Winter Love
39 The New Queen
Notas iniciais
Claro que meu pedido não foi exatamente atendido.
Quase sete meses depois e cá estava eu, em frente ao espelho com uma roupa típica de coroação. É um vestido de cerceta com um corpete com laço bronze. Suas mangas pretas chegam até meus pulsos. A partir de meu busto, o vestido desce em uma coloração verde com típicos detalhes de meu reino. Luvas verdes com os mesmos detalhes e capa magenta complementam. Meus cabelos estão presos em um coque elaborado e não posso evitar comparações com minha mãe.
Estou igualzinha a ela
Suspiro. Se ao menos eles estivessem aqui...
Me afasto do espelho e me aproximo de uma mesinha, onde há um candelabro e uma caixa de joias arredondada.
A cerimônia exigia a retirada das luvas na hora de pegar os objetos
" Encobrir, não sentir, não deixar saber"
Ouvia muito essa fras, quando Anna morreu. Papai tentou me ajudar a treinar meu autocontrole e repetia essa frase, para eu memorizá-la. Mas imagino que nem eu ou ele prevíamos uma guinada diferente dos rumos
Estavam muito nervosa nos últimos meses e perdia o controle facilmente
Tirei uma luva, depois outra. Olhei para o quadro de meu pai, segurando tais objetos em uma calma invejável. Estava quase pedindo ajuda divina para ter um terço daquela calma toda
Peguei os objetos e tentei me controlar ao máximo. Fechei os olhos, mas tudo que sentia era o gelo se espalhando nos materiais.
Coloquei tudo de volta à mesinha. Iria fazer a coroação com luvas. Talvez o bispo nem reparasse.
Recoloquei as luvas bem a tempo de um guarda bater e entrar em seguida
– Majestade, os portões devem ser abertos para o início da cerimônia.
– Tudo bem. Pode abrir — respondi
Era a primeira vez em anos que se abririam os portões. Minha ansiedade aumenta.
Acompanhei o guarda pelo corredor onde as criadas se postaram sérias rígidas e o segui até Edgar que me esperava no começo da escada, onde o povo passava direto para a capela
Dava para a ver animação delas
Edgar estava radiante.
– Vai dar tudo certo — ele afirmou, segurando minhas mãos enluvadas
– Obrigada — sussurrei
Ele então, juntou-se com os outros ministros.
Após eles, eu entraria
E o pesadelo teria inicio
***************
Estou diante o bispo, sob o olhar de expectativa de várias pessoas, com um coro acima de minha cabeça, entoando canções enquanto me curvo para receber a dourada e delicada coroa que, quando colocada em minha cabeça, prova ser mais pesada do que aparenta
Me endireito e então chega a hora mais temida para mim: os objetos. Estendo as mãos enluvadas para a almofada
"Ele não vai perceber" "Continue calmamente e, quando pegar os objetos vire-se rapidamente" pensamentos assim rondam minha mente quando um som de chamada de atenção me faz olhar para o bispo
– Majestade, as luvas — ele olha as luvas e eu entendo o recado
Suspiro e retiro as luvas calmamente, com as mãos trêmulas pego o candelabro e a caixa e me viro diante o povo, que se levanta.
O bispo começa a falar coisas que para mim não fazem sentido. Sinto o gelo começar a se espalhar e, não aguentando mais, volto ambos à almofada na hora certa, recolocando as luvas no momento em que me anunciam rainha e o povo vibra.
Eles param, entusiasmados em ouvirem minhas primeiras palavras como soberana
– Que o baile real tenha início — digo, pondo a maior firmeza que consigo na voz
***************
A sensação de ser anfitriã de um baile é gostosa e esquisita. Ver todas aquelas pessoas que estão ali para homenagear você e não saber o nome delas direito é perturbador. Mas cumprimentei à todos, até um certo rapaz ruivo e estranhamente familiar se aproximar com um homem baixinho e calvo ao seu lado
– Elsa? — o rapaz questiona — Lembra-se de mim?
O olho cuidadosamente, tentado-me lembrar da onde o sujeito realmente me conhece.
