Winter, O Golfinho - 03
7 Capitulo 07
Dr. Cameron MacCarty
—- Kyle, o que dói mais em você – disse Dr. MacCarty quando foi conversar com Kyle quando Sawyer foi embora dali com cara de poucos amigos e Kyle encarou o velho homem intrigado com a pergunta dele.
—- Não sei... Meu foco sempre foi me tornar medico e uma família e um filho não estavam nos planos, mas com a perda desse bebê e eu não sei mais o que fazer... Me sinto um vilão ou algo parecido – respondeu
—- Só porque você e sua namorada perderam um bebê não significa que o amor acabou e que não poderão tentar serem pais mais tarde – disse o Dr. MacCarty e Kyle encarou o homem que o encarou de volta sério.
—- Estou quebrado por dentro doutor, não sei como encarar minha família e menos ainda a Rebecca.
—- Volta pra sua casa Kyle, fique com a sua família e converse com Rebecca, vocês precisam se resolver e se entender – falei tocando os ombros de Kyle e indo em direção ao meu carro estacionado ali próximo.
Fim do ponto de vista do Dr. Cameron MacCarty
Sawyer Nelson
Algumas horas mais tarde quando estava no estacionamento do aquário ouvi no radio que uma tempestade tropical havia se transformado em uma espécie de tornado e estava a caminho do aquário, sai correndo do carro e gritei por Hazel e avisei sobre a tempestade e começamos a guardar todos os equipamentos, mais uma vez Hope e Winter ficariam separadas e a soltura de Decklan teria que ser adiada.
Corremos com todos os outros funcionários, a maioria dos voluntários, 30% deles menores foram dispensados mais cedo para irem até suas casas, os mais velhos ficariam lá conosco por ser tecnicamente mais seguro para eles e o restante da equipe iria embora assim que terminássemos de colocar as madeiras de contenção e proteger todos os locais onde ambos os animais ficavam, Hope por precaução foi colocada numa piscina próxima de Winter e Decklan num outro tanque mais fundo e com proteção de concreto.
Corri para o estacionamento e coloquei meu carro junto com as ambulâncias marinhas na parte subterrânea do aquário e liguei para casa para saber se minha mãe já tinha voltado ou se ainda estava no hospital, ela e tia Alyce e tio Max estavam em casa e ficariam juntos enquanto a tempestade passava e eu perguntei sobre Kyle, não dando muito detalhe de nossa conversa naquele mesmo dia e eles não sabiam dele e permaneci em silencio, seja como for tentei mudar a cabeça de meu primo e falhei miseravelmente.
Hazel estava no telhado puxando as velas que tínhamos colocado como decoração e corri para ajuda – lá e a vi olhando na direção onde o avô estava e ele estava correndo com as velas do barco dele e fixando ainda mais o local onde ambos moravam ela gritava para ele vir para o aquário mas o homem parecia não a ouvir
Mas logo vimos um homem de camisa branca correndo e era o Dr Clay e ele acenava para Hazel e eu a retirei do telhado, eu e mais cinco funcionários retiramos todas as velas e qualquer coisa que a tempestade pudesse levar dali, desci rapidamente para a área do museu e fechei as escotilhas e vi Hazel falando ao telefone e alguns funcionários estavam terminando de colocar as barricadas nas portas e janelas dali.
—- Meu pai e meu avô estão indo para a casa próxima a empresa onde meu pai trabalha, lá tem um porão com cozinha e ele disse para ficarmos aqui ou tentarmos ir embora... Já falou com a sua mãe e seu primo?
—- Sim, ela vai ficar com meus tios e o Kyle eu não faço a mínima idéia – resmunguei irritado e ela suspirou.
—- Foi uma conversa difícil não foi? – questionou ela enquanto ouvíamos o vento ficar ainda mais forte.
Assenti e nesse mesmo instante as luzes de todo o aquário se apagaram e algumas pessoas gritaram e Hazel me abraçou fortemente por causa do susto, me surpreendi com essa atitude, mas não disse nada.
Quando os ventos ficaram mais fortes e ouvimos algumas coisas voando pelo lado de fora ela se assustou ainda mais e eu a abracei fortemente e nos afastei dali para perto do aquário dos golfinhos onde Decklan estava e ela me encarou, apesar da pouca luz trazida pelos relâmpagos pude ver que ela escondia um sorriso.
—- Está tudo bem, é só uma tempestade idiota – murmurei e Hazel assentiu e nos sentamos no chão assim como os outros funcionários e pegamos algumas cobertas e lâmpadas caso os geradores não funcionassem
Subi até onde havíamos colocado Hope e Winter e ambas estavam bem e permaneci olhando para elas.
Hazel apareceu alguns minutos depois e colocou uma manta a minha volta e me entregou uma caneca com uma espécie de chá com leite quente e agradeci e beberiquei aquilo e continuei olhando para as golfinhos.
Hazel foi se sentar numa mesa de piquenique próxima e se assustou quando encontrou Ruffus escondido.
—- Pobre coitado está apavorado – murmurou ela tocando a cabeça do pelicano encolhido feito uma bola.
—- Todos estamos, eu mesmo estou com medo por Kyle e principalmente pela situação de Hope – murmurei me sentando ao lado de Hazel que suspirou e bebeu o chá com leite em silêncio.
Algumas horas se passaram e descemos para o museu e a maioria dos funcionários dormia em colchonetes e camas improvisadas espalhadas pela sala e eu toquei os ombros de Hazel e voltamos para onde estávamos, ela jogou uma manta sob Ruffus que estava quase caindo para o lado de sono e pegamos os colchonetes que havíamos levado para lá alguns meses antes para monitorar os golfinhos e deitamos lá em cima no consultório de Hazel, era pequeno, mas parecia aconchegante e seguro e acabamos adormecendo.
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