Wings Of Darkness
3 Capitulo 2 - Uma Amiga
Notas iniciais

Acordo com o barulho de algo sombrio cruzando o céu e sendo atingido em cheio por um dos grifos de defesa. Pelo brilho e modo de lutar deve ser o Rá, que na maioria do tempo mais parece um enorme São Bernardo babão, tudo resultado da névoa. Por um momento lembro-me do Noturno, meu cão infernal de estimação, ele não costuma passar muito tempo comigo, mas sempre aparece quando preciso dele. Ainda estou lá no mesmo lugar, sentado na grama, encostado no pilar do arco de entrada do acampamento, acho que nem cheguei a dormir, acho que esse arco de entrada é uma das poucas coisas que ainda estão de pé. A noite ficou um pouco mais escura, um pouco fora do normal, mas chegava a ser familiar.
Sinto uma pontada nas costas, o ferimento resultante da perda de uma das minhas asas começa a protestar, chega a conclusão que isso se deve a lâmina usada pela criatura que me atacou, talvez algum veneno do submundo que eu não seja imune. Não restava mais néctar. Então passa pela minha cabeça de chama-la, talvez a dor no ferimento tenha sido o maior motivador de tudo.
Após alguns minutos em silêncio analisando as decisões que eu devia tomar, lembro da data, faltam alguns dias para meu aniversário. Eu sei exatamente o que deve ser feito, talvez me arrependa futuramente, mas ela pode me ajudar a não deixar tudo ser em vão.
Levo a mão ao colar de bronze em meu pescoço, analiso o medalhão e passa meu polegar suavemente sobre ele e então firmando a unha do polegar no fecho. Lembro-me da ultima vez que ela curou um ferimento meu e isso é uma das poucas coisas que me faz sorri sinceramente. Então abro o fecho do medalhão.
Não me levanto, apenas observo a pequena fênix de fogo que sai do interior do medalhão alçar voo até o céu e então sumir. Baixo a cabeça por um momento. Talvez ela não venha, fecho os olhos e sinto a dor sinceramente.
– Espero que não tenham sido as duas, eu até gostava da penugem negra – sinto a mão quente dela nos meus ombros, ela esta ajoelhada ao meu lado, veio do “nada”, ou apenas escutou meu chamado. Desencosto-me do pilar e deixo minhas costas acessíveis, a asa normal esta repousada no chão, aberta, fico meio curvado e deixo parte do cabelo cobrir meu rosto. Quando ela toca meu ferimento com as mãos sinto um leve ardor e mordo meu lábio inferior.
– Calma, vou ser rápida, talvez ela resolva crescer depois – Noto que ela sentou no chão ao meu lado, continuo calado, sinto a cabeça dela apoiada em meu ombro enquanto sua mão direita esta em minhas costas, logo o calor que emana da mão dela começa a aliviar a dor e sarar o ferimento onde estava a asa cortada.
– Terminei Thony – Ela fala apoiando a mão direita em meu ombro direito e mantendo a cabeça repousada em meu ombro esquerdo. Ergo minha asa que estava caída por trás dela e a envolvo, olho para o lado, ela esta usando um vestido branco e um colar de obsidiana – Eu sinto muito Sallie, por suas irmãs. – Eu não devia ter tocado no assunto, mas queria mostrar que me preocupava – Obrigado por ter vindo.
– A gente podia evitar tocar nesse assunto... Acho que não preciso perguntar como vão as coisas por aqui, mas sempre que você me chamar eu vou aparecer, assim como você faria o mesmo por mim – Ela inicialmente fala com a voz embargada, depois normaliza a voz e percebo que ela sorri ao terminar a fala.
– Eles resolveram mesmo nos deixar a própria sorte... Deuses, sempre tão egocêntricos, você devia falar aos outros, a Soyala, ao Charlie e ao Alex – Eu sabia, mas não me via como a melhor pessoa a dar as notícias.
– Talvez eu aproveite a visita e faça isso também, eu escutei a conversa de Hermes com os três grandes, vi Hebe e Iris aprisionadas no Olimpo – Ela olha o meu cantil de néctar jogado mais a frente – Talvez as perdas possam ser bem maiores e você precisa perder menos partes do corpo.
– Você sabe que eu até tento – Esboço um sorriso e então envolvo ela também com meu braço esquerdo.
– Thony, eu sei que você sabe quem é o responsável, por tudo... Porque não conta? – Ela fala em um tom baixo.
– Não seria o correto a fazer, ele também é meu irmão, acho que posso achar um meio, uma saída, existe um caminho mais fácil, acho que vou precisar de sua ajuda, pra me ajudar, a voltar. Você confia em mim?
– Eu confio – Ela responde ser florear muito a fala.
– Vai ficar tudo bem – Enquanto eu falto nos somos envolvidos um por uma neblina e sinto que ela vai adormecendo lentamente – Avise a eles que eu entrei, que eu fui manter a loucura retida no interior da criação de Atena.
Então nos dois sumimos na escuridão da noite, deixo a Sallie deitada na entrada do Labirinto de Dédalo, com o cuidado de deixá-la com meu gorro ao lado dela, eu sabia que ela não conseguiria voltar sem algo que a ocultasse. Ali na entrada estava deserto e escuro, os monstros só ganhavam forma na Floresta, sob a ordem Dele eles invadiam. Olho pra ela por um momento deitada no chão de folhas e então entro na obra da Criação de Atena.
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