Winter, O Golfinho - 03
3 Capitulo 03
Depois de conhecer toda nova equipe e matar a saudade de Winter, peguei o carro alugado e corri em direção a minha casa, Hazel me acompanhou até a saída e notou o carro estacionado de qualquer jeito ali.
—- Então era você mesmo, estranhei esse carro próximo a minha casa – disse ela e eu balancei a cabeça e ela riu, coloquei minhas coisas no banco do carona e antes de partir encarei a loira que acenou e sorriu para mim enquanto eu voltava para casa, minha mãe com toda certeza estaria de plantão e se assustaria comigo de volta sem nenhum tipo de aviso, então resolvi deixar o carro estacionado longe da garagem.
Peguei a chave na beirada do canto de minha casa e abri a porta indo em direção a geladeira e pegando uma garrafa de suco de laranja e alguns ingredientes que tinha dentro da geladeira e os coloquei na bancada da cozinha, mas antes disso, fui até meu antigo quarto e coloquei minhas coisas de volta no mesmo, mas antes notei que estava com cheiro de maresia e “peixe” e corri para tomar um banho demorado e encarei meu rosto no espelho que tinha no banheiro e sorri abertamente, estava agora em casa, não mais em banheiros improvisados de portos ou barcos e nada parecido com isso e respirei fundo.
Mas pareceu que fiquei muito tempo nesse banho, pois pude ouvir o carro sendo desligado na garagem de casa e ouvi os passos dela em direção a porta da frente, terminei rapidamente meu banho e procurei sair do banheiro o mais rápido possível, mas tropecei para fora do Box e levei o tapete e meu xampu, creme de barbear e utensílios caíram no chão fazendo uma enorme bagunça enquanto ela entrava em casa, droga, outra mulher que eu iria assustar no mesmo dia, continuei pegando as coisas de qualquer jeito e as coloquei dentro do lavatório do banheiro e corri para pegar uma toalha para enrolar na cintura e antes de eu abrir a porta do banheiro pude a ouvir entrando pela cozinha e perguntando o porquê a geladeira estava aberta e aquele monte de comida estava sob a bancada da cozinha e nisso resolvi aparecer ali.
—- Oi, mãe – sussurrei baixinho e ela deu um grito assustada comigo, mas rapidamente me reconheceu.
—- Sawyer! Cristo quer me matar do coração menino?! Quando chegou? – disse ela me abraçando fortemente e eu retribui o abraço, como eu sentia falta daquela mulher que sempre cuidou de mim.
Depois que troquei de roupa, jantamos juntos e contei a ela que eu tinha voltado e tinha conseguido a minha vaga de biólogo marinho no Clearwater e que começaria o estagio naquela semana juntamente com a faculdade que eu encerraria ali na Flórida mesmo, ela sorriu feliz com meu retorno e fomos dormir.
Na manhã seguinte ela acordou cedo e a vi indo bater na porta de meu quarto, mas eu já estava de pé e tinha feito o café da manhã, só estava esperando ela acordar para eu devolver o carro na locadora e pegar minha velha bicicleta, achava um carro um pouco desnecessário ali por um momento e ela sorriu para mim
Peguei a bicicleta e corri na direção do Clearwater e assim que entrei havia uma movimentação num tanto estranha no local e corri para o térreo onde sabia que todos estariam, chegando lá corri para o tanque onde Winter estava e ela parecia bem e então corri para onde Hazel estava e ela estava fazendo uma cirurgia em uma tartaruga, joguei minha bolsa no canto e corri para a sala de cirurgia para auxilia – lá.
—- Temos que salvar os ovos, se não ela não vai agüentar! – dizia Hazel desesperada com o estado da tartaruga e corremos para fazer o ‘parto prematuro” dos ovos da tartaruga, mas infelizmente apesar de meus esforços juntamente com Hazel e a equipe a tartaruga e mais de 90% dos ovos vieram a óbito.
Hazel se sentou no chão arrasada com a morte da tartaruga, pedi aos outros que colocassem os outros ovos nas câmaras para que tivessem uma chance, mesmo que mínimas de nascerem e me abaixei encarando a veterinária marinha que parecia inconformada de perder uma paciente com seus filhotes.
—- Fique calma, ainda temos chances, quatro para ser mais preciso – murmurei e ela me abraçou ainda chorando pela perda da tartaruga, fizemos o procedimento padrão quando um animal marinho morre e depois de tudo limpo e higienizado saímos dali para tomar um ar e paramos no tanque de Hope que sorriu nadando de um lado para o outro, em breve segundo Hazel, Winter voltaria a ver a melhor amiga e eu sorri
—- Quer comer um picolé de limão antes de voltamos ao trabalho? Meu avô está em casa descansado da queda que teve há alguns dias – disse Hazel e aceitei caminhamos pela costa e chegamos próximo ao deck onde eu tinha encontrado o golfinho macho e percebi que não tínhamos dado nome a ele e sorriu.
—- Decklan – murmurei e Hazel me encarou não entendendo porque falei aquele nome do nada e eu ri.
—- O nome do golfinho macho, eu o encontrei debaixo do deck então o nome dele será Decklan.
—- É, um bom nome para um golfinho macho, ele vai para o tanque grande essa semana para vermos como ele se recupera dos fermentos e começa a caçar para devolvermos ele ao mar, é um ótimo nome Sawyer.
—- Sobre os picolés de limão, a primeira vez que os comi foi quando seu pai amputou a calda da Winter.
