Wintershock
24 Discórdias e conciliações
Notas iniciais

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Darcy chegava ao local correndo e fazendo muito barulho...
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Foi quando os homens que lutavam com Bucky, perceberam a presença da estudante...
Ela estava com o cabelo preso e óculos escuros, no ímpeto de não a reconhecerem.
Quando todos voltaram sua atenção para a garota, o soldado reagiu e voltou ao embate, só que dessa vez, ele sacava uma arma, pegando-os de surpresa.
Aquela arma na mão dele, era a única que possuía, desde que fugiu de Washington com Darcy.
E toda a adrenalina despertava lentamente o Soldado Invernal. Era como se uma batalha, não importava a intensidade, fizesse suas habilidades adormecidas reaparecerem e reavivar a natureza violenta da qual tentava fugir, mas que estava ali... A uma bala de distância...
Antes que pudessem reagir, Bucky já havia atirado na perna de um deles...
A pistola de baixo calibre e o silenciador, faziam com que os tiros não fizessem tanto barulho.
Darcy gritou e se agachou no susto e sua mochila caiu de suas costas.
Ela cobriu sua cabeça com as mãos quando vários tiros, ainda que silenciosos soaram.
O sargento secretamente, carregava aquela pistola com ele, sempre que saia.
Os estalidos dos tiros não pararam e antes que Darcy pudesse ver quem tinha sido baleado, Bucky se aproximou rapidamente, segurou seu braço e a puxou para cima.
Dois carros se aproximaram dentro do estacionamento da Webster Bank Arena e três homens de fardas pretas saíram do veículo, armados.
Bucky reconheceu o emblema no peito deles...
Eram da BND, do serviço federal de inteligência da Alemanha...
Mas não fazia sentido... por que a Alemanha estaria atrás dele? Quando pensou a respeito, a única explicação plausível para aquilo, era que provavelmente, aqueles homens eram agentes da HYDRA disfarçados como agentes da BND.
Em meio a todo o clima de perigo e adrenalina, Darcy gritou mais uma vez quando novas balas voaram na direção dos dois.
O soldado largou o braço da estudante, antes que pudesse entender o que estava acontecendo.
Ela se encolheu em um canto novamente e apenas ouviu o barulho dos tiros e pancadas logo em seguida, por longos segundos...
— Oh, meu Deus...! – Ela murmurou, com a voz trêmula.
Só conseguiu ver um borrão... E quando abriu os olhos, dois homens estavam caídos inconscientes... Um deles estava ferido no abdômen, tentando pegar sua arma a poucos metros de sua mão.
Ela tentava recuperar o fôlego, pois estava chocada em como as coisas aconteceram tão rápido e bem na frente de seus olhos...
Bucky estava lá... Parado... Com a pistola na mão... Olhando para todos os agentes que tentaram abatê-lo e leva-lo...
Ele se virou para Darcy e seu olhar inexpressível e incrivelmente gelado pôde ser notado...
Não era o Bucky que via todos os dias... Mas aquele que conheceu em Washington DC... Frio, impiedoso e atroz...
Sua testa estava sangrando e ela podia ver o sangue escorrendo pelo rosto dele...
A garota sentiu uma forte compressão no estômago quando o sargento começou a se mover em sua direção...
Com a pistola na mão humana, ela temeu que ele pudesse atirar nela... Darcy confiava em Bucky, mas não confiava no Soldado Invernal.
A poucos metros de distância, o soldado resolveu quebrar o silêncio enquanto seu olhar firme se mantinha nela.
— Mova-se... Agora... – Ordenou.
A pose intimidadora e sombriamente assustadora, fazia com que a garota não entendesse para onde devia se mover...
— Bucky... – Ela sussurrou...
— Quieta... – Retrucou, enquanto guardava a pistola no cós da calça.
Não havia testemunhas oculares ao redor, pelo que ele constatava. Também não havia câmeras de segurança.
A estudante se assustou com o sangue pingando sobre o asfalto... O sargento estava ferido, mas não parecia se importar...