– Desculpe a indelicadeza — comecei — Mas não
– Hans, das Ilhas do Sul — respondeu o ruivo prontamente
Uma luz se acendeu em minha cabeça. Claro! Hans! Ele estava definitivamente mais forte e tinha que admitir que estava atraente
– Nossa, me perdoe! Estou tão perdida! — lamentei e ele riu
O senhor baixinho ao seu lado pigarreou e Hans parou de rir imediatamente
– Elsa, gostaria de apresentar meu tio, o atual Duque de Weasel Town — Hans começou, mas recebeu uma enorme puxada de orelha ao falar o nome do reino
– Weselton! Não é possível que um sobrinho meu não saiba dizer nem minha província corretamente -disse o raivoso senhor, deixando a orelha de Hans vermelha, enquanto esfregava-a com cara de dor. E então voltou-se para mim — Minha jovem formosa rainha, creio que nunca tivemos a oportunidade de realmente nos conhecermos. Eu sou o Duque de Weselton — ao se curvar, boa parte de seus poucos cabelos vieram junto, deixando tanto a mim, quanto Hans segurando uma risada que seria bem desagradável. Ele se levantou — Acredito que, como uma nova rainha, eu deveria lhe oferecer uma primeira dança
– Anh, sabe, senhor, eu não danço — ele fez muxoxo com a declaração — Mas vê aquela jovem de vestido amarelo? É minha dama de companhia. Seu nome é Louise e ela adoraria dançar com você — seus olhos brilharam e nem tive tempo de dizer algo e o Duque sumiu entre os convidados
O Duque era um dos principais aliados de Arendelle, o mesmo poderia se dizer de Ilhas do Sul
Voltei para Hans
– Como está a orelha?
– Ela vai melhorar. Mas, me diga uma coisa, se a senhorita não dança, o que foi aquilo alguns anos atrás? — ele ergueu uma sobrancelha, enquanto um sorriso brincava em seus lábios.
Corei violentamente e olhei o chão
– Faz muito tempo que eu não danço — tentei desconversar
– Ah, por favor Elsa. Prometeu-me uma dança em meu aniversário, não? Estou em meu direito de cobrá-la — detestava dívidas, ainda mais promessas não cumpridas
– Hans, acho melhor não... — tentei
– Uma dança e então ficará livre o resto da noite — ele não ia desistir e tenho que admitir que ele é muito persuasivo
Aceitei sua mão estendida e logo estávamos no meio do salão, já dançando.
– Eu sinto muito o que tenha acontecido com você. Sabe, sua irmã, seus pais e tios. Deve ter sido difícil — ele começou
Ah não. Hoje não
– Sim, foi — não queria falar sobre aquele assunto
– O que acontece aqui Elsa? — ele pergunta de repente — Portões fechados por tanto tempo, morte esquisita da princesa mais nova, desaparecimento e morte repentina de madame Lauren — ele tentava soar inocente, mas via mais que interesse em seus olhos.
– Foram coisas inevitáveis — disse, tentando parecer desinteressada — Aconteceu e ninguém conseguiu evitar
– Ninguém conseguiu evitar ou você cuidou para que não evitassem? — ele disse venenoso
O que ele estava sugerindo? Que eu cometi tudo aquilo? De certa forma poderia até estar certo, mas tudo aconteceu porque eu estava lá na hora errada, no lugar errado
– Como ousa? — perguntei, parando de dançar
– Elsa...olha, me desculpa... não sei o que passou pela minha cabeça — ele tentou
Neve caia do teto e todos olhavam assustados para mim em busca de respostas
Me afastei o mai rápido que pude, mas o senti agarrando meu braço
– Elsa, por favor, me deixe explicar — ele começou
– Não, não vai explicar nada! E não tem mais permissão p-ara me chamar pelo meu primeiro nome. Agora para você é Vossa Majestade. — tentei me afastar e senti minha mão desprotegida
Minha luva! Perdi minha luva para Hans!
A neve aumentava
– O baile acabou, retire todos e feche os portões — instrui à um guarda que logo concordou
– Elsa, por favor Elsa...... Volte aqui — ele continuava atrás de mim
– Chega Hans! — adverti
– Por favor, só me deixe explicar...
Ele continuava falando e a raiva explodiu ao extremo
– EU DISSE CHEGA! — gritei enquanto me virava e a mão desprotegida lançou uma proteção à minha volta,onde saía as estacas mais afiadas e mortíveras de gelo, separando-me do povo
O que foi que eu fiz?
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