Wish

1 O Bloqueio


Notas iniciais
Olá pessoal. Aqui estou eu, com mais uma história. Essa história é meio que um diário meu. Retrata os sentimentos trancados dentro de mim. Bem, e quão confusa pode ser a mente de uma pessoa da minha idade, não é? Só espero que gostem e acompanhe. Obrigada!

Depois de mais uma tentativa fracassada de escrever a ultima música do novo CD da banda. Lyia deitou-se na cama e fechou os olhos. Ben, o baixista e líder da banda, já a estava cobrando havia uma semana. Já estava naquele quarto de hotel havia duas semanas, em preparação para a primeira grande turnê mundial da "Hasunohana", formada há quatro anos atrás.

Seu telefone começou a tocar, era mais uma mensagem do grande empresário Kayle, como ele meso havia se autointitulado, dizia que ela devia abrir a página do site de entrevistas mais famoso do Japão, assim ela fez. Levantou com esforço e ligou o computador, abriu na página solicitada e lá estava a mais nova matéria sobre a banda mais badalada dos cinco continentes. Então ela começou a ler:

"Eles arrasam!

Matéria: Estamos em contagem regressiva para o primeiro show da banda mais badalada dos cinco continentes, Hasunohana. Os integrantes Lyia Mun., vocalista, Benjamin Lion, baixista e líder, Walter Prince, guitarrista, Stefan Steven, baterista e Sawako Mizuki, tecladista, disseram que estão super empolgados para os shows. A turnê terá início na cidade natal da linda e talentosa Lyia, Tóquio. Em entrevista, o empresário da banda, Kayle, disse que estava super empolgado por voltar ao país onde encontrou dois de seus mais preciosos talentos: "Estou feliz por voltar aqui, Sawako e Lyia também estão, é o país delas, então estão super empolgadas.", o jeito é esperar, ansiosos por esse incrível fenômeno.

Edição: Sue Louise."

Embaixo da matéria havia uma foto dos integrantes juntos. Lyia, pele clara, 1,60 m com olhos puxados e castanhos, cabelo longo e ondulado, sorrindo como uma rebelde que acaba de se libertar. Benjamin, alto, cabelos escuros e cumpridos, iam até um pouco abaixo dos ombros, olhos negros e o semblante sério, como um líder deve ser. Walter, loiro, olhos verdes, sorrindo com seu 1,70 m de altura, era o típico americano que incrementava e dava tempero à banda. Stefan, alto e de porte atlético, cabelos castanhos arrepiados com spray natural, olhos castanho claros e o semblante sereno, ao seu lado estava Sawako, pele branca como a neve, olhos castanhos bem claros, cabelo liso e bem preto, cortado na altura do pescoço e uma franja que cobria as sobrancelhas. Todos lindos, todos jovens, fazendo aquilo que gostavam de fazer e se tornando mundialmente famosos.

É claro. Voltar a seu país de origem e não poder desfrutar dele, por causa da multidão de fãs, eles eram mantidos no hotel. Aquilo era realmente emocionante, Lyia não cansava de ironizar dentro de sua cabeça, apesar de sempre ser compreensiva e de tentar agradar a todos, ela sempre se sentia vazia de algum modo, ou preenchida de negatividades, como se algo muito importante faltasse, ou simplesmente como se a pressão sobre ela fosse demais para aguentar, mas esta foi à vida que ela escolheu e devia se contentar e desfrutar dela.

Ouviu alguém bater na porta, então se levantou e foi abrir. Era Walter:

-Walter! O que foi? -ela perguntou, espantada por ele estar ali e não em alguma lanchonete do Hotel cinco estrelas, pois era o que Walter normalmente costumava fazer quando eles eram mantido em cativeiro antes dos shows.

-Quer fazer uma coisa maneira? –perguntou ele, parecia entediado, o que não era nenhuma surpresa, todos os outros integrantes da banda também deviam estar.

-O que? –perguntou entediada, tudo o que ela queria fazer era fechar a porta e voltar para seu bloqueio, tentando expulsá-lo e escrever a musica que precisava escrever.

-Vamos dar uma volta por aí? –Walter parecia um tanto convencido de que iria conseguir sair daquele hotel. Lyin achou a ideia de Walter maluca e tentadora, mas nunca que eles conseguiriam sair daquele lugar, então ela resolveu afugentá-lo de uma vez.

-Mas que ideia maluca é essa? – indagou perplexa. -Volte para o seu quarto Walter. É o melhor que fará.

-Eu não aguento mais ficar aqui –retrucou ele como se estivesse falando com sua mãe na época em que fora uma criança mimada. — Ouvi falar de um festival de colégio que está tendo, seria legal se fossemos, não seria?

-Sim,-reconheceu ela — mas você conhece a regra. Não podemos sair.

-Ah, já sei disso –gesticulou irritado. -Eu já estou cansado dessas regras bobas, somos estrelas do rock e nem podemos aproveitar-se disso.

-Eu sei, Walter. Eu também quero sair, mas são as regras. Por que você não vai jogar pôquer com o Ben e o Stefan? –será que ele simplesmente não poderia ir embora? Ela já estava quase para gritar com ele, mas como uma boa menina e amiga, é claro, ela seria educada e o afugentaria dali com decência.

-Porque eles não são páreos para mim, já estou farto de ganhar todas as partidas –argumentou, tentando esticar seu tempo naquele lugar.

-Então vá dormir –recomendou.

-Ainda está cedo- retrucou ele entediado.

-Então arrume alguma coisa para fazer e me deixe sozinha, tenho uma música para escrever!

-Você ainda não escreveu a música?- ele disse com um olhar de espanto.

-Não, estou tentando, mas não tenho nada na mente- confessou ela.