Tudo ao redor se encontrava perfeitamente normal, porém, as sirenes da polícia soaram, ainda que fosse a vários quarteirões de distância.
A garota se perguntou se alguém ouviu os tiros e chamou a polícia, já que eles estavam a caminho.
Quando Bucky percebeu que Darcy não entendeu o seu comando quando a mandou se mover, a mão de metal agarrou abruptamente seu braço e a puxou com força para fora do estacionamento...
Ele a carregava como se estivesse arrastando um objeto leve e de pequeno valor, pois era nítido que não estava se esforçando quase nada fisicamente.
A estudante não sabia se chorava de alívio pelo soldado ter dado conta de todos os homens suspeitos, ou se ficava ainda mais nervosa por saber que quem estava ali era o Soldado Invernal... Ou metade dele...
Seu coração batia rapidamente e de modo descompassado...
Tinham de sair dali o mais rápido possível...
— Você foi atingido? – Indagou, preocupada, mas um tanto assustada... O homem que a puxava dali não era Bucky... Ele era a alarmante combinação do sargento James Buchanan Barnes e do que HYDRA havia feito com ele.
— Nada grave... – A voz frígida e sem expressão alguma, deixava claro que mesmo ferido, não parecia sentir nada.
— Mas você está sangrando...
— Eu disse antes... pra ficar quieta... – A intimidadora ordem fez com que a estudante calasse sua boca de vez. Ele estava no comando e não poderia contestar nada. Se Bucky estava lhe tirando dali sem ameaça-la diretamente, é porque sabia o que estava fazendo e não tinha perdido totalmente sua consciência para o Soldado Invernal.
Os dois atravessaram o viaduto ao lado e se dirigiram para um local com mais movimentações.
O sargento enxugou o sangue do rosto com um lenço que carregava no bolso de sua calça.
Bucky parou um taxi e entrou junto com Darcy.
Seu semblante era completamente gélido... Sua expressão indiferente estava assustando a garota.
O taxista virou o rosto para perguntar o destino, mas antes que a garota pudesse falar qualquer, Bucky assumiu no mesmo instante.
— Para Aeroporto de Westchester Country. – Ele replicou, friamente.
— Certo.
E então, o carro se moveu dali.
Darcy estava muito alarmada. O que Bucky pretendia? Por que eles estavam indo para o aeroporto de Westchester Country que ficava na divisa do estado?
A garota observava tudo, quieta...
Eles ficaram em silêncio durante todo o trajeto, e quando chegaram, o taxista os deixou no local mais próximo do aeroporto.
Teriam de ficar alerta, caso alguém suspeito se aproximasse de ambos.
Bucky saiu primeiro e acenou com a cabeça para que ela também saísse do taxi.
Sem saber o que dizer, ela por instinto ficou em silêncio e apenas o seguiu. Não tinha ideia de como ele conhecia a cidade, mas por ora, guardaria suas indagações pra si mesma.
Ao saírem dali ele a mirou frontalmente, da cabeça aos pés e seu olhar era muito intimidante.
A estudante não sabia como agir na frente dele naquele momento.
— Precisamos alugar um carro. – O tom obscuro de sua voz fazia Darcy sentir fortes arrepios.
— Por quê!?
— Não faça perguntas. Você vai alugar um carro para sairmos daqui ou prefere que roubemos um?
— O quê!? Claro que não! Não vamos roubar! Vamos procurar uma locadora... – Ela estava em pânico.
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Depois de algum tempo, Darcy alugou um carro pela internet e retirou o veículo numa locadora perto do aeroporto.
Ela engoliu as perguntas que pensava em fazer a ele...
Quando chegaram ao veículo, James pegou a chave da mão dela, assumindo a posição de motorista, deixando-a sem reação.
Ele a deixaria ali e iria embora?
Quando o soldado entrou no carro e engatou a chave, acenou com a cabeça para a ela, mandando-a entrar.