—- Coincidência ou não eu os fiz ontem à noite e com a morte da tartaruga é um bom acalento para noticias e situações ruins – disse Hazel e sorrimos um para o outro e voltei ao velho barco onde ela, o pai e o avô moravam e reencontrei o velho Reed Haskett e ele estava do mesmo jeito, mas agora com os cabelos um pouco mais curtos e a barba completa no rosto, abracei o velho homem com cuidado por causa dos curativos enquanto Hazel ia até a cozinha buscar os picolés e nos sentamos nos fundos da casa/barco.
—- Sempre ficou perto do mar enquanto estudava biologia marinha em Boston? – perguntou Hazel quando trazia os picolés numa bandeja, juntamente com uma jarra de água gelada e assenti pegando o picolé.
—- Quase sempre, mas vezes dormíamos em uma cidade costeira e os hotéis próximos ao mar sempre estavam lotados, mas eu sempre procurava ficar dentro do barco ou algo parecido, acho que eu Possi dizer com toda a certeza do mundo que eu tenho água salgada nas veias – comentei e Hazel caiu na gargalhada.
—- Acredito em você, antes do meu pai aceitar o cargo na empresa que comanda o aquário e meu avô se ferir caindo do deck, viajamos por alguns meses, não muito longe daqui, mas senti como se tivesse conhecido o mundo todo dentro daquele barco, por isso fixei a minha idéia de ser veterinária marinha.
—- Seu pai é uma inspiração para mim, me tornei biólogo marinho por causa dele, meu pai eu não me lembro do rosto dele e recentemente tive algumas informações, mas não mudaram em nada – respondi.
—- Como assim? – perguntou Hazel bebericando o copo de água me ajeitei melhor na cadeira e encarei o oceano a nossa frente me lembrando de há quase um ano recebera algumas informações sobre meu pai.
—- O nome dele era Samael, mas ele acabou indo pro exercito e fez carreira no mesmo, mas não agüentando a pressão resolveu cair fora abandonando eu e a minha mãe, há alguns meses a questionei porque meu nome era Sawyer e ela disse que era por causa de um desenho chamado Tom Sawyer que ela assistiu quando jovem e colocou esse nome para combinar de alguma forma com o de meu pai já que Thomas a fazia lembrar do meu avô no qual ela não se dava muito bem e com o desaparecimento do meu pai o vinculo entre as famílias só não foi totalmente desfeito por causa da minha tia Alyce, afinal de contas ela e meu pai era irmãos e há alguns meses descobri que ele faleceu e deixou uma boa grana pra família e os advogados entraram em contato comigo, mas eu não quero esse dinheiro – murmurei indignado.
—- O que você fez com o dinheiro? – perguntou Hazel e eu peguei um copo de água e a encarei sério.
—- Dividi o dinheiro o dinheiro em três e doei metade para o hospital dos veteranos, metade para o hospital onde a minha mãe trabalha e a outra metade doei para o aquário – sussurrei e Hazel me encarou feliz.
—- Recentemente meu pai me contou como a minha mãe morreu, eles estavam devolvendo uma beluga para algum lugar do ártico e um dos blocos de gelo se rompeu e a minha mãe caiu na água congelante, meu pai e a equipe a socorreram, mas ela morreu algumas horas depois no hospital de hipotermia, a baleia que eles tinham devolvido para lá recebeu o nome de Ellery em homenagem a minha mãe – disse Hazel.
Andei até a frente do barco e olhei para cima para onde Hazel e eu costumávamos ficar conversando e estudando quando mais novos e subi lá em cima, ela me seguiu e ficamos olhando para a direção do aquário marinho e Hazel suspirou se sentando no chão e eu a acompanhei mordendo o picolé que derretia.
—- E a faculdade? – questionei – a enquanto tomávamos o que restava do sorvete e ela tossiu com o dela.
—- Acredita que eu faço a distancia? É como no ensino fundamental e médio, não consigo ficar longe do aquário nem da Winter e da Hope, optei por continuar trabalhando e estudando assim é mais fácil e você?
—- Estou matriculado aqui para o ultimo ano, mas pensando bem acho que vou fazer o mesmo que você, gosto de estagiar aqui e agora você terá ajuda com Winter e Hope e os outros animais – respondi e ela riu.
Descemos para pegar mais água e arrisquei comer mais um sorvete e desejei que ele demorasse bastante para derreter, eu sentia falta de conversar com Hazel e de me sentir em casa sem o medo de uma tempestade ou de algum animal que eu e minha turma de Boston estudávamos nos atacasse ou morresse.
—- Isso então significa de que não gostou muito da faculdade de Boston certo? – murmurou Hazel com a jarra d’água nas mãos, mastiguei o sorvete e lhe passei meu copo para que ela o enchesse e suspirei.
—- Me dei bem em quase tudo, alguns dos meus colegas me apelidaram de prodígio ou que eu era algum tipo de tritão porque a minha mãe deveria ser uma sereia por eu gostar e entender tanto de animais marinhos, mas depois de algum tempo comecei a sentir falta de casa e daqui então quando seu pai me ligou eu não pensei duas vezes e aceitei na hora e com a infecção de Winter tudo se potencializou e voltei pra cá antes mesmo do Kyle encerrar as ultimas provas para pegar o certificado de medicina e bom como você mesma pode dizer fui muito útil no resgate do Decklan e também no parto daquela tartaruga – falei.
—- Então quer dizer que encontrou então seu rumo e seu destino para o resto da sua vida? – disse Hazel
—- Acho que eu já tinha encontrado, mas precisei me afastar e aprender um pouco mais pra ter certeza.
—- Acha que os ovos de tartaruga que salvamos vão sobreviver? – questionou ela pensativa com a situação.
—- Espero que não – sussurrei encerrando o sorvete e ficamos bebericando a água gelada olhando para a orla.
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