguntou e então Rivaille se calou, fitando os orbes castanhos da mulher à sua frente por alguns segundos antes de abaixar a cabeça. Em seguida sentindo as mãos da mulher segurar-lhe pelos braços, sacudindo-o. — Diga-me Francis! Quando foi que David magoou-te de alguma forma?
Os lábios do Rei tremeram involuntariamente, ao mesmo tempo em que sua visão começava a embaçar. Afastou as mãos de Liliam de seu corpo, levantando-se repentinamente e caminhando até a enorme janela daquela sala, ficando de costas para a mulher que agora o fitava com um misto de incredulidade e pena.
Rivaille cruzou os braços, encolhendo levemente o corpo enquanto prestava atenção no movimento ao lado de fora de seu castelo, onde alguns soldados de seu poderoso exército treinavam ou brincavam uns com os outros. A maioria deles humanos que mal sabiam o que estaria por vir nas semanas seguintes.
– Estou cansado, Liliam. — disse por fim, suspirando pesadamente. — Cansado de tudo isso... Ser obrigado a fazer coisas que eu não quero, machucar as pessoas que são queridas para mim e me machucar... — Francis abaixou ainda mais a cabeça, encolhendo tanto o corpo que a morena pôde compará-lo à alguém completamente indefeso naquele momento. — Acho que... O David foi a gota d'água. — Soltou um riso nasal, virando-se lentamente para a amiga outra vez, mas ainda sem fitá-la nos olhos. — Não tem um dia que eu não me arrependa do que fiz e acredite, eu faria qualquer coisa para poder voltar no tempo e corrigir esse erro.
Os olhos de Lady Zoe se arregalaram com o que acabava de contemplar. Poderia afirmar com toda a certeza que se qualquer outra pessoa a tivesse contado sobre o que estava presenciando, não acreditaria em uma só palavra.
Francis erguera o olhar para ela, finalmente, sem nem ao menos perceber que as lágrimas há muito acumuladas em seus olhos estavam escorrendo pelo seu rosto fino em duas grossas cascatas torrenciais, ao mesmo tempo em que um sorriso sincero se formava em seus lábios. Uma expressão que transmitia um sentimento doloroso à qualquer um que estivesse contemplando-a.
No entanto, se aquilo não fora estranho o suficiente para Liliam, o que aconteceria logo depois a marcaria por toda a vida. As cortinas azuladas daquela sala balançaram pelo vento que atravessou a janela de repente, seguido pelo raio de sol de fim de tarde que até o momento estava oculto pelas árvores. O movimentar de seus galhos fez com que sua luz iluminasse por inteiro o corpo do Rei à sua frente.
A imagem que se formou à sua frente era tão irreal que precisou piscar algumas vezes. A figura de David de repente se formou ao lado de Francis. O garoto trajava vestimentas brancas que eram adornadas por um brilho cristalizado único e seus braços envolviam protetoramente o corpo do homem de baixa estatura que, naquele momento, apoiava ambas as mãos sobre o batente da janela, entregando-se aos prantos.
Fim da Lembrança
Lágrimas involuntárias despencaram dos olhos da tenente ao se lembrar daquela bela cena. Naquele momento, finalmente percebeu que a ligação que existia entre os dois era mais forte do que todos naquela época imaginavam. Era algo predestinado que se arrastava desde vidas passadas e que provavelmente iria se repetir daquela vez.
– Ah, Eren... — murmurou sozinha, fungando enquanto levava ambas as mãos ao rosto, enxugando-o. — Por favor... Ajude o Levi... Faça com que dessa vez o desfecho seja diferente...
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