Muito assustada, a garota entrou no carro, um tanto relutante.
Eles pegaram uma estrada deserta e Bucky dirigiu vários quarteirões... Ela não tinha ideia para onde estavam indo...
Darcy não se atreveu em dizer nada. Estava com medo daquele que se encontrava ao seu lado naquele momento.
De certa forma, tudo aquilo havia acontecido por culpa dela. Se não tivesse ido atrás dele no terminal de trem em Manhattan, talvez nada disso tivesse acontecendo.
Depois de algumas semanas de convivência, Darcy achou que podia estar próxima o suficiente para se intrometer na vida dele e fazê-lo dar satisfações para onde ia.
Nunca mais faria aquilo... Tamanho receio...
A noite seguia silenciosa e o vento assobiava pela estrada...
O farfalhar das folhas nas árvores no parque ao lado, tornavam o local ideal para um serial killer cometer uma carnificina, e aquilo era semelhante a época em que viajaram juntos, logo quando se conheceram em Washington DC.
O Soldado Invernal podia ser o protagonista ideal para um filme de terror real naquele momento.
Repentinamente a voz dele a fez sair de seus devaneios, lhe assustando completamente.
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— Por que você veio atrás de mim...? — Seus dedos apertaram ao redor do volante.
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A estudante não sabia o que dizer... Ela focou seu olhar no para-brisa e nas lanternas amarelas do carro na frente deles, iluminando a estrada escura.
— Eu só estava curiosa... – Sussurrou, imprecisa.
— Com o quê...? — A voz implacável do soldado transparecia impaciência e uma espécie de fúria que tentava conter.
Darcy não respondeu de imediato, mas resolveu juntar toda a coragem que havia restado para explicar sinceramente aquela pergunta.
— Achei que talvez você estivesse planejando se vingar da HYDRA e indo atrás deles. Então quis ver de perto se realmente era isso.
Bucky sorriu, sombriamente, esboçando uma reação um tanto espantosa pela ingenuidade da estudante.
— Você não pode estar falando sério...
— Eu estou... Me desculpe... – A garota retorquia, suspirando, tensa.
— Quase fomos pegos, por sua infantilidade... – O olhar do soldado era colérico.
— Sei que não tenho nada a ver com a sua vida, mas não acha melhor parar com o seu plano de vingança contra a HYDRA...?
— Impossível. – Redarguiu, ríspido.
— Talvez você devesse focar em se recuperar primeiro e então depois ir atrás deles... Ou esquecer tudo isso de uma vez por todas e tentar ter uma vida normal... – Dessa vez, não era uma pergunta, mas uma sugestão.
— Eu nunca poderia ter uma vida normal enquanto ter essas memórias... E enquanto esses desgraçados continuarem vivendo... – O ódio do sargento era extremamente implacável. Cada dia que acordava, era um verdadeiro suplício por se recordar do que a HYDRA fez com ele.
— Bem... Se esse é o caso, não seria melhor pedir ajuda ao Capitão América?
Bucky freou violentamente o carro e a garota acabou batendo a cabeça no vidro.
— O que você acabou de dizer!? – A voz dele soava descontrolada e em alto tom.
— Hey... Por que freou do nada!? – Ela respondeu de volta, no mesmo tom.
— Quem você pensa que é para se intrometer nos meus planos!?
— Eu...!? Eu... Não sou ninguém e não estou me intrometendo nos seus planos! Me desculpe se estamos aqui agora, nessa estrada na divisa do estado fugindo sabe-se lá pra onde...! Não foi minha intenção...! – A garota cruzava os braços e fazia uma cara birrenta.
— Eu estou no comando. Não se esqueça...
— Eu não sou um soldado e muito menos uma espiã, logo não preciso obedecer às suas ordens! – A petulância da estudante tiraria qualquer um do sério, ainda mais ele, que se encontrava cruzando a fronteira da personalidade do Sargento Barnes e do Soldado Invernal naquele momento.