-Isso é porque você não sai desse hotel –a afirmação de Walter foi tão forte, que ela até cogitou ir com ele, mas é claro que não faria isso. — Eu vou te ajudar com esse bloqueio inútil e irritante. Encontre-me na entrada do hotel amanhã às dez horas.

-Mas nós não podemos...

-Faça o que eu disse –continuou, antes que ela pudesse argumentar. — Se você não aparecer eu venho te buscar e te arrasto daqui com pijama e tudo. Boa noite- ele virou as costas e foi para o seu quarto.

Lyin não voltou para seu quarto, ao invés disso, foi até o quarto de Sawako, talvez ela tivesse mais uma história interessante, das muitas que lia na internet, que lhe renderia uma boa música.

Quando chegou na porta, ouviu risadas e gritos, pareciam Sawako e Stefan, mas o que os dois estariam fazendo sozinhos no quarto? Ela pensou em dar meia volta, mas precisava de ajuda, do contrario enlouqueceria sem uma letra de música. Bateu na porta um tanto hesitante, torcendo para que Sawako não aparecesse de toalha ou enrolada em lençóis. Foi Stefan quem abriu a porta:

-Olá Lyin- saudou ele. -Estamos jogando vídeo game. Quer se juntar a nós? –ele pareceu empolgado e louco para voltar para dentro. Lyin olhou para dentro do quarto, as várias almofadas espalhadas pelo chão, pipoca, refrigerantes e uma Sawako deitada entre os acolchoados com um joystick na mão. Ela sabia o que responder.

-Melhor não- respondeu. -Desculpe incomodá-los.

-Vem logo Stefan, eu quero ganhar de novo- ela ouviu Sawako dizer, animada e pulsante, como sempre foi, desde sempre.

-Bem, vou voltar ao jogo – disse ele. –Tem certeza que não quer se juntar a nós? – perguntou mais uma vez. Lyin gesticulou um “não” com a cabeça. – Tudo bem então. Até mais- e fechou a porta, para enfim voltar a sua notória diversão da noite.

Não havia mais nada o que fazer. Ela não arriscaria bater na porta de Benjamin e ser cobrada outra ver daquela letra, o jeito era voltar ao seu quarto e dormir. Ela deitou na cama novamente e fechou os olhos, conseguiu se sentir tranquila por cinco minutos, pois sua paz foi perturbada por seu telefone, que estava tocando:

-Quem é?- disse.

-Mun Miketa- disse a pessoa do outro lado da linha, a voz da tal fez Lyin se animar.

-Okaasan*- disse ela.

-Oyasuminasai*- respondeu sua mãe. A mãe de Lyin morava e sempre morou no Japão, não conhece muito bem o inglês, então as duas conversavam em japonês.

-Okaasan, como a senhora está? Estou com saudades – as palavras sinceras de Lyin fizeram sua voz embargar um pouco, mas ela logo tratou de se controlar. A ultima coisa que queria era sua mãe preocupada com seu estado emocional.

-Estou bem Lyin, com saudades também – respondeu a senhora um tanto emocionada por falar com a filha que não via há tempos. — Fiquei sabendo que você está em Tóquio.

-Estou no hotel Conrad. Desculpe-me, eu iria até aí, mas não podemos sair do hotel – explicou.

-Ser celebridade é uma coisa complicada, não tem liberdade e nem privacidade. Bela escolha filha! – alertou a mãe à menina.

-Eu sei o que fiz e não me arrependo – afirmou Lyin. – Onde está otousan*, e Yamato? – se referiu a sei pai e seu irmão mais novo.

-Saíram à tarde para fazer algumas compras e ainda não voltaram. –respondeu. — Seu irmão está ansioso pelo seu show, ele disse que irá.

-Jura? – disse surpresa. — Que bom. Peça para ele me encontrar no camarim, eu quero vê-lo. Diga que pedirei entrada autorizada para ele.

-Eu peço sim, mas e eu, como fico?- insistiu a senhora, ansiosa por ver a filha.

-Pode vir até o hotel me ver, se quiser – informou Lyin.

-Você não pode vir em casa filha? – a mãe de Lyin começou a se assustar com toda a segurança que era imposta sobre Lyin e sua banda, como se eles fossem presidentes ou algo do tipo.

-Shinai*. Eles não nos deixam sair. Estamos todos presos num hotel cinco estrelas, é como uma prisão luxuosa – brincou Lyin, conseguindo arrancar um riso fraco de sua mãe.

-Então, que dia posso ir? – perguntou.

-Depois de amanhã? – sugeriu Lyin, ela não esquecera o suposto passeio com Walter no dia seguinte.

-Hai*. Estarei aí. – afirmou. — Tenho que desligar Lyin, seu pai e seu irmão acabaram de chegar – informou.

-Está bem, diga um "olá" por mim. Dakara asatte*.

-Ōkē* — e o som do fim da ligação invadiu o ouvido de Lyin, fazendo-a voltar para seu quarto luxuoso e vazio.

Havia quase dois anos que ela só falava com sua mãe por telefone. Quando a banda fechou o contrato com a gravadora eles se mudaram para a Califórnia e todo o contato frente a frente com sua família e seus amigos de Tóquio foi cortado.

Lyia sempre quis ser cantora, desde pequena ela já cantavam em corais e shows de bairro, foi assim que Kayle a achou, ela não se arrependia de ter chegado até ali, nem das decisões que tomou, mas, às vezes, ela sentia uma imensa vontade de voltar para dois anos atrás, onde seu sonho começou.

+Palavras em japonês:

*Okassan= mãe

*Otoussan= pai

*Hai= sim

*Oyasuminasai= boa tarde/noite

Notas finais
Espero que tenham gostado. Se não gostarem das partes de tradução de linguagem eu mudo no próximo. Obrigada, beijos!
XOXO
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.