— Então não fique no meu caminho e tampouco me diga o que fazer, entendeu!? – Os ânimos de ambos se encontravam aflorados.
Bucky tentou conter sua raiva, que se encontrava divagando entre duas personalidades antagônicas em sua mente.
E Darcy... Estava muito irritada...
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— Eu sou a prosopopeia metafórica de um irônico paradoxo eufêmico e hiperbólico... – Ela começava a articular frases que ele não entendia.
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E depois da reação raivosa, o sentimento de tristeza lhe abatia...
Aquele aperto em seu peito, completamente sufocante começou a se formar, enquanto um soluço subia por sua garganta e tentava contê-lo...
Darcy colocou engoliu o choro e se virou para olhar pela janela as folhas das árvores ao longo da estrada deserta...
Tentou regular sua respiração, e não ser controlada pelo sentimento horrível que estava lhe fazendo ter vontade de chorar...
A estudante sentia lágrimas surgindo em seus olhos...
“Céus... O que estou fazendo da minha vida...?”
Sua reação em meio a tudo que estava acontecendo só estava piorando a situação.
Bucky estava furioso.
— Eu te disse para não me seguir...
— Eu sei... Mas não tinha ideia de que tudo isso aconteceria... – Balbuciava, segurando o choro.
— Você nunca tem ideia de nada... — Retrucou, olhando para a frente, sem nem ao menos olhar para ela.
A estudante suspirou de forma trêmula enquanto as lágrimas rolavam por suas bochechas...
— Eu sei... Me desculpe... Eu apenas pensei-
— Não pense. – Ele a interrompeu.
— Eu...-
— Pare.
— Bucky-
— Pare. – Repetiu, e suas interrupções não admitiam nenhum argumento dela.
Segurando ainda mais a vontade de chorar, Darcy engoliu tudo o que estava entalado em sua garganta. Não adiantaria dizer mais nada a ele e nem sabia o que aconteceria depois, porque por mais que que tentasse justificar suas ações, chegava a conclusão que aquilo o incomodaria ainda mais.
Não sabia para onde estava indo e tampouco se Bucky aceitaria voltar com ela para Nova York...
A estudante pensava que o soldado lhe mandaria sair do carro a qualquer momento e larga-la ali, naquela estrada escura e deserta...
Aquele homem ao seu lado não era o mesmo que dividiu um edredom quando estava doente... Não parecia aquele que a colocou em sua cama quando adormeceu em seu ombro alguns dias atrás...
Sem perspectivas do que aconteceria dali em diante, ela apenas ficou em silêncio, observando o caminho por onde o carro passava...
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Era nove e quarenta da noite e Bucky dirigiu por meia hora.
O soldado parou o carro perto de um posto de gasolina que tinha uma loja de conveniência e se dirigiu até lá.
Darcy aproveitou e abriu a porta do carro, saindo do banco da frente para ir para o de trás.
Já que o clima estava tão tenso entre ambos, ela resolveu ficar na parte de trás do veículo, apenas para que não pudessem dialogar. Estava cansada e com muita raiva.
A garota colocou a mochila no canto, deitou sua cabeça ali, cruzou os braços e as pernas, levantando o pé direito para o alto, escorando uma perna na outra.
Ela suspirou, mais uma vez, e aquela sensação sufocante tentava voltar.
— Céus... por que eu quero chorar...? Será que toda vez que algo dá errado na minha vida, todas as lembranças ruins que eu vivi veem à tona?
Pensava que nem deveria estar ali... Se tivesse dado ouvidos aos seus pais, a essa hora, estaria formada e em Los Angeles, trabalhando em algum centro de pesquisa, bem remunerada e curtindo um luau com seus melhores amigos ao som de clássicos do rock versão acústica na praia de Santa Monica...
Se arrependimento matasse e tivesse feito as escolhas certas... Não estaria numa estrada deserta ao lado de um ex-assassino nazi-soviético desmemoriado e sendo repreendida por causa de sua curiosidade fora do comum...
— Queria voltar no tempo... Ah se desse... Faria tudo diferente...
A estudante fechou os olhos e tentou replicar a imagem de um futuro perfeito... Será que ainda dava tempo...?
Mas se assustou com o barulho da porta do carro abrindo, abruptamente.
Seus olhos continuaram fechados, só para não ter que falar com Bucky.
— Está dormindo? – A voz dele soou grossa. James ainda estava com raiva.
— Não. Estou treinando pra morrer. – Darcy replicou, ácida. Não levaria coices daquele soldadinho de meia pataca.
— Vou deixa-la em Stamford. Você pode pegar o trem de volta para casa.
Darcy abriu um olho e o fitou, irritada.
— E você?
— Tenho assuntos para resolver.
— Oh sim... Claro... Como quiser... – Não perguntaria mais nada a ele, nem sob tortura.
— Você pode voltar para o banco da frente?
— Não. – Retorquiu, seca e completamente apática.
— Será que você pode cooperar ou vou ter que te tirar aí de trás a força?
— NEM TENTE!!! DESDE QUANDO VOCÊ DECIDE ONDE DEVO SENTAR!? PISE NESSE ACELERADOR AÍ E ME DEIXE ONDE VOCÊ QUISER!!! EU NÃO ME IMPORTO!!! – A petulância de Darcy fazia o soldado perder a paciência novamente.
— O que esperar de uma pessoa que joga o chinelo no botão da TV pra trocar de canal... – Ele retrucou, em baixo tom, mas ela ouviu.
— Aah...!? O que você disse!? – No mesmo instante a garota levantou do banco, expondo uma postura rígida.
— Será que você podia parar de se comportar como uma criança e fazer o que eu mando!?
— Eu não vou fazer o que você manda! Você não é meu pai e nem meu chefe! – A garota estava tão aborrecida, que começava a dar respostas que só uma adolescente daria.
Bucky lançou um olhar mortífero para a estudante e no mesmo instante abriu a porta do carro, dando a volta, indo rapidamente na direção dela.
Ele abriu a porta do banco de trás onde Darcy estava sentada.
A garota entrou em pânico...
O que ele faria?
Numa velocidade surpreendente e sem fazer muito esforço, ele agarrou o pulso dela no ímpeto de puxá-la para fora, contra a sua vontade.
A estudante tentou puxar seu pulso de volta, mas ele era muito mais forte do que ela.
— Você vai mesmo usar violência comigo!? Eu sei que errei, mas precisa ser tão grosso!?
— Eu não estou com paciência para aguentar as suas birras, Lewis... Me obedeça e vá para o banco da frente.
— Não quero!
— Você não tem querer!
— Tenho sim! Eu vivo numa democracia!
— Pare de agir como uma criança! – A mão de metal pressionou o pulso mais forte e ela sentiu um aperto intensamente violento, quase como se estivesse esmagando parte de seu braço.
Darcy exprimiu um grito de dor e imediatamente ele afrouxou o aperto.
A estudante era extremamente frágil e se esqueceu de que não podia usar tanta força contra ela.
A expressão da garota se transformou em aflição... Se sentiu extremamente fragilizada e inútil diante de um homem tão forte como ele...
Um brilho confino se formava em seus olhos... E lágrimas começaram a escorrer logo em seguida...
Ela não acreditava que ele estava lhe machucando... Pela primeira vez, Darcy se contorceu com medo do que James pudesse fazer...
— Por que está agindo assim...? Você não poderia apenas me deixar aqui e ir embora...? – Ela fechou os olhos para que as lágrimas acumuladas e que desfocavam sua vista caíssem...
Pela primeira vez ela a fez chorar para valer, e agora, o soldado não estava sabendo lidar com as consequências...
James não pensava que aquilo lhe afetaria tanto... Darcy sempre foi muito compreensiva, receptiva e risonha, tornando seus dias mais alegres, mesmo que por dentro estivesse vivendo um verdadeiro inferno...
Seu coração estava esmagado...
Não avistava mais a delicadeza e o afeto que ela sempre lhe mostrava...
Não sabia o que fazer...
A garota fechou os olhos, num tom de tristeza e segurou os soluços que tentavam sair de seus lábios...
O sargento estava com raiva de si mesmo e completamente arrependido... ela não merecia aquilo...
E então...
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— Não chore... – Ele suspirou, enquanto suas mãos tentavam, hesitantes, tocá-la, no ímpeto de acalmá-la de alguma forma.
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Darcy engoliu em seco e inclinou a cabeça para fita-lo, desconfiada de suas intenções.
Sem pensar duas vezes, suas mãos tocaram o rosto feminino, um tanto atônito e sensível ao contato repentino.
O silêncio agudo, interrompido apenas pelo caos do pressuposto inesperado que ela tinha naquele instante.
Ainda assustada, seus olhos tão abertos e confusos... E as nuances daquele olhar azul enigmático que ela expressava quando o olhava... Perdida...
Tudo o que a garota podia sentir era o encaixe das mãos masculinas suavemente em sua face...
O polegar humano e o de metal limpando as lágrimas de seus olhos, chocados, não só por causa do toque tão candente de uma mão e gélido no da outra mão, mas a delicadeza da expressão de preocupação e arrependimento que Bucky mostrava.
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— Eu sinto muito, Darcy... Por favor, me perdoe...
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Ele raramente a chamava por seu nome...
Era tão estranho vê-lo arrependido... Bucky era uma pessoa muito inexpressiva e fria, que se forçava a ter interações humanas com ela, apenas por obrigação ou por se sentir grato por ajuda-lo naquele momento tão crítico da sua vida, pós-HYDRA.
A garota suspirou, um pouco aliviada, ao mesmo tempo que assimilava o que estava acontecendo... A culpa era dela... Se não o tivesse seguido, não teriam se desentendido...
— Eu sinto muito também... Me desculpe por atrapalhar seus planos... Eu não tive a intenção...
— Eu sei... Não chore... – E então, ela sentia o toque do metal frio em seu rosto. Os dedos dele deslizaram perfeitamente sobre sua pele.
O jeito como ele olhava intensamente nos olhos dela, o jeito como ele a tocava calmamente, o jeito como ele chamou o nome dela... Tudo era uma mistura incrível e despertava algo estranho em seu interior...
O coração dela falhou uma batida... Não sabia porquê, mas algo estava errado... Ela sentia uma vontade gigante de vê-lo bem e recuperado... Livre das amarras de seu passado sombrio com a HYDRA...
E depois de se analisar, só podia chegar à conclusão que o pouco tempo de convivência com ele... Estava mexendo estranhamente com seu emocional...
— Me desculpe... Eu não sei mais o que dizer... – A garota se desculpava mais uma vez.
— Só pare de chorar... – Não era uma ordem... Dessa vez, ele pedia com calma...
Ela fungou e deu uma risada triste e cansada.
— Não consigo...
A estudante estava muito tensa, e as sombras projetadas pelas luzes da estrada incidiam melancolicamente sua feição...
— Eu não gosto disso...
— Que eu chore...?
Ele de um único aceno de cabeça.
— Me desculpe por isso...
— Pare de se desculpar... – O soldado sussurrou, olhando fixamente para ela, sem quebrar o contato visual.
Darcy sorriu de novo, tentando quebrar o clima em que estavam.
Seu sorriso era como o de uma criança que havia levado bronca de um adulto.
— Às vezes tenho a sensação de que estou subindo uma escada rolante que está descendo... – E mais uma vez, ela usava suas frases de efeito, tentando fazê-lo rir, mas Bucky não parecia ter entendido, como sempre.
— E o que isso significa?
— Que a minha vida é uma lástima. – Afirmou, completamente convicta.
— Isso não é verdade... Olhe para a minha... – Ele sorriu de volta, terno e calmo. Só queria que a estudante sorrisse, como sempre fazia.
— Eu sei que não tenho sido de grande ajuda e quando penso que estou ajudando, só atrapalho, mas você pode ter certeza que eu farei o que puder para impedir que esses macacos da HYDRA te levem... Eu prometo que vou te ajudar a se encontrar de novo, mesmo que seja difícil e até que você mesmo não queira...
Bucky ficava um tanto assombrado com o que a garota lhe dizia. Há poucos minutos ela estava com muita raiva dele a ponto de força-lo a ser agressivo com ela e lhe machucar, mas agora dizia todas aquelas palavras de confiança e cumplicidade entre ambos?
— Você não está mais irritada comigo?
— Não.
— Uma pessoa normal, não conseguiria confiar em alguém que a coagiu fisicamente, então por que está agindo dessa forma comigo?
— Bem... Eu não confio no Soldado Invernal... Mas confio em você... E eu sei que você se controlou na hora em que aqueles caras apareceram, impedindo-o que ele saísse e assumisse o controle, certo?
— Como você descobriu isso? – Bucky estava intrigado. Darcy era uma pessoa atenta aqueles detalhes?
— Acho que estamos convivendo mais tempo do que imaginávamos... – E então, um novo sorriso floresceu. Um dos mais belos que ela mostrara ao longo das semanas em que estiveram juntos.
O sargento sabia que o que Darcy dizia era sincero e não imaginava que ela reagiria daquele jeito tão pacífico... Isso só comprovava que de alguma forma a garota realmente se importava com ele... De verdade...
— Mas depois disso que aconteceu, eu preciso te fazer uma pergunta e quero que você responda sinceramente... – A estudante pediu, com um semblante mais sério.
— Qual...? – Não tinha ideia do que ela perguntaria.
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— Você confia em mim...?
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Ia direto ao ponto.
James não respondeu de imediato, mas sabia que a resposta já estava dentro dele.
— Sim... – Afirmou, sem pensar duas vezes.
— Então se confia em mim, por favor, vamos parar com todo esse suspense... Eu não quero atrapalhar os seus planos e nem me meter nas suas decisões... A minha real intenção é apenas te ajudar... Quero que um dia você recupere todas as suas memórias e possa ter uma vida normal...
— Eu não sei se poderei ter uma vida normal de novo...
— É claro que você pode. Eu farei o possível pra que você tenha tudo de volta. – A garota afirmou com muita convicção e seus olhos pareciam brilhar quando falava sobre isso... Será que Darcy era uma espécie de bateria que carregava seu ânimo e lhe fazia ter vontade de viver depois de todo o seu passado sombrio...?
Mas não podia ter certeza se teria uma vida normal e feliz outra vez...
— Muitas coisas ficaram perdidas no meio do caminho... Não posso recuperá-las... – Retorquiu, cabisbaixo e num tom de tristeza.
— Mas você pode encontrar coisas novas daqui pra frente. Eu quero que você se lembre do seu passado e escolha esquecê-lo depois... Mas por vontade própria... E não através de uma lavagem cerebral...
Ele levantou sua cabeça para encará-la...
Como a estudante tinha tanto otimismo sobre como devia viver sua vida? Suas palavras pareciam tão absolutas, que ficava assustado quando se perguntava de onde ela tirava tanta certeza...
Algumas lembranças afloravam dentro dele quando a vislumbrava...
Como uma linda tela em cores...
Era a impressão de algo já havia vivido... O vestígio de memórias com alguém que tinha os mesmos traços dela... Mas por que não conseguia se lembrar...? Desde que a conheceu em Washington, ele carregava essa dúvida.
A sensação quando fitava os olhos azuis da estudante... Imaginava muitas coisas, e entre elas, águas calmas que pudesse navegar... E admirar somente a imensidão... Sem destino ou hora para chegar... Somente no silêncio, ele e sua solidão...
O soldado desviou seu olhar e se afastou.
— Vou te deixar em Stamford... Está de acordo...? – Desconversava, saindo dos devaneios que envolviam a garota e a lembrança quebrada em sua mente.
— Sim... – Darcy apenas assentiu, sem perguntas.
Quando os dois entraram no carro, ela ficou em silêncio.
Mas para a sua surpresa, Bucky começou a falar.
— Eu estou indo para um depósito da HYDRA. Estou fazendo planos para pegá-los um dia.
— E o depósito fica em Stamford? Era para lá que você estava indo desde o início?
— Sim.
— Hmm... Entendi... Mas de qualquer forma, você não precisa me dizer sobre seus planos. Eu não vou me meter e-
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— Estou dizendo porque confio em você.
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Darcy arregalou um pouco os olhos, se sentindo impressionada pelo fato de ouvir aquilo dele, mesmo depois do que passaram aquela noite.
— Bem... Então... Boa sorte...! – Ela sorriu, mas virou seu rosto contra o vidro ao lado, um pouco incomodada com o que ouvira anteriormente.
Sentiu sua respiração descoordenada e um nervosismo tremendo. Não sabia se ainda estava inquieta por conta do que passaram naquelas horas, mas era um tanto incômodo... O que estava acontecendo com ela afinal? Por que seu coração ainda estava acelerado?
“Acho que vou precisar ir no hospital fazer um eco cardiograma, pois não estou me sentindo muito bem...” – A estudante pensava, tentando entender o motivo de estar tão inquieta.
Bucky a observava, curioso...
Aquela noite tinha sido perigosa e estranha... Mas o soldado chegava a conclusão de que nunca mais a machucaria novamente... Não enquanto ele tivesse o controle de sua mente... Não enquanto ela fosse o principal motivo por ele desesperadamente lutar contra o monstro que batalhava para sair e controlar a sua alma...
Não enquanto o Soldado Invernal estivesse dormindo, até achar uma fórmula para assassiná-lo de uma vez por todas de todo o seu ser...
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Natasha chegava em Nova York de trem. Era arriscado e muito chamativo voltar diretamente de avião, por isso, a agente desembarcou em uma cidade longe dali e viajou de trem.
A espiã saia do Grand Central Station.
Salto alto vermelho, sobretudo, echarpe, óculos escuros e muita elegância era o que formava seu disfarce.
Tatiana Sokolova...
A agente deixava o terminal, dirigindo-se para fora com o objetivo de pegar um táxi.
Ao deixar o local e andar um pouco pela movimentação, avistou algo chamativo e que lhe despertava certa adrenalina...
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A Torre dos Vingadores.
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Tinha lido em algumas notas de jornais que Tony e Bruce trabalhavam juntos há meses... Não tinha ideia do que ambos faziam, mas por ora, não era de sua conta.
Seu desígnio naquela cidade era apenas um...
Encontrar Yelena Belova e lhe arrancar informações, até que dissesse o que fazia ali e para quem estava trabalhando.
Quaisquer outras coisas não importavam pra ela.
E então, seu telefone tocou...
Era Clint...
— Fala, Arrow...
— Nat, tudo bem por aí?
— Por enquanto sim. Você descobriu mais alguma coisa? – A mulher espreitava a movimentação discretamente, mas sempre atenta.
— Consegui descobrir para onde a Belova anda indo. É num um bar que fica no Upper West Side. Esse lugar abre meia noite e várias pessoas estranhas costumam frequentar.
— Então... O Barnes está pelos arredores do Upper West Side?
— Provavelmente.
— Ousado... não imaginava que de todos os lugares do país, ele fosse se meter justamente num local tão arriscado.
— Não tenho informações que ele tenha sido visto em Manhattan, mas se a Belova está atrás dele, é bem provável que o Soldado Invernal esteja perambulando por aí.
— Entendi... então eu só preciso encontrá-la antes que ela vá até ele.
— Sim.
— Entendido. Nos falamos mais tarde.
A Viúva Negra encerrou a ligação e caminhou até um ponto de táxi.
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A partir dali, teria que ser ágil em encontrar Yelena antes que ela fosse atrás de Bucky Barnes.